Bons resultados com a enzalutamida


Uma equipe internacional analisou as vantagens em usar enzalutamida quando o tratamento hormonal não produz mais os efeitos desejados e o câncer começa a avançar. Esse medicamento só é usado legalmente nos Estados Unidos quando, além de indicação de que a terapia hormonal começou a falhar (ex.: crescimento rápido do PSA) e há indícios de metástase. Esses indícios são em parte um sofisma legal e metodológico nos casos em que houve prostatectomia porque o crescimento do PSA normalmente resulta da proliferação de células cancerosas em algum lugar do corpo (sem esquecer que esse corpo já não tem próstata). Não obstante, a detecção é, em boa parte, dependente do avanço da tecnologia. Há duas décadas, a metástase não teria que ser tão avançada quanto hoje para ser detectada. micro metástases serão corriqueiramente detectáveis em mais algum tempo. Essa questão me interessa particularmente porque agora talvez seja uma questão de pouco tempo até que a terapia hormonal perca seu poder. Quando as metástases acontecem, medicamentos como abiraterona e enzalutamida podem ser usadas, quando ainda não, não podem legalmente ser usadas nos Estados Unidos, ainda que haja dados que mostram que o uso enquanto não há metástase detectável tem muitos benefícios.

Quando ler artigos na área e encontrar a expressão “endpoints” saiba que estão tratando de objetivos. O tempo que o paciente passa até que apareça uma metástase é chamado de MFS (metastasis free survival). É uma mediana o tempo que leva até que metade dos pacientes tenha metástase e metade não. Sem enzalutamida, esse período é de 14,7 meses; com enzalutamida, leva mais tempo para chegar até a mediana que é de 36,6 meses. Uma diferença de 21,9 meses.[i] Aperte o botão Controle e, ao mesmo tempo, clique encima do endereço abaixo para ver os gráficos.

https://infogram.com/revisando-o-efeito-da-enzalutamida-1hke600081m065r

Lembrem que isso é até a primeira metástase detectável.

O tempo até o PSA voltara a crescer é outro objetivo. Quanto mais tempo, melhor. Sem tratamento, na mediana o PSA cresce em menos de quatro meses. Com enzalutamida é muito mais: 37,2 meses, mais de três anos [P< 0,0001].

São excelentes resultados, mas há efeitos colaterais e alguns deles fazem com que os pacientes desistam do tratamento.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

[i] A diferença é significativa no nível de P< 0.0001.

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Bons resultados com a enzalutamida

Uma equipe internacional analisou as vantagens em usar enzalutamida quando o tratamento hormonal não produz mais os efeitos desejados e o câncer começa a avançar. Esse medicamento só é usado legalmente nos Estados Unidos quando, além de indicação de que a terapia hormonal começou a falhar (ex.: crescimento rápido do PSA) e há indícios de metástase. Esses indícios são em parte um sofisma legal e metodológico nos casos em que houve prostatectomia porque o crescimento do PSA normalmente resulta da proliferação de células cancerosas em algum lugar do corpo (sem esquecer que esse corpo já não tem próstata). Não obstante, a detecção é, em boa parte, dependente do avanço da tecnologia. Há duas décadas, a metástase não teria que ser tão avançada quanto hoje para ser detectada. micro metástases serão corriqueiramente detectáveis em mais algum tempo. Essa questão me interessa particularmente porque agora talvez seja uma questão de pouco tempo até que a terapia hormonal perca seu poder. Quando as metástases acontecem, medicamentos como abiraterona e enzalutamida podem ser usadas, quando ainda não, não podem legalmente ser usadas nos Estados Unidos, ainda que haja dados que mostram que o uso enquanto não há metástase detectável tem muitos benefícios.

Quando ler artigos na área e encontrar a expressão “endpoints” saiba que estão tratando de objetivos. O tempo que o paciente passa até que apareça uma metástase é chamado de MFS (metastasis free survival). É uma mediana o tempo que leva até que metade dos pacientes tenha metástase e metade não. Sem enzalutamida, esse período é de 14,7 meses; com enzalutamida, leva mais tempo para chegar até a mediana que é de 36,6 meses. Uma diferença de 21,9 meses.[i]

Lembrem que isso é até a primeira metástase detectável.

O tempo até o PSA voltara a crescer é outro objetivo. Quanto mais tempo, melhor. Sem tratamento, na mediana o PSA cresce em menos de quatro meses. Com enzalutamida é muito mais: 37,2 meses, mais de três anos [P< 0,0001].

São excelentes resultados, mas há efeitos colaterais e alguns deles fazem com que os pacientes desistam do tratamento.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

[i] A diferença é significativa no nível de P< 0.0001.

Bons resultados com a Apalutamida no combate ao câncer da próstata

Há um novo medicamento contra o câncer da próstata, a Apalutamida (ARN-509) sendo testado – até agora com muito sucesso. De acordo com uma pesquisa chamada SPARTAN, a Apalutamida reduz o risco de metástase e de morte em nada menos do que 72%.

