MEDICAMENTO CONTRA A METÁSTASE ÓSSEA

A empresa norueguesa chamada Algeta abriu uma filial na cidade de Cambridge, one estão importantes universidades, como Harvard e MIT. Essa medida nos diz que a empresa quer entrar pesado no mercado norte-americano com a droga que está sendo testada, radium-223 dichloride. Nos diz, também, que esse produto está prestes a ser submetido aos testes oficiais americanos determinados pela U.S. Food and Drug Administration. Os testes começaram há mais de dez anos: o medicamento é injetado na veia do paciente cada seis meses. Os primeiros testes mostram um aumento de 44% na sobrevivência (total, não específica) em relação ao grupo controle. O grupo controle, por sua vez, recebia o tratamento padrão dado aos pacientes com metástase óssea. A metástase óssea é uma das principais vias pelas quais o câncer da próstata mata os seus pacientes, além de causar muita dor. Os analistas acreditam que o remédio esteja nas farmácias no fim de 2013.

 

Boa notícia para nós, pacientes.

GLÁUCIO SOARES                IESP/UERJ      

 

     

TERAPIA HORMONAL INTERMITENTE SÓ PARA OS CÂNCERES MUITO AVANÇADOS?

Uma pesquisa recém publicada coloca em dúvida os resultados de várias pequisas anteriores que propuseram que a terapia hormonal intermitente seria tão eficiente quanto a contínua, com efeitos colaterais menores – uma grande vantagem. Essa nova pesquisa confirma esses resultados somente para os cânceres muito avançados, mas não para os cânceres que ainda respondem ao tratamento hormonal e têm poucos outros sintomas.

Trata-se de pesquisa Fase III, com muitos pacientes. 

O que as pesquisas demonstram? Que a grande maioria dos pacientes reagirá bem ao tratamento hormonal(poucos são os que não respondem), mas que essa resposta é temporária. As pesquisas davam aos pacientes que seguiam esse tipo de tratamento uma esperança mediana de vida de dois anos e meio a três anos. Esses pacientes têm metástase e respondem a esse tratamento. Nesse tratamento, como em outros, a mediana (metade sobrevive menos, metade mais) da sobrevivência se situa entre dois anos e meio e três anos.

Em modelos experimentais, a estratégia intermitente prolongou o tempo até que o paciente não respondia mais a esse tratamento, chegando a um estágio conhecido como “resistente à castração”. Durante o tratamento, por que a quantidade de hormônios é menor no grupo intermitente, os efeitos colaterais também eram menores e a qualidade da vida mais alta.    

A pesquisa dirigida por Hussain analisou mais de três mil pacientes que respondiam ao tratamento hormonal. Todos foram submetidos a sete meses de terapia contínua. Os que baixaram o PSA a 4 ng/ml ou menos em seis ou sete meses foram distribuídos em dois grupos, um com terapia contínua e outro com terapia intermitente. Como a terapia hormonal intermitente era periódica, esses pacientes receberam metade dos hormônios que os que foram destinados ao braço contínuo. 

Os problemas colaterais foram ligeiramente mais elevados no braço contínuo (32,6% vs 30,3%). Nada parecia interagir com o tipo de terapia que produzia os mesmos resultados em brancos e negros etc. EXCETO quão avançada estava a doença. No grupo mais avançado não foram constatadas diferenças entre os que estavam no braço contínuo e os que estavam no braço intermitente. PORÉM, houve diferenças no grupo sem metástase visível ou com mínima metástase. Nesse grupo, a razão de risco favorecendo a terapia contínua era de 1,23 (P=0,035). O câncer da próstata foi a causa da morte de 56% dos pacientes da terapia continua e de 64% da intermitente. Nos estágios mais avançados da doença não houve diferenças entre os dois braços. Citando o autor da pesquisa:   

 

“in secondary analysis, intermittent therapy was found not to be inferior to continuous therapy in patients who had extensive disease; yet intermittent hormone therapy was significantly inferior to continuous therapy in patients with minimal disease.”

E agora?

Estamos, mais uma vez, no limbo.


Saiba mais: 


Hussain M. Abstract #4. Presented at: the 2012 American Society of Clinical Oncology Annual Meeting; June 1-5, 2012; Chicago.


