Mais quatro meses sem dores

  • O câncer da próstata, quando chega a estágios avançados, atinge os ossos, produzindo metástases ósseas que são muito dolorosas. Muitos dos pacientes que chegam lá terminam morrendo das complicações no esqueleto;
  • O tratamento tradicional para impedir esse avanço é o Zometa;
  • Amgen é uma empresa farmacêutica que quer ganhar dinheiro, como todas as empresas;
  • Xgeva é um tratamento que a Amgen desenvolveu e testou para retardar os danos ao esqueleto do paciente. Não cura o câncer, protela a metástase;
  • O ingrediente ativo da Xgeva se chama denosumab.

Esse tratamento se aplica, também, a outros cânceres sólidos. Denosumab já é vendido para determinados cânceres sob o nome de Prolia e para tratar a osteoporose.

As agencias reguladoras de diferentes países examinam os remédios e medicamentos e dão – ou não – sua aprovação. A que faz esse serviço nos Estados Unidos se chama FDA. Parece que a FDA vai aprovar a Xgeva porque testes clínicos mostraram que ela é mais eficiente do que o Zometa. Eficiente em quê? Em reduzir danos ósseos causados pelo câncer. Que danos? Muitos, inclusive fraturas e compressões na coluna, na espinha.

Amgen publicou resultados em dezembro que demonstram que Xgeva protela a metástase para os ossos na mediana em 4,2 meses. Parece pouco, mas é bom lembrar que o câncer da próstata é uma doença quase exclusiva da Terceira Idade e que nessas faixas de idade a esperança de vida não é grande. No município de São Paulo, área com muitos recursos, em 2000 a esperança de vida aos 75 anos era de 9,3 anos, dos quais 6,7 podendo viver de maneira independente e 2,5 com incapacidade funcional.

  • O que é incapacidade funcional? Incapacidade funcional: dificuldade de realizar uma ou mais atividades de vida diária (de acordo com os autores estudo: vestir-se, comer, tomar banho, ir ao banheiro, deitar-se e levantar da cama e atravessar um cômodo da casa). Dependência: necessidade de auxílio para realizar pelo menos uma dessas atividades.

Assim, um ganho de 4,2 meses é um ganho modesto, mas não mínimo, particularmente se considerarmos que os funcionalmente incapazes (como muitos pacientes de câncer da próstata são nessa idade) têm uma esperança de vida (disfuncional) de trinta meses.

A Amgen está solicitando aprovação para a Xgeva em vários paises.

E nós, pacientes, o que temos a ver com isso? Quatro meses a mais sem os sintomas pesados da metástase óssea, particularmente dores. Quem está em estágios muito, muito avançados, sonha com um dia sem dor. Para esses, quatro meses seriam um presente dos céus.

 

GLÁUCIO SOARES

Fonte principal: resumo em Prostate News.

Cálculos próprios a partir de Camargos MCS, Perpétuo IHO, Machado CJ. Expectativa de vida com incapacidade funcional em idosos em São Paulo, Brasil. Rev Panam Salud Publica. 2005;17(5/6):379–86.

 

 

 

 

 

 

 


 

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VEGETAIS AJUDAM A CONTROLAR O CÂNCER

Nova pesquisa demonstra que o consumo de vegetais é benéfico e ajuda no combate ao câncer da próstata.

Ajuda como?

Reduz a velocidade do avanço do câncer e ajuda a impedir a metástase.

Desta vez, a pesquisa foi feita na Universidade da Califórnia em San Diego. Os resultados da pesquisa indicam que os pacientes que comem mais vegetais diariamente são os que têm a taxa de crescimento do câncer mais baixa. A correlação é alta. Uma dieta com muitos e variados vegetais e frutas, sobretudo aqueles que tiveram seu efeito comprovado através de pesquisas, como o brócolis e a romã entre muitos, pode impedir o avanço do câncer e a metástase por muito tempo.

Esses são resultados preliminares, pois a pesquisa ainda está em andamento, mas há um grande número de pesquisas anteriores de diversos tipos cujos resultados são semelhantes.

GLÁUCIO SOARES

A soja pode desacelerar o câncer da próstata

Oxalá a pesquisa se amplie e os resultados se confirmem. Na Universidade de Northwestern, em Illinois, Vai demorar, segundo os pesquisadores, entre cinco e dez anos. Bem….

  • Estudos com homens japoneses mostraram que a incidência do câncer da próstata era muito menor do que nos homens que vivem nos países ocidentais;
  • Outros estudos concluíram que o genistein, um anti-oxidante encontrável em abundância na soja reduzia muito o avanço do câncer em camundongos.

Ganhar tempo: é o possível quando não há cura; é o que nós queremos.A pesquisa foi feita no Northwestern’s Robert H. Lurie Comprehensive Cancer Center e já dura dois anos. Acompanharam 38 homens com câncer que iriam fazer prostatectomia radical. Os que tomaram uma pílula diária durante um mês, produziram muito menor quantidade de um enzima que estimula a metástase. Lembrem que é a metástase que mata.

