CÂNCER DA PRÓSTATA: BOAS NOTÍCIAS!

Uma notícia importante para os pacientes com câncer na próstata, seus familiares e amigos. Notícia que poderá ser muito útil, também, para qualquer homem, considerando que, aproximadamente, um em seis terá que enfrentar esse câncer.

De que se trata?

De um novo medicamento, a darolutamida, que produziu resultados excelentes nos testes feitos até agora.

Esse medicamento foi aprovado pela U.S. Food and Drug Administration (FDA), que exerce funções semelhantes às da ANVISA.

Porém, atenção! Aprovado não significa que qualquer um pode usar. As aprovações da FDA seguem, cada vez mais, o caminho da medicina personalizada, levando em consideração outros fatores para conceder a aprovação. A FDA não deseja aprovar o uso desse medicamento em pacientes nos quais não produz bons resultados – ou produz resultados negativos.

Esse câncer, como vários outros, tem tipos e estágios e as empresas farmacêuticas precisam provar, através de cuidadosa pesquisa científica Fase III, que o medicamento funciona em uma população bem definida. No caso, pacientes que não respondem mais ao tratamento hormonal, mas ainda não apresentam metástase em testes padronizados.

Qual é a vantagem da darolutamida (o nome de marca, o que você encontrará nas farmácias, é Nubeqa®)?

É o tempo até a metástase. Pacientes com as características acima foram divididos em dois grupos: um com o tratamento hormonal mais darolutamida e outro com o tratamento hormonal sem darolutamida, mas com um placebo (para evitar o efeito placebo). A diferença entre os dois grupos é grande: a mediana do tempo transcorrido até a metástase no grupo com a darolutamida foi de 40,4 meses, mas no grupo sem a darolutamida foi bem menor, 18,4 meses. Vinte e dois meses, quase dois anos de diferença. Considerando que a faixa de idade na qual ocorre a maioria dos casos deste câncer é avançada, um ganho de quase dois anos até a metástase é uma excelente notícia. Por preciosismo estatístico, informo que a probabilidade de encontrar essas diferenças ao acaso é mínima: (p<0.0001).

E a morte? Ganhamos quanto tempo de vida?

Não dá para saber.

Não dá para saber por uma razão muito boa. Quando essa fase da pesquisa foi encerrada, mais da metade dos pacientes continuava vivinha da silva. Somente quando a metade ou mais bater o pacau é que poderemos calcular a mediana até a morte.

Não obstante, o tempo até a metástase se relaciona com o tempo até a morte. Quanto maior um, maior o outro. Não esqueçam que, excetuadas outras causas, não-cancerosas, esse câncer mata através das metástases.

Não tome qualquer decisão sem consultar um oncólogo ou urólogo. Converse com seus médicos.

Avise outros: quem enfrenta esse câncer, quem os ajuda e pessoas interessadas também.

As pesquisas médicas mais sérias têm nome. O nome dessa é Aramis.

Esse medicamento está sendo produzido pela Bayer.

Boa sorte e boas orações (elas ajudam, sim senhor).

GLÁUCIO SOARES

Encontre informações mais detalhadas em

www.NUBEQA.com

Boas noticias: novo medicamento aumenta o tempo livre de metástases

A FDA, que exerce algumas funções semelhantes às da ANVISA, aprovou o uso de novo medicamento para combater o câncer da próstata.

Hoje em dia, com os avanços na personalização do tratamento desse câncer, os medicamentos são aprovados para um tipo de paciente e para um ou mais estágios da doença.

A darolutamida foi aprovada para um tipo de paciente: os que não respondem mais ao tratamento hormonal, mas ainda não apresentam metástases visíveis nos exames de imagem.

Com base em que esse medicamento foi aprovado?

Com base nos resultados de uma pesquisa avançada, Fase 3, chamada ARAMIS. Essa pesquisa selecionou, aleatoriamente, os pacientes em dois grupos. Um recebeu a darolutamida mais o tratamento hormonal e outro recebeu um placebo mais o mesmo tratamento hormonal.