GLÁUCIO SOARES                  IESP/UERJ

VITAMINA D CONTRA TIPOS LETAIS DO CÂNCER DA PRÓSTATA

Resumimos alguns trabalhos sobre a relação entre a vitamina D e o câncer da próstata. Há uma associação negativa (mais vitamina, até certo ponto, menos câncer), mas os resultados de diferentes pesquisas não totalmente consistentes. Até agora a conclusão – temporáriaé que ter os níveis adequados de vitamina D não reduz a incidência do câncer, mas reduz a incidência das suas formas mais agressivas. 
Essa pesquisa levou o conhecimento um pouco mais adiante: verificou qual o nível de 25-hydroxyvitamin D [25(OH)D] no plasma sanguíneo, as variações nos genes associados com essa vitamina, e o risco de morte por esse câncer.   
Acompanharam 1.260 homens que foram diagnosticados com câncer da próstata depois de terem tido o sangue examinado e mais 1.331 homens que serviram como grupo controle. 
Isso foi feito entre 1993 e 1995. Os homens diagnosticados com câncer da próstata foram acompanhados até o início de 2011, entre 16 e 18 anos depois. Desses, 114 faleceram – nove por cento.
Analisaram sete genes associados com a vitamina D. Os resultados: os pacientes com os níveis mais altos de 25(OH)D (a quarta parte mais alta, ou seja, o quartil mais alto) apresentava uma redução de 57% na mortalidade em relação ao quartil mais baixo. A razão de risco era de 0,43. Porém, não havia uma incidência maior de todas as formas de câncer da próstata. A conclusão é que a vitamina D é relevante para as formas letais de câncer da próstata.  
Nunca é demais lembrar que a melhor maneira de garantir um suprimento adequado de vitamina D é uma exposição moderada ao sol (entre 20 e 60 minutos diários) em um horário relativamente seguro – antes das 10 e depois das 16hs.
Fontes:
Shui IM, Mucci LA, Kraft P, Tamimi RM, Lindstrom S, Penney KL, Nimptsch K, Hollis BW, Dupre N, Platz EA, Stampfer MJ, Giovannucci E.” Vitamin D-Related Genetic Variation, Plasma Vitamin D, and Risk of Lethal Prostate Cancer: A Prospective Nested Case-Control Study.” em J Natl Cancer Inst. 2012 Apr 12.
GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

MEDICAMENTO CONTRA FUNGOS AJUDA CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

Quando o tratamento hormonal deixa de ser eficiente e o câncer volta a se expandir, os cânceres dos pacientes são definidos como castration-resistant prostate cancers (CRPC). O arsenal à disposição de oncólogos e urólogos fica muito reduzido e o efeito dos medicamentos disponíveis passa a ser de semanas e meses, raramente de anos. Porém, considerando a idade avançada da grande  maioria dos pacientes nessa etapa, um ganho de oito meses pode representar um terço da esperança de vida, que é limitada – mesmo entre os que não sofrem da doença. Um tratamento antigo contra fungos poderá ser somado aos já existentes e aumentar em um tempo ainda indefinido, possivelmente alguns meses, a esperança de vida dos pacientes avançados.
O tratamento anti-fungos se chama itraconazole, e tomado na dose máxima que é recomendada, tiveram um  período de 36 semanas (9 meses) sem que o câncer avançasse. Na literatura, isso é chamado de progression-free survival (PFS). Esse dado é a mediana, ou seja, metade dos pacientes tiveram a indesejável progressão do câncer antes de 36 semanas e metade a teve depois. Três em quatro pacientes tiveram uma resposta positiva apenas parcial ou não sofreram avanços do câncer. Um dos pesquisadores principais, Emmanuel S. Antonarakis, ressaltou a necessidade de realizar testes com mais pacientes e um grupo controle (Fase III). A dosagem conta: depois de 24 semanas de tratamento, 48% dos pacientes que tomavam 600 mg não apresentavam avanço do câncer, ao passo que entre os que tomavam dose mínima (200 mg) a percentagem era apenas doze.
Houve outros indicadores de que o medicamento funciona: 29% do grupo que tomava 600 mg experimentaram uma queda do PSA ≥30%, e 14% uma queda de mais de 50%.Avaliação dos tumores mostrou que 11% tiveram alguma melhoria e 72%, pelo menos, não sofreram avanços. 
Os dados também mostram que o caminho foi diferente da terapia (anti)hormonal, uma vez que a testosterona não mudou em doze semanas. O que baixou, e muito, foi a aldosterona.
Vejamos essa notícia pelo que ela é: um medicamento a mais, já bem conhecido, que precisa ser mais testado em pacientes de câncer da próstata, que poderá impedir o avanço do câncer durante um tempo que, até agora, varia muito com o indivíduo. Não é cura…
GLÁUCIO ARY DILLON SOARES                  IESP-UERJ 

