Topsalysin, nova esperança contra o câncer da próstata

Notícias sobre pesquisas com medicamentos que jogam o preço das ações da empresa lá para cima sempre chamam a minha atenção. Grandes investidores são bem informados. A Sophiris Bio Inc. está pesquisando nova substância anticâncer chamada topsalysin. Anunciaram resultados preliminares de uma pesquisa do tipo “proof of concept”, apenas com dezoito pacientes. Esses resultados mostram que metade dos pacientes reagiu bem e metade não reagiu, nenhum efeito. Meu faro diz que há diferenças genéticas importantes.

Em seis meses, em dois dos dezoito pacientes os sinais do tumor sumiram. Não significa cura, mas, no mínimo, uma vitória parcial que reduziu o tumor a um nível que os instrumentos não detectam. Em sete houve uma redução do escore Gleason ou um encolhimento do maior núcleo canceroso encontrado.

O medicamento é injetado diretamente na próstata. Foi pensado para atacar canceres iniciais, evitando tratamentos custosos e invasivos. Não se aplica a pessoas com canceres avançados, metastizados.

Creio que avançarão para uma pesquisa Fase II, também com pacientes, para calcular a dose ótima e melhorar a aplicação do medicamento. Eventualmente poderão olhar se há efeitos interativos benéficos ou maléficos com outros tratamentos.

As ações da Sophiris subiram muito.

Fiquem de olho.

 

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

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DEBATE ENTRE PESQUISADORES SOBRE O CÂNCER DA PRÓSTATA

http://www.cancer-clinical-trials.com/2012/04/dr-beer-speaks-about-experimental-drugs.html?spref=fb

Discussão entre pesquisadores de ponta. Em Inglês, algo técnica, mas muito, muito útil para quem quer se manter informado. Clique na url acima.

GLÁUCIO SOARES           –    IESP/UERJ

Medicamento Bloqueia o Câncer de Próstata

Mais um medicamento experimental que bloqueia o avanço do câncer de próstata! Já passou para a fase de testes in vivo, com camundongos. Trata de tipos agressivos da doença. O trabalho está sendo feito no Ohio
State University Comprehensive Cancer Center
. O agente, como tantos outros, tem um nome ameaçador: OSU-HDAC42, que pertence a uma nova classe de medicamentos chamada de histone
deacetylase inhibitors.
É uma luta que parece psicodélica — o câncer “desliga” genes que protegem o corpo contra o câncer, que então cresce e prolifera.
Este composto,
OSU-HDAC42, religa, reativa os genes que iniciam processos normais de nosso corpo que combatem o câncer.
Como foi feito? 23 camundongos foram injetados com uma forma precancerosa e receberam o medicamento; outros 23 formaram o grupo controle, foram injetados com a mesma forma precancerosa, mas não com o medicamento.
Entre os 23 que receberam o medicamento somente um mostrou sintomas iniciais de câncer; outros 12 continuaram com a forma precancerosa e dez tiveram um crescimento benigno. E os controles?
Os controles se deram mal.
17 dos 23 desenvolveram formas avançadas de câncer de próstata, dois mostraram sintomas iniciais e apenas um teve um crescimento benigno.
Esse medicamento, ou agente, praticamente “parou” o desenvolvimento de uma forma agressiva do câncer (que é diferente das formas não agressivas, inclusive com células diferentes).
Não sabemos, ainda, se além de “parar” o desenvolvimento do câncer o
OSU-HDAC42 poderá curar os cânceres já existentes, nem sabemos se previne formas menos agressivas.
Vai nos ajudar? Depende. Embora as idéias e as pesquisas iniciais desse tipo, com freqüência, sejam feitas por universidades, os testes mais caros, Fase III, com muitos pacientes, são feitos ou financiados por empresas farmacêuticas. As empresas, claro, funcionam como empresas e não como caridades e querem lucro. Querem medicamentos que dão certo e nós também. Qualquer medicamento que contribua para parar o avanço ou curar o câncer de próstata tem um mercado mais do que promissor que aumenta todos os anos. É nessa lógica que deposito minhas esperanças.

Quando começar a terapia hormonal?

A terapia hormonal é a preferida pelos médicos quando há a volta do PSA sem outros sintomas – chamada de PSAR. Nos demais tipos de câncer, mais agressivos e que matam mais rapidamente, as terapias são aplicadas logo, rapidamente. Porem, o câncer de próstata cresce mais lentamente e raramente mata o paciente rapidamente. Muitos dos que tem PSAR não morrem de câncer de próstata. A terapia hormonal tem conseqüências e efeitos colaterais.

Essa pesquisa usou um database grande, do Department of Defense Center for Prostate Disease Research. 5.382 foram operados, dos quais 4.967 na era do PSA. Desses, 1.352 tiveram a desagradável experiência de ver o PSA voltar (PSA>0,2). Foram formados dois grupos:

  1. Uns receberam terapia hormonal logo que o PSA voltou;
  2. outros receberam a terapia apenas quando houve metástase confirmada clinicamente.

Foram usados dois pontos de chegada: o desenvolvimento de metástase clínicamente confirmada e a morte do paciente. Dos 1.352 pacientes com PSAR, apenas 103, ou 7,6% desenvolveram metástase clínica durante o estudo (alguns outros certamente a desenvolveram depois de terminado o estudo).

