A VITAMINA D PODE CONTRIBUIR PARA EVITAR QUE O CÂNCER DA PRÓSTATA SEJA AGRESSIVO

A deficiência de vitamina D contribui para o risco de ter um câncer da próstata agressivo. Ajuda ter uma noção do que é ter um nível baixo de vitamina D. Homens com pele escura, homens que consome alimentos deficientes em vitamina D e homens com baixa exposição ao sol têm maior probabilidade de ter deficiência de vitamina D. Se tiverem um PSA alto ou já tiverem sido diagnosticados com câncer da próstata, convém tomar suplementos para acabar com a deficiência.

Por que?

Pesquisa realizada na Northwestern Medicine demonstrou que os homens com deficiências de vitamina D na hora em que fizeram a cirurgia tinham risco mais alto de ter um câncer agressivo.

É um dado importante, porque canceres indolentes podem não requerer tratamento invasivo e/ou agressivo, podendo ser, em alguns casos, simplesmente acompanhados e testados periodicamente. É o que chamam de “watchful waiting”.

As pesquisas anteriores que mostravam esse risco se baseavam em dados coletados antes da cirurgia e “antes”, em alguns casos, poderia ser muito antes. Nessa pesquisa, o nível de vitamina D foi medido na hora da cirurgia. Pesquisas feitas por esse grupo mostram que negros americanos vivendo em áreas com baixa exposição ao sol tinham um risco de terem deficiências de vitamina D 1½ maior do que brancos. A pele escura que protege os homens contra o melanoma, um câncer agressivo da pele, os torna mais vulneráveis a formas agressivas do câncer da próstata.

A pesquisa foi feita com 1.760 homens na área de Chicago e foi publicada no Journal of Clinical Oncology. Desses 1.760, 190 fizeram a prostatectomia (cirurgia que retira a próstata). Desses, 87 tinham canceres agressivos. Esses pacientes com canceres agressivos tinham 22,7 ng/ml, significativamente menos do que os 30 ng/ml, considerado como um nível normal.  Durante o inverno, os habitantes de Chicago têm um nível insuficiente de vitamina D, 25 ng/ml e o pesquisador responsável sugere que usem suplementos durante o inverno.

É possível que essa observação se aplique aos estados do Sul e a homens que vivem dentro de casa com pouca exposição solar. É um conhecimento que pode ser útil para homens com pouca exposição solar, sobretudo os de pele negra.

GLÁUCIO SOARES

Saiba mais:

YA, N, et al. (2016). Associations Between Serum Vitamin D and Adverse Pathology in Men Undergoing Radical Prostatectomy. Journal of Clinical Oncology, 34: 1345-1349. doi: 10.1200/JCO.2015.65.1463.

Falta de vitamina D está associada com câncer agressivo da próstata

 

 

Deficiências sérias no nível de vitamina D estão associadas a um risco bem maior de ter resultados de biópsias para câncer da próstata positivos. Adam Murphy da Northwestern University (é em Chicago) e sua equipe analisaram dados sobre 667 homens, de 40 a 79 anos, para ver se há associação entre os níveis de 25-hydroxyvitamin D (25[OH]D), que medem o nível de vitamina D no sangue, e a primeira biópsia da próstata. Os resultados são diferentes entre brancos e negros.

Entre os brancos, um resultado de menos de 12 ng/mL estava associado com um risco relativo de ter um câncer agressivo – escore Gleason de ≥4+4 (≥ significa igual ou maior que o número que vier depois). A razão de risco era 3,66, o que representa um risco mais do que três vezes e meia maior do que os com níveis “normais” de vitamina D no sangue. Além de um Gleason mais alto, o estágio do tumor também era pior, mais alto: uma razão de risco de ter um tumor ≥cT2b em comparação com um ≤cT2a. A razão de risco era de 2,4.

E entre os negros, cuja pele “filtra” mais a luz do sol, reduzindo a fabricação de vitamina D? A razão de risco de ter um Gleason alto era 4,89.

Essas diferenças poderiam ser devidas ao acaso?

Dificilmente: entre os brancos, a associação é significativa no nível de 0,008, e entre os negros também é significativa – no nível de 0,006.

Forte indício de que realmente uma deficiência severa de vitamina D aumenta o risco de câncer agressivo da próstata.

Por favor, não saia por aí tomando irresponsavelmente altas quantidades de vitamina D, nem passe montões de horas no sol. Meia hora por dia, bem antes ou bem depois do sol a pino, é o que basta. Consulte o seu médico.

