USANDO O SISTEMA AUTO-IMUNE CONTRA O CÂNCER

 

Eu arriscaria a opinião de que ainda estamos no início, mas num início promissor no que concerne o uso do nosso próprio sistema “defensivo” contra o câncer da próstata.

Várias “vacinas” terapêuticas estão em desenvolvimento, sendo que algumas já terminaram pesquisas Fase II e avançam em outras pesquisas, em andamento, Fase III. Entre elas, PROSTVAC, sobre a qual divulguei algumas informações, e DCVAC/PCa.

Um artigo atualíssimo nos informa que há indícios de uma relação sinergética com outros tratamentos e medicamentos, como a químio e o hormonal, além de possibilidades de processo semelhante entre vacinas. Até agora, sem resultados Fase III, essas vacinas parecem atuar de maneira mais eficaz em pacientes nos que o prognostico já é bom e a doença menos avançada.

Ler os comentários de Lisa M Cordes, James L Gulley e Ravi A Madan, em Current opinion in oncology, 2016.

Para entender as Fases das pesquisas clinicas, de uma olhada em

http://www.cancerresearchuk.org/about-cancer/find-a-clinical-trial/what-clinical-trials-are/phases-of-clinical-trials

 

 

GLÁUCIO SOARES                    IESP-UERJ

Mais 8,5 meses de vida?

Há novidade, sim! Vários tipos de câncer testemunharam o avanço recente de imunoterapias. A única que atingiu o mercado do câncer da próstata foi a Provenge, que produziu alguns resultados positivos, mas perdeu a competição para outros medicamentos menos caros e de mais fácil aplicação. Agora surgiram resultados promissores com uma “vacina”, chamada de PROSTVAC®. Há duas décadas estão trabalhando nela. Está sendo orientada para pacientes com cânceres avançados, com metástases e que já não respondem ao tratamento hormonal. Ela usa um vírus (poxvirus) e faz a mira usando o PSA. Produziu uma resposta das células T. O PROSTVAC® ajuda o sistema imune a identificar e matar as células cancerosas.

Numa pesquisa Fase 2 esse tratamento aumentou a mediana da sobrevivência em oito meses e meio, reduzindo a taxa de mortalidade em 44%. Numa população com idade relativamente avançada e um câncer avançado, esse é um ganho significativo. Sem o tratamento, a sobrevivência mediana foi de 16,6 meses; com o tratamento foi de 25,1 meses, pouco mais de dois anos. Quando o Provenge foi aprovado, a elevação na sobrevivência mediana foi, aproximadamente, a metade (4,1 meses). O ganho com abiraterona (Zytiga) foi de 4,6 meses e o ganho com a enzalutamida (Xtandi) foi de 2,2 meses apenas, segundo o autor citado.

Sublinho que todos esses resultados se referem à totalidade da população testada, mas que há uma percentagem significativa dos pacientes que não responderam ao tratamento com cada um desses medicamentos. No caso da abiraterona e da enzalutamida há testes em desenvolvimento que permitirão saber quem responderá. Tomando, apenas, os que responderam, a sobrevivência média é bem maior.

 

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