A terapia hormonal não é para todos: pesando os benefícios e os efeitos colaterais

A terapia hormonal, aplicada no momento certo e à pessoa certa aumenta a sobrevivência de pacientes com canceres da próstata.

Uma pesquisa comparou pacientes que fizeram unicamente radioterapia e pacientes que, além da radioterapia, fizeram terapia hormonal.

Os dois grupos foram acompanhados durante 17 anos. Parece muito, mas não é. Homens com câncer da próstata de alto risco que também tinham problemas cardíacos viviam mais e melhor se tratados somente com a radioterapia. Sem problemas cardíacos, viviam mais com os dois tratamentos.

O Pesquisador Responsável é um nome conhecido na área, Dr. Anthony D’Amico.

A conclusão é simples: pacientes que haviam tido um ataque cardíaco não aumentavam a sobrevivência se juntassem o tratamento hormonal à radioterapia.

É bom saber qual a definição de câncer da próstata de alto risco: é aquele que (ainda) está só dentro da próstata, mas tem alta probabilidade de metástase para outras partes do corpo. É diferente de um câncer avançado, que já tem metástase e/ou outros problemas.

Entre pacientes que haviam tido um ataque cardíaco a causa mais comum de morte era… um ataque do coração. O tratamento hormonal aumentava o risco deste tipo de problema, ainda que diminuísse as mortes por câncer da próstata. Perdiam mais do que ganhavam.

O tratamento hormonal aumenta a pressão arterial e a glucose no sangue. É preciso cuidado com elas.

Isso significa que antes de iniciar o tratamento hormonal um excelente cardiologista deve ser consultado.

D’Amico não rejeita o uso de terapia hormonal em pacientes com problemas cardíacos, mas o cardiologista tem que entrar no time.

Consulte, portanto, além de seu oncólogo e urólogo, o seu cardiologista.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

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DIA DOS SOBREVIVENTES DE CANCERES

Domingo, dia 1o, foi celebrado o Dia dos Sobreviventes de Câncer. Junho, em diferentes países, é um mês dedicado a nós.

Quem é um sobrevivente do câncer? É quem foi diagnosticado com câncer e está vivo, não importa se o diagnóstico foi feito ontem ou há trinta anos. Se você é considerado curado, e, ao contrário, se a barra está pesada, você é um sobrevivente. Somos sobreviventes do diagnóstico até a hora da morte, seja por que causa for.

O que há para celebrar? – perguntarão muitos.

Simples: o diagnóstico de um número cada vez maior de canceres deixou de ser uma sentença de morte. Tome o câncer da próstata: em meados da década de 90, metade dos diagnosticados emplacavam dez anos; se espera que 97% dos diagnosticados agora estejam vivos, ainda que não necessariamente curados, dez anos depois.

Isso nos Estados Unidos. Aqui, talvez ainda estejamos lutando para chegar ao nível que aquele país atingiu há décadas. O aumento da sobrevivência não foi uniforme: o prognóstico em alguns canceres melhorou muito, mas em outros o avanço foi mínimo.

Há muito que celebrar! Não obstante, ainda temos muito trabalho pela frente.

 

GLÁUCIO SOARES            IESP-UERJ

Avanços na sobrevivência de cânceres

As notícias vindas do Reino Unido são boas, mas não ótimas. Houve um avanço considerável na sobrevivência (dez anos depois do diagnóstico) dos adultos em alguns cânceres nos quarenta anos de 1971-2 a 2010-11, melhorias em outros e quase estagnação em alguns nos quais a ciência ainda não encontrou o caminho, particularmente os do pulmão e do pâncreas. Houve pouco progresso no tratamento de cânceres do esôfago, do estomago e do cérebro. Do lado bom da escala, a sobrevivência do câncer dos testículos está próxima de cem por cento (98%), um avanço bem-vindo desde os 69% de quatro décadas atrás. O temível melanoma está sendo domado: a sobrevivência aos dez anos deu um salto, de 46% para 89%.

