O câncer da próstata: testar ou não testar?

Há uns anos, um grupo criado para assessorar o governo Obama sobre os ganhos e as perdas das políticas públicas que financiavam os exames de PSA para detectar cedo os cânceres da próstata. O grupo concluiu que as perdas eram maiores do que os ganhos e aconselhou o governo a descontinuar o financiamento, o que foi feito.

Como acontece frequentemente, a escolha dos membros de um grupo influencia suas conclusões.

1 – No caso, o grupo não tinha entre seus membros um só urólogo, um só biólogo, um só oncólogo especializado em câncer da próstata….

2 – Havia duas pesquisas, uma nos Estados Unidos e outra na Europa, que chegaram a resultados contraditórios. Porém, reanálises estatisticamente mais rigorosas dos dados das duas pesquisas mudaram suas conclusões, deixando clínicos e pacientes num espaço de incertezas;

3 – Pesquisas com uma só medida do PSA não permite calcular o PSADT (doubling time) nem a PSA velocity, que há muitos anos são usados como marcadores importantes que permitem prever se o câncer atingirá alguns marcadores, como a formação de metástases constatáveis, a morte e o tempo até a morte;

4 – Um dos argumentos do grupo era que a generalização do exame de PSA gerou excesso de biópsias, aumentando os custos, o sofrimento e outras consequências negativas. Fazer uma biópsia desnecessária não é um problema do teste de PSA, mas de quem as recomenda e de quem as aceita;

5 – Há uma pesquisa recentíssima que pode alterar essas conclusões, porque tem virtudes importantes:

l Um número grande de observações (20 mil homens);

l Longitudinal (esses homens foram acompanhados por mais de duas décadas);

l Inclui informações sobre os que se negaram a participar na pesquisa e os que a abandonaram; 

l Inclui pacientes e não pacientes;

l A autora é muito qualificada. Maria Franlund, MD, PhD em Urologia na Sahlgrenska Academy, University of Gothenburg, Suécia, e chefe do departamento no hospital da universidade.

A que conclusões chegaram?

Leia você mesmo:

“Após 22 anos de acompanhamento, aproximadamente 1.528 cânceres foram detectados em participantes rastreados, em comparação com 1.124 no grupo controle. No entanto, os cânceres no grupo de triagem foram detectados em um estágio anterior, o que levou a uma redução de 29% nas mortes por câncer de próstata. No total, 112 homens rastreados morreram da doença, em comparação com 158 mortes no grupo controle. ”

Como esperado, mais cânceres foram detectados entre os que foram testados, mas como foram detectados antes, houve menos mortes.

O tempo é uma variável importante. Descobrir o câncer mais tarde, dá a ele mais tempo para crescer e gerar metástases. E matar.

Leia mais:

https://prostatecancernewstoday.com/2019/02/21/psa-testing-cuts-deaths-shows-value-of-long-term-screening/?utm_source=Prostate+Cancer&utm_campaign=70278695e8-RSS_MONDAY_EMAIL_CAMPAIGN&utm_medium=email&utm_term=0_a6d9c27ca8-70278695e8-71303813

Estimule pacientes e seus amigos e parentes a que se informem melhor e consultem um urólogo ou oncólogo.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

Testes melhores para o câncer da próstata

Os testes atuais para detectar o câncer da próstata são bons, mas podem ser muito melhores. O melhor que se usa é o PSA. Porém, o PSA produz aproximadamente quinze por cento de falsos negativos. O que é isso? O teste é interpretado como negativo, ou seja, o paciente não tem câncer, mas de fato tem. Os erros são maiores do lado positivo: há falsos positivos cerca de 50% até 75% dos casos, dependendo da definição. Falso positivo? O teste indica câncer, o paciente é diagnosticado como tal, mas não tem câncer.

Não é “só” um erro. O diagnóstico de câncer é uma porrada. Muitos pacientes perdem o controle emocional, ficam traumatizados. Esses pacientes pagam um alto preço pela imperfeição do teste.

Está sendo testado um teste que usa a urina em dois hospitais de Cleveland e um de Boston. É chamado de PSA/SIA. O atual teste de PSA nos diz quanto PSA circula no sangue do paciente. O PSA/SAI informa a respeito de muitas mudanças na proteína que chamamos de PSA. Ele consegue diferenciar a estrutura molecular de um PSA canceroso daquela de um PSA normal, saudável. Além de informar se o paciente está no nível em que o câncer é provável, informa também se ele é agressivo. São informações importantes para recomendar um tratamento ou outro. Nos diz qual o nível do câncer. Se for um nível alto, a despeito de uma quantidade ainda moderada sendo produzida, pode ser aconselhável fazer logo uma cirurgia.

Um primeiro teste com 222 homens produziu uma sensitividade de cem por cento (não há falsos negativos – se o resultado for negativo, o paciente não tem câncer e pronto).

E a especificidade? Esse teste permite quantos falsos positivos? Comparativamente poucos: vinte por cento de falsos positivos, muito menos do que o teste de PSA.

Esse teste não deve eliminar o de PSA, nem o toque retal. O uso de vários testes reduz os erros.

Você pode obter muitas informações em vídeos da equipe dirigida pelo Dr. David Samadi:

New Study On Prostate Cancer Screening Effectiveness http://www.youtube.com/watch?v=KFH1XFgoziQ

Comparing Prostate Cancer Treatment Options – Robotic Surgery Vs. Watchful Waiting

http://www.youtube.com/watch?v=9dC4T9JAJss

Outro Link: Smart-Surgery.com

FONTE: RoboticOncology.com

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Se quiser saber mais sobre o câncer da próstata, visite os seguintes blogs:

http://psacontrol.blogspot.com/

ou

http://vivaavida.wordpress.com/

Se puder ler em Inglês, veja

www.psa-rising.com/