CÂNCERES INDOLENTES QUE NÃO MATAM OS PACIENTES

Um estudo recente concluiu que mais pacientes deveriam ser acompanhados, sem qualquer tratamento agressivo. A conclusão se baseia no dado de que ainda há muitos pacientes que são tratados – com efeitos colaterais e perda na qualidade de vida – que carregam canceres indolentes que não afetariam significativamente a vida deles.

Tipicamente, esses pacientes são idosos, o que significa menos tempo para o câncer mutar e/ou evoluir, e menos intimidantes: PSA baixo, PSADT longo, Gleason 6 ou menos, sem indicação de nódulos no exame retal.

Esse acompanhamento é chamado de watchful waiting. Não é abandono: sai do consultório e esquece! Requer acompanhamento através, onde possível, de exames menos invasivos como os de sangue e o toque retal, ultrassom e os mais recentes exames de urina.

Essa preocupação apareceu com pesquisas que demonstraram que muitos idosos morriam de outras causas, com formas indolentes do câncer da próstata, mas não morriam do câncer da próstata. É importante lembrar que estamos tratando de tendências, probabilidades, riscos, médias e medianas e não de certezas e muitos pacientes preferem não arriscar nada, pagando um alto preço por isso.

 

 

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

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Forum de sobreviventes de câncer

 

Um sobrevivente de dois episódios de leucemia quer aproveitar dois programas gratuitos onde outros sobreviventes de câncer trocam fichinhas, informações e emoções. Infelizmente, está em Inglês.  Queiramos ou não, é o idioma dominante na Ciência e na internet também. Quem quiser dar uma olhada ou participar, clique no link abaixo.

 

GLÁUCIO SOARES                                 IESP-UERJ

 

http://blog.postach.io/sharing-and-remembering-stories-of-survival-with-evernote-and-postach-io

Uma paciente que o câncer não venceu

Queridísimo amigo:

Olga se mostró complacida de que uses sus fotos para apoyar a otras mujeres a tratarse y salir adelante en los diagnósticos de cancer. 

Me dice que no sabría que debe escribir, pero le dije que eso te lo dejamos a ti. Eres muy bueno inspirando a las personas. 

Pero te cuento algo que te podría ayudar a escribir sobre como Olga ha asumido su vida luego del diagnóstico, que se dio en septiembre del año pasado. Ha pasado casi un año. 

En primer lugar, estuvo muy triste. Buscaba información en Internet sobre casos parecidos.  Lloraba mucho. 

Después, dos meses después asumió el reto de hacerse quimio y radioterapia. La radioterapia fue muy dura. 30 sesiones, entre ellas 5 de campo directo. Quemaron una parte del pulmón. La quimioterapia continúa. Aprendió a lidiar con sus múltiples efectos adversos, principalmente las internaciones en clínicas luego de las sesiones, por baja de defensas, neumonía y gripas. Esta cerca de terminar el tratamiento. 

Photo

Varias circunstancias han incidido en su progreso:

Uno, que compró con sus ahorros un hermoso sitio en el campo, en clima cálido.  Cultiva flores y pinta piedritas para hacer caminos. Observa a los pájaros, los escucha trinar. El entorno apacible, el silencio y el contacto con la naturaleza le han ayudado mucho a sustituir sus pensamientos de tristeza y negatividad por sentimientos de conexión con la vida y con las personas. 

Pero en primer lugar, están los afectos. Su esposo y mi madre no la han dejado sola en ningún momento. La apoyan, la acompañan, la cuidan con alimentación saludable y anti cáncer. Ellos han sido el principal factor de recuperación física. Mis sobrinos, han comprendido muy bien su situación y son muy tiernos con ella. La hacen reír. Reír es muy importante para ella. 

Sus red de amigos, que se compone principalmente de profesoras/es y sus estudiantes de Terapia Ocupacional de la Universidad Nacional, han sido también definitivos. Los profesores de la Facultad de Medicina y los administradores de la empresa de salud de la Universidad, sus colegas, la han ayudado mucho a poner a su servicio la atención médica pronta y de alta calidad. 

En los momentos de crisis, principalmente en las internaciones hospitalarias, los estudiantes y sus amigas profesoras le mandan bellísimos y conmovedores mensajes, con fotos de ellos mostrando enormes carteles sostenidos por todos, en los que le desean una pronta recuperación.   Globos, CDs de música, mensajes de correo electrónico, incluso el ofrecimiento de conseguirle “plantas medicinales” (cannabis), por estudiantes que, aseguran, garantizan sus efectos positivos en el tratamiento del cáncer…. Y que le arrancan sonrisas y carcajadas de felicidad… son todos gestos de inmensa ternura y ejemplos de amor a las personas que pasan por tratamientos oncológicos. 

