MEDICAMENTO CONTRA A METÁSTASE ÓSSEA

A empresa norueguesa chamada Algeta abriu uma filial na cidade de Cambridge, one estão importantes universidades, como Harvard e MIT. Essa medida nos diz que a empresa quer entrar pesado no mercado norte-americano com a droga que está sendo testada, radium-223 dichloride. Nos diz, também, que esse produto está prestes a ser submetido aos testes oficiais americanos determinados pela U.S. Food and Drug Administration. Os testes começaram há mais de dez anos: o medicamento é injetado na veia do paciente cada seis meses. Os primeiros testes mostram um aumento de 44% na sobrevivência (total, não específica) em relação ao grupo controle. O grupo controle, por sua vez, recebia o tratamento padrão dado aos pacientes com metástase óssea. A metástase óssea é uma das principais vias pelas quais o câncer da próstata mata os seus pacientes, além de causar muita dor. Os analistas acreditam que o remédio esteja nas farmácias no fim de 2013.

 

Boa notícia para nós, pacientes.

GLÁUCIO SOARES                IESP/UERJ      

 

     

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A doença invisível

O médico Richard Besdine escreveu um pequeno artigo chamado LateLife depression: coming out of the shadows no início do ano. A versão do AOL do artigo começa perguntando se você pode resolver uma charada: o que é que afeta um em cada cinco americanos, aumenta o risco de morte e de incapacitação, e duplica seus gastos com a saúde?

Muitos pensam em câncer ou doenças do coração, mas a resposta é dupla: depressão e coração. Essas duas doenças têm muito em comum. Muitas vezes não são notadas e, com menor freqüência, são diagnosticadas; com menor freqüência ainda, são tratadas. Essas deficiências na detecção e tratamento são ainda mais graves entre os idosos. O pior inimigo das pessoas com depressão é tanto cognitivo quanto atitudinal. A maioria dos brasileiros não sabe o que é depressão.

Outra grande ameaça vem da “normalização”, de achar que é normal que idosos e/ou doentes estejam deprimidos. Essa incompreensão do que é depressão, do que é doença e do que são a terceira e a quarta idades, permite muito sofrimento e muitas mortes, além do absolutamente inevitável.

Os brasileiros poderiam sofrer e morrer menos.

Não há dúvida de que alguns aspectos da velhice, como o aumento das doenças crônicas, a morte (com efeito cumulativo) de parentes e amigos, e o crescente número de atividades que não podem mais ser feitas levam muitos a achar que é normal que os “velhos” sejam deprimidos. Mas, olha a surpresa: em várias sociedades, pessoas mais jovens sofrem de depressão com maior freqüência e intensidade do que os idosos. E, acredite ou não, os idosos desenvolveram maneiras mais numerosas e eficientes de lidar com problemas que poderiam causar depressão. Um dado: a pobreza pode multiplicar a depressão tanto em idosos quanto na população jovem e adulta.

O que provoca a depressão? Mais uma surpresa: pesquisadores na Washington University School of Medicine, em St. Louis, e no King’s College, emLondres, chegaram à mesma conclusão e publicaram-na em artigos: geneticamente, há uma combinação no DNA no cromossoma três associado com a depressão. Uma de cada cinco pessoas padece de depressão séria na vida. O que diferencia a que padece das outras quatro? A análise da família revelou um histórico de depressão em muitos dos que enfrentaram essa doença, mas em poucos dos que não a enfrentaram. Há uma região no DNA com 90 genes onde parece que essa predisposição se origina.

Mas, cuidado: muitos com predisposição genética não se deprimem e alguns sem ela ficam deprimidos. Não são populações “determinadas” pela genética a ter ou a não ter a depressão. Esses dois artigos acabam de ser publicados no American Journal of Psychiatry. A “normalização” da depressão mata muita gente, não apenas através do suicídio, talvez a primeira causa que venha à cabeça de muitos, mas que não é a mais importante. Quem teve um ataque cardíaco e sofre com uma depressão tem um risco de morte quatro vezes maior do que os que também tiveram um ataque cardíaco, mas não sofrem (ou sofreram e já controlaram) de uma depressão. Quatro vezes, 400%, não é pouco. Parte da diferença na sobrevivência entre os que sofrem de depressão e os que não sofrem se deve à adoção de comportamentos negativos e prejudiciais á saúde, como beber em excesso, fumar e comer pior, que aumentam o risco de várias doenças. Brenda Penninx e sua equipe pesquisaram 6.247 pessoas com 65 anos ou mais que não sofriam de depressão no início da pesquisa, que durou seis anos. Durante esse período,

quase quinhentas pessoas caíram em depressão. Um dos resultados constatados foi um risco 67% maior de sofrer quedas e outros acidentes do cotidiano e outro foi um risco 73% maior de ter a mobilidade reduzida.