Esse medicamento está sendo testado em pacientes que já não respondem aos tratamentos hormonais, mas ainda não há metástases constatadas clinicamente.

Uma comparação mostra que a mediana sem metástase (tempo até a metástase) nessa categoria era de 16,2 meses no grupo placebo e 40,5 meses no grupo apalutamida. Esse grupo recebeu doses diárias de 240 mg de Apalutamida.

Uma diferença muito grande!

Como foi feita essa pesquisa? Com 1.287 pacientes cujo PSA crescia rapidamente, dobrando a cada dez meses ou menos, a despeito da terapia hormonal, mas que não havia metástase detectada pela Tomografia Computarizada ou pelos scans da pélvis, do abdômen, peito e cérebro.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ


Saiba mais: Small EJ, Saad F, Chowdhury S et al. SPARTAN, a phase 3 double-blind, randomized study of apalutamide (APA) versus placebo (PBO) in patients (pts) with nonmetastatic castration-resistant prostate cancer (nmCRPC). J Clin Oncol 36, 2018 (suppl 6s; abstract 161).

Aproximando o futuro

Você, ou um ser querido, enfrenta um câncer da próstata. O avanço do câncer preocupa, seja porque está avançando, seja porque pode recomeçar a avançar. Você olha com esperança para as pesquisas, os novos medicamentos que estão sendo testados, novas terapias ETC. Você sabe que a sobrevivência aumentou muito nos últimos dez anos, em parte devido a novos tratamentos.

Porém, você também sabe que muitas pesquisas acabam não produzindo novos medicamentos e que muitas das que alavancam tratamentos mais avançados demoram muito tempo até estarem disponíveis.

Pesquisadores consultados afirmaram que, na atualidade, a duração prevista das pesquisas é de 11,5 a 16,2 anos, calculando amostras de cerca de mil pacientes, com um tempo de recrutamento de cerca de cinco anos. São pesquisas que não beneficiarão muitos dos atuais pacientes, que morrerão antes e não somente de câncer. Nas idades avançadas da grande maioria dos pacientes, muitos morrem – a maioria de outras causas – em quinze anos.

Se você tem esse tipo de preocupação, você vai gostar da notícia abaixo.

Os pesquisadores de um grupo de trabalho chamado

ICECaP acompanharam pacientes durante dez anos – na mediana – e concluíram que há uma correlação muito alta entre a sobrevivência em geral (, chamada de OS, overall survival, incluindo todas as causas de morte) e o tempo que leva até a metástase, em pacientes com canceres localizados.

Em parte, isso é óbvio e esperado. É a metástase que mata. Quanto mais tempo até a metástase, maior a sobrevivência…. Porém, o tempo que leva do aparecimento da primeira metástase até a morte não é sempre o mesmo. Longe disso.

Exemplo: se a metástase for para uma víscera, particularmente para o fígado, a sobrevivência mediana é menor do que a metástase mais comum, que é para os ossos.

Talvez muitas dessas diferenças já estejam embutidas no tempo até o aparecimento da primeira metástase.

A relevância para o desenvolvimento de novos tratamentos e novos medicamentos é que não será obrigatório esperar até que muitos pacientes morram para apresentar conclusões preliminares das pesquisas e submeter esses possíveis tratamentos e medicamentos à apreciação dos órgãos reguladores, que devem aprovar o seu uso para que possam ser fabricados e vendidos.

Terão que esperar menos, em alguns casos, vários anos menos.

Qual o resultado animador? A correlação de Kendall entre a OS, sobrevivência geral, e o tempo livre de metástases (metastasis-free survival – MFS) é altíssima, 0,91. O chamado coeficiente de determinação, R2, é 0,83. A regressão foi entre a sobrevivência geral aos oito anos e a ausência de metástase aos cinco anos.

Confirmada essa associação para vários tipos de pacientes, os medicamentos chegarão às prateleiras três anos antes! É imaginável que esse ganho seja aumentado se essa associação se revelar tão íntima entre medidas com um intervalo maior entre elas.

Tratamos de estender vidas humanas. Se os medicamentos mais recentes estivessem disponíveis três anos mais cedo, dezenas de milhões de anos de vida poderiam ter sido salvos em todo o planeta.

Vale a pena ler mais:

Xie W, Regan MM, Buyse M, et al. Metastasis-free survival is a strong surrogate of overall survival in localized prostate cancer [published online August 10, 2017]. J Clin Oncol. doi:10.1200/JCO.2017.73.9987.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

CUIDADO COM O PSA DURANTE O TRATAMENTO COM ENZALUTAMIDA

Um dado recente preocupa os pacientes com câncer da próstata que tomam enzalutamida (Xtandi). Esse medicamento tem sido usado em pacientes que desenvolveram resistência ao tratamento hormonal com medicamentos “tradicionais”, que estão no mercado há duas, três décadas ou mais.