No conjunto, metade dos cancerosos sobrevive dez anos ou mais. Dez anos depois do diagnóstico, metade está viva. É um avanço: na média, entre os que foram diagnosticados no início da década de 70, somente um quarto estava viva depois. Um câncer que obteve um aumento substancial na sobrevivência foi o de mama, graças em parte considerável à mobilização e à politização das mulheres: de 40% para 78%. Aliás, as mulheres se beneficiaram mais das melhorias do que os homens: das diagnosticadas (de todos os cânceres) recentemente, 54% devem sobreviver, pelo menos, dez anos, bem mais do que os 46% dos homens. Parte da diferença se explica pelo fato de que os homens continuam a fumar e beber mais do que as mulheres. Em 1974, 51% dos homens adultos britânicos fumavam, dez por cento a mais do que as mulheres adultas. Em 2012, essas percentagens eram de 22 e 19, respectivamente (Fonte: http://www.ash.org.uk). Não tenho dúvidas de que a redução no fumo contribuiu muito para a redução da mortalidade por câncer. Infelizmente, o quadro do consumo de bebidas alcoólicas não é positivo: aumentou de 1974 a 2013, a despeito de uma redução a partir de 2004. Tomando a Inglaterra em separado, pesquisa feita em 2011 revelou que 39% dos homens e 28% das mulheres tinham bebido mais do que o nível máximo recomendado. Esse nível é mais alto no caso dos homens, o que significa que as diferenças absolutas no consumo de álcool entre os sexos é ainda maior. Há vários cânceres com relações com o consumo excessivo de álcool.

E o câncer da próstata? Os dados mostram que 94% estavam vivos um ano depois do diagnóstico, 85% cinco anos depois e 84% dez anos depois. Avançou muito em relação a outros cânceres: entre os diagnosticados no início da década de setenta, havia seis cânceres com melhor sobrevivência (entre os individualizados no gráfico abaixo), mas a projeção a respeito dos diagnosticados quarenta anos depois é que somente os diagnosticados com câncer testicular e com melanoma terão sobrevivência maior aos dez anos.
Esses são os dados britânicos. A sobrevivência é mais alta nos Estados Unidos e deve
[i] ser muito mais baixa no Brasil. Nossa saúde pública deixa muitíssimo a desejar.

O objetivo de todo departamento da ciência médica é, claro, a cura. Até agora, temos tido avanços graduais e cumulativos, como é o caso do câncer da próstata, ou grandes avanços devido a inovações no tratamento.

 

 

 

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Ver: Adult 10-year net survival, England & Wales Credit: Cancer Research UK


[i] Os dados brasileiros são pouco confiáveis.

O CÂNCER QUE MAIS MATA

Com alguma freqüência os testes feitos para estimar a extensão de uma câncer levam à descoberta de outro, de um segundo câncer. Em um caso, complicações derivadas da cirurgia para eliminar um câncer da próstata, levaram à descoberta de um câncer do pulmão, que é muito mais letal.

Como? Um simples raio-x, em preparação para uma segunda cirurgia do câncer da próstata, mostrou uma mancha. Era um câncer do pulmão. Em alguns países, esse câncer mata mais do que a soma dos três seguintes na escala de letalidade: mama, próstata e cólon.

É um momento muito difícil, de extrema incerteza e solidão. Por isso, o médico o orientou a buscar grupos de pacientes ano e meio após a remoção de boa parte do seu pulmão direito. Não era o que o paciente queria fazer: ele queria sair correndo e fugir do câncer, fingir que não existia… mas decidiu participar dos encontros e atividades da organização. Lá conheceu uma candidata ao doutorado que perdera o pai quando ela tinha 15 anos. O pai, fumante, morreu aos 48 anos devido a um câncer no pulmão. Todo o tratamento, caríssimo, que o pai recebeu aumentou sua esperança de vida em apenas dois anos.

Essa participação o transformou em um ativista. Passou a lutar politicamente pelo aumento dos fundos públicos para pesquisa e prevenção desse câncer que, afinal, é o que mais cidadãos mata, perto de 160 mil somente nos Estados Unidos. Cada ano, 219 mil são diagnosticados. As mortes representam 73% do total de diagnósticos. Outras estatísticas nos informam que apenas 15% sobrevivem 5 anos ou mais.

Por que? Simplesmente porque a maioria dos diagnósticos é feita quando o câncer já avançou muito, quando está adiantado e com metástases. Começar o tratamento cedo aumenta a sobrevivência.

O fumo é a grande causa, mas há muitos fumantes secundários diagnosticados com esse câncer. A maioria desses pacientes (60%) que não fumam é constituída por mulheres. Não sabemos quantos pacientes que não são fumantes primários são fumantes secundários. As políticas de prevenção mais eficientes passam pela redução do consumo de cigarros.

GLÁUCIO SOARES

IESP/UERJ

Com base em pesquisa secundária usando resumos de artigos científicos.