Velhos: sós e tristes

Os idosos são um grupo muito vulnerável à depressão. O conhecimento aceito informa que há mais idosos socialmente isolados do que homens e mulheres mais jovens e que esse isolamento é maior em homens do que em mulheres. O isolamento social tem sérias consequências, particularmente entre os idosos.

Um grupo de pesquisas irlandês dirigido por Santini focou esses problemas. Usaram os dados de 6.105 adultos com ≥50 anos retirados do Irish Longitudinal Study on Ageing (TILDA).[i] A saúde mental dos participantes foi avaliada e medida dois anos depois da primeira mensuração. A depressão e a ansiedade foram medidas usando escalas já conhecidas. O instrumento estatístico analítico foram regressões multivariadas.

Os idosos respondiam bem a três condições: amplo apoio da esposa, menos estresse na relação com ela e uma integração positiva com a sua rede social.

O apoio dos filhos e das filhas, assim como dos amigos, ajuda a proteger idosos e idosas da depressão. As idosas parecem ser mais atingidas por relações estressantes com filhos e filhas.

Parte do efeito dessas relações sobre a depressão e a ansiedade se faz através da solidão. A ausência de relações com essas pessoas, ou a existência de alto nível de estresse nas relações existentes, aumentavam a solidão, seja porque idosos e idosas se retiravam do convívio social ou eram privados desse convívio pelos demais.

Os autores enfatizaram que intervenções orientadas para aumentar, fortalecer e melhorar a qualidade da rede social, e reduzir a solidão e o sentimento de solidão dessas pessoas ajuda a afastar a depressão.


[i] Santini Z.I., Fiori K.L., Feeney J., Tyrovolas S., Haro J.M. e Koyanagi A., Social relationships, loneliness, and mental health among older men and women in Ireland: A prospective community-based study, em J Affect Disord. 2016 Jun 14; 204:59-69. doi: 10.1016/j.jad.2016.06.032.

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Erros e acertos dos testes de PSA

Uma pesquisa da Clínica Mayo ajuda a entender o atual debate sobre a questão de testar ou não testar sistematicamente a população masculina com o exame de PSA. Acompanharam o grupo, na mediana, durante 16,8 anos. Os homens que tinham PSA inferior a 1 ng/ml não desenvolveram canceres agressivos. Nenhum dos que tinham esse nível desenvolveu uma forma agressiva e perigosa do câncer, ainda que fossem relativamente jovens, com menos de 50 anos. 

Christopher Weight informou a Sociedade Americana de Urologia que a incidência, com PSA’s nesse baixo nível, era <1% entre os com 55 e <3% entre os com 60 anos de idade.

Ou seja, uma só medida de PSA, se for o suficientemente baixa, parece garantir que poucos terão câncer e que esse câncer não causará preocupações porque não será agressivo.

O panorama muda se o PSA estive acima de 1 ng/ml. Olhando os dados resultantes das práticas americanas, concluíram que o risco de que fariam uma biópsia sob recomendação médica era alto. Esses homens devem repetir os testes de ano em ano. Mais prudentes do que o que está sendo proposto, recomendam que os homens de 40 anos com esses baixos níveis só voltem a ser testados aos 55.

Essa pesquisa começou em 1990, com amostra de homens entre 40 e 49 anos do condado de Olmsted, em Minnesota, e foram submetidos ao teste de PSA, toque retal, e um ultrassom através da uretra, quando entraram no programa e a cada dois anos depois disso. O resultado indica que poderiam ter esperado até os 55 para fazer novo teste.

Foram diagnosticados seis casos de câncer da próstata, uma taxa de incidência de 1,6 por mil pacientes/ano; porém se o PSA era igual ou superior a 1, doze pacientes desenvolveram o câncer – uma taxa de incidência de 8,3 por mil pacientes/ano.

Dois homens no grupo mais alto acabaram sendo diagnosticados com uma forma agressiva do câncer, em contraste com nenhum no grupo com PSA mais baixo. Mesmo assim, transcorreu muito tempo: 14,6 anos no grupo de baixo risco e 10,3 no grupo de mais alto risco. 

Esses estudos ajudam a aliviar a pressão sobre aqueles que apresentam um resultado baixo, mas o grosso dos homens não apresenta PSAs tão baixos. 

É por aí que, creio, a implementação de diretrizes progredirá: individualizar o risco por nível de PSA na origem, aliviando uma parcela relativamente pequena dos que tiverem um resultado baixo, recomendando novo teste apenas muitos anos depois, e os com PSAs muito altos, ao contrário, deveriam ser acompanhados frequentemente. Elimina dois grupos extremos, mas o grosso está no meio e, para eles, as diretrizes são menos claras.

Esses estudos permitem concluir que temos necessidade de testes mais exatos que seriam adicionados aos existentes, reduzindo muito os erros; porém também colocam a boca no trombone a respeito das terapias usadas, que, idealmente, deveriam ser substituídas por outras com menos efeitos colaterais.



GLÁUCIO SOARES            IESP/UERJ

 

Câncer na próstata: papel da idade, do fumo, da dieta e do exercício

WebMD é uma excelente fonte de informações a respeito de doenças, medicamentos e pesquisas médicas para pessoas com pouco conhecimento na área. NÃO é um site para especialistas. É um site informativo, pedagógico e responsável.   Em um artigo recente, o articulista nos lembra da relação essencial entre idade e câncer da próstata: 80% dos diagnósticos são em pessoas com mais de 65 anos e menos de um por cento em homens com menos de 50 anos. Os cânceres em homens jovens, adolescentes e crianças são raríssimos, mas existem.

O site lembra que há fatores comportamentais que aumentam o risco deste câncer, como a dieta. Quem consome muita gordura de carne vermelha aumenta o risco. Outro fator consensual é a obesidade, que aumenta o risco. Finalmente, um terceiro fator comportamental reduz o risco: os exercícios sistemáticos.

Isso, claro, sem falar no fumo que contribui muito para aumentar o risco de muitos tipos de cânceres.

GLÁUCIO SOARES     IESP/UERJ