Qual o dado?

Encontraram um número surpreendentemente grande de pacientes usando enzalutamida que, a despeito de terem um PSA estável, ou até em declínio, que apresentavam avanço da doença de acordo com os exames radiológicos.

O PSA começou a ser usado na triagem de casos com suspeita de câncer da próstata em 1987; a FDA aprovou o PSA no sangue como teste sete anos depois, em 1994.

É um teste de fácil obtenção e relativamente barato e nesse quarto de século se tornou o indicador mais usado na triagem. A confirmação mais usada durante esse período requeria biópsia.

Vários indicadores foram desenvolvidos com base no PSA, como o tempo que ele leva para dobrar (o PSADT), o nível mais baixo que ele atingiu (que é chamado de nadir), o tempo até que o PSA volta a ser detectado após não poder ser detectado depois de uma cirurgia e muito mais. É o indicador mais usado na prevenção, detecção, diagnóstico e acompanhamento, embora sempre abrigando controvérsias.

Isso significa que, para um grupo de pacientes com câncer avançado da próstata, que estão sendo tratados com enzalutamida, que o PSA estável ou em declínio tem menor utilidade como indicador de que o câncer não está avançando.

Ruim para todos nós.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

ALGAS E LASER CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

Os tratamentos mais comuns para o câncer da próstata nos seus estágios iniciais são a cirurgia, a radioterapia, a braquiterapia, usualmente acompanhados de um dos tipos de tratamentos hormonais.

Os tratamentos mais usados têm efeitos colaterais, como a impotência e a incontinência, permanentes ou temporárias, que reduzem em muito a qualidade da vida dos pacientes.

Surge uma novidade: micróbios encontrados em algas marítimas são injetados nas artérias dos pacientes. Eles são trabalhados para se concentrarem na próstata. Posteriormente, os médicos usam raios laser para ativá-los e fazê-los reagir. Quando fazem isso, matam as células cancerosas.

Quem se beneficiaria com esse tratamento? Pacientes com canceres “intermediários”. O tratamento, até agora, não parece indicado para pacientes cujo câncer saiu da próstata, caracterizando metástases locais ou distantes; do outro lado, os pacientes com canceres indolentes podem não necessitar de tratamento. São acompanhados, porque um câncer indolente pode se transformar em agressivo, mas, no momento, com exames como o PSA e o toque retal, evitando outros testes mais invasivos, como as biópsias.

O progresso das pesquisas é, necessariamente, lento e, no caso do câncer da próstata, um câncer mais lento do que a grande maioria, ainda mais lento. O licenciamento também demora, de maneira que serão alguns anos até que esse tratamento esteja disponível – se continuar demonstrando sua eficácia em testes maiores.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

 

Saiba mais:

http://www.itechpost.com/articles/67777/20161222/science-tech-breakthrough-prostate-cancer-treatment-using-lasers-from-the-deep-sea.htm

Curcuma contra o câncer da próstata

Cientistas brasileiros do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estão fazendo algo promissor.

Vejo, no meu limitado conhecimento, possibilidades importantes que estão abrindo. O cúrcuma é usado em muitos países como condimento de vários pratos, e é incluído em muitas receitas. É, resumindo, retirado de uma raiz (de turmeric, em Inglês). O nome técnico da raiz é Curcuma longa. É usado na preparação dos pratos.

O cúrcuma tem sido associado com vários benefícios para a saúde – antioxidante, antinflamatório, anticâncer, que é o que nos interessa. Tem potencial como tratamento anticâncer, mas o problema é que é de difícil absorção.

O que estão fazendo os pesquisadores da Unicamp?

Desenvolveram uma técnica que usa nano partículas de sílica, recheadas de cúrcuma, para levar o possível medicamento às células cancerosas. Para fazer isso, revestiram as nano partículas de folato que, segundo entendo, é uma vitamina que tem preferência pelas células cancerosas.

Os primeiros resultados são muito bons: em experimentos in vitro mataram perto de 70% das células cancerosas e dez por cento das células normais.

Encontrei a explicação dessa atração mútua entre o folato e as células cancerosas. As células cancerosas têm receptores de folato em maior quantidade – muito maior quantidade – duzentas vezes mais. A explicação foi dada pelo Pesquisador Responsável, Mateus Borba Cardoso.

A sílica e o folato reduzem o problema da absorção de drogas que não são solúveis na agua, no sangue e outros fluidos biológicos.

É bom saber que nossos cientistas estão trabalhando nessa área, contra viento y marea. Falta muito e o trajeto das pesquisas in vitro às estantes das farmácias é longo e difícil, mas é mais uma possibilidade que se abre, um tratamento para o câncer da próstata com menos efeitos colaterais do que a quimioterapia.

 

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

Para saber mais, busque na revista Langmuir, da American Chemical Society.