MEDICAMENTO CONTRA A METÁSTASE ÓSSEA

A empresa norueguesa chamada Algeta abriu uma filial na cidade de Cambridge, one estão importantes universidades, como Harvard e MIT. Essa medida nos diz que a empresa quer entrar pesado no mercado norte-americano com a droga que está sendo testada, radium-223 dichloride. Nos diz, também, que esse produto está prestes a ser submetido aos testes oficiais americanos determinados pela U.S. Food and Drug Administration. Os testes começaram há mais de dez anos: o medicamento é injetado na veia do paciente cada seis meses. Os primeiros testes mostram um aumento de 44% na sobrevivência (total, não específica) em relação ao grupo controle. O grupo controle, por sua vez, recebia o tratamento padrão dado aos pacientes com metástase óssea. A metástase óssea é uma das principais vias pelas quais o câncer da próstata mata os seus pacientes, além de causar muita dor. Os analistas acreditam que o remédio esteja nas farmácias no fim de 2013.

 

Boa notícia para nós, pacientes.

GLÁUCIO SOARES                IESP/UERJ      

 

     

Anúncios

Quanto custa a hegemonia militar?

Quanto custa a hegemonia militar?

Posted by soares7 em agosto 13, 2011

A hegemonia militar tem preço. Não sai barato. Os Estados Unidos gastaram, em 2010, 698 bilhões de dólares com os militares, a preços constantes de 2009.

Isso é muito ou pouco? O leitor pode responder a essa pergunta, de posse de alguns dados. Quem levanta, confere e organiza esses dados? Várias agências, mas talvez a mais confiável seja a SIPRI, localizada em Estocolmo. De acordo com o SIPRI, o segundo colocado nos gastos é a China, com 114 bilhões. Ou seja, menos de seis vezes. Mesmo assim, a China também gasta muito, em cifras absolutas: aproximadamente o dobro da França, o terceiro país mais gastador, exatamente o dobro do Reino Unido e mais do dobro da Rússia, outrora parte central da poderosa, ameaçadora e, comparativamente, pobre União Soviética.

Depois dos Estados Unidos, os dez países que mais gastam, em termos absolutos (sempre em dólares constantes de 2009), são a China, a França, o Reino Unido, a Rússia, o Japão, a Alemanha, a Itália, a Arábia Saudita, a Índia e…o nosso Brasil. Gastamos mais do que a Coréia do Sul, o Canadá, a Espanha…

Pois bem, esses dez países (inclusive a China), somados, representam 523 bilhões de dólares, menos do que os Estados Unidos. Gastam 75% do que os Estados Unidos gastam.

Como se paga a hegemonia militar? Todos os anos ela custa quase 5% do PIB. Noutros países desenvolvidos ela pesa menos: de 1% no Japão a 2,7% no Reino Unido.

Ela se paga, parcialmente, aumentando a dívida pública e, também parcialmente, reduzindo outros gastos, alguns considerados mais importantes. Mas isso tem custos.

Dia 5, o crédito do governo dos Estados Unidos baixou, pela primeira vez na história, de AAA para AA+. É um sistema usado pela Standard & Poor’s e a baixa não quer dizer que os Estados Unidos não pagarão suas dívidas. Em parte o problema é político, porque a rolagem, que era quase automática, só foi aprovada na última hora, numa jogada claramente política. Mas o problema existe.

A dívida pública não nasceu com Obama; ela aumentou nas guerras mundiais e foi gradualmente reduzida depois. Como percentagem do PIB, a dívida cresceu aceleradamente nas décadas de 80 e 90: triplicou entre 1980 e 1990. A Guerra Fria foi um das causas. Diminuiu quando ela terminou e voltou a crescer. Em 2008, a dívida pública tinha chegado a US $ 10, 3trilhões, ou dez vezes o nível de 1980. O crescimento da dívida fez com que um teto fosse aprovado, mas passou a ser mudado de acordo com as conveniências – todos os anos e sem problemas. Esse ano foi negociado e renegociado, com intenções que, para mim, são claramente eleitoreiras.

Há outros custos, no meu entender, muito maiores, medidos em anos de vida perdidos e em sofrimento.

O NIH é, de longe, a maior financiadora de pesquisas na área da saúde. Podemos ler no site do NIH: “o NIH investe… US $32,2 bilhões anualmente na pesquisa médica para o povo americano.” Menos de sete por cento do que gastam anualmente com as Forças Armadas.

Tomemos o câncer, o segundo maior assassino da população americana, como exemplo: nos Estados Unidos, o National Cancer Institute (NCI), parte dos National Institutes of Health and the Department of Health and Human Services coordena muitas pesquisas sobre o câncer e uma das instituições que, no setor público, financiam pesquisas sobre o câncer.

