Rio: o melhor abril em 24 anos

A despeito da declaração de guerra por parte do tráfico, com o intuito de retomar os territórios perdidos, que me foi anunciada há uns três anos pelo Zeca Borges, o Estado prossegue com sua campanha vitoriosa para reduzir os homicídios. Pensem no número de vidas que seriam perdidas se continuasse o aumento das mortes por armas de fogo observado e constatado até 2003, ano em que foi promulgado o Estatuto do Desarmamento. Os problemas que enfrentamos não derivam da incompetência  e do descaso, como observamos em tantos estados brasileiros, e muito menos das UPPs, símbolos da reação do nosso Estado, mas com leis e justiça em descompasso com a realidade brasileira, que é extremamente violenta. É enorme a proporção dos que matam, roubam e assaltam que já foram presos, deveriam estar presos, mas foram 

 soltos.Em todos os estados brasileiros, a reincidência é inaceitávelmente alta

 soltos.Em todos os estados brasileiros, a reincidência é inaceitavelmente alta.
 
 
 
 
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Redução foi impulsionada pelos registros na Região Metropolitana e na Baixada Fluminense, com quedas…
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QUIMIOTERAPIA MAIS CEDO PODE CONCEDER MAIS TEMPO DE VIDA!

 

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Docetaxel, usualmente, é um dos últimos medicamentos usados no tratamento do câncer. Surge a notícia de que é muito mais eficiente usá-lo antes, no início da terapia hormonal. Se confirmada, essa notícia mudará o tratamento do câncer da próstata. Implica em começar a quimioterapia com Docetaxel antes, durante o tratamento hormonal, e não após, como é praxe.

Os principais resultados da pesquisa que serão apresentados à American Society of Clinical Oncology mostram que começar esse tratamento mais cedo pode aumentar a esperança de vida de 43 meses, mais de três anos e meio) para 65 meses, quase cinco anos e meio. Um ganho de 43 meses, mais de três anos e meio!

É uma pesquisa feita na Grã Bretanha e na Suíça. Na idade em que, na mediana, as pessoas não respondem mais ao tratamento hormonal, a esperança de vida – mesmo entre os que não tem câncer – não é muito alta, o que torna esse ganho em termos relativos. O aumento foi maior entre os pacientes com canceres com metástase, muito avançados.

Mas é preciso confirmar a pesquisa!

Um dos pacientes, John Angrave, de 77 anos recebeu a notícia de que teria uns três, estourando cinco anos de vida. Só que isso foi há sete anos…

Mais esperança!

 

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

ONDE ESTÃO AS CÉLULAS CANCEROSAS?

Uma empresa de biotecnologia baseada em Seattle, a Cancer Targeted Technology (CTT), recebeu uma doação de dois milhões do NIH com o objetivo de facilitar diagnósticos e tratamentos mais exatos. Permitirá acompanhar as metástases. Usa a chamada tomografia PET.

Como funciona?

Trabalham com uma pequena molécula chamada CTT1057 que adere a um antígeno encontrável na membrana das células cancerosas do câncer da próstata. Ela aparece nitidamente quando escaneada e ela é abundante nas células cancerosas. Como isso é possível ver as regiões afetadas.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Temos novidades, nunca perdemos a esperança

Há um medicamento novo, oxaliplatin, que está sendo testado em combinação com a quimioterapia nos, como sempre, camundongos. Os resultados mostram uma remissão “quase” completa do câncer nos pobres camundongos. Esse ingrediente não mata as células cancerosas diretamente: ele ajuda nosso sistema imune a destruir as células cancerosas.

Como funciona isso? As chamadas células-B impedem que usemos nossas defesas contra o câncer. A oxaliplatin (creio que é ou será chamada de oxaliplatina) bloqueia as células-B e o nosso sistema imune pode agir. Nós sabemos que há poucas opções quando temos um câncer agressivo e avançado, que já não responde à maioria dos tratamentos.

Os pesquisadores mostram que, nos camundongos, canceres que se tornaram resistentes aos tratamentos convencionais pararam de avançar, encolheram, ou sumiram das imagens. As defesas até agora funcionavam melhor em canceres pequenos e não agressivos e pior contra canceres grandes e agressivos.

Segundo a comentarista Jenny Hope, esse tratamento bloqueia ou elimina as células-B. Segundo ela, no Reino Unido, 41 mil homens são diagnosticados cada ano com câncer da próstata e cerca de onze mil morrem devido a ele. Um em quatro, aproximadamente. É uma relação pior do que a que encontrei nos Estados Unidos. Um medicamento ou tratamento efetivo salvaria muitas vidas mundo afora.

Segundo o pesquisador Shabnam Shalapour, da Universidade da Califórnia em San Diego, a presença das células-B nos canceres da próstata levantou suspeitas. As células-B também dificultam medicamentos que atuam no sentido de desmascarar as células cancerosas, que não são identificadas pelo sistema imune como agressoras. Esse tratamento também ajudaria esses tratamentos.

Resta esperar e torcer.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Análisar ou não os nódulos linfáticos: jogando um risco contra o outro

Um estudo revela que devemos pesar os custos e os benefícios de qualquer tratamento, inclusive cirúrgico. Ter nódulos linfáticos positivos não é um bom sinal, mas não é catastrófico. Significa que o câncer está ali e que pode estar além. Indica metástase e aumenta o risco de metástase distante.

