AS ESTATINAS AJUDAM A PROTELAR O AVANÇO DO CÂNCER

Pesquisadores descobriram que tomar estatinas (com receita e acompanhamento médico) enquanto estiver sendo tratando com terapia hormonal aumenta o tempo até que a doença volte a avançar. O grupo está associado com o Dana-Farber Cancer Institute.

Analisaram dados relativos a 926 pacientes e relataram que os que também tomavam estatinas durante a terapia hormonal (ADT) levaram dez meses a mais até que o câncer avançasse – isso na mediana, 27,5 meses vs. 17,4 meses entre os que não tomavam estatinas.

Os pacientes receberam o tratamento hormonal devido à “volta” do PSA, ou fracasso bioquímico, ou, até mesmo, nova metástase. No laboratório, as estatinas reduziram o crescimento das células cancerosas.

 

 

GLÁUCIO SOARES      IESP-UERJ

ESTATINAS E PERDA DE MEMÓRIA: RESULTADOS CONTRADITÓRIOS

Uma pesquisa sugeriu que em trinta dias após iniciar um tratamento com estatinas: o risco dos usuários desenvolverem uma perda aguda de memória seria multiplicado por quatro. Porém, um aumento similar foi descoberto recentemente por outra pesquisa, com pacientes que usavam outro tipo de medicamentos para baixar os lipídeos. Brian L. Strom comparou a perda de memória dos que usavam estatinas para baixar o LLD e a dos que usavam outros medicamentos. Não encontrou diferença entre eles. Não obstante, os dois grupos tiveram aumentos significativos nesse indesejável risco. As estatinas foram atorvastatina e sinvastatina.

Mas o risco da perda de memória está lá. Essa descoberta transfere a responsabilidade das estatinas para outro lado: aquelas classes de medicamentos, a própria baixa no LLD…

Strom aventou a hipótese de viés: pacientes que começaram a tomar um medicamento recentemente teriam maior tendência a relatar efeitos colaterais. Eu acrescentaria: talvez até a efetivamente senti-los. Um problema com esse tipo de desenho de pesquisa é que confia exclusivamente no paciente para conscientemente relatar perda de memória.

Outros estudos chegaram a conclusões divergentes: tomando os que usam estatinas há muito tempo, uns concluíram que há perda de memória; outros, que não há e terceiros que há até melhoria. Essas pesquisas comparavam usuários com não usuários.

Ou seja: voltamos à estaca zero.

 

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CUIDADOS COM A TERAPIA HORMONAL

Pacientes de câncer da próstata que recebem terapia (anti) hormonal aumentam muito o risco de desenvolverem um efeito ruim, chamado de síndrome metabólica, de acordo com artigo recém (junho de 2015) publicado no The Journal of Urology.

Uma pesquisa feita na Espanha por Juan Morote, na Universitat Autónoma de Barcelona, com 539 pacientes que recebiam um deposito de um hormônio que vai sendo solto no corpo, mostrou que dentre seis e doze meses depois de começar a terapia hormonal os pacientes exibiam vários sintomas da síndrome metabólica:

•    Aumento da barriga

•    Aumento no índice de massa corporal

•    Aumento na glucose em jejum

•    Aumento nos triglicerídeos;

•    Aumento no colesterol total e nos seus dois tipos.

A síndrome metabólica pode ser medida por um índice. A incidência da síndrome metabólica completa aumentou com o tempo de uso do medicamento: era de 23% antes do uso, 25% seis meses depois e 27% um ano depois.

Você, como paciente, pode evitar essa síndrome que se relaciona com o aparecimento de muitas outras doenças, sobretudo cardiovasculares. Porém, requer organização e força de vontade: horários regulares, dieta e exercício. Não é fácil, mas se conseguir baixará muito o seu risco de ter outras doenças sérias.