Este conjunto de actitudes humanas y recursos médicos le han cambiado la perspectiva de la enfermedad, y de la vida.

…..

Además, te cuento que la visita de nuestra amada Dayse ha sido memorable para todos! Mis padres, mis hermanas, y los padres de mi esposo siempre la recuerdan con afecto. 

Yo he estado apoyando a mi padre, cuya visión se ha reducido mucho en los últimos meses, a causa de la diabetes. Ya no puede leer, y ha estado triste por eso.  Se esta tratando con inyecciones en los ojos, y en dos semanas, le operarán con láser sus ojitos. En el nombre de Dios, va a poder recuperar algo de su visión.  

Besos, amigo. Te queremos mucho. 

Aura

Um tratamento para cânceres intermediários

O que é um câncer da próstata com risco intermediário? Como tratar esses cânceres? Pesquisadores do Department of Radiation Oncology, McGill University Health Centre, em Montreal, no Canadá, definiram câncer intermediário: antes do tratamento, um PSA de 10 a 20 ng/mL ou um Gleason escore 7 (seja 3+4 ou 4+3). Tecnicamente, estão nos estágios T2b ou T2c.

Não há consenso sobre como tratar esses cânceres. Como se trata de um departamento de radiologia oncológica, seria difícil que fossem tratados de outra forma que não a radiação… Usaram uma técnica com nome complicado: hypofractionated external beam radiotherapy (HyRT).

E os resultados? Trataram 82 pacientes com uma dose de 66Gy/22 frações. 51 meses depois, os dados permitiam estimar qual a percentagem sem fracasso bioquímico passados cinco anos. Os números são muito bons: 95% não tiveram esse fracasso definido como o nadir (valor mais baixo de todas as medidas do PSA do mesmo indivíduo depois do tratamento) do PSA +2ng/mL.

 Os efeitos colaterais foram modestos. Por essas razoes, os médicos-pesquisadores concluíram que o tratamento é adequado para os cânceres intermediários – não para os mais agressivos, nem para os mais lentos.

GLÁUCIO SOARES

IESP-UERJ


Baseado no trabalho de Faria S, Pra AD, Cury F, David M, Duclos M, Freeman CR, Souhami L.

O câncer da próstata pode matar homens jovens

Todos já sabemos, ou deveríamos saber, que o risco de câncer da próstata aumenta com a idade e que se concentra entre os idosos. Também sabemos que, com raras exceções, a maioria dos que são diagnosticados com este câncer acaba morrendo de outras causas e que, se bem tratados, mesmo os que morrem vitimados por ele, têm uma ampla sobrevivência.

Mas nem sempre: risco não é certeza! Já foram identificados 25 tipos diferentes do câncer da próstata; a maioria é indolente e avança lentamente gerando um padrão de comportamento médico, dominante em alguns países, de não tratar os pacientes de formas indolentes deste câncer, particularmente os mais idosos. Esses pacientes são acompanhados e são tratados apenas se e quando o câncer se torna mais agressivo e avança rapidamente.

Mas há casos de homens jovens com câncer da próstata, inclusive de homens jovens que morrem vitimados por ele. Foi o que aconteceu com um policial americano, Tim Barber, que faleceu aos 42 anos. Tim se tornou conhecido porque após a descoberta de que tinha câncer da próstata e de que era uma das suas variantes agressivas, ele se tornou um ativista em Tempe, no Arizona. Durante sua carreira de policial não faltou ao trabalho um só dia e gozava de excelente saúde. O câncer foi descoberto em 2009: era uma forma agressiva que já havia avançado muito. O tratamento foi igualmente agressivo (quimioterapia e radioterapia); usualmente a quimioterapia só é usada em casos avançados, depois de que outros tratamentos fracassam. Por quê? Porque a químio aumenta a sobrevivência dos que sofrem deste câncer em apenas quatro meses – na mediana (mediana: metade dos pacientes sobrevive mais do que quatro meses e metade menos) e os efeitos colaterais são pesados. Os tratamentos produziram resultados temporários: o PSA voltou ao normal e os sintomas desapareceram, mas esse período de remissão durou pouco: voltaram, o câncer progrediu rapidamente e Tim faleceu perto de dois anos após o diagnostico, muito mais rapidamente do que a grande maioria dos pacientes. Estatisticamente, a maioria dos pacientes não morre deste câncer, nem mesmo os diagnosticados com formas relativamente agressivas. Quanto mais alerta e conhecedora a população, mais baixa a taxa de mortalidade e, mesmo entre os que morrem, é maior a sobrevivência. Morrem muito menos e, mesmo entre os que morrem, há diferenças: sobrevivem por um tempo muito maior. Eu tenho uma forma agressiva, fui diagnosticado há 16 anos, e estou aqui nessa campanha de prevenção e cura, escrevendo para vocês.