O NCI gasta pouco menos de cinco bilhões por ano com pesquisas sobre o câncer, ou 0,7% dos gastos militares. Isso significa que os gastos militares de um ano equivalem aos gastos com pesquisas sobre câncer do NCI durante 170 anos. O orçamento anual do NCI é da mesma ordem de grandeza da construção de um porta-aviões, o Ronald Reagan. Nos Estados Unidos, aproximadamente mil e quinhentas pessoas morrem de câncer todos os dias; por ano são perto de 570 mil pessoas – mais de meio milhão. Em toda a guerra do Iraque até o dia 18 de julho recente, morreram em combate 3.529 soldados americanos. O equivalente a pouco mais de dois dias do número de mortes de cancerosos nos Estados Unidos, onde uma em cada quatro pessoas deverá morrer de câncer.

Pesquisa e tratamento ajudam! Em 1975/77, de cada cem pessoas diagnosticadas com câncer, cinqüenta estavam vivas cinco anos mais tarde; mas entre os diagnosticados entre 1998 e 2005, 68% estavam vivos cinco anos depois. Um ganho de 13% em um quarto de século. Milhões de vidas. Quantos sobreviveriam se houvesse um corte de dez por cento nos gastos militares, e esses recursos (quase 70 bilhões de dólares anuais) fossem transferidos para a pesquisa, prevenção e tratamento do câncer? Afinal, estaríamos gastando quatorze vezes mais, todos os anos. O meu chute: em dez anos, vários cânceres estariam na categoria de doenças crônicas e muitos outros teriam uma cura bem mais fácil do que agora. Milhões de vidas americanas seriam salvas em uma década. É, ser potência custa caro! Em vidas humanas também.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

Exercícios fazem cancerosos viverem mais e melhor

Como saber se os exercícios afetam a probabilidade de viver mais entre nós, cancerosos?

Respostas confiáveis nos foram proporcionadas por uma pesquisa, chamada Health Professionals Follow-Up Study. Desse gigantesco estudo, mais de dois mil e setecentos tinham câncer da próstata não metastizado. Uns exercitavam muito, outros menos, outros menos e assim por diante até os que não se exercitavam nunca. Foram acompanhados de 1990 a 2008. Entre os que foram acompanhados pelo menos quatro anos, 548 tinham morrido. Olhem o primeiro resultado:

  • Entre os que morreram, 20% morreram devido ao câncer e 80% por outras causas (cardiovasculares, acidentes etc. etc.)

Numa análise multivariada (que “desconta” a influência de outros fatores, como a idade etc.), foi constatado que os que se exercitavam morreram menos do câncer da próstata (resultado que só se explicaria pelo acaso 4 vezes em mil) e também morreram menos devido a outras causas (resultado que só se explicaria pelo acaso uma vez em mil).

E quanto mais exercício, melhor. Entre os que caminhavam mais de noventa minutos por semana com um passo normal ou acelerado, tinham uma taxa de mortalidade de morrer que era 46% mais baixa do que os que não andavam regularmente ou que andavam menos, ou que andavam devagar. Esse é o resultado de andar uma hora e meia por semana – só isso!!!

Quem andava três ou mais horas ou tinha um outro exercício intenso tinham um risco de morrer 49% mais baixo.

Os benefícios para combater o câncer apareciam entre os que se exercitavam mais de três horas por semana de maneira intensa (correndo, andando rápido, jogando tênis, nadando etc.). Esses tinham um risco 61% mais baixo do que os que tinham menos de uma hora de atividade intensa.

Os esportistas, que praticavam intensamente um esporte antes e depois do diagnóstico viviam mais e melhor do que todos os demais.

E agora?

  • Pare de falar que vai fazer exercícios e faça exercícios. Chega de papo e promessas.
  • Comece devagar depois de conversar com seu médico.
  • Aumente diariamente um pouquinho ou fique uns dias num patamar e suba o patamar – um aumento de 5% a 10% cada 4-5 dias. Se você aumentar dez por cento cada quatro dias, um aumento moderado, em apenas dois meses você já terá dobrado o seu patamar.
  • E, se continuar insistindo, em um ano você será outra pessoa – viverá mais e melhor.

Fonte: Kenfield SA, Stampfer MJ, Giovannucci E, Chan JM. Em J Clin Oncol. 2011 Jan 4.

 

Por Gláucio Soares, diagnosticado há 15 anos.

Exercício físico é o melhor medicamento

Duas instituições universitárias, a Harvard School of Public Health e a University of California, em San Francisco, se uniram para pesquisar a influência dos exercícios e hábitos de vida sobre a morte de pacientes de câncer da próstata.

O resultado é simples: os homens que fizeram as atividades mais intensas, vigorosas, aumentaram muito a sobrevivência! Reduziram as chances de morte específica do câncer e também da mortalidade por outras causas.

Estudaram mais de dois mil e setecentos pacientes durante 18 anos. Homens que andaram mais de 90 minutos por semana a um passo normal ou acelerado tinham uma chance de morrer de qualquer causa que era 46% menor do que os que andavam menos de 90 minutos a um passo lento.