Os maus hábitos, inclusive a ausência de exercícios, ajudam a explicar as diferenças no grau de mobilidade entre os deprimidos e os não deprimidos. Muitos deprimidos acabam se tornando prisioneiros em suas próprias casas e não buscam outras pessoas, nem quando necessitam. Suas redes sociais são mínimas. Além de deprimidos, são solitários.

E há custos: no Brasil, os pobres que padecem de depressão raramente são tratados e sofrem e morrem como moscas. Nos Estados Unidos, onde uma proporção mais elevada recebe tratamento, o custo da depressão anda beirando os US$ 100 bilhões —bilhões mesmo, não milhões. O equivalente à soma do PIB da Bolívia, do Equador e do Paraguai.

É melhor começar a enxergar.

GLÁUCIO SOARES

IESP/UERJ

Publicado no Correio Braziliense, quinta-feira, 7 de julho de 2011 • Opinião • 23

A DOENÇA INVISÍVEL

O médico Richard Besdine escreveu um pequeno artigo chamado Late-Life Depression: Coming Out of the Shadows no início do ano. A versão AOL do artigo começa perguntando se você pode resolver uma charada: o que é que afeta um em cada cinco americanos, aumenta o risco de morte e de incapacitação e duplica seus gastos com a saúde?

Muitos pensam em câncer ou doenças do coração, mas a resposta é dupla: depressão e coração. Essas duas doenças têm muito em comum:

  • Muitas vezes não são notadas e, com menor freqüência são  diagnosticadas;

  • Com menor freqüência ainda, são tratadas;

  • Essas deficiências na detecção e tratamento são ainda mais graves entre os idosos.

O pior inimigo das pessoas com depressão é tanto cognitivo quanto atitudinal. A maioria dos brasileiros não sabe o que é depressão. Outra grande ameaça vem da “normalização”, de achar que é normal que idosos e/ou doentes estejam deprimidos.

Esta incompreensão do que é depressão, do que é doença e do que são a Terceira e a Quarta idades permite muito sofrimento e muitas mortes, além do absolutamente inevitável. Os brasileiros poderiam sofrer e morrer menos.

Não há dúvida de que alguns aspectos da velhice, como o aumento das doenças crônicas, a morte (com efeito cumulativo) de parentes e amigos, e o crescente número de atividades que não podem mais ser feitas levam muitos a achar que é normal que os “velhos” sejam deprimidos.

Mas, olha a surpresa: em várias sociedades, pessoas mais jovens sofrem de depressão com maior freqüência e intensidade do que os idosos. E, acredite ou não, os idosos desenvolveram maneiras mais numerosas e eficientes de lidar com problemas que poderiam causar depressão. Um dado: a pobreza pode multiplicar a depressão tanto em idosos quanto na população jovem e adulta.

O que provoca a depressão? Mais uma surpresa: pesquisadores na Washington University School of Medicine em St. Louis e no King’s College em Londres chegaram à mesma conclusão: geneticamente, há uma combinação no DNA no cromossoma 3 associado com a depressão.

Uma de cada cinco pessoas padece de depressão séria na vida. O que diferencia a que padece das outras quatro? A análise da família revelou um histórico de depressão em muitos dos que enfrentaram essa doença, mas em poucos dos que não a enfrentaram. Há uma região no DNA com noventa genes onde parece que essa predisposição se origina.

Mas, cuidado: muitos com predisposição genética não se deprimem e alguns sem ela ficam deprimidos. Não são populações “determinadas” pela genética a ter ou a não ter a depressão. Esses dois artigos acabam de ser publicados no American Journal of Psychiatry.

A “normalização” da depressão mata muita gente, não apenas através do suicídio, talvez a primeira causa que venha à cabeça de muita gente, mas que não é a mais importante. Quem teve um ataque cardíaco e sofre com uma depressão tem um risco de morte quatro vezes maior do que os que também tiveram um ataque cardíaco, mas não sofrem (ou sofreram e já controlaram) de uma depressão. Quatro vezes, 400%, não é pouco.

Parte da diferença na sobrevivência entre os que sofrem de depressão e os que não sofrem se deve à adoção de comportamentos negativos e prejudiciais á saúde, como beber em excesso, fumar, comer pior que aumentam o risco de várias doenças. Brenda Penninx e sua equipe pesquisaram 6.247 pessoas com 65 anos ou mais que não sofriam de depressão no início da pesquisa, que durou seis anos. Durante esse período, quase quinhentas pessoas caíram em depressão. Um dos resultados constatados foi um risco 67% maior de sofrer quedas e outros acidentes do cotidiano e outro foi um risco 73% maior de ter a mobilidade reduzida. Os maus hábitos, inclusive a ausência de exercícios, ajudam a explicar as diferenças  no grau de mobilidade entre os deprimidos e os não deprimidos. Muitos deprimidos acabam se tornando prisioneiros em suas próprias casas e não buscam outras pessoas, nem quando necessitam. Suas redes sociais são mínimas. Além de deprimidos, são solitários.