A esposa de Tim participou da cruzada do marido e pretende seguir lutando para que os homens comecem a fazer testes de PSA cedo e não descuidem do tratamento. A campanha de prevenção deste câncer é empurrada, em medida substantiva, por mulheres e filhas de pacientes que morreram.

Não descuide!

GLÁUCIO SOARES IESP – UERJ

Se quiser saber mais sobre o câncer da próstata, visite os seguintes blogs:

http://psacontrol.blogspot.com/

ou

http://vivaavida.wordpress.com/

Se puder ler em Inglês, veja

www.psa-rising.com/

Câncer da próstata: quando o tratamento falha

Há consenso entre os três especialistas que consultei a respeito de alguns itens, mas não outros.

O primeiro consenso é que quando o tratamento “primário” falha, não há mais cura, o que está longe de significar que o paciente vai morrer desse câncer. Tratamentos primários: prostatectomia, radiação, braquiterapia etc.

Esses tratamentos primários podem ser ajudados ou complementados com uma das várias formas de tratamento hormonal.

A “volta do PSA” é o indicador mais comum de que o câncer não foi curado. Usualmente, a literatura técnica se refere a ele como o fracasso bioquímico.

O tratamento seguinte mais comum é hormonal. O Dr. Charles “Snuffy” Myers insiste numa preparação para o tratamento hormonal que pode ser longa se as condições permitirem. O tratamento hormonal tem muitos efeitos colaterais e a preocupação de Myers é com alguns pacientes que já estão com níveis indesejados antes do tratamento e seus efeitos. Recebi medicamento para baixar a pressão, colesterol, todo tipo de informação para exercícios, etc. Outros acham que é pouco o que se pode fazer na maioria desses efeitos.

  • Os três começariam com Lupron, que é precedido e acompanhado por medicamentos preparatórios. O Lupron frequentemente produz inicialmente uma explosão do PSA, me informaram, que pode ser prejudicial e deve ser evitada. No Sloan Kettering a preparação começa duas semanas antes e continua durante outras duas depois da injeção;
  • Os três usariam o tratamento intermitente, estando plenamente conscientes de que há uma pequena vantagem (na sobrevivência) em começá-lo cedo, particularmente se for bem cedo, mas tentam postergá-lo ao máximo devido aos efeitos colaterais. Essa preocupação é clara da parte de meu médico no Sloan Kettering;
  • Há consenso em que os efeitos benéficos do tratamento hormonal não duram para sempre. Quanto tempo dura varia muito de pessoa para pessoa. A discordância é grande em relação ao tempo até a cessação dos benefícios. Myers diz que o período mais citado na literatura, mediana de 18 meses, é errado. Seria (felizmente para nós) bem maior. Outros autores também dizem que há casos nos que o efeito do Lupron se extende por oito, dez anos; Myers enfatiza que análises posteriores demonstram que metade dos cânceres voltam na próstata. Quem fez prostatectomia tem alguma vantagem nessa área;
  • Myers insiste em que há uma segunda e uma terceira linha de tratamento hormonal, usando outros medicamentos, como ketoconazole, que podem se usados antes da químio;
  • Todos enfatizaram a necessidade de acompanhar o tratamento hormonal com outros tratamentos. Uns, sobretudo Myers, para preparar o paciente; outros para aumentar o efeito terapêutico e todos para minorar os efeitos colaterais;
  • Há muita discordância sobre o efeito de finasteride e de dutasteride (Avodart). Myers é a favor, outros acham que reduz a expressão do PSA (à metade) e não o câncer.

 

E você? Por favor, entenda que o câncer é uma especialização que requer muito estudo por parte do médico. Clínicos gerais não dispõem, na grande maioria dos casos, desse conhecimento. O que eles não sabem podem matar você. Busque um bom oncólogo, se possível um especialista em Oncologia Urológica. Se o médico não souber ler em Inglês dificilmente estará atualizado. Busque outro. Se não houver um na sua cidade, vá aos grandes centros. Se tiver dinheiro, lembre-se de que sua vida está em risco e de que, iniciado o tratamento terá que consultar seu médico cada dois, três, quatro ou mais meses.

Além disso, informe-se. Se não souber, aprenda a ler em Inglês e a surfar a internet. Só assim você não será vítima fácil de um dos muitos pseudo-médicos que as faculdades caça-níqueis jogam no mercado.