EXERCÍCIOS CONTRA A ESQUIZOFRENIA

Mais uma virtude dos exercícios aeróbicos. Pode ajudar pacientes na difícil convivência com a esquizofrenia.

O que li me diz que essa desordem mental pode distorcer a percepção da realidade, incluindo alucinações, e fugas da realidade.

Há tempos que diferentes medicamentos são usados no tratamento da esquizofrenia; eles ajudam muito no tratamento das alucinações e das distorções da realidade, mas são menos eficientes no tratamento dos frequentes problemas de memória e de concentração. São um tipo de disfunção difícil de tratar.

Foi nesse ponto que pesquisadores da Universidade de Manchester entraram em cena e analisaram dados de dez pesquisas clínicas, concluindo que doze semanas de exercícios aeróbicos melhoravam o funcionamento dos cérebros dos pacientes.

Como descobriram isso?

Mostraram que tratamentos aeróbicos, usando esteiras e bicicletas estacionarias melhoravam o funcionamento do cérebro além das contribuições dos medicamentos. Medicamentos mais exercícios produzem melhores resultados do que medicamentos sem exercícios.

O exercício melhora o quê, exatamente?

A atenção, a habilidade de perceber bem os outros e se relacionar com eles, e sua memória funcional.

Memória funcional? É. Com quantas coisas eles conseguem lidar ao mesmo tempo.

A reposta depende do esforço: quanto mais longo e intenso o exercício, maior o benefício (dentro de limites, claro).

A pesquisa foi publicada em Schizophrenia Bulletin.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Um set pode decidir que continua e quem fica de fora

Tenho dois receios: o primeiro, de que a equipe italiana poupe alguns dos seus principais jogadores contra o Canadá. É legitimo. Muitos países já usaram essa estratégia e seus técnicos focam no que é mais útil para seu país. O Brasil já fez isso.

O outro receio é que um set, apenas um set, venha a eliminar o Brasil. Claro que se isso acontecer, podemos escolher qualquer set. Mas eu escolho o set que perdemos bobamente para o México, uma equipe que veio do nível III e que perdeu por 3×0. Lembro que o set average decide se terminarem empatados e que cada set vale por dois, o que se deixa de ganhar e sai da lista dos ganhos e que se perde e aumenta a lista dos perdidos. Até agora, ninguém perdeu um só set contra o México: somente o Brasil e duvido que os Estados Unidos percam também.

Aliás, há uma ironia: muitos viram na derrota dos


Estados Unidos por 3×0 para o Canadá um possível caminho para facilitar a chegada do Brasil (e de outros times) ao pódio. Erro de cálculo. Os Estados Unidos são um time tecnicamente muito, muito bom e raçudo. Longe de tirar os Estados Unidos da competição, colocou o Canadá nela.

Desculpem pela incursão olímpica

 


GLÁUCIO SOARES

Quando apareceu o câncer?

Quando apareceu o câncer?

Quando apareceu o câncer da próstata?

Imhotep foi um médico egípcio que viveu cerca de dois mil e seiscentos anos antes de Cristo. Ele escrevia suas notas médicas. Numa delas, ele descreveu uma “massa na mama”. O exame de algumas múmias ou de cadáveres mumificados nos informa que o câncer da próstata já existia há vários milhares de anos.

Milhares de anos… Uma estimativa propunha que essa doença maldita poderia estar presente há 120 mil anos.

Porém, essa praga está conosco há muito, muito mais tempo. Um exame de hominídeos, publicado no South African Journal of Science, revelou a existência de tumores no pé e na espinha. A doença maldita já estava no planeta há um milhão e setecentos mil anos atrás…

Todo esse tempo, e a espécie humana não conseguiu curar essa praga.

A mesma espécie que manda uma sonda a Júpiter.

A mesma espécie que matou centenas de milhões em guerras.