 A pílula tem entre o dobro e oito vezes o genistein que as pessoas que consomem normalmente produtos de soja. E “parou” o câncer dentro da próstata. Servirá para nós, os que temos câncer avançado?

Não sei. Escrevi para a universidade e perguntei a dose de genistein e se a pílula já pode ser comprada ou foi feita especialmente, como é mais provável.

Quando responderem, direi por este blog.

 

Ouro e calor contra câncer

Há uma nova perspective no tratamento de cânceres que, na minha opinião, é promissor. O primeiro passo consiste em injetar nano partículas de ouro nos pacientes. Essas nano partículas são preparadas de maneira a procurar as células cancerosas e grudar nelas. A partir daí há diferentes caminhos para atacar o câncer. Uma consiste em derramar seu conteúdo dentro das células cancerosas. Esse conteúdo usualmente é tóxico e mata as células. O outro está sendo testado na Washington University em St. Louis. Essa universidade é especialmente querida por mim porque foi lá onde me doutorei. Esse caminho também congrega as nano partículas ao redor das células cancerosas, se possível “grudando-as” nelas, usando depois uma terapia fotodinâmica. Um laser é dirigido para essas partículas, iniciando uma terapia fototérmica. O laser esquenta o ouro e esse aumento na temperatura é o suficiente para matar as células cancerosas. Um dos pesquisadores se chama Michael J. Welch.

Mas há problemas. O principal deles talvez seja o fato de que nosso sistema imune percebe as nano partículas como invasoras e as ataca. Os pesquisadores banharam as partículas numa substância chamada PEG que não é toxica. A PEG “engana” o sistema imune por um tempo, o suficiente para as nano partículas identificarem as células cancerosas e furarem em suas paredes, alojando-se parcialmente no seu interior. Posteriormente, o laser as aquece e a elevação da temperatura mata as células cancerosas.

Essa promissora terapia continua a ser desenvolvida, tendo recebido uma dotação de pouco mais de dois milhões de dólares do National Cancer Institute. Reiterando informação que veiculei anteriormente, essa dotação equivale a 0,004% do custo de construção do porta aviões Ronald Reagan. Para ser equânime, o Aerolula, que é o avião presidencial de luxo comprado em 2005 pelo governo Lula custou US$ 56,7 milhões, custou o equivalente a 26,6 pesquisas desse tipo.

A hora e a vez do Sagopilone?

Uma nova quimioterapia que talvez compita e talvez complete o docetaxel.
Houve um teste clinico capitaneado pelo Oregon Health & Science University Cancer Institute. Todos os pacientes tinham cânceres avançados que não respondiam ao tratamento hormonal e que tinham metástases. É um dos estágios mais avançados da doença. Os resultados serão formalmente apresentados hoje, dia 31 de maio de 2008.
Trinta e sete pacientes receberam Sagopilone juntamente com a prednisona e acompanhados durante apenas três meses. Treze dos trinta e sete tiveram uma redução do PSA de mais de 50% – um indicador de que estão respondendo bem ao tratamento; outros 23 tiveram uma redução de, pelo menos, 30%. Um, no qual o câncer aparecia nas radiografias, teve uma excelente resposta completa – o câncer sumiu da radiografia.
Sagopilone é um medicamento inteiramente sintético, cujo efeito é evitar o crescimento do câncer, o mesmo que o docetaxel, que em quatro anos passou a ser uma terapia padrão. Porém, nem todos os pacientes respondem ao Docetaxel,que não tem a pretensão de ser uma cura. O Dr. Beer, pesquisador responsável, busca aumentar a sobrevivência dos pacientes e tem esperança de encontrar uma cura. Afinal de contas, a químioterapia cura alguns tipos de câncer. A equipe vai continuar testando diferentes medicamentos.
Para que tenham em mente qual é a velocidade com que as pesquisas são feitas e se incorporam aos tratamentos padronizados, foi em 13 de outubro de 2004 que foram divulgados os resultados com o Docetaxel.

O teste foi feito com pacientes do Prostate Cancer Clinical Trials Consortium, e de algumas instituições nos Estados Unidos e na Argentina. Olhem a lista:

Blair Medical Associates, Altoona, Penn.; Portland Veterans Affairs Medical Center Billings Clinic, Billings, Mont.; Gabrail Cancer Center, Canton, Ohio; University of Nebraska Medical Center; University of Maryland Medical Center, Baltimore, Md.; Pacific Coast Hematology/Oncology Medical group, Fountain Valley, Calif.; Madigan Army Medical Center, Tacoma, Wash.; Veterans Affairs Puget Sound, Seattle, Wash.; John Peter Smith Center for Cancer care, Farmington, N.M.; Eastchester Center for Cancer Care., Bronx, N.Y.; University of Michigan Health System, An Arbor, Mich.; Florida Urology Specialists, Sarasota, Fla.; e também o Hospital Privado Cordoba, Sanatorio Allende, em Cordoba, na Argentina; e a Policlinica Bancaria, o Hospital Alvarez, o Hospital Durand e o Hospital Britanico, em Buenos Aires.