O critério foi o tempo até que aparecesse metástase visível nos exames de imagem. É chamado de tempo de sobrevivência até a metástase, (MFS).

As diferenças entre os dois grupos foi muito grande.

O grupo com a darolutamida levou, na mediana, 40,4 meses até o aparecimento de metástase, quase três anos e meio, ao passo que o grupo sem a darolutamida levou 18,4 meses.

Lembro que a mediana é o tempo que divide os pacientes em duas metades. Isso significa que metade dos pacientes do grupo darolutamida continuava sem metástase após 40,4 meses.

E o tempo até a morte?

Para medir esse tempo, temos que esperar até que a metade dos pacientes morra…

Como o tempo até a metástase se correlaciona, em outros estudos, com o tempo até a morte, ou seja, quanto mais demora um a chegar, mas demora o outro a chegar, os analistas hipotetizam um ganho substancial no tempo de vida, mas ainda não é possível saber de quanto.

Boas notícias…

Ótimas notícias…

GLÁUCIO SOARES

Abiraterona com barriga cheia?

Uma pesquisa que comparou os efeitos de um medicamento com e sem alimentos concluiu que tomá-lo com alimentos pode reduzir a dose diária terapêutica, reduzir problemas digestivos, e reduzir os custos em até 75%.

Qual é o problema? Os fabricantes aconselham a tomar o medicamento em jejum!

O medicamento é o acetato de abiraterona, conhecido pela marca Zytiga. As instruções aconselham que os pacientes tomem quatro pílulas de 250 mgs logo pela manhã, sem comer nada durante à noite. Após ingerir as pílulas, devem esperar uma hora até tomar o café da manhã.

Russell Szmulewitz, da Universidade de Chicago, afirma que essas instruções são contraproducentes e levam a grande desperdício. Compararam um grupo que seguia as instruções do fabricante e outros dois que tomavam os medicamentos com alimentos com apenas sete por cento de gordura e perto de 300 calorias, e ainda outro que mandava brasa no café da manhã de 825 calorias e 57% de gordura.

E daí???

Os medicamentos que tomamos não são absorvidos na sua totalidade. Um exemplo é o turmeric, com muitas utilidades: pouco é absorvido e quase tudo é expelido.

É aí que o breakfast faz diferença.

No breakfast “leve”, a quantidade de abiraterona que entra e circula no sangue é quatro a cinco vezes maior do que a que entra no paciente em jejum.

E quem manda a ver no café da manhã? A quantidade do medicamento que é absorvida pode chegar a dez vezes mais do que quando o paciente toma o medicamento em jejum.

Isso significa que, com muito menos medicamento (e muito menos efeitos colaterais) podemos conseguir resultados iguais.

É bom, mas muito bom mesmo, para o bolso do paciente ou do plano que paga o medicamento. No atacado, um mês de abiraterona (incluindo o desperdício quando tomado em jejum) é de oito a onze mil dólares. Oito a onze mil no atacado!

Quanto é isso? Onze mil dólares são mais de 36 mil reais. Mensais! Normalmente os pacientes tomam esse medicamento por cerca de dois anos. Ou mais de 880 mil reais. Somente com esse remédio.

Se não morrer do câncer, morre de penúria. Porém, um modo mais eficiente de ingestão do medicamento pode cortar esse custo em até 75%!

Cuidado. Esse estudo acaba de ser publicado e divulgado em EurekAlert, PUBLIC RELEASE: 28-MAR-2018 (ontem). Converse com seu urólogo e su oncólogo.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

AS MELHORES NOTÍCIAS EM UMA DÉCADA!

Uma entrevista recente com o Dr. Leonard G. Gomella ilustra importantes novidades no tratamento do câncer da próstata. O tratamento muda de acordo com o estágio da doença. Inicialmente, os tratamentos têm intenção curativa, exceto em casos muito avançados. Utilizados esses tratamentos, se o paciente não for curado, entram em ação outros tratamentos, predominantemente os hormonais.

