MAIS ESPERANÇA: estão experimentando com novo medicamento

 

 

    Há uma pesquisa realizada (Fase II: com poucos pacientes) e uma série maior planejadas usando um medicamento que ainda está send aperfeiçoado, chamado orteronel.

    Em quem estão experimentando? Em pacientes que não respondem mais ao tratamento hormonal, mas que ainda não apresentam metastases diagnosticadas. São pacientes com cânceres avançados, mais não os mais avançados.

    Estão numa fase de pesquisas relativamente baratas, antes de realizarem pesquisas custosas. Foram, apenas, 39 pacientes cujo PSA crescia rapidamente (o tempo mediano para dobrar era 2,4 meses, ou seja, dobrando rapidamente, que ia de menos de um mês até mais de nove meses).

    Todos receberam medicamentos duas vezes por dia (300 mg de cada vez) do orteronel, conhecido tecnicamente como TAK-700, Takeda. Esse medicamento impede que os androgenos sejam sintetizados. Pararam de dar o medicamento em uma ou mais de três condições:

    1. o PSA voltou a crescer

    2. surgiram metastases detectaveis (uma ou mais) ou

    3. a toxicidade era tal que não era tolerada, o que foi infrequente.

        O que queriam saber? Quais os resultados?

        Queriam saber quantos atingiram um PSA ≤0,2 ng/mL em 3 meses.  Essa expressão, ≤0,2 ng/mL, significa igual ou mais baixa do que 0,2. Esse era o primeiro objetivo, mas havia outros: qual a resposta do PSA, de maneira mais ampla, com todos os detalhes, queriam ter certeza de que o medicamento era seguro e quanto tempo levaria até que metástases fossem detectadas.

        Como era administrado o medicamento: em ciclos de 28 dias cada um (na mediana, foi aplicado 14 durante ciclos)

        E o resultado, que é o que mais interessa?

        35 dos 39 pacientes conseguiram uma redução de 30% ou mais no PSA. Ótimo resultado. Três meses depois de iniciado o tratamento; seis pacientes conseguiram baixar o PSA a 0,2 ng/mL, um excelente resultado para pacientes avançados. São 15% do total.

        Quanto tempo durou a melhoria? Na mediana, o PSA voltou a crescer depois de 13,8 meses. Mais de um ano. Lembrem do que significa mediana: em metade dos casos, o PSA voltou a crescer em menos do que os 13,8 meses e a outra metade segurou o crescimento do PSA por mais do que 13,8 meses.

        E a temida metástase? Na mediana (mais uma vea, a mediana!) foi de 25,4 meses, mais de dois anos.

        Acho que esse medicamento pode ser pensado como um que “estica” o efeito do tratamento hormonal por mais de um ano até que o PSA volte a crescer (mas lembrem que não sabemos quanto tempo levaria sem esse medicamento) e o tempo até a metástase em mais de dois anos (mas lembrem, outra vez, que não sabemos quanto tempo levaria sem esse medicamento).

        As estimativas estatísticas usando o método de Kaplan-Meier nos diz que, depois de um ano, em 57% o PSA não tinha voltado a crescer e depois de dois anos eram 42%.  A metástase (como esperado e desejado) depois de um ano não tinha sido diagnosticada em 94% e em 64% aos dois anos. Um ano para quase todos e dois anos para dois em cada tres pacientes.

        Talvez seja mais um medicamento a se juntar ao crescente arsenal à disposição dos que já não respondem ao tratamento hormonal convencional.

        Os efeitos colaterais são nossos conhecidos: 2/3 tiveram fadiga, um terço teve náusea, 38% tiveram diarréias, 44% tiveram hipertensão etc. e doze dos 49 desistiram.

        GLÁUCIO SOARES       IESP-UERJ

        Saiba mais:

        Hussain M. Clin Cancer Res. 2014;doi:10.1158/1078-0432.CCR-14-0356.

      TERAPIA HORMONAL INTERMITENTE SÓ PARA OS CÂNCERES MUITO AVANÇADOS?

      Uma pesquisa recém publicada coloca em dúvida os resultados de várias pequisas anteriores que propuseram que a terapia hormonal intermitente seria tão eficiente quanto a contínua, com efeitos colaterais menores – uma grande vantagem. Essa nova pesquisa confirma esses resultados somente para os cânceres muito avançados, mas não para os cânceres que ainda respondem ao tratamento hormonal e têm poucos outros sintomas.

      Trata-se de pesquisa Fase III, com muitos pacientes. 