GALETERONE: NOVA ESPERANÇA CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

Agora que pesquisadores “descobriram” o câncer da próstata e que a indústria farmacêutica “descobriu” que, cada ano, o número de novos pacientes ultrapassa duzentos e trinta mil somente nos Estados Unidos, há mais interesse e mais investimentos na área. Nada comparável ao investimento massivo feito para controlar o HIV/AIDS mas, mesmo assim, algo a celebrar.

O tratamento de outros cânceres parecia ter um princípio, uma diretriz: após o diagnóstico, se houver uma decisão de tratar o paciente, partia-se com tudo para cima do câncer. Sabemos que cada câncer inclui subtipos, causados por células diferentes e que muitos medicamentos funcionam bem em umas células, mas não em outras. A simultaneidade de tratamentos, muitos dos quais com pesados efeitos colaterais, obedeciam à lógica de que um medicamento de um tipo atacava células deste e daquele tipo, mas não eliminava as demais, que exigiam outro  medicamento e assim por diante.

A última vez que verifiquei, havia 25 tipos de células de câncer da próstata;  embora várias  delas sejam raridades, são muito tipos, constituindo um alvo difícil de eliminar com  um medicamento só.

Uma tendência mais recente é a de incluir vários alvos num medicamento só. Um dos mais recentes dessa tendência se chama galeterone. Ele lança um ataque em três frentes contra o câncer da próstata. Como se tornou habitual, ele se concentra nos pacientes que já não respondem ao tratamento (anti)hormonal. Os primeiros testes, com poucos pacientes, deram resultados promissores. Não é cura, mas poderá ajudar muitos pacientes.

Quais foram esses resultados obtidos por esses pesquisadores baseados em Harvard?

  1. 1.  Primeiro, em mais da metade dos pacientes, houve uma redução no PSA de 30% ou mais. Esse resultado é modesto, mas me diz algumas coisas:
  • ·       Muitos pacientes não respondem a esse medicamento, embora um número maior possa vir a responder com seu aperfeiçoamento;
  • ·       Redução do PSA não é cura. Cura pode haver, se chegarmos a níveis não detectáveis do PSA.  Para esses pacientes que responderam bem ao medicamento, a grande incógnita é: quanto tempo durarão os benefícios? O tempo conta porque, por se tratar de uma população velha, em duas décadas quase todos morrerão de outras causas.
  • 2.  Em onze pacientes (entre 49) houve uma redução substancial, de 50% ou mais do PSA. A lógica da avaliação é a mesma: nem todos respondem assim (alguns não respondem) e a duração desses benefícios é uma incógnita porque sua determinação depende de um acompanhando de uma população maior por muitos anos;

3.  Em alguns pacientes houve redução dos tumores, que representa uma demonstração mais segura de que o medicamento surte efeito, ainda que não cure.

 

· Galeterone funciona simultaneamente em três direções: bloqueia receptores de proteínas que respondem à testosterona;

  1. ·       Reduz o número de receptores nos tumores e
  2. ·       Foca em um enzima que está ligado com os caminhos dos hormônios ligados ao câncer.

Os resultados dessa pesquisa preliminar foram apresentados à American Association for Cancer Research. Outra pesquisa, Fase II, terá mais pacientes e avaliará a eficiência do medicamento, devendo ser começada ainda este ano.

É praxe conduzir um terceiro (e mais caro e demorado) tipo de pesquisa, chamado de FASE III, com um número maior de pacientes e um grupo controle.

