Caminhadas aceleradas reduzem a metástase

 Ponha a preguiça de lado. Exercícios cardiovasculares ajudam a combater o câncer da próstata. E o efeito não é pequeno. Veja como foram obtidos os dados: o grupo examinado é grande, mil e quinhentos pacientes. Todos diagnosticados com câncer da próstata, mas que não tinha metastizado. Diferentes, portanto, daqueles nos quais o câncer continuara a avançar. Os que andavam rapidamente três o quatro horas por semana tinham um risco muito menor de metástase – 57% menor. Quem não quer reduzir o risco de metástase a menos da metade? O pesquisador principal, Erin Richman, não obstante, deu uma notícia chata: é preciso andar depressa. Quanto mais depressa, melhor. Caminhar devagar não trouxe benefícios consideráveis nesse estudo (em outros, trouxe um benefício bem menor, mas que reduz muito a mortalidade por problemas cardiovasculares que matam muitos pacientes deste câncer.

Por quê? Não se sabe com certeza, mas uma das vias parece ser estimular a circulação de insulina.

Fontes:

Richman, Erin et al. “Physical Activity after Diagnosis and Risk of Prostate Cancer Progression: Data from the Cancer of the Prostate Strategic Urologic Research Endeavour.” Cancer Research. 24th May 2011.

E Health News.

GLÁUCIO SOARES

Mais sobre os efeitos do exercício respiratório

HOJE, terça de carnaval, acordei com a pressão muito alta. O gráfico que incluo apresenta três medidas normais para mim, a altíssima de hoje de manhã e a tirada pouco depois, após dois exercícios respiratórios. Os resultados são claros:


Foram tomadas mais duas medidas não incluídas no gráfico: uma, após o café da manhã e algumas tarefas domésticas, e outra após um segundo exercício, que resultou numa baixa adicional.

Esses resultados são compatíveis com as seguintes afirmações retiradas da literatura sobre exercícios respiratórios:

Os efeitos são verdadeiros, aparecem, após dez ou vinte respirações profundas e controladas;

Os efeitos não desaparecem logo após o fim do exercício. Permanecem;

Novos exercícios devem reduzir mais a pressão, sobretudo a sistólica, embora tenham efeitos decrescentes (ou poderíamos ter pressão negativa).

Gláucio Soares


Aprendendo a respirar

Há muitos exercícios que trazem benefícios para o nosso corpo, mas poucos são tão fáceis e eficientes como os respiratórios. Se você conseguir fazê-los umas poucas vezes por dia haverá ganhos importantes.

Vamos, primeiro, descrever os benefícios dos exercícios e, depois, como fazê-los.

O que ganhamos?

  • O oxigênio penetra mais profundamente nos seus pulmões;
  • Conduz mais óxido nítrico (que aumenta o diâmetro dos vasos sanguíneos, facilitando o fluxo do sangue) aos seus pulmões, que funcionam melhor, de maneira mais eficiente;
  • Ativa o sistema linfático, o que remove toxinas do seu corpo;
  • Tem um efeito calmante.
  • E muitas vezes baixa a pressão!

Tudo isso!

Verifique! Confirme! Pare o que estiver fazendo, se puder, ou use o próximo momento dispensável. Exale (jogar para fora) o ar normalmente, como você faz o tempo todo, igual, e se você não observar a sua barriga baixando (e subindo depois, quando você inspira), pode concluir que sua respiração é muito superficial e curta.

É fácil mudar isso!

Como?