      O que as pesquisas demonstram? Que a grande maioria dos pacientes reagirá bem ao tratamento hormonal(poucos são os que não respondem), mas que essa resposta é temporária. As pesquisas davam aos pacientes que seguiam esse tipo de tratamento uma esperança mediana de vida de dois anos e meio a três anos. Esses pacientes têm metástase e respondem a esse tratamento. Nesse tratamento, como em outros, a mediana (metade sobrevive menos, metade mais) da sobrevivência se situa entre dois anos e meio e três anos.

      Em modelos experimentais, a estratégia intermitente prolongou o tempo até que o paciente não respondia mais a esse tratamento, chegando a um estágio conhecido como “resistente à castração”. Durante o tratamento, por que a quantidade de hormônios é menor no grupo intermitente, os efeitos colaterais também eram menores e a qualidade da vida mais alta.    

      A pesquisa dirigida por Hussain analisou mais de três mil pacientes que respondiam ao tratamento hormonal. Todos foram submetidos a sete meses de terapia contínua. Os que baixaram o PSA a 4 ng/ml ou menos em seis ou sete meses foram distribuídos em dois grupos, um com terapia contínua e outro com terapia intermitente. Como a terapia hormonal intermitente era periódica, esses pacientes receberam metade dos hormônios que os que foram destinados ao braço contínuo. 

      Os problemas colaterais foram ligeiramente mais elevados no braço contínuo (32,6% vs 30,3%). Nada parecia interagir com o tipo de terapia que produzia os mesmos resultados em brancos e negros etc. EXCETO quão avançada estava a doença. No grupo mais avançado não foram constatadas diferenças entre os que estavam no braço contínuo e os que estavam no braço intermitente. PORÉM, houve diferenças no grupo sem metástase visível ou com mínima metástase. Nesse grupo, a razão de risco favorecendo a terapia contínua era de 1,23 (P=0,035). O câncer da próstata foi a causa da morte de 56% dos pacientes da terapia continua e de 64% da intermitente. Nos estágios mais avançados da doença não houve diferenças entre os dois braços. Citando o autor da pesquisa:   

       

      “in secondary analysis, intermittent therapy was found not to be inferior to continuous therapy in patients who had extensive disease; yet intermittent hormone therapy was significantly inferior to continuous therapy in patients with minimal disease.”

      E agora?

      Estamos, mais uma vez, no limbo.


      Saiba mais: 


      Hussain M. Abstract #4. Presented at: the 2012 American Society of Clinical Oncology Annual Meeting; June 1-5, 2012; Chicago.


      GLÁUCIO SOARES                  IESP/UERJ

      Abiraterona – do milagre à realidade

      Os dias de maior acesso a este blog foram os que se seguiram às divulgações fantasiosas de que havíamos lido de um medicamento milagroso, que poderia ser a cura do câncer. Foi um furor midiático. Em poucos dias, os vigilantes da ciência buscaram e rebuscaram os dados, chegando à desapontadora conclusão de que a abiraterona aumentava, sim, a sobrevivência, mas não tinha nada de milagrosa. Nos últimos dias, a abiraterona começou a ser vendida sob o nome de Zytiga.

      Que resultados ela apresenta?

      Uma pesquisa, Fase III, com dois mil homens com cânceres muito avançados, foram divididos em dois grupos – um tomou a abiraterona diariamente e o outro não. Na mediana, o grupo da abiraterona viveu mais 15,8 meses e o grupo controle viveu apenas 11,2, uma diferença de quatro meses e meio. Para quem tem oitenta ou noventa anos e uma esperança de vida, com ou sem câncer, que não é muito alta, é um bom resultado. Para quem tem 50 ou 60, o resultado não impressiona.

      Lembro que mediana significa que metade do grupo sobreviveu mais e metade menos; houve gente que não apresentou melhoria e houve gente que continua viva anos depois.

      Mas há outras vantagens comparativas, como a redução ou eliminação temporária da dor, da fadiga de náuseas fortes. A qualidade da vida melhora. E é tomada em pílulas, sem ter que ir pelos complicados meandros do Provenge.

      Quanto custa o Zytiga? Mais de oito mil reais por mês!

      Por que custa tanto? Para pagar custos. A Johnson@Johnson pagou quase um bilhão de dólares pelo medicamento e ainda teve que aperfeiçoá-lo.

      E os efeitos colaterais? Em algumas áreas, semelhantes ao dos tratamentos hormonais; afinal de contas, Zytiga é um tratamento (anti) hormonal.

      Onde é possível adquirir? Na Grã-Bretanha e alguns outros países europeus.

      GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

      Com base em vários releases e notícias de provedores especializados que operam pela internet.