Terapia Hormonal e Osteoporose

Uma pesquisa modesta, feita na Espanha, traz algum alento aos que fazem terapia hormonal: Ojeda e colaboradores descobriram que é modesta a perda de massa óssea e relativamente baixo o risco de fraturas.

Examinaram 150 pacientes com a idade média de 67 anos e cujas terapias duraram, na média, 24 meses. Coletaram dados demográficos e examinaram a densidade mineral óssea e fraturas clinicas antes da terapia e até um ano após a terapia.

Antes do tratamento, 41% dos pacientes já tinham osteoporose ou massa óssea insuficiente.

Um ano depois de iniciado o tratamento, a densidade mineral óssea diminuiu 3,7% na espinha lombar e 2,1% no pescoço do fêmur.

Porém – e essa é a boa notícia – durante o segundo e o terceiro ano a taxa de perda foi menor. No total, somente 2,7% dos pacientes sofreram uma fratura. Os pesquisadores entrevistaram, telefonicamente, oitenta pacientes numa etapa seguinte da pesquisa e somente um paciente teve algum tipo de fratura. Não sei qual a incidência de fraturas entre não pacientes da mesma idade, mas é em comparação com idosos da mesma idade que não fazem terapia hormonal que esses dados devem ser avaliados.

Bem melhor do que eu pensava….

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

 

Saiba mais:  Ojeda S., Lloret M., Naranjo A., Déniz F., Chesa N., Domínguez C. e Lara P.C., Androgen deprivation in prostate cancer and the long-term risk of fracture, em Actas Urol Esp. 2017 Mar 1. pii: S0210-4806(17)30012-8. doi: 10.1016/j.acuro.2017.01.005.

Anúncios

Terapia hormonal e químioterapia: juntas ou uma depois da outra?

 

Uma carta ao editor do The New England journal of medicine, coloca uma questão que também me ocorreu (lembro o leitor de que sou, apenas, um paciente). Há seis meses, Sweeney et al. informaram que combinar docetaxel (químio) e ADT (terapia baseada na privação de andrógenos, como o Lupron) aumentava a sobrevivência, se comparada com casos usando somente a ADT. O ganho na sobrevivência era grande em pacientes de alto risco, com uma razão de risco de morrer de 0,61. A adequação para pacientes de baixo e médio risco ficou em aberto.

Na minha leitura, o problema metodologicamente relevante não é se os dois tratamentos combinados aumentam a sobrevivência em comparação com apenas um, no caso ADT. Não espere o leitor que os tratamentos combinados sempre proporcionam benefícios porque não é assim: em vários casos não havia ganhos consideráveis, mas havia mais efeitos colaterais indesejáveis.

O problema mais relevante é saber se há ganhos na sobrevivência usando os tratamentos simultaneamente, ao mesmo tempo, em relação a usa-los sequencialmente, um depois do outro, que é o procedimento mais comum.

Os autores colocam a questão com clareza:

“However, it would be interesting to compare the experimental group with the subgroup of the control group that received subsequent docetaxel after the development of castration resistance to clarify the effect of timing on patient outcomes.”[i]

São, portanto, duas questões que devem ser respondidas tanto de maneira isolada quanto de maneira combinada: há ganhos na sobrevivência usando os tratamentos simultaneamente e não sequencialmente? Em caso positivo, eles são significativos somente em caso de pacientes com cânceres de alto risco? Para cada estrato de pacientes é necessária uma avaliação dos ganhos em comparação com os efeitos colaterais.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ


[i] Chiara Ciccarese, Matteo Santoni, Francesco Massari, 21 de janeiro de 2016.

A terapia hormonal não é para todos: pesando os benefícios e os efeitos colaterais

A terapia hormonal, aplicada no momento certo e à pessoa certa aumenta a sobrevivência de pacientes com canceres da próstata.

Uma pesquisa comparou pacientes que fizeram unicamente radioterapia e pacientes que, além da radioterapia, fizeram terapia hormonal.

Os dois grupos foram acompanhados durante 17 anos. Parece muito, mas não é. Homens com câncer da próstata de alto risco que também tinham problemas cardíacos viviam mais e melhor se tratados somente com a radioterapia. Sem problemas cardíacos, viviam mais com os dois tratamentos.

