Amendoim faz bem, mas cuidado com o môfo

O amendoim é o primo pobre de um conjunto que inclui nozes, castanhas de caju, castanhas, pinhões, amêndoas, macadâmia, castanhas do Pará, entre outras. As pesquisas sobre dietas e suas consequências são muito difíceis de realizar e os pesquisadores aceitam que os dados não são bons como gostariam. O consumo dessas “nuts” está associado à reduções de mortalidade em diferentes grupos étnicos e grupos com problemas de saúde, como diabéticos, obesos, fumantes e alcoólatras.

Segundo John Day, um cardiologista, ajudam a impedir o entupimento das artérias. Ajudam a baixar o LDL (o colesterol “ruim”). Artérias limpas significam um risco menor de problemas crônicos de saúde.

As pesquisas incluíram grupos muito variados: habitantes do Sudeste de baixa renda, chineses em Shangai etc. Todos os grupos se beneficiam da ingestão desses alimentos, inclusive o amendoim, inclusive a pasta de amendoim, ingrediente típico de sanduiches feitos apressadamente.

Acompanharam mais de duzentas mil pessoas. As mortes por doenças do coração e por derrames eram perto de vinte por cento mais baixas entre os que comiam um pouco dessas “nuts” diariamente, em comparação com os que não os incluíam na sua dieta.

Não obstante, esses alimentos devem ser saudáveis ou aparecem outros riscos. Há fungos que produzem aflatoxinas que estão ligadas a várias doenças, inclusive ao câncer do fígado. São um problema comum em países com baixo nível de higiene alimentar.

Eu, que curto muitas das “nuts”, inclusive amendoim “japonês”, olho para o positivo.

Gláucio Soares

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Produtos orgânicos contaminados?

Os Estados Unidos enfrentam um problema inesperado, que afeta sobretudo os ecologicamente conscientes e os preocupados com uma alimentação saudável. Muitos dos produtos orgânicos (no Brasil, muitos usam o termo “natural”) que consomem talvez não sejam orgânicos.  Chad Tackett, passou a suspeitar que a invasão de produtos chineses talvez tivesse penetrado na agricultura, chegando ao supermercado perto de casa. Foi conferir e descobriu que muitos produtos vendidos como orgânicos eram importados da China. No reverso do produto, em letras pequenas, estava o preocupante “Made in China”.  A invasão incluía espinafre, morangos, ovos, pasta de amendoim etc.
Mas qual o problema? Afinal, é o mesmo produto, só que importado.
Não é o mesmo produto. Nos Estados Unidos,  há uma dura fiscalização por parte do Departamento de Agricultura – o que o cliente lê tem que ser verdade. Mas a China é outro país e não está sujeita, nem teria que estar, às normas e à fiscalização do USDA. Essa agência obriga os produtores a seguirem padrões na produção, no processamento e mais. 
A grande preocupação é o uso sem critérios de pesticidas na China, que contaminam os produtos e já contaminaram boa parte da área agrícola chinesa.
Pior: a água usada na irrigação é muito contaminada. A China explodiu na produção, sobretudo industrial, sem qualquer preocupação com o ambiente. É campeã da poluição ambiental.
Os vendedores americanos, inclusive supermercados, querem lucros, como manda a lógica do sistema. E enganam seus clientes fazendo-os acreditar que os produtos são orgânicos e livres de poluição quando, de fato, não têm nem podem ter essa certeza.
 
GLÁUCIO SOARES         IESP/UERJ

A reabilitação cardíaca salva muitas vidas

O que é reabilitação cardíaca? Segundo o conhecido National Institute of Health, é um programa SIMPLES composto por

  • Exercícios sob supervisão;
  • Educação e informação sobre o funcionamento do sistema cardiovascular e sobre como o estilo de vida do paciente afeta esse sistema;
  • Terapia ou aconselhamento profissional;
  • Redução de estresse.

É simples e eficiente, uma grande ajuda a quem faz tratamento cardíaco ou de qualquer parte do sistema cardiovascular. Melhora as pessoas.

Nos Estados Unidos, cada ano 600 mil pessoas fazem algum tipo de cirurgia cardíaca, particularmente angioplastia, e todos poderiam se beneficiar muito do programa. Não sei quantos fazem cirurgias semelhantes no Brasil, mas suspeito que poucos façam um programa de reabilitação cardiovascular.

Vale a pena? A conhecida Mayo Clinic patrocinou um estudo com 2.400 pacientes que durou quatorze anos. Os resultados mostram que as taxas de sobrevivência dos que seguiram programas semelhantes são muito mais altas do que a dos demais.

Angioplastia é uma cirurgia que corrige erros do nosso estilo de vida e da nossa genética: artérias próximas ao coração ficam obstruídas com placas (aterosclerose) e a cirurgia aumenta artificialmente o diâmetro desses vasos sanguíneos para que o sangue possa circular. É importante saber que as placas podem e devem ser reduzidas desde muito tempo antes com dieta e exercício o que evita a cirurgia ou, pelo menos, a posterga por vários anos.

O programa tem tal impacto que quarenta por cento dos pacientes que assistiram pelo menos uma das sessões do programa tiveram uma redução importante nas taxas de mortalidade de todas as causas. A prazo, as diferenças se acumulam e são maiores: O Dr. Randal Thomas diz que os que fizeram o curso de reabilitação tem 50%.

Há críticas à pesquisa que afirmam que a população estudada é homogênea, ao que os autores respondem com o argumento forte de que mesmo de apenas 20% aumentarem a esperança de vida, são 120 mil pessoas!

Precisamos treinar – e muito – nossas enfermeiras e conscientizar – e muito – nossos cirurgiões que a guerra contra a doença e a morte continuam após a cirurgia.

GLÁUCIO SOARES

Pequenos hábitos e grandes benefícios

Pequenas mudanças no estilo de vida podem reduzir muito o risco de derrame.

Reduzir, sim, mas quanto? À metade! Pesquisadores britânicos descobriram que pessoas que não fumam, comem e bebem com moderação, e se exercitam cortam o risco de derrame pela metade.

Foram pesquisadas mais de vinte mil pessoas. Cada hábito “bom” valia um ponto: não fumar, ser ativo fisicamente, pouco consumo de bebidas alcoólicas e níveis de vitamina C no sangue que indicavam que as pessoas comiam frutas e vegetais diariamente – cinco porções, no total. Esse procedimento gerou cinco grupos. O com hábitos menos saudáveis tinham um risco de derrame que era 2,3 vezes maior do que o grupo com hábitos mais saudáveis.

Publicado na versão eletrônica do British Medical Journal.

Netos e prevenção de derrames

A inatividade é uma grande amiga dos derrames e dos TIAs. Nada como um netinho para te manter ativo, ensinando, explicando, aprendendo com êle. Claro, não é substituto para tratamento médico nem para dieta ou para exercícios. Saia da cama e da depressão e busque sua família, seus filhos e netos. Eles o ajudarão a viver mais e melhor. As exceções são poucas.


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