Esses testes, chamados de clinical trials, são a última esperança de pacientes muito graves. Precisamos adicionar institituições brasileiras à lista de instituições que participam nesses e em outros testes, dando aos cancerosos brasileiros uma esperança a mais, aumentando a sobrevivência deles.

Por que não participam???????

Sagopilone é feita pela Bayer Healthcare Pharmaceuticals,que financiou a pesquisa. Os resultados foram baseados na publicação eletrônica Oregon Health & Science University (2008, May 30). Novel Chemo Drug Helps Treat Prostate Cancer. ScienceDaily. Por sua vez, foi baseada em http://www.sciencedaily.com­ /releases/2008/05/080530172628.htm

Medicamento Bloqueia o Câncer de Próstata

Mais um medicamento experimental que bloqueia o avanço do câncer de próstata! Já passou para a fase de testes in vivo, com camundongos. Trata de tipos agressivos da doença. O trabalho está sendo feito no Ohio
State University Comprehensive Cancer Center
. O agente, como tantos outros, tem um nome ameaçador: OSU-HDAC42, que pertence a uma nova classe de medicamentos chamada de histone
deacetylase inhibitors.
É uma luta que parece psicodélica — o câncer “desliga” genes que protegem o corpo contra o câncer, que então cresce e prolifera.
Este composto,
OSU-HDAC42, religa, reativa os genes que iniciam processos normais de nosso corpo que combatem o câncer.
Como foi feito? 23 camundongos foram injetados com uma forma precancerosa e receberam o medicamento; outros 23 formaram o grupo controle, foram injetados com a mesma forma precancerosa, mas não com o medicamento.
Entre os 23 que receberam o medicamento somente um mostrou sintomas iniciais de câncer; outros 12 continuaram com a forma precancerosa e dez tiveram um crescimento benigno. E os controles?
Os controles se deram mal.
17 dos 23 desenvolveram formas avançadas de câncer de próstata, dois mostraram sintomas iniciais e apenas um teve um crescimento benigno.
Esse medicamento, ou agente, praticamente “parou” o desenvolvimento de uma forma agressiva do câncer (que é diferente das formas não agressivas, inclusive com células diferentes).
Não sabemos, ainda, se além de “parar” o desenvolvimento do câncer o
OSU-HDAC42 poderá curar os cânceres já existentes, nem sabemos se previne formas menos agressivas.
Vai nos ajudar? Depende. Embora as idéias e as pesquisas iniciais desse tipo, com freqüência, sejam feitas por universidades, os testes mais caros, Fase III, com muitos pacientes, são feitos ou financiados por empresas farmacêuticas. As empresas, claro, funcionam como empresas e não como caridades e querem lucro. Querem medicamentos que dão certo e nós também. Qualquer medicamento que contribua para parar o avanço ou curar o câncer de próstata tem um mercado mais do que promissor que aumenta todos os anos. É nessa lógica que deposito minhas esperanças.

Combinando Tomates e Soja em pacientes com câncer de próstata

Notícias sobre o tomate e a soja chegadas da Ohio State University. Há algum tempo que pequenos estudos mostram dois efeitos: reduzem o risco de câncer de próstata e/ou aumentam a eficácia desta ou daquela terapia.Outro pequeno estudo vem se juntar aos anteriores. Com apenas 41 homens, as conclusões se tornam mais precárias. Dividiram os pacientes em grupos: um só tomou tomates e seus e seus produtos (no mínimo 25 mgs de licopeno/dia), mas nenhuma soja durante 4 semanas; o outro tomou 40 g de proteína de soja por dia. Depois de quatro semanas, os homens consumiram tanto licopeno (tomates) quanto soja durante outras quatro semanas. Verificaram o aumento de licopeno no sangue,e o de soja (isoflavonas) na urina. O PSA foi reduzido em 14 dos 41 homens durante o período. Um fator associado com o crescimento do câncer chamado de vascular endothelial growth factor baixou, na média do grupo de 87 para 51 ng/ml (P < 0.05) no período de oito semanas.

O estudo foi pequeno e só serve para estimular outros, mas bate com os resultados de outros estudos pequenos. Licopeno e soja produzem resultados, mas há variação grande entre os pacientes no que concerne as respostas: uns respondem muito, outros pouco e terceiros nada.

Fonte: Grainger EM, Schwartz SJ, Wang S, Unlu NZ, Boileau TW, Ferketich AK, Monk JP, Gong MC, Bahnson RR, DeGroff VL, Clinton SK. em Nutr Cancer. 2008 Mar-Apr;60(2):145-54.

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