GLÁUCIO SOARES       IESP UERJ

Vitamina D contra a depressão

Uma pesquisa recente sugere um novo benefício para a vitamina D. Uma pesquisa entre mulheres que sofriam de depressão – moderada ou severa – revelou que, após um tratamento com vitamina D, os sintomas da depressão estavam menores e menos pesados. Essas mulheres não mudaram outros tratamentos, particularmente o(s) antidepressivo(s) que tomavam, deixando claro que os efeitos se deviam à unica mudança, que foi um regime de suplementação da vitamina D.

Os autores concluíram que as deficiências eram responsáveis pelo agravamento da depressão. O modelo explicativo com base em deficiências significa que, corrigida a deficiência, doses adicionais de vitamina D não produziriam efeitos benéficos, podendo causar efeitos negativos.

Determinar a quantidade ideal de vitamina D que devemos receber diariamente é um problema ainda não solucionado. Sabemos, apenas, quando há claras deficiências e claros excessos, sendo que as duas situações produzem efeitos indesejáveis. Porém, entre elas há um amplo “meio” e o tratamento adequado depende de onde deixamos o ponteiro. Note-se que as recomendações da quantidade de vitamina C são baseadas em especulações a respeito de médias e medianas, havendo amplo espaço para variações entre os indivíduos.

GLÁUCIO SOARES           IESP/UERJ

 

GALETERONE: NOVA ESPERANÇA CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

Agora que pesquisadores “descobriram” o câncer da próstata e que a indústria farmacêutica “descobriu” que, cada ano, o número de novos pacientes ultrapassa duzentos e trinta mil somente nos Estados Unidos, há mais interesse e mais investimentos na área. Nada comparável ao investimento massivo feito para controlar o HIV/AIDS mas, mesmo assim, algo a celebrar.

O tratamento de outros cânceres parecia ter um princípio, uma diretriz: após o diagnóstico, se houver uma decisão de tratar o paciente, partia-se com tudo para cima do câncer. Sabemos que cada câncer inclui subtipos, causados por células diferentes e que muitos medicamentos funcionam bem em umas células, mas não em outras. A simultaneidade de tratamentos, muitos dos quais com pesados efeitos colaterais, obedeciam à lógica de que um medicamento de um tipo atacava células deste e daquele tipo, mas não eliminava as demais, que exigiam outro  medicamento e assim por diante.

A última vez que verifiquei, havia 25 tipos de células de câncer da próstata;  embora várias  delas sejam raridades, são muito tipos, constituindo um alvo difícil de eliminar com  um medicamento só.

Uma tendência mais recente é a de incluir vários alvos num medicamento só. Um dos mais recentes dessa tendência se chama galeterone. Ele lança um ataque em três frentes contra o câncer da próstata. Como se tornou habitual, ele se concentra nos pacientes que já não respondem ao tratamento (anti)hormonal. Os primeiros testes, com poucos pacientes, deram resultados promissores. Não é cura, mas poderá ajudar muitos pacientes.

Quais foram esses resultados obtidos por esses pesquisadores baseados em Harvard?

  1. 1.  Primeiro, em mais da metade dos pacientes, houve uma redução no PSA de 30% ou mais. Esse resultado é modesto, mas me diz algumas coisas:
  • ·       Muitos pacientes não respondem a esse medicamento, embora um número maior possa vir a responder com seu aperfeiçoamento;
  • ·       Redução do PSA não é cura. Cura pode haver, se chegarmos a níveis não detectáveis do PSA.  Para esses pacientes que responderam bem ao medicamento, a grande incógnita é: quanto tempo durarão os benefícios? O tempo conta porque, por se tratar de uma população velha, em duas décadas quase todos morrerão de outras causas.
  • 2.  Em onze pacientes (entre 49) houve uma redução substancial, de 50% ou mais do PSA. A lógica da avaliação é a mesma: nem todos respondem assim (alguns não respondem) e a duração desses benefícios é uma incógnita porque sua determinação depende de um acompanhando de uma população maior por muitos anos;

3.  Em alguns pacientes houve redução dos tumores, que representa uma demonstração mais segura de que o medicamento surte efeito, ainda que não cure.

 

· Galeterone funciona simultaneamente em três direções: bloqueia receptores de proteínas que respondem à testosterona;

  1. ·       Reduz o número de receptores nos tumores e
  2. ·       Foca em um enzima que está ligado com os caminhos dos hormônios ligados ao câncer.

Os resultados dessa pesquisa preliminar foram apresentados à American Association for Cancer Research. Outra pesquisa, Fase II, terá mais pacientes e avaliará a eficiência do medicamento, devendo ser começada ainda este ano.

É praxe conduzir um terceiro (e mais caro e demorado) tipo de pesquisa, chamado de FASE III, com um número maior de pacientes e um grupo controle.

