O BEM QUE O EXERCÍCIO FAZ

Recebi mais um artigo com dados de pesquisas sobre os benefícios dos exercícios físicos. Pressão alta é uma doença que muitas pessoas têm. Pode, como muitas doenças, agir escondida, sem dar notícia do mal que está fazendo.

O que é que a pressão alta faz? Aumenta o seu risco de vários problemas do coração, inclusive os ataques do coração; parada cardíaca; derrame, colapso renal e vários outros males.

São muitas as pesquisas que demonstraram isso. Essa adiciona a obesidade como fator de risco. A obesidade é definida como pesar vinte por cento ou mais do que o que deveria ser o seu peso, levando em consideração altura, sexo e idade.

A obesidade mata?

Mata.

Mata mais de 110 mil pessoas cada ano, todos os anos, somente nos Estados Unidos.

Não obstante, o estudo permite uma gota de otimismo: o exercício pode ajudar a baixar a pressão do sangue. Melhor: até doses moderadas de exercícios podem produzir esse efeito.

Num centro de pesquisas biomédicas, chamado Pennington, na Louisiana, fizeram uma pesquisa com 400 mulheres. Tinham entre 45 e 75 anos e todas eram obesas e sedentárias.

Essas mulheres foram divididas em quatro grupos: um ficou como estava, sedentário. Os outros três eram grupos que exercitavam com intensidade diferente: um com pouca intensidade; outro com intensidade moderada e um terceiro com muita intensidade.

Elas foram acompanhadas durante seis meses. Após esse tempo, ficou claro que a pressão sanguínea baixou em todos os três grupos de exercício. As que se exercitaram mais tiveram baixas maiores, mas a diferença não foi grande.

Mesmo as que se exercitaram com menor intensidade usufruíram os benefícios do exercício.

Na média, as mulheres não perderam peso, mas, a despeito disso, sua condição cardíaca melhorou consideravelmente. Um benefício adicional: o nível de estresse baixou.

Claro que a primeira pergunta de muitos leitores é: que tipo de exercício, durante quanto tempo?

Segundo os pesquisadores, um dos melhores exercícios é andar. Eles também sugerem começar “de leve”, se possível com supervisão médica. Sugerem que as pessoas mais pesadas e fora de condição física comecem com caminhadas de cinco minutinhos, três vezes por dia. Gradualmente, aumente a distância e o tempo. Depois aumente a velocidade: ande um pouquinho mais depressa. Em algum tempo chegará a dez minutos, três vezes por dia, o que totaliza uma base razoável de meia hora por dia – se possível todos os dias.

Literalmente, nossa vida depende disso.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

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ATLETAS DE FIM DE SEMANA

Lembro-me de ter ouvido e lido, mais de uma vez, um comentário sobre os que só exercitam durante o fim de semana. Dizia que era perigoso.

Li, há dias, uma nota de Robert H. Shmerling sobre os atletas de fim de semana.[i] Shmerling guia a nossa imagem do atleta de fim de semana: alguém que se exercita intensamente durante o fim de semana, mas que durante o fim de semana tem uma vida sedentária. Imaginamos alguém gordo ou gorda, não jovem nem velho. Além disso, quando se exercita, exagera.

A imagem pode ir mais longe e se afinar com a realidade: atletas de fim de semana, com dor nas costas, dores musculares, distensão muscular etc. lotam os consultórios médicos.

A despeito desses problemas, nem tudo é negativo nesse grupo de pessoas. Atletas de fim de semana que seguem as diretrizes de exercitar intensamente durante, pelo menos, 75 minutos ou, com menos intensidade, por mais tempo – o dobro, 150 minutos – tem um risco menor, relativamente aos que não se exercitam de morrer, seja devido a problemas cardiovasculares, câncer e outras causas.

Vivem mais!

Esse é o resultado de uma pesquisa com nada menos do que 63 mil pessoas na Inglaterra e na Escócia, que deram informações sobre suas atividades físicas de 1994 a 2012.