Definindo atividade física rigorosa como exercícios de três horas semanais ou mais, esse tipo intenso de atividade física reduziu o risco de morrer de câncer da próstata em 61%. É uma redução superior a de qualquer medicamento.

Que tipo de atividade o leitor interessado pode e deve fazer – se o médico aconselhar? Andar (quanto mais tempo e mais depressa melhor); correr (ainda que devagar, o que chamam de jogging), nadar, jogar tênis, praticar outros esportes – mas todos de maneira regular, sistemática e não uma vez ou outra. Até levantar peso pode ser uma boa alternativa, sob a orientação do médico e de um bom treinador. Leiam o que Marília Coutinho tem escrito a respeito.

Quinze minutos diários de exercícios moderados ou intensos já melhoram o panorama. É possível (e com freqüência aconselhável) começar pegando leve e ir aumentando gradualmente o tempo e a intensidade.

Essa pesquisa será publicada no Journal of Clinical Oncology.

Saia de frente da televisão e se levanter da mesa do botequim – se quiser viver mais e melhor.

 

GLÁUCIO SOARES

Medicamento Bloqueia o Câncer de Próstata

Mais um medicamento experimental que bloqueia o avanço do câncer de próstata! Já passou para a fase de testes in vivo, com camundongos. Trata de tipos agressivos da doença. O trabalho está sendo feito no Ohio
State University Comprehensive Cancer Center
. O agente, como tantos outros, tem um nome ameaçador: OSU-HDAC42, que pertence a uma nova classe de medicamentos chamada de histone
deacetylase inhibitors.
É uma luta que parece psicodélica — o câncer “desliga” genes que protegem o corpo contra o câncer, que então cresce e prolifera.
Este composto,
OSU-HDAC42, religa, reativa os genes que iniciam processos normais de nosso corpo que combatem o câncer.
Como foi feito? 23 camundongos foram injetados com uma forma precancerosa e receberam o medicamento; outros 23 formaram o grupo controle, foram injetados com a mesma forma precancerosa, mas não com o medicamento.
Entre os 23 que receberam o medicamento somente um mostrou sintomas iniciais de câncer; outros 12 continuaram com a forma precancerosa e dez tiveram um crescimento benigno. E os controles?
Os controles se deram mal.
17 dos 23 desenvolveram formas avançadas de câncer de próstata, dois mostraram sintomas iniciais e apenas um teve um crescimento benigno.
Esse medicamento, ou agente, praticamente “parou” o desenvolvimento de uma forma agressiva do câncer (que é diferente das formas não agressivas, inclusive com células diferentes).
Não sabemos, ainda, se além de “parar” o desenvolvimento do câncer o
OSU-HDAC42 poderá curar os cânceres já existentes, nem sabemos se previne formas menos agressivas.
Vai nos ajudar? Depende. Embora as idéias e as pesquisas iniciais desse tipo, com freqüência, sejam feitas por universidades, os testes mais caros, Fase III, com muitos pacientes, são feitos ou financiados por empresas farmacêuticas. As empresas, claro, funcionam como empresas e não como caridades e querem lucro. Querem medicamentos que dão certo e nós também. Qualquer medicamento que contribua para parar o avanço ou curar o câncer de próstata tem um mercado mais do que promissor que aumenta todos os anos. É nessa lógica que deposito minhas esperanças.

Combinando Tomates e Soja em pacientes com câncer de próstata

Notícias sobre o tomate e a soja chegadas da Ohio State University. Há algum tempo que pequenos estudos mostram dois efeitos: reduzem o risco de câncer de próstata e/ou aumentam a eficácia desta ou daquela terapia.Outro pequeno estudo vem se juntar aos anteriores. Com apenas 41 homens, as conclusões se tornam mais precárias. Dividiram os pacientes em grupos: um só tomou tomates e seus e seus produtos (no mínimo 25 mgs de licopeno/dia), mas nenhuma soja durante 4 semanas; o outro tomou 40 g de proteína de soja por dia. Depois de quatro semanas, os homens consumiram tanto licopeno (tomates) quanto soja durante outras quatro semanas. Verificaram o aumento de licopeno no sangue,e o de soja (isoflavonas) na urina. O PSA foi reduzido em 14 dos 41 homens durante o período. Um fator associado com o crescimento do câncer chamado de vascular endothelial growth factor baixou, na média do grupo de 87 para 51 ng/ml (P < 0.05) no período de oito semanas.

O estudo foi pequeno e só serve para estimular outros, mas bate com os resultados de outros estudos pequenos. Licopeno e soja produzem resultados, mas há variação grande entre os pacientes no que concerne as respostas: uns respondem muito, outros pouco e terceiros nada.

Fonte: Grainger EM, Schwartz SJ, Wang S, Unlu NZ, Boileau TW, Ferketich AK, Monk JP, Gong MC, Bahnson RR, DeGroff VL, Clinton SK. em Nutr Cancer. 2008 Mar-Apr;60(2):145-54.

Powered by ScribeFire.