Ainda falta bastante até que o medicamento seja aprovado e possa ser vendido, mas, se funcionar, é provável que muitos dos leitores venham a ser beneficiados por ele.

GLÁUCIO SOARES                 IESP/UERJ

Quanta vitamina D devemos consumir?

A vitamina D entrou nas preocupações da saúde pública. Quanta vitamina D devemos consumir? Ainda estamos tateando para responder a perguntas tão simples e básicas como essa. A vitamina D é medida no sangue e se expressa em ng/mL. E o que indica a presença da vitamina é a quantidade de 25(OH)D no sangue. Já há dados que demonstram que menos de 20 ng/mL a situação é séria; 30 ng/mL seria o mínimo aceitável. O dr. Charles “Snuffy” Myers, oncólogo que consultei a respeito do câncer da próstata que enfrento há 16 anos, recomenda muito mais, assim como Michael F. Holick, que dirige o laboratório que pesquisa o tema na Universidade de Boston. Quem precisa se cuidar? Crianças. Mulheres grávidas ou que estão amamentando. Pessoas obesas. Negros (a pele negra filtra o sol necessário para a produção interna de vitamina D). Idosos. Pessoas com osteoporose. E muitos outros.

Alguns peixes, como o salmão, contem boas quantidades de vitamina D, mas vitamina D não se come, se obtém com meia hora diária de exposição de boa parte do corpo ao sol. Mas há problemas: muito sol maximiza o risco de melanoma e o filtro solar corta a produção de vitamina D através da pele em 95%. Com isso, cresce a importância dos suplementos.

Sabemos pouco, mas já sabemos que um terço do genoma humano é afetado pela vitamina D. E já sabemos que a deficiência na vitamina D aumenta o risco de câncer: da próstata, da mama, do cólon, para não mencionar o letal câncer do pâncreas. Crescem, também, as doenças auto-imunes, artrite, esclerose múltipla e muito mais. Até doenças do sistema cardiovascular.

Concluindo: a deficiência de vitamina D é algo sério e facilita muitas doenças.

Porém, não há dados que concluam que a mesma vitamina D dê resultado quando usada como tratamento dessas doenças. Corrigida a deficiência, doses adicionais de vitamina D ajudam a combater as doenças que sua deficiência provoca?

Não sabemos com certeza.

Há algumas pesquisas que sugerem que sim. Pessoas com níveis razoáveis de vitamina D (33 ng/mL ou mais) se beneficiam se tomam medicamentos para fortalecer os ossos, inclusive nosso conhecido Zometa.

Faltam pesquisas sobre os benefícios e os malefícios de níveis consideravelmente mais altos porque durante décadas os níveis recomendados eram tão baixos que os então considerados muito altos não eram pesquisados. Podemos ter efeitos colaterais? Podemos: pessoas com doenças que formam granulomas ou linfomas são prejudicadas por altos níveis de vitamina D.

Felizmente, acordamos para a vitamina D. E é questão de pouco tempo até que os resultados de pesquisas em cursos proporcionem dados seguros sobre quais seriam os níveis recomendados e em que condições. Dadas as possíveis implicações para o câncer da próstata, nós pacientes, aguardamos atentamente.

 

GLÁUCIO SOARES

Mais uma a favor da vitamina D

A deficiência de Vitamina D parece ter muitas conseqüências. Ultimamente, várias tem sido descobertas. Uma pesquisa feita com 616 crianças da Costa Rica demonstrou que as que tinham piores sintomas de asma eram mais deficientes em Vitamina D. Os pesquisadores Juan Celedón e Augusto Litonjua testaram essas crianças no que concerne a prevalência de asma, as funções pulmonares, testes cutâneos de sensibilidade e testes de sensibilidade feitos com sangue.
O resultado? As crianças com mais deficiência de Vitamina D tinham piores sintomas, sofriam mais com a asma.
• Inalavam mais corticosteróides;
• Eram hospitalizados com maior freqüência e
• Tinham outros indicadores de alergia severa.
Surge, portanto, a idéia de suplementar a dieta das crianças deficientes em Vitamina D. No que me interessa pessoalmente, a Vitamina D parece frear o crescimento do câncer da próstata.
Qual o problema? Não sabemos qual a quantidade recomendada de Vitamina D.
Há várias maneiras de obter Vitamina D: comer mais peixe (sem mercúrio, por favor) e ficar no sol (nas horas em que não faz mal…) entre meia hora e uma hora. Se estiver de short, calção ou biquíni, meia hora deve bastar.
Fonte: http://ajrccm.atsjournals.org/cgi/content/abstract/179/9/765