  1. Deite de costas em algum lugar. Pode ser no chão, numa borracha de exercícios, num colchão e até na própria cama;
  2. Ponha uma das mãos na barriga (pode ser na área do umbigo) e a outra no peito;
  3. Respire (inalando, para dentro) devagar e, para ajudar, conte até cinco, pausadamente. Se fizer corretamente, a barriga vai subir, na direção oposta à da sua coluna (que é a do chão, da cama etc.). Enquanto isso acontece, o seu tórax (peito) ficará um pouco mais largo e um pouco mais alto, na medida em que se encher de ar;
  4. Agora faça o oposto: devagar bote o ar para fora (isso se chama expirar). Para ajudar a manter o ritmo você pode contar vagarosamente até sete ou oito (se for menos não importa). A barriga (e o umbigo) vai descer – na direção do chão, da cama, de onde você estiver deitado;
  5. Aliás, o umbigo é um excelente indicador: ele sobe quando o ar entra (deixe que ele suba à vontade, sem forçar) e desce quando você estiver exalando, jogando fora ar usado e dióxido de carbono (que você não quer dentro de você!);
  6. Faça isso dez vezes, pelo menos duas vezes por dia, pela manhã e á noite. Se puder fazer mais, melhor; se não puder, comece com duas mesmo.

    Os primeiros resultados, em muitos casos, são imediatos. Mas a continuidade dos exercícios aumentará esses resultados e colocará você num patamar mais elevado de saúde com muito pouco esforço.

    O difícil é fazer esses exercícios sistematicamente. Ter horas certas – exemplo: ao acordar, antes do café, antes ou depois do banho, logo que deitar ( e antes de ligar a maldita televisão) – todos servem para lembrar.

Não fique ansioso com os benefícios: eles virão.

GLÁUCIO SOARES

Exercícios fazem cancerosos viverem mais e melhor

Como saber se os exercícios afetam a probabilidade de viver mais entre nós, cancerosos?

Respostas confiáveis nos foram proporcionadas por uma pesquisa, chamada Health Professionals Follow-Up Study. Desse gigantesco estudo, mais de dois mil e setecentos tinham câncer da próstata não metastizado. Uns exercitavam muito, outros menos, outros menos e assim por diante até os que não se exercitavam nunca. Foram acompanhados de 1990 a 2008. Entre os que foram acompanhados pelo menos quatro anos, 548 tinham morrido. Olhem o primeiro resultado:

  • Entre os que morreram, 20% morreram devido ao câncer e 80% por outras causas (cardiovasculares, acidentes etc. etc.)

Numa análise multivariada (que “desconta” a influência de outros fatores, como a idade etc.), foi constatado que os que se exercitavam morreram menos do câncer da próstata (resultado que só se explicaria pelo acaso 4 vezes em mil) e também morreram menos devido a outras causas (resultado que só se explicaria pelo acaso uma vez em mil).

E quanto mais exercício, melhor. Entre os que caminhavam mais de noventa minutos por semana com um passo normal ou acelerado, tinham uma taxa de mortalidade de morrer que era 46% mais baixa do que os que não andavam regularmente ou que andavam menos, ou que andavam devagar. Esse é o resultado de andar uma hora e meia por semana – só isso!!!

Quem andava três ou mais horas ou tinha um outro exercício intenso tinham um risco de morrer 49% mais baixo.

Os benefícios para combater o câncer apareciam entre os que se exercitavam mais de três horas por semana de maneira intensa (correndo, andando rápido, jogando tênis, nadando etc.). Esses tinham um risco 61% mais baixo do que os que tinham menos de uma hora de atividade intensa.

Os esportistas, que praticavam intensamente um esporte antes e depois do diagnóstico viviam mais e melhor do que todos os demais.

E agora?

  • Pare de falar que vai fazer exercícios e faça exercícios. Chega de papo e promessas.
  • Comece devagar depois de conversar com seu médico.
  • Aumente diariamente um pouquinho ou fique uns dias num patamar e suba o patamar – um aumento de 5% a 10% cada 4-5 dias. Se você aumentar dez por cento cada quatro dias, um aumento moderado, em apenas dois meses você já terá dobrado o seu patamar.
  • E, se continuar insistindo, em um ano você será outra pessoa – viverá mais e melhor.

Fonte: Kenfield SA, Stampfer MJ, Giovannucci E, Chan JM. Em J Clin Oncol. 2011 Jan 4.

 

Por Gláucio Soares, diagnosticado há 15 anos.