Nova geração de tratamentos hormonais?

A personalização do tratamento do câncer da próstata já está em curso. Personalização significa que a escolha do tratamento leva em consideração características do paciente, inclusive o estágio e o subtipo do câncer.

A Janssen Biotech, Inc., uma empresa farmacêutica, acaba de submeter um novo tratamento, baseado na apalutamida, que se aplicará somente a pacientes cujo câncer já não responde ao tratamento hormonal, mas ainda não apresentam metástases. É uma fatia importante do mercado.

Até o momento, a Food and Drug Administration (FDA), que é quem concede licença a novos medicamentos nos Estados Unidos, não concedeu nenhuma licença que se aplicasse a pacientes com essas características.

O que justifica esse pedido?

Os resultados de uma pesquisa clínica Fase III, chamada ARN-509-003 (SPARTAN) onde compararam os resultados do grupo experimental, que recebeu a apalutamida, com um grupo controle. A empresa considera que a apalutamida é a “nova geração” de tratamentos hormonais – além da abiraterona e da enzalutamida.

Que efeitos foram usados como critérios? O principal foi a ausência de metástases, mais exatamente o tempo que leva até o aparecimento da primeira metástase. A apalutamida promete uma “esticada” na duração desse estagio da doença, que é melhor (ou menos pior) que o seguinte, quando já há metástase. Dada a correlação entre o tempo até o aparecimento de metástases e o tempo até a morte, é provável que também signifique uma esticada na sobrevivência.

Converse com o seu urologista ou oncologista a respeito.

GLÁUCIO SOARES     IESP-UERJ

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Uma luzinha de esperança

Essa é uma luzinha de esperança para quem já passou por todas as etapas do câncer da próstata. Quem são esses pacientes? Aqueles que não respondem mais às terapias já estabelecidas, como docetaxel, cabazitaxel, enzalutamida e abiraterona. Uma empresa chamada Endocyte desenvolve terapias personalizadas, feitas para subgrupos de pacientes com características especificas, e não para todos os pacientes.

Em que consiste a luzinha de esperança?

Em um tratamento com um nome impossível, 177Lu-PSMA-617, que direciona seu poder de fogo para um antígeno vinculado a uma membrana, chamado PSMA. Esse antígeno está presente em cerca de 80% dos pacientes com metástase que não respondem a qualquer tratamento hormonal. O 177Lu-PSMA-617 reduziu o PSA em mais de 50% numa percentagem razoável dos pacientes (de 40% a 60%). Os demais não responderam ao tratamento. Houve melhoria em boa parte do que apresentavam metástases para outros órgãos e redução da dor (muito temida nas metástases ósseas).

A mediana da sobrevivência foi de 12,7 meses.

Esses são resultados com poucos pacientes. São promissores, o que levou ao projeto de uma pesquisa maior, Fase III, prevista para 2018.

Uma luzinha no fim do túnel…

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

CUIDADO COM O PSA DURANTE O TRATAMENTO COM ENZALUTAMIDA

Um dado recente preocupa os pacientes com câncer da próstata que tomam enzalutamida (Xtandi). Esse medicamento tem sido usado em pacientes que desenvolveram resistência ao tratamento hormonal com medicamentos “tradicionais”, que estão no mercado há duas, três décadas ou mais.

Qual o dado?

Encontraram um número surpreendentemente grande de pacientes usando enzalutamida que, a despeito de terem um PSA estável, ou até em declínio, que apresentavam avanço da doença de acordo com os exames radiológicos.

O PSA começou a ser usado na triagem de casos com suspeita de câncer da próstata em 1987; a FDA aprovou o PSA no sangue como teste sete anos depois, em 1994.

É um teste de fácil obtenção e relativamente barato e nesse quarto de século se tornou o indicador mais usado na triagem. A confirmação mais usada durante esse período requeria biópsia.

Vários indicadores foram desenvolvidos com base no PSA, como o tempo que ele leva para dobrar (o PSADT), o nível mais baixo que ele atingiu (que é chamado de nadir), o tempo até que o PSA volta a ser detectado após não poder ser detectado depois de uma cirurgia e muito mais. É o indicador mais usado na prevenção, detecção, diagnóstico e acompanhamento, embora sempre abrigando controvérsias.

Isso significa que, para um grupo de pacientes com câncer avançado da próstata, que estão sendo tratados com enzalutamida, que o PSA estável ou em declínio tem menor utilidade como indicador de que o câncer não está avançando.

Ruim para todos nós.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

TRATAMENTO CONTRA A MALÁRIA AJUDA A COMBATER O CÂNCER DA PRÓSTATA?

Experimentos que estão em fase inicial, ainda com camundongos, sugerem que um medicamento comumente usado para tratar a malária talvez seja útil no tratamento do câncer da próstata. É uma esperança para pacientes iniciais porque experimentos em fase inicial usualmente requerem muitos anos até estarem disponíveis para tratamento. E poucos chegam até lá…

O medicamento tem um componente chamado Ailanthone (AIL) que torpedeia o suprimento de hormônios masculinos que alimentam o câncer da próstata. Faz algo parecido com outros tratamentos em uso, bloqueia os receptores. Porém, mais cedo ou mais tarde, o câncer da próstata desenvolve resistência a esse tratamento e volta a avançar mesmo com o tratamento.