Há quase dez anos, uma pesquisa Fase III mostrou que a abiraterona fazia uma diferença na sobrevivência: 15,8 meses vs 11,2 no grupo placebo. A partir daí houve muitas melhoras, a Johnson comprou os direitos e passou a comercializar o produto com o nome de Zytiga.

Outros grupos estavam pesquisando outros ingredientes ativos com o mesmo objetivo.

Abiraterona e enzalutamida foram aprovadas nos Estados Unidos para aquele estágio de pacientes que já não respondiam ao tratamento hormonal e tinham metástases detectáveis.

Os pacientes no estágio anterior, quando não havia mais uma resposta ao tratamento hormonal, mas não havia metástases detectáveis, tinham poucas opções além de aguardar as próprias metástases. Os pacientes do estagio anterior faziam o tratamento hormonal (ao qual alguns não respondem) e também ficavam esperando até que o câncer avançasse e não houvesse resposta ao tratamento.

Em poucos meses, tudo mudou.

Um novo tratamento, baseado na apalutamida mostrou muitos benefícios se usado mais cedo, quando ainda não havia metástases detectáveis. Reduziu o risco de metástase em 72% e o risco de morte também em 72%. A mediana de sobrevivência sem metástase no grupo apalutamida era 40,5 meses, muito mais do que no grupo controle, onde era apenas 16,2 meses.

A pesquisa III PROSPER procurou ver os efeitos de usar enzalutamida (Xtandi) mais cedo. Em conjunção com a terapia hormonal, reduzia o risco de metástase ou morte em 71% em comparação com o grupo que só fazia a terapia hormonal (que é onde eu estou).

Daí que o Dr. Gamella chamou de um avanço tremendo essas descobertas. Afinal, um aumento na sobrevivência de mais de dois anos não é pouca coisa…

É um momento cientificamente favorável aos que enfrentam um câncer da próstata e não conseguiram curá-lo no início.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Bons resultados com a enzalutamida


Uma equipe internacional analisou as vantagens em usar enzalutamida quando o tratamento hormonal não produz mais os efeitos desejados e o câncer começa a avançar. Esse medicamento só é usado legalmente nos Estados Unidos quando, além de indicação de que a terapia hormonal começou a falhar (ex.: crescimento rápido do PSA) e há indícios de metástase. Esses indícios são em parte um sofisma legal e metodológico nos casos em que houve prostatectomia porque o crescimento do PSA normalmente resulta da proliferação de células cancerosas em algum lugar do corpo (sem esquecer que esse corpo já não tem próstata). Não obstante, a detecção é, em boa parte, dependente do avanço da tecnologia. Há duas décadas, a metástase não teria que ser tão avançada quanto hoje para ser detectada. micro metástases serão corriqueiramente detectáveis em mais algum tempo. Essa questão me interessa particularmente porque agora talvez seja uma questão de pouco tempo até que a terapia hormonal perca seu poder. Quando as metástases acontecem, medicamentos como abiraterona e enzalutamida podem ser usadas, quando ainda não, não podem legalmente ser usadas nos Estados Unidos, ainda que haja dados que mostram que o uso enquanto não há metástase detectável tem muitos benefícios.

Quando ler artigos na área e encontrar a expressão “endpoints” saiba que estão tratando de objetivos. O tempo que o paciente passa até que apareça uma metástase é chamado de MFS (metastasis free survival). É uma mediana o tempo que leva até que metade dos pacientes tenha metástase e metade não. Sem enzalutamida, esse período é de 14,7 meses; com enzalutamida, leva mais tempo para chegar até a mediana que é de 36,6 meses. Uma diferença de 21,9 meses.[i] Aperte o botão Controle e, ao mesmo tempo, clique encima do endereço abaixo para ver os gráficos.

https://infogram.com/revisando-o-efeito-da-enzalutamida-1hke600081m065r

Lembrem que isso é até a primeira metástase detectável.