GLÁUCIO SOARES                IESP/UERJ

As Mortes por Armas de Fogo no Estado do Rio de Janeiro

 

O Estatuto do Desarmamento foi assinado no fim de 2003. Ele colocou nas mãos das polícias, das Secretarias de Segurança Pública e dos governadores, instrumentos importantes para reduzir as mortes por armas de fogo, em geral, e os homicídios, em particular. Em alguns estados o Estatuto foi bem usado, mas na grande maioria não. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais (durante oito anos), Pernambuco e, mais recentemente, o Espírito Santo, fizeram bom uso do Estatuto. Os resultados se medem estatisticamente, mas essas cifras frias significam vidas salvas ou vidas perdidas. Soares e Cerqueira mostraram que, no Brasil como um todo, aproximadamente 121 mil vidas foram salvas no Brasil pelo Estatuto.[i]

Porém, as armas de fogo castigaram o nosso Estado. Entre 1980 e 1995 cresceram aceleradamente: cada ano houve 425 mortes a mais do que no ano anterior. Essa é a média do período. No início, em 1980, houve 1.429 mortes; no fim, em 1995, houve 2.665. Mais de mil e duzentas mortes a mais. Nesses 16 anos foram mortas 84.427 pessoas com armas de fogo no Rio de Janeiro. Uma carnificina!

Figuras 1 e 2

Figura 1 Figura 2

Mudamos a série em 1995 acompanhando o sistema de classificação, mas a matança continuou: de 1996 a 2003, quando foi assinado o Estatuto, as mortes por armas de fogo continuaram a crescer, ainda que a um ritmo menos acelerado, de 115 mortes a mais por ano.

Em 2004 o Estatuto mudou o panorama: as mortes, que haviam crescido tendencialmente durante 23 anos, baixaram de 2004 a 2014. Em 2003 (antes do Estatuto) foram 7.090; em 2014, foram 2.228. Vitória da vida!

 

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Qual a tendência? Cada ano, 436 mortes a menos do que no ano anterior. Uma bem-vinda inversão! Em 2014, voltamos ao patamar de 1987, quase trinta anos antes!

As Figuras 2 e 3 mostram  uma clara inversão da tendência anterior: como entre 1996 e 2003 as mortes por homicídio aumentaram e, a partir de 2004, passaram a diminuir. Só no primeiro ano foram salvas 551 vidas, 115 que não foram somadas mais 436, que foram subtraídas à morte. Em onze anos, mais de trinta mil vidas salvas (30.100) graças à combinação de políticas de segurança inteligentes e as facilidades oferecidas pelo Estatuto.

Os ganhos em vidas humanas podem ser aquilatados comparando a projeção da tendência anterior ao Estatuto com os dados reais posteriores ao Estatuto. São visíveis nas Figuras 4 e 5.

 

 

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Porém, as vidas poupadas se concentraram a partir de 2007: somente nesses oito anos foram salvas 28.624 vidas, 95% do total. A previsão era de quase 62 mil mortes, mas morreram 33 mil. A junção entre políticas de segurança inteligentes e o Estatuto tem benefícios multiplicativos.

Como diferente do Brasil como um todo, no Rio de Janeiro as mortes por armas de fogo decresceram e não voltaram a crescer. Ainda falta.

Desde 1980 morreram 190 mil por armas de fogo. Muitos de nós convivemos, durante anos, com o fantasma de uma guerra nuclear. A devastadora bomba atômica, lançada sobre Hiroshima, deixou perto de 70/80 mil mortos. As armas de fogo mataram mais do que duas bombas atômicas no Rio de Janeiro, e nós não vimos.

 

Figura 6

 

 

comparação com Hiroshima (1)

 

Concluindo: o Rio de Janeiro vive vários paradoxos. De um lado, políticas inteligentes, que usaram os benefícios do Estatuto, salvando 30 mil vidas, já são referência na Criminologia internacional; do outro, nova tentativa do lobby da bala em acabar com o Estatuto pelo mais torpe dos motivos: dinheiro. De um lado, instituições, como as UPPs, que salvaram muitas vidas nas comunidades, como demonstraram Cano, Borges e Ribeiro[ii]; do outro, uma campanha do próprio tráfico, anunciada há mais de três anos, para retomar o território perdido, usando violência contra a polícia e descrédito contra as UPPs; de um lado, um Estatuto que salva vidas, do outro lado, uma legislação e práticas judiciais medievais que permitem que homens jovens, até crianças, circulem com armas cortantes e perfurantes, assaltem e matem cidadãos, práticas indefensáveis que permitem que alguém com quinze passagens pela polícia por assalto, trafico e roubo estivesse solto, livre para matar. E matou.

Quem se responsabiliza pela morte de Jaime Gold? E pela dor incomensurável que seus familiares e amigos sentirão durante anos e anos?

