Mais sobre os efeitos do exercício respiratório

HOJE, terça de carnaval, acordei com a pressão muito alta. O gráfico que incluo apresenta três medidas normais para mim, a altíssima de hoje de manhã e a tirada pouco depois, após dois exercícios respiratórios. Os resultados são claros:


Foram tomadas mais duas medidas não incluídas no gráfico: uma, após o café da manhã e algumas tarefas domésticas, e outra após um segundo exercício, que resultou numa baixa adicional.

Esses resultados são compatíveis com as seguintes afirmações retiradas da literatura sobre exercícios respiratórios:

Os efeitos são verdadeiros, aparecem, após dez ou vinte respirações profundas e controladas;

Os efeitos não desaparecem logo após o fim do exercício. Permanecem;

Novos exercícios devem reduzir mais a pressão, sobretudo a sistólica, embora tenham efeitos decrescentes (ou poderíamos ter pressão negativa).

Gláucio Soares


Aprendendo a respirar

Há muitos exercícios que trazem benefícios para o nosso corpo, mas poucos são tão fáceis e eficientes como os respiratórios. Se você conseguir fazê-los umas poucas vezes por dia haverá ganhos importantes.

Vamos, primeiro, descrever os benefícios dos exercícios e, depois, como fazê-los.

O que ganhamos?

  • O oxigênio penetra mais profundamente nos seus pulmões;
  • Conduz mais óxido nítrico (que aumenta o diâmetro dos vasos sanguíneos, facilitando o fluxo do sangue) aos seus pulmões, que funcionam melhor, de maneira mais eficiente;
  • Ativa o sistema linfático, o que remove toxinas do seu corpo;
  • Tem um efeito calmante.
  • E muitas vezes baixa a pressão!

Tudo isso!

Verifique! Confirme! Pare o que estiver fazendo, se puder, ou use o próximo momento dispensável. Exale (jogar para fora) o ar normalmente, como você faz o tempo todo, igual, e se você não observar a sua barriga baixando (e subindo depois, quando você inspira), pode concluir que sua respiração é muito superficial e curta.

É fácil mudar isso!

Como?


  1. Deite de costas em algum lugar. Pode ser no chão, numa borracha de exercícios, num colchão e até na própria cama;
  2. Ponha uma das mãos na barriga (pode ser na área do umbigo) e a outra no peito;
  3. Respire (inalando, para dentro) devagar e, para ajudar, conte até cinco, pausadamente. Se fizer corretamente, a barriga vai subir, na direção oposta à da sua coluna (que é a do chão, da cama etc.). Enquanto isso acontece, o seu tórax (peito) ficará um pouco mais largo e um pouco mais alto, na medida em que se encher de ar;
  4. Agora faça o oposto: devagar bote o ar para fora (isso se chama expirar). Para ajudar a manter o ritmo você pode contar vagarosamente até sete ou oito (se for menos não importa). A barriga (e o umbigo) vai descer – na direção do chão, da cama, de onde você estiver deitado;
  5. Aliás, o umbigo é um excelente indicador: ele sobe quando o ar entra (deixe que ele suba à vontade, sem forçar) e desce quando você estiver exalando, jogando fora ar usado e dióxido de carbono (que você não quer dentro de você!);
  6. Faça isso dez vezes, pelo menos duas vezes por dia, pela manhã e á noite. Se puder fazer mais, melhor; se não puder, comece com duas mesmo.

    Os primeiros resultados, em muitos casos, são imediatos. Mas a continuidade dos exercícios aumentará esses resultados e colocará você num patamar mais elevado de saúde com muito pouco esforço.

    O difícil é fazer esses exercícios sistematicamente. Ter horas certas – exemplo: ao acordar, antes do café, antes ou depois do banho, logo que deitar ( e antes de ligar a maldita televisão) – todos servem para lembrar.

Não fique ansioso com os benefícios: eles virão.

GLÁUCIO SOARES