Ainda falta bastante até que o medicamento seja aprovado e possa ser vendido, mas, se funcionar, é provável que muitos dos leitores venham a ser beneficiados por ele.

GLÁUCIO SOARES                 IESP/UERJ

CANCEROSOS ESCALAM O KILIMANJARO

Há um grupo cujo objetivo é mostrar que os cancerosos podem ter uma vida normal, inclusive realizando algumas proezas. Esse grupo se chama Above + Beyond Cancer e se dedica a escalar montanhas difíceis – possíveis, não só para profissionais, mas difíceis para o cidadão comum. Ainda mais para um canceroso, pensará o leitor…
Pois o objetivo desse grupo é demonstrar que cancerosos e sobreviventes do câncer podem ter vidas normais e fazer coisas surpreendentes.
Como escalar o monte  Kilimanjaro, o mais alto da África……
Foram 19, inclusive Gail Endres, diagnosticado com câncer da próstata, tratado e sem fracasso bioquímico desde 2006. Não há garantia de que esteja curado, porque às vezes o PSA “volta” depois de dez, quinze anos…
O grupo foi bolado por um oncólogo com sensibilidade humana, Richard Deming. O nome, Above + Beyond Cancer, indica o propósito e o meio.
A idade desse grupo de alpinistas amadores e cancerosos variava entre 29 e 73. Incluía pacientes do câncer da próstata, da tireóide, da mama, das glândulas salivares, da leucemia, de linfomas… Alguns há anos não apresentam sintomas e outros estão em pleno tratamento para cânceres que já não podem ser curados.  
Profissionalmente, dá de tudo: um tocador de viola, um militar, um estudante, um padre, a mulher de um fazendeiro e muito mais.
No início não sabiam se conseguiriam ou não subir o  Kilimanjaro, mas sabiam que iam tentar para valer. Sabiam, também, que os resultados benéficos dessa tentativa marcaria suas vidas – e sua luta contra o câncer. 
Chegaram na África dia 2 de janeiro e mergulharam na cultura local. Nada de ser turistas, de ver a África através de telescópio. Visitaram a cidade de Moshi, um vilarejo e se mandaram para a montanha.

O Kilimanjaro é um vulcão adormecido: como outros, pode voltar à vida, mas essas voltas usualmente dão aviso prévio. Partiram da base, ainda semi-tropical, de pouco mais de dois quilômetros. A altura do monte é, arredondando, seis quilômetros. Os excursionistas viram e sentiram as mudanças na flora e na fauna que acompanham as mudanças de altitude. Começaram numa floresta tropical, mas logo estavam numa região rochosa, onde viam o legado de erupções antigas. Continuaram pela trilha que leva até a cratera. Passaram por tudo: regiões desérticas e, no topo, neve. Todos sentiam o cansaço que caracteriza a diminuição do suprimento de oxigênio na altura e vários sentiam dores, tinham bolhas, calos, dores nas costas e tudo o mais. Sem falar nos vômitos, náuseas e diarréias. Mas o grupo estimulava a seguir adiante, como deve acontecer na vida de todos nós, cancerosos. E, claro, não havia banheiro nem chuveiro…
Aguente, Raimundo!
Um saudável espírito coletivista surgiu e quem tinha papel higiênico dividiu, quem tinha band-aid dividiu e assim por diante. As necessidades ficaram no Kilimanjaro e banho, bem, melhor esquecer. Todo mundo fedia a suor seco e tinha bafo de tigre. 
Mas era um grupo coeso, que se ajudava, como a humanidade deveria fazer. 
O que surpreendeu a todos foi a solidariedade instantânea que sentiram uns em relação aos outros. O câncer, essa tremenda adversidade, os uniu. Na minha leitura, Deus colocou esse potencial dentro de todos nós, mas foi preciso um câncer e uma escalada para que essas pessoas o descobrissem. E todos mudaram…
O esforço que pessoas que estavam fazendo tratamento, tinham passado recentemente pela debilitante quimioterapia, era gigantesco. Mas todos sabiam que era um passo de cada vez e cada passo exigia sacrifícios. Mesmo que tenham sido um milhão de passos, cada passo era o primeiro, sem pensar nos que viriam depois.
A história de cada um deles é uma história de superação. Foram seis dias duros, duríssimos, até que esse grupo de cancerosos chegasse ao tôpo do Kilimanjaro; chegaram, o que a grande maioria dos não-cancerosos não fez!
Todos temos nosso Kilimanjaro para escalar. Deus nos deu condições para fazê-lo. Vamos lá?
GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