Vários estudos demonstraram que o efeito de começar cedo a terapia hormonal não é grande, mas eles esbarram no selection bias, o viés de seleção: os médicos recomendam terapia hormonal nos casos mais avançados com muito maior freqüência do que nos casos menos avançados o que contribui para explicar a diferença na mortalidade. Morreram não porque fizeram terapia hormonal, mas porque seu câncer estava mais avançado.

Para controlar o estágio do câncer, foram usados três marcadores: o escore Gleason, o PSADT (o tempo que o PSA leva para dobrar – quanto mais tempo, melhor) e quanto tempo passou entre a prostatectomia e a volta do PSA, o PSAR. Usaram modelos univariatos e outro chamado de multivariate Cox proportional hazard.

Fazer a terapia hormonal cedo postergava a metástase clinica, mas somente em pacientes com um escore Gleason de 8 ou mais e com um PSADT (tempo para dobrar o PSA) de 12 meses ou menos.Nos demais grupos, com cânceres menos agressivos, fazer a terapia hormonal cedo ou tarde não fez diferença. Porém, com a recente descoberta de que os cânceres de próstata acabam matando mais gente depois de 15 anos do primeiro tratamento, é preciso ampliar esse estudo, acompanhando os pacientes por mais tempo.

Fonte: Moul JW, Wu H, Sun L, McLeod DG, Amling C, Donahue T, Kusuda L, Sexton W, O’Reilly K, Hernandez J, Chung A, Soderdahl D. em J Urol. 2008 May;179(5Suppl):S53-9.

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Combinando Tomates e Soja em pacientes com câncer de próstata

Notícias sobre o tomate e a soja chegadas da Ohio State University. Há algum tempo que pequenos estudos mostram dois efeitos: reduzem o risco de câncer de próstata e/ou aumentam a eficácia desta ou daquela terapia.Outro pequeno estudo vem se juntar aos anteriores. Com apenas 41 homens, as conclusões se tornam mais precárias. Dividiram os pacientes em grupos: um só tomou tomates e seus e seus produtos (no mínimo 25 mgs de licopeno/dia), mas nenhuma soja durante 4 semanas; o outro tomou 40 g de proteína de soja por dia. Depois de quatro semanas, os homens consumiram tanto licopeno (tomates) quanto soja durante outras quatro semanas. Verificaram o aumento de licopeno no sangue,e o de soja (isoflavonas) na urina. O PSA foi reduzido em 14 dos 41 homens durante o período. Um fator associado com o crescimento do câncer chamado de vascular endothelial growth factor baixou, na média do grupo de 87 para 51 ng/ml (P < 0.05) no período de oito semanas.

O estudo foi pequeno e só serve para estimular outros, mas bate com os resultados de outros estudos pequenos. Licopeno e soja produzem resultados, mas há variação grande entre os pacientes no que concerne as respostas: uns respondem muito, outros pouco e terceiros nada.

Fonte: Grainger EM, Schwartz SJ, Wang S, Unlu NZ, Boileau TW, Ferketich AK, Monk JP, Gong MC, Bahnson RR, DeGroff VL, Clinton SK. em Nutr Cancer. 2008 Mar-Apr;60(2):145-54.

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O que está sendo feito sobre câncer de próstata e câncer de mama?

A Irlanda virou um centro de referência na área da informática, inclusive na organização e difusão do conhecimento. Uma empresa, Research and Markets
, (buscar em http://www.researchandmarkets.com/reports/c86619) acaba de adicionar relatórios sobre medicamentos oncológicos orientados para a apoptose, a morte das células cancerosas. A publicação se chama “Triple Analysis: The Drug Target Atlas of Apoptopic Drugs in Oncology and Special Focus on Breast and Prostate Cancer”.
Não é coisa para qualquer um ler. São mais de 450 páginas sumarizando e analisando as pesquisas sobre cânceres de próstata e de mama. O simples volume do que está sendo feito aumentou minhas esperanças. É uma publicação para profissionais da área e pacientes muito bem informados – que querem se informar ainda melhor.
A apoptose é o caminho genético que conduz à morte programada das células; parece que sabemos mais a respeito desses caminhos que são geneticamente regulados do que a respeito de qualquer outra área de possível utilidade. Os autores analisam nada menos de noventa combinações de medicamentos existentes, cada um com seus alvos, num total de 114 medicamentos apoptóticos orientados para tratar 48 cânceres diferentes.
O relatório desce ao nível das interações entre proteínas (essa proteína com aquela proteína etc.) num total de 452 que já foram estabelecidas e estudadas e que se referem a 96 alvos apoptóticos.
São cem (100) tabelas que incluem 1.500 links na internet; 114 medicamentos apoptóticos que estão sendo desenvolvidos por 87 pesquisadores em 430 projetos diferentes que lidam com o câncer;
drogas e medicamentos sendo desenvolvidos e sua relação com o projeto chamado de

São 119 relatórios sobre medicamentos que estão sendo desenvolvidos no bojo do Cancer Genome Project ;
São 90 medicamentos específicos orientados para a apoptose;
São 452 interações de proteínas com proteínas que objetivam provocar a apoptose de células cancerosas;
E muito, muito mais.
Para os muito interessados com alguma informação (e a leitura do Inglês) vale a pena dar uma espiada.

Todas essas pesquisas, mundo afora, são financiadas com uma fração do que é gasto em um mes da guerra do Iraque.Quem quizer aumentar a esperança, dê uma espiada em http://www.researchandmarkets.com/reports/c86619