E há custos: no Brasil, os pobres que padecem de depressão raramente são tratados e sofrem e morrem como moscas. Nos Estados Unidos, onde uma proporção mais elevada recebe tratamento, o custo da depressão anda beirando os cem bilhões de dólares por ano – bilhões mesmo, não milhões. O equivalente à soma do PIB da Bolívia, do Equador e do Paraguai!!!

É melhor começar a enxergar.

 

GLÁUCIO SOARES

IESP/UERJ

A reabilitação cardíaca salva muitas vidas

O que é reabilitação cardíaca? Segundo o conhecido National Institute of Health, é um programa SIMPLES composto por

  • Exercícios sob supervisão;
  • Educação e informação sobre o funcionamento do sistema cardiovascular e sobre como o estilo de vida do paciente afeta esse sistema;
  • Terapia ou aconselhamento profissional;
  • Redução de estresse.

É simples e eficiente, uma grande ajuda a quem faz tratamento cardíaco ou de qualquer parte do sistema cardiovascular. Melhora as pessoas.

Nos Estados Unidos, cada ano 600 mil pessoas fazem algum tipo de cirurgia cardíaca, particularmente angioplastia, e todos poderiam se beneficiar muito do programa. Não sei quantos fazem cirurgias semelhantes no Brasil, mas suspeito que poucos façam um programa de reabilitação cardiovascular.

Vale a pena? A conhecida Mayo Clinic patrocinou um estudo com 2.400 pacientes que durou quatorze anos. Os resultados mostram que as taxas de sobrevivência dos que seguiram programas semelhantes são muito mais altas do que a dos demais.

Angioplastia é uma cirurgia que corrige erros do nosso estilo de vida e da nossa genética: artérias próximas ao coração ficam obstruídas com placas (aterosclerose) e a cirurgia aumenta artificialmente o diâmetro desses vasos sanguíneos para que o sangue possa circular. É importante saber que as placas podem e devem ser reduzidas desde muito tempo antes com dieta e exercício o que evita a cirurgia ou, pelo menos, a posterga por vários anos.

O programa tem tal impacto que quarenta por cento dos pacientes que assistiram pelo menos uma das sessões do programa tiveram uma redução importante nas taxas de mortalidade de todas as causas. A prazo, as diferenças se acumulam e são maiores: O Dr. Randal Thomas diz que os que fizeram o curso de reabilitação tem 50%.

Há críticas à pesquisa que afirmam que a população estudada é homogênea, ao que os autores respondem com o argumento forte de que mesmo de apenas 20% aumentarem a esperança de vida, são 120 mil pessoas!

Precisamos treinar – e muito – nossas enfermeiras e conscientizar – e muito – nossos cirurgiões que a guerra contra a doença e a morte continuam após a cirurgia.

GLÁUCIO SOARES

Os animais ajudam os pacientes

Já sabemos que animais de estimação trazem benefícios para os que cuidam deles. Muitos estudos sugerem que pessoas com animais de estimação têm pressão mais baixa, níveis de estresse mais baixos, são mais felizes e se recuperam mais rapidamente de um ataque do coração, em comparação com os que não têm e não lidam com animais de estimação.
Essas práticas evoluíram, foram organizadas e até já ganharam nome técnico: animal-assisted therapy. Não é apenas ter um animal de estimação, porque o animal deve ser treinado para a função. A última evidência nesse sentido é das mais estranhas: 30 pessoas com depressão moderada ou leve foram divididas e um grupo teve dez sessões de uma hora nadando e brincando com golfilnhos. O outro nadou e brincou, mas sem golfinhos. As diferenças na redução dos sintomas foram estatisticamente significativas.
O comentarista agrega que poucos podem se dar ao luxo de ter e manter um golfinho de estimação (incluíndo laguinho etc….). Não obstante, não nos desesperemos! Uma pesquisa feita em Israel mostrou a utilidade de cachorros no tratamento da esquizofrenia. O grupo experimental fazia pouca coisa, e somente uma vez por semana: acariciava, alimentava, banhava etc. o cachorro – em dez sessões já havia uma relação entre pacientes e cachorros e os pacientes se preparavam para as sessões. O grupo controle não apresentou os mesmos resultados.Precisamos aprender mais a respeito dessa terapia, que promete ser muito útil e conveniente. O leitor pode buscar mais informações na Delta Society, http://www.deltasociety.org

Escrito por Gláucio Soares usando resumos de artigos