É possível reduzir a mortalidade do câncer do pulmão

A articulista Linda Forem argumenta que escanear regularmente os pulmões de pessoas com alto risco salvará vidas. A importância do câncer do pulmão deriva da sua mortalidade: mais pessoas morrem por câncer do pulmão do que por câncer da mama (o mais comum entre as mulheres), da próstata (o mais comum entre os homens) e o do colon, que também é muito freqüente – somados. Embora esses cânceres sejam muito mais comuns, o do pulmão é muito mais letal, tão mais letal que essa diferença compensa a diferença na incidência e na prevalência.

A antiga quase-certeza de que quem não fumava não tinha câncer do pulmão foi substituída, por outra, pior: dos diagnosticados há pouco tempo, 60% não são fumantes. Ou nunca fumaram ou já deixaram. Cresceram as causas ambientais e o fumo secundário. Computando todos, somente 15% estarão vivos cinco anos depois do diagnóstico.

Linda Forem acena com uma possibilidade menos pessimista. Há tomografias computarizadas de baixa intensidade (menos perigosas) que podem ajudar a detectar o câncer do pulmão mais cedo, quando a taxa de cura é muito maior. No Estágio I, a cirurgia ainda funciona e a TC encontra os primeiros nódulos. Por que TC? Porque os raios X simples não detectam os cânceres nos estágios iniciais, quando podem ser curados com cirurgia. Ela não vê razão para tratar o câncer do pulmão de maneira diferente dos cânceres da mama, da próstata e do colon. Testes nas populações de alto risco (como os fumantes ou os fumantes secundários) seriam indicados. A melhoria do tratamento e, sobretudo, testes que permitem a detecção precoce explicariam porque a sobrevivência aos cinco anos do diagnóstico aumentou de 75% para 89% dos casos de câncer da mama e de 67% para 99,7% dos casos de câncer da próstata. O câncer do colon, mais letal que os dois anteriores, agora se localiza nos 65% de sobrevivência aos cinco anos, graças à colonoscopia. Porém, os resultados para os cânceres do pulmão são muito piores.

Muitos dos diagnósticos são acidentais: o paciente busca o médico por outra razão. O interesse de Linda adveio da experiência dolorosa de perder uma irmã, Wendy. Em 2009, ela foi a um alergista porque tinha uma coceira na garganta que provocava tosse. A escolha do alergista provavelmente se deve a um histórico de alergias. O alergista não encontrou nada e a enviou para um gastro, pensando em refluxo. O gastro  não encontrou nada e Wendy desistiu. Continuou a vida normal, que incluía a linda experiência de adotar duas crianças guatemaltecas.

Mas a coceira continuou. Dois meses depois foi fazer o exame anual ginecológico, ainda com a coceira e a tosse que tinha no ano anterior. Foi, finalmente, enviada a um pulmonólogo. Depois de uma tomografia e de uma broncoscopia, foi diagnosticada com câncer do pulmão, estágio III, que já havia invadido os nódulos linfáticos. Como não podia mais ser operada, a quimioterapia e a radiação foram iniciadas. Ficou com esses tratamentos durante onze meses. Os efeitos colaterais foram pesadíssimos, incluindo uma forma de pneumonia inflamatória crônica chamada pneumonite. Wendy morreu onze meses depois do diagnóstico.

Linda não inventou os ganhos com exames regulares da população de alto risco: uma pesquisa chamada The National Lung Screening Trial com uma população de alto risco revelou um ganho de 20% na sobrevivência quando as tomografias foram usadas no lugar dos raios X. Essa pesquisa acompanhou 53 mil pessoas consideradas de alto risco, com exames anuais.

Algo tem que ser feito: em 1971 a sobrevivência cinco anos após o diagnóstico de câncer do pulmão era de 13%; hoje, quarenta anos depois, é de 15% – isso, nos Estados Unidos.

GLÁUCIO SOARES                  IESP-UERJ