O Pesquisador Responsável é um nome conhecido na área, Dr. Anthony D’Amico.

A conclusão é simples: pacientes que haviam tido um ataque cardíaco não aumentavam a sobrevivência se juntassem o tratamento hormonal à radioterapia.

É bom saber qual a definição de câncer da próstata de alto risco: é aquele que (ainda) está só dentro da próstata, mas tem alta probabilidade de metástase para outras partes do corpo. É diferente de um câncer avançado, que já tem metástase e/ou outros problemas.

Entre pacientes que haviam tido um ataque cardíaco a causa mais comum de morte era… um ataque do coração. O tratamento hormonal aumentava o risco deste tipo de problema, ainda que diminuísse as mortes por câncer da próstata. Perdiam mais do que ganhavam.

O tratamento hormonal aumenta a pressão arterial e a glucose no sangue. É preciso cuidado com elas.

Isso significa que antes de iniciar o tratamento hormonal um excelente cardiologista deve ser consultado.

D’Amico não rejeita o uso de terapia hormonal em pacientes com problemas cardíacos, mas o cardiologista tem que entrar no time.

Consulte, portanto, além de seu oncólogo e urólogo, o seu cardiologista.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

QUIMIOTERAPIA MAIS CEDO PODE CONCEDER MAIS TEMPO DE VIDA!

 

clip_image002

Docetaxel, usualmente, é um dos últimos medicamentos usados no tratamento do câncer. Surge a notícia de que é muito mais eficiente usá-lo antes, no início da terapia hormonal. Se confirmada, essa notícia mudará o tratamento do câncer da próstata. Implica em começar a quimioterapia com Docetaxel antes, durante o tratamento hormonal, e não após, como é praxe.

Os principais resultados da pesquisa que serão apresentados à American Society of Clinical Oncology mostram que começar esse tratamento mais cedo pode aumentar a esperança de vida de 43 meses, mais de três anos e meio) para 65 meses, quase cinco anos e meio. Um ganho de 43 meses, mais de três anos e meio!

É uma pesquisa feita na Grã Bretanha e na Suíça. Na idade em que, na mediana, as pessoas não respondem mais ao tratamento hormonal, a esperança de vida – mesmo entre os que não tem câncer – não é muito alta, o que torna esse ganho em termos relativos. O aumento foi maior entre os pacientes com canceres com metástase, muito avançados.

Mas é preciso confirmar a pesquisa!

Um dos pacientes, John Angrave, de 77 anos recebeu a notícia de que teria uns três, estourando cinco anos de vida. Só que isso foi há sete anos…

Mais esperança!

 

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

MAIS ESPERANÇA: estão experimentando com novo medicamento

 

 

    Há uma pesquisa realizada (Fase II: com poucos pacientes) e uma série maior planejadas usando um medicamento que ainda está send aperfeiçoado, chamado orteronel.

    Em quem estão experimentando? Em pacientes que não respondem mais ao tratamento hormonal, mas que ainda não apresentam metastases diagnosticadas. São pacientes com cânceres avançados, mais não os mais avançados.

    Estão numa fase de pesquisas relativamente baratas, antes de realizarem pesquisas custosas. Foram, apenas, 39 pacientes cujo PSA crescia rapidamente (o tempo mediano para dobrar era 2,4 meses, ou seja, dobrando rapidamente, que ia de menos de um mês até mais de nove meses).

    Todos receberam medicamentos duas vezes por dia (300 mg de cada vez) do orteronel, conhecido tecnicamente como TAK-700, Takeda. Esse medicamento impede que os androgenos sejam sintetizados. Pararam de dar o medicamento em uma ou mais de três condições:

    1. o PSA voltou a crescer

    2. surgiram metastases detectaveis (uma ou mais) ou

    3. a toxicidade era tal que não era tolerada, o que foi infrequente.

        O que queriam saber? Quais os resultados?

        Queriam saber quantos atingiram um PSA ≤0,2 ng/mL em 3 meses.  Essa expressão, ≤0,2 ng/mL, significa igual ou mais baixa do que 0,2. Esse era o primeiro objetivo, mas havia outros: qual a resposta do PSA, de maneira mais ampla, com todos os detalhes, queriam ter certeza de que o medicamento era seguro e quanto tempo levaria até que metástases fossem detectadas.