É mais uma esperança, mas falta muito, inclusive saber se funciona melhor do que os tratamentos já existentes ou se tem menos efeitos colaterais ou, ainda, se seus efeitos adicionam sobrevivência aos pacientes que usam os tratamentos que existem agora.

É torcer pelo futuro.

GLÁUCIO SOARES

Comparando a enzalutamida e a bicalutamida

Um estudo de Penson e sua equipe mostra os progressos no tratamento do câncer da próstata avançado.[i] Bicalutamida foi aprovada pela FDA em 1995, há mais de vinte anos. Enzalutamida foi aprovada há menos de três anos, em 2013.

A enzalutamida aumenta a sobrevivência de pacientes com cânceres com metástases. O objetivo do artigo era comparar a enzalutamida com o padrão usado durante anos, a bicalutamida.

O estudo incluiu tanto pacientes com metástases quanto sem metástases. Foram divididos aleatoriamente em grupos. Todos continuaram com o tratamento hormonal de privação de andrógenos. O objetivo era ver que tratamento permitia um período maior durante o qual o câncer não avançou.

A primeira pergunta é: parou o avanço do câncer? A resposta é positiva em 76% em comparação com a bicalutamida: razão de risco 0,24. Na mediana, os pacientes que foram tratados com enzalutamida tiveram 19,4 meses até a retomada do avanço, ao passo que os tratados com bicalutamida ganharam 5,7 meses. Arredondando, um ano e meio com enzalutamida e seis meses com bicalutamida.

Há perguntas secundarias: começando pelo tempo até o PSA voltar a subir: a razão de risco foi de 0,19, uma vantagem grande.

Continuando com a indagação sobre a percentagem dos pacientes nos que o PSA baixou em 50% ou mais: (81% v 31%; P< 0,001).

Ha diferença no tempo até o crescimento das metástases aparecer nas radiografias? Sim, e significativo: razão de risco de 0,32.

As vantagens da enzalutamida foram observadas tanto entre os pacientes com metástases quanto entre os sem metástases.

Há efeitos colaterais, que estão disponíveis em vários artigos na literatura especializada.

 

GLÁUCIO SOARES      IESP/UERJ


[i] David F Penson, Andrew J Armstrong, Raoul Concepcion, Neeraj Agarwal, Carl Olsson, Lawrence Karsh, Curtis Dunshee, Fong Wang, Kenneth Wu, Andrew Krivoshik, De Phung, Celestia S Higano, Enzalutamide Versus Bicalutamide in Castration-Resistant Prostate Cancer: The STRIVE Trial. Em Journal of clinical oncology. [Epub ahead of print, em 25 de janeiro de 2016]

QUIMIOTERAPIA MAIS CEDO PODE CONCEDER MAIS TEMPO DE VIDA!

 

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Docetaxel, usualmente, é um dos últimos medicamentos usados no tratamento do câncer. Surge a notícia de que é muito mais eficiente usá-lo antes, no início da terapia hormonal. Se confirmada, essa notícia mudará o tratamento do câncer da próstata. Implica em começar a quimioterapia com Docetaxel antes, durante o tratamento hormonal, e não após, como é praxe.

Os principais resultados da pesquisa que serão apresentados à American Society of Clinical Oncology mostram que começar esse tratamento mais cedo pode aumentar a esperança de vida de 43 meses, mais de três anos e meio) para 65 meses, quase cinco anos e meio. Um ganho de 43 meses, mais de três anos e meio!

É uma pesquisa feita na Grã Bretanha e na Suíça. Na idade em que, na mediana, as pessoas não respondem mais ao tratamento hormonal, a esperança de vida – mesmo entre os que não tem câncer – não é muito alta, o que torna esse ganho em termos relativos. O aumento foi maior entre os pacientes com canceres com metástase, muito avançados.

Mas é preciso confirmar a pesquisa!

Um dos pacientes, John Angrave, de 77 anos recebeu a notícia de que teria uns três, estourando cinco anos de vida. Só que isso foi há sete anos…

Mais esperança!

 

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

ONDE ESTÃO AS CÉLULAS CANCEROSAS?

Uma empresa de biotecnologia baseada em Seattle, a Cancer Targeted Technology (CTT), recebeu uma doação de dois milhões do NIH com o objetivo de facilitar diagnósticos e tratamentos mais exatos. Permitirá acompanhar as metástases. Usa a chamada tomografia PET.

Como funciona?

Trabalham com uma pequena molécula chamada CTT1057 que adere a um antígeno encontrável na membrana das células cancerosas do câncer da próstata. Ela aparece nitidamente quando escaneada e ela é abundante nas células cancerosas. Como isso é possível ver as regiões afetadas.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