Que vergonha…

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Faz bem fazer o Bem

Leia com cuidado as conclusões publicadas, nos idos de 2005, no International Journal of Behavioral Medicine, que apresenta um resumo sobre as pesquisas sobre o altruísmo e suas relações com a saúde física e mental. O artigo demonstra que há fortes correlações entre ter compaixão e agir em função dela, de um lado, e o bem-estar, a felicidade, a saúde e a longevidade, do outro. É isso mesmo: fazer o Bem prolonga a vida de quem o faz!

Há um limite: se, quem faz o Bem ficar assoberbado com o Bem que faz, fazer o Bem não lhe faz bem. Faça o Bem, dentro de seus limites.

 

GLÁUCIO SOARES, IESP-UERJ

Saiba mais:

Post Stephen.G., Altruism, happiness, and health: it’s good to be good, em Int J Behav Med. 2005;12(2):66-77.

Sono, melatonina e risco de câncer da próstata

Sono, melatonina e risco de câncer da próstata

Nosso corpo segue ritmos. Há ritmos diários, com ciclos de 24 horas, há semanais, há mensais, há de 28 em 28 dias. Há  ciclos anuais. Há outros ajustados às estações e muitos mais. Rupturas nesses ritmos podem ser prejudiciais. Perturbações no sono podem ter consequências que vão além do próprio sono, aumentando o risco de disfunções variadas.

A nossa glândula pineal secreta melatonina num ritmo circadiano de 24 horas. Se não houver disfunções, ela atinge o pico à noite. Porém, essa produção é sensível a alguns fatores, inclusive a luz. Há muitas pesquisas que associam rupturas nos ritmos circadianos perda de horas de sono e o risco de desenvolver um câncer da próstata.

É onde entra a melatonina, um hormônio. Comparando homens com câncer da próstata e homens com hiperplasia benigna da próstata, os cancerosos tinham níveis mais baixos de melatonina.

Uma pesquisa feita na Islândia calculou o risco de PCA (todos os tipos), câncer avançado (fora da próstata) e de morte por esse câncer. Usou exames de urina para verificar se havia deficiências na melatonina a partir dos níveis de aMT6s, que é o metabólico primário da melatonina encontrável na urina. Os registros islandeses incluem diagnóstico e morte por câncer da próstata no Icelandic Cancer Registry and Statistics Iceland que usa um número, sempre o mesmo, para cada cidadão. Dividiram os pacientes de acordo com o nível de aMT6s, acima e abaixo da mediana.

Fizeram vários ajustes e usaram vários controles: idade, um óbvio controle, níveis de creatinina, histórico desse câncer na família, uso de bloqueadores-beta, depressão, problemas com o sono e diabetes.

Homens com níveis baixos de aMT6s tinham um risco de ter câncer da próstata que era 47% mais elevado do que os homens com alto nível de aMT6s; já o risco de ter essa doença em nível avançado era quatro vezes mais elevado (RR: 4,04; 95% CI, 1,26–12,98).

A melatonina pode reduzir o câncer da próstata ajudando a tornar regular o sono e a reduzir o déficit de sono, se houver, e talvez diretamente porque há estudos experimentais in vitro e in vivo que mostram que a melatonina inibe o crescimento das células cancerosas.

A melatonina tem efeitos colaterais e interações com outros medicamentos. Os pacientes podem ser prejudicados se tomarem esse suplemento por conta própria. Há uma tendência que muitos de nós, pacientes, temos em acreditar em “curas milagrosas” dissociadas de qualquer religião. Não saiam por aí tomando altas quantidades de melatonina, que é um comportamento comum e irresponsável entre pacientes de câncer. Idealmente, consultem um oncólogo e/ou um urólogo formado numa boa universidade e que se mantenha atualizado, lendo e participando de congressos, antes de tomar qualquer medicamento ou suplemento.

Talvez essa leitura interesse a algum paciente, seus amigos ou parentes.

 

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

 

LEIA MAIS: Lara G. Sigurdardottir et al, Urinary Melatonin Levels, Sleep Disruption, and Risk of Prostate Cancer in Elderly Men, European Urology, Volume 67 Issue 2, February 2015, Pages 191-194.