Porém, analisar os nódulos pode ter complicações cuja taxa, nos hospitais americanos analisados, varia entre 4% e 6%. Não sou patriota a ponto de achar que nossos hospitais, brasileiros, tem taxa igual ou menor. Na média devem ser bem mais altas e, em alguns hospitais, muito, muito mais altas. Mas a taxa de detecção de metástase é baixa.

Dividindo os pacientes em três grupos de risco, o número de nódulos com câncer aumenta de 0,87%, para 2,0% e para 7,1% nos grupos de risco baixo, médio e alto. O argumento é que nos grupos de risco baixo e médio não faria sentido realizar os exames devido a que a taxa de complicações cirúrgicas e hospitalares é mais alta do que a taxa “positiva”, de metástase.

 

Fonte:

Changing Patterns Of Pelvic Lymphadenectomy For Prostate Cancer: Results From CaPSURE

Estatinas contra o câncer da próstata?

Há vários anos surgiram indícios de que o uso regular das estatinas (medicamento que reduz o colesterol) ajuda a reduzir o avanço do câncer da próstata. Agora foram divulgados os dados de uma pesquisa que examinou o efeito das estatinas quando os pacientes estão fazendo o tratamento hormonal. O resultado é bom: o uso conjunto das estatinas aumenta em dez meses o tempo até que o câncer recomece seu avanço. Os pesquisadores estão afiliados a duas instituições importantes, o Dana-Farber Cancer Institute e a Harvard Medical School. Os dados são frescos e precisam de confirmação, usualmente na forma da aprovação de pareceristas e subsequente publicação em revista especializada. É um procedimento lento, que pode levar vários meses.

Quais os caminhos tomados pelas estatinas para provocar esse benefício? Ainda não se sabe.

A pesquisa analisou dados de 926 pacientes que estavam sendo tratados com a terapia hormonal. Uns tomavam estatinas (31%), outros não. Os pesquisadores mostraram que, na origem, os grupos não eram iguais. Os que usavam estatinas tinham uma percentagem menor diagnosticada com câncer agressivo. Se foi o uso de estatinas que contribuiu para o melhor quadro dos pacientes já no diagnóstico, não se sabe.

O acompanhamento desses dois grupos revelou que o dos que usavam estatinas teve um período de 27,5 meses até que o câncer voltasse a avançar, ao passo que o grupo dos que não tomavam estatinas tiveram apenas 17 meses até que o câncer avançasse.

A diferença pode ser devida a outros fatores? Claro que sim. Por isso, os autores controlaram outros fatores que poderiam contribuir para a diferença. Descontando esses efeitos, as diferenças continuavam estatisticamente significativas.

Essa linha de pesquisas necessita de confirmação, de estudos com grupo controle já na origem etc.

GLÁUCIO SOARES

IESP/UERJ

Os benefícios da abiraterona são maiores do que se pensava

 

 

Quando, num experimento em andamento, os dados provisórios permitem ver que há um benefício claro para os que estão no grupo experimental, por razões humanitárias se permite que os membros do grupo placebo passem para o experimental. Essa passagem é chamada de cross-over.

Uma equipe capitaneada por Wayne Kuznar reanalisou os dados de uma pesquisa que, a partir de um ponto, permitiu o cross-over.

A pesquisa lidava com mais de mil pacientes adiantados, que tinham metástases crescentes e que já não respondiam ao tratamento hormonal, chamados de pacientes mCRPC, mas que não tinham sintomas ou tinham sintomas leves. Quando foram diagnosticados, metade dos pacientes nos dois grupos tinham um Gleason ≥8 (esse sinal significa igual ou mais alto do que 8).

Foram dois grupos iguais, um, placebo mais prednisona, e outro acetato de abiraterona (1.000mg. diariamente) mais prednisona.

Por mais frio que pareça, os pesquisadores calculam as mortes, além de registrarem quando elas acontecem. Depois de pouco mais do que quatro anos, 741 pacientes tinham morrido.

Quarenta e quatro porcento dos pacientes do grupo placebo passaram para o grupo experimental e começaram o tratamento com abiraterona. É o cross-over.

Porém, esses pacientes passaram um tempo, grande para alguns, sem esse tratamento, o que prejudicou seu resultado. Os ganhos com o uso da abiraterona

Inicialmente, se calculou que a mediana (metade mais, metade menos) de sobrevivência geral, considerando todas as causas de morte, era de 30,3 meses no grupo placebo e de 34,7 meses no grupo abiraterona. O risco de morte no grupo abiraterona era 19% menor. Porém, quando foram levados em consideração os efeitos da mudança de grupo, a diferença aumentou para 26%.

Já sabemos que alguns pacientes não respondem ao tratamento com abiraterona (ou enzalutamida) e já sabemos o porquê. Esses tratamentos aumentam a vida dos pacientes em alguns meses, na mediana. Metade vive mais do que isso e alguns pacientes vivem muito mais. É o que temos, mas há algumas promessas sendo pesquisadas.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