        Como era administrado o medicamento: em ciclos de 28 dias cada um (na mediana, foi aplicado 14 durante ciclos)

        E o resultado, que é o que mais interessa?

        35 dos 39 pacientes conseguiram uma redução de 30% ou mais no PSA. Ótimo resultado. Três meses depois de iniciado o tratamento; seis pacientes conseguiram baixar o PSA a 0,2 ng/mL, um excelente resultado para pacientes avançados. São 15% do total.

        Quanto tempo durou a melhoria? Na mediana, o PSA voltou a crescer depois de 13,8 meses. Mais de um ano. Lembrem do que significa mediana: em metade dos casos, o PSA voltou a crescer em menos do que os 13,8 meses e a outra metade segurou o crescimento do PSA por mais do que 13,8 meses.

        E a temida metástase? Na mediana (mais uma vea, a mediana!) foi de 25,4 meses, mais de dois anos.

        Acho que esse medicamento pode ser pensado como um que “estica” o efeito do tratamento hormonal por mais de um ano até que o PSA volte a crescer (mas lembrem que não sabemos quanto tempo levaria sem esse medicamento) e o tempo até a metástase em mais de dois anos (mas lembrem, outra vez, que não sabemos quanto tempo levaria sem esse medicamento).

        As estimativas estatísticas usando o método de Kaplan-Meier nos diz que, depois de um ano, em 57% o PSA não tinha voltado a crescer e depois de dois anos eram 42%.  A metástase (como esperado e desejado) depois de um ano não tinha sido diagnosticada em 94% e em 64% aos dois anos. Um ano para quase todos e dois anos para dois em cada tres pacientes.

        Talvez seja mais um medicamento a se juntar ao crescente arsenal à disposição dos que já não respondem ao tratamento hormonal convencional.

        Os efeitos colaterais são nossos conhecidos: 2/3 tiveram fadiga, um terço teve náusea, 38% tiveram diarréias, 44% tiveram hipertensão etc. e doze dos 49 desistiram.

        GLÁUCIO SOARES       IESP-UERJ

        Saiba mais:

        Hussain M. Clin Cancer Res. 2014;doi:10.1158/1078-0432.CCR-14-0356.

      Abiraterona – do milagre à realidade

      Os dias de maior acesso a este blog foram os que se seguiram às divulgações fantasiosas de que havíamos lido de um medicamento milagroso, que poderia ser a cura do câncer. Foi um furor midiático. Em poucos dias, os vigilantes da ciência buscaram e rebuscaram os dados, chegando à desapontadora conclusão de que a abiraterona aumentava, sim, a sobrevivência, mas não tinha nada de milagrosa. Nos últimos dias, a abiraterona começou a ser vendida sob o nome de Zytiga.

      Que resultados ela apresenta?

      Uma pesquisa, Fase III, com dois mil homens com cânceres muito avançados, foram divididos em dois grupos – um tomou a abiraterona diariamente e o outro não. Na mediana, o grupo da abiraterona viveu mais 15,8 meses e o grupo controle viveu apenas 11,2, uma diferença de quatro meses e meio. Para quem tem oitenta ou noventa anos e uma esperança de vida, com ou sem câncer, que não é muito alta, é um bom resultado. Para quem tem 50 ou 60, o resultado não impressiona.

      Lembro que mediana significa que metade do grupo sobreviveu mais e metade menos; houve gente que não apresentou melhoria e houve gente que continua viva anos depois.

      Mas há outras vantagens comparativas, como a redução ou eliminação temporária da dor, da fadiga de náuseas fortes. A qualidade da vida melhora. E é tomada em pílulas, sem ter que ir pelos complicados meandros do Provenge.

      Quanto custa o Zytiga? Mais de oito mil reais por mês!

      Por que custa tanto? Para pagar custos. A Johnson@Johnson pagou quase um bilhão de dólares pelo medicamento e ainda teve que aperfeiçoá-lo.

      E os efeitos colaterais? Em algumas áreas, semelhantes ao dos tratamentos hormonais; afinal de contas, Zytiga é um tratamento (anti) hormonal.

      Onde é possível adquirir? Na Grã-Bretanha e alguns outros países europeus.

      GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

      Com base em vários releases e notícias de provedores especializados que operam pela internet.