 

A pedidos: A Natural Society informa que os comestíveis abaixo (em Inglês) estimulam a produção de melatonina:

Pineapples

Bananas

Oranges

Oats

Sweet corn

Rice

Tomatoes

Barley

Pesquisadores da Khon Kaen University na Tailândia informam que há frutas que afetam a produção de melatonina: abacaxís aumentariam a presença de aMT6s em cerca de 266%; bananas em 160% e laranjas em 47%.

A NutritionFacts.org sugerem cerejas (mas as amargas e não as doces), framboesas e, sobretudo Goji berries (não sei o nome em Português). Amêndoas ajudam.

Um abraço

Glaucio Ary Dillon Soares

TOMATES E MELANCIAS CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

Um bom conselho para diminuir o risco de ter um câncer da próstata ou, se o tiver, reduzir o risco de metástase e morte, é uma dieta rica em licopeno. Há muitas pesquisas que relacionam um consumo alto de licopeno e um risco baixo de ter a doença. É um poderoso anti-oxidante.

Onde há licopeno? Normalmente em vegetais e frutas com uma cor avermelhada. Tomates, suco de tomate, pasta de tomate – até melhor do que o tomate: uma taça de tomates tem perto de 6,7 miligramas de licopeno. Os tomates cozidos têm 35% a mais.

A melancia é ainda melhor: tem 40% mais licopeno do que o tomate. A melancia madura (dá para ver pela cor) tem mais licopeno do que a verde. E as papaias tem 2,6 miligramas numa quantidade equivalente a uma taça.

Pode ser melhor! Se acrescentarmos azeite de oliva ou abacate, facilitamos a absorção do licopeno.

De quanto licopeno precisamos? Não se sabe com exatidão, mas de 4 a 8 miligramas diariamente é a quantidade recomendada pelo Dr. Samadi.

GLÁUCIO SOARES                IESP/UERJ

Nozes contra o câncer da próstata

O consumo de vários tipos de nozes está negativamente associado ao risco de morrer de câncer. Mais nozes, menos mortes. O consumo desses vários tipos de nozes não reduz o risco de desenvolver um câncer da próstata, mas, entre os que enfrentam esse câncer, reduz o risco de morrer dele.

A pesquisa foi feita por Ying Bao, do Department of Medicine, Brigham and Women’s Hospital e Harvard Medical School, e publicada no British Journal of Cancer.

A pesquisa foi feita com 47.299 homens participantes do Health Professionals Follow-up Study. Foram acompanhados durante 26 anos. Desses, 6.810 desenvolveram câncer da próstata, dos quais 4.346 não tiveram metástase. Perto de 10% dos que tiveram a doença morreram dela, bem menos do que de doenças cardiovasculares (um terço). Não obstante, a mortalidade em geral, por todas as causas, era 34% mais baixa entre os que consumiam os vários tipos de nozes pelo menos cinco vezes por semana depois do diagnóstico.

Quais são essas nozes? Usei o Google Tradutor porque eu não conhecia várias (pelo visto, o Google Tradutor também não)…

Amêndoa, porca Beech, castanha do Brasil (castanha do Pará), Butternut, Caju, Chestnut (chinês, americano, europeu, Seguin), Chinquapin, Côco, avelã, porca de Ginko, porca Hickory, porca Lichee, Macadâmia / porca de Bush, noz-pecã, pinhão, porca Pili, Pistache, sheanut, walnut (Inglês, Persa, preto, japonês, Califórnia), Heartnut, Butternut.

Comprar essas nozes em quantidades pequenas é caro. Se alguém souber onde é possível comprá-las nesta ou naquela cidade brasileira, favor enviar um comentário com a informação.

Um aviso se faz necessário: algumas pessoas sofrem de alergias alimentares que podem incluir uma ou mais das nozes acima. É bom confirmar com seu médico/alergista antes.

Um abraço

Gláucio Soares