O tempo até o PSA voltara a crescer é outro objetivo. Quanto mais tempo, melhor. Sem tratamento, na mediana o PSA cresce em menos de quatro meses. Com enzalutamida é muito mais: 37,2 meses, mais de três anos [P< 0,0001].

São excelentes resultados, mas há efeitos colaterais e alguns deles fazem com que os pacientes desistam do tratamento.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

[i] A diferença é significativa no nível de P< 0.0001.

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Bons resultados com a enzalutamida

Uma equipe internacional analisou as vantagens em usar enzalutamida quando o tratamento hormonal não produz mais os efeitos desejados e o câncer começa a avançar. Esse medicamento só é usado legalmente nos Estados Unidos quando, além de indicação de que a terapia hormonal começou a falhar (ex.: crescimento rápido do PSA) e há indícios de metástase. Esses indícios são em parte um sofisma legal e metodológico nos casos em que houve prostatectomia porque o crescimento do PSA normalmente resulta da proliferação de células cancerosas em algum lugar do corpo (sem esquecer que esse corpo já não tem próstata). Não obstante, a detecção é, em boa parte, dependente do avanço da tecnologia. Há duas décadas, a metástase não teria que ser tão avançada quanto hoje para ser detectada. micro metástases serão corriqueiramente detectáveis em mais algum tempo. Essa questão me interessa particularmente porque agora talvez seja uma questão de pouco tempo até que a terapia hormonal perca seu poder. Quando as metástases acontecem, medicamentos como abiraterona e enzalutamida podem ser usadas, quando ainda não, não podem legalmente ser usadas nos Estados Unidos, ainda que haja dados que mostram que o uso enquanto não há metástase detectável tem muitos benefícios.

Quando ler artigos na área e encontrar a expressão “endpoints” saiba que estão tratando de objetivos. O tempo que o paciente passa até que apareça uma metástase é chamado de MFS (metastasis free survival). É uma mediana o tempo que leva até que metade dos pacientes tenha metástase e metade não. Sem enzalutamida, esse período é de 14,7 meses; com enzalutamida, leva mais tempo para chegar até a mediana que é de 36,6 meses. Uma diferença de 21,9 meses.[i]

Lembrem que isso é até a primeira metástase detectável.

O tempo até o PSA voltara a crescer é outro objetivo. Quanto mais tempo, melhor. Sem tratamento, na mediana o PSA cresce em menos de quatro meses. Com enzalutamida é muito mais: 37,2 meses, mais de três anos [P< 0,0001].

São excelentes resultados, mas há efeitos colaterais e alguns deles fazem com que os pacientes desistam do tratamento.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

[i] A diferença é significativa no nível de P< 0.0001.

Bons resultados com a Apalutamida no combate ao câncer da próstata

Há um novo medicamento contra o câncer da próstata, a Apalutamida (ARN-509) sendo testado – até agora com muito sucesso. De acordo com uma pesquisa chamada SPARTAN, a Apalutamida reduz o risco de metástase e de morte em nada menos do que 72%.

Esse medicamento está sendo testado em pacientes que já não respondem aos tratamentos hormonais, mas ainda não há metástases constatadas clinicamente.

Uma comparação mostra que a mediana sem metástase (tempo até a metástase) nessa categoria era de 16,2 meses no grupo placebo e 40,5 meses no grupo apalutamida. Esse grupo recebeu doses diárias de 240 mg de Apalutamida.

Uma diferença muito grande!

Como foi feita essa pesquisa? Com 1.287 pacientes cujo PSA crescia rapidamente, dobrando a cada dez meses ou menos, a despeito da terapia hormonal, mas que não havia metástase detectada pela Tomografia Computarizada ou pelos scans da pélvis, do abdômen, peito e cérebro.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ


Saiba mais: Small EJ, Saad F, Chowdhury S et al. SPARTAN, a phase 3 double-blind, randomized study of apalutamide (APA) versus placebo (PBO) in patients (pts) with nonmetastatic castration-resistant prostate cancer (nmCRPC). J Clin Oncol 36, 2018 (suppl 6s; abstract 161).