Contradições do Rio de Janeiro.

 

GLÁUCIO SOARES    IESP-UERJ

 

[i] Estatuto do Desarmamento – um tiro que nao saiu pela culatra. Insight-Inteligência, n.68, 78-86.

[ii] Os Donos do Morro, FBSP/LAV, 2012.

Câncer da Próstata, Resveratrol e Células Tronco

Há células-tronco cancerosas (CSCs), inclusive no câncer da próstata. Elas “residem” no interior da massa tumoral e talvez sejam responsáveis por tornar o câncer resistente a tratamentos e leve a um reaparecimento do câncer. As células-tronco não são especializadas, mas podem se transformar em qualquer coisa, inclusive em células especializadas mas, tanto quanto em saiba, a reciproca não é verdadeira: as células especializadas só podem gerar outras células especializadas.

Há muitas pesquisas em curso para controlar as células-tronco. Se forem exitosas, os ganhos serão imensos. A substância resveratrol está sendo estudada porque existe em abundância na natureza. Como há pouco dinheiro a ser ganho com isso, as pesquisas são pequenas e muitas feitas em países com menos recursos, como a Índia. Uma delas estuda os caminhos através dos quais o resveratrol inibe a auto renovação e a metástase dessas células-tronco.

Não obstante, as pesquisas com camundongos são feitas com doses muito altas que dificilmente seriam atingíveis em seres humanos através da dieta. Esse salto poderá vir a ser crucial.

Há pesquisas em andamento focando nas células tronco encontradas no câncer da próstata.

Essas pesquisas demoram, e há muitos de nós correndo contra o tempo.

 

GLÁUCIO SOARES             IESP-UERJ

Rio: o melhor abril em 24 anos

A despeito da declaração de guerra por parte do tráfico, com o intuito de retomar os territórios perdidos, que me foi anunciada há uns três anos pelo Zeca Borges, o Estado prossegue com sua campanha vitoriosa para reduzir os homicídios. Pensem no número de vidas que seriam perdidas se continuasse o aumento das mortes por armas de fogo observado e constatado até 2003, ano em que foi promulgado o Estatuto do Desarmamento. Os problemas que enfrentamos não derivam da incompetência  e do descaso, como observamos em tantos estados brasileiros, e muito menos das UPPs, símbolos da reação do nosso Estado, mas com leis e justiça em descompasso com a realidade brasileira, que é extremamente violenta. É enorme a proporção dos que matam, roubam e assaltam que já foram presos, deveriam estar presos, mas foram 

 soltos.Em todos os estados brasileiros, a reincidência é inaceitávelmente alta

 soltos.Em todos os estados brasileiros, a reincidência é inaceitavelmente alta.
 
 
 
 
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Redução foi impulsionada pelos registros na Região Metropolitana e na Baixada Fluminense, com quedas…
CBN.GLOBORADIO.GLOBO.COM
 

QUIMIOTERAPIA MAIS CEDO PODE CONCEDER MAIS TEMPO DE VIDA!

 

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Docetaxel, usualmente, é um dos últimos medicamentos usados no tratamento do câncer. Surge a notícia de que é muito mais eficiente usá-lo antes, no início da terapia hormonal. Se confirmada, essa notícia mudará o tratamento do câncer da próstata. Implica em começar a quimioterapia com Docetaxel antes, durante o tratamento hormonal, e não após, como é praxe.

Os principais resultados da pesquisa que serão apresentados à American Society of Clinical Oncology mostram que começar esse tratamento mais cedo pode aumentar a esperança de vida de 43 meses, mais de três anos e meio) para 65 meses, quase cinco anos e meio. Um ganho de 43 meses, mais de três anos e meio!

É uma pesquisa feita na Grã Bretanha e na Suíça. Na idade em que, na mediana, as pessoas não respondem mais ao tratamento hormonal, a esperança de vida – mesmo entre os que não tem câncer – não é muito alta, o que torna esse ganho em termos relativos. O aumento foi maior entre os pacientes com canceres com metástase, muito avançados.

Mas é preciso confirmar a pesquisa!

Um dos pacientes, John Angrave, de 77 anos recebeu a notícia de que teria uns três, estourando cinco anos de vida. Só que isso foi há sete anos…

Mais esperança!

 

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