O pior resultado é que dois em três eram inativos. Seu risco de morrer era muito mais alto. Um em nove se exercitava regularmente. Eram os que viveram mais e melhor. Quatro por cento eram atletas de fim de semana e apenas um em nove se exercitava regularmente. Havia, também, muitos numa categoria residual, que não se exercitavam regularmente, não eram atletas de fim de semana, mas não eram inativos.

Durante a duração da pesquisa coletaram dados sobre saúde, doenças, mortes e suas causas.

Os atletas de fim de semana, como esperado, viviam menos e pior do que os que se exercitavam regularmente, mas viviam mais e melhor do que os sedentários. Seu risco de morrer era 30% menor do que a dos sedentários; o risco de morrer devido a problemas cardiovasculares era 40% mais baixo que o dos inativos e o risco de morrer de câncer era 18% menor.

Onde ficaram os atletas de fim de semana? Perto dos que se exercitavam regularmente ou perto dos sedentários?

Perto dos que se exercitavam regularmente!

Tenho algumas considerações sobre esses resultados:

Primeiro, as pessoas mudam de categoria. Há trânsito entre elas. Arrisco que várias começam como atletas de fim de semana, começam a ler a respeito dos benefícios dos exercícios e passam a fazer exercícios com mais frequência e regularidade. Mudam suas prioridades na vida e “abrem” tempo para exercícios no meio da semana.

Segundo, a literatura é prudente, sobretudo a respeito do início dos exercícios. Aconselha a começar “devagar” e aumentar a intensidade gradualmente, seja só nos fins de semana, seja com maior frequência.

Terceiro, a pesquisa mostra uma correlação, medida de associação, mas não demonstra causalidade nem, na hipótese de causalidade, mostra os caminhos através dos quais o exercício aumenta a expectativa de vida. Não devemos subestimar duas possíveis mudanças causadas pelos exercícios. A primeira nos ensina que o exercício é mais produtivo quando é social, feito em grupo. Os que se exercitam em grupo p- é minha hipótese – faltam menos, são mais assíduos. A segunda nos ensina que os exercícios podem deslanchar um processo cognitivo: alguns começam a ler, a buscar informações, e buscam melhorar outros aspectos da vida, associados com um aumento na esperança de vida, como melhoria na dieta, redução do número de fumantes, combate inteligente à insônia e ao estresse e muito mais.

Todas essas mudanças são benéficas para a saúde e se associam com aumento na esperança de vida.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ


[i] “The underappreciated health benefits of being a weekend warrior”, Faculty Editor, Harvard Health Publications.

REVERTENDO A FIBRILAÇÃO ATRIAL (A-Fib)

 

Eu estava pesquisando a respeito de problemas cardíacos em interesse próprio quando encontrei dados a respeito da relação entre estar em forma física e a fibrilação atrial (A-Fib). Tenho problemas com a fibrilação atrial há, pelo menos, três décadas. Há 6-7 anos fiz uma cirurgia chamada de ablação cardíaca. Deu certo. Os eletros, desde então, não acusam a fibrilação. Não obstante, continuo com medicamentos (amiodarona, ANCORON) para evitar esse tipo de problemas. “Meu” cardiologista me informou que esse medicamento pode contribuir para a neuropatia periférica e tem interações perigosas com outros medicamentos.

Continuei buscando.

O que descobri? Que melhorias relativamente pequenas na forma física cardiovascular produzem resultados significativos nos sintomas de A-Fib.

Jared Bunch é um cardiologista que dirige o programa de pesquisas sobre os ritmos cardíacos no Intermountain Medical Center Heart Institute em Murray, Utah. Ele queria saber se é possível reverter problemas cardíacos com mudanças no estilo de vida, o que usualmente significa exercício, dieta e perda de peso. A resposta, felizmente, é positiva. Oitenta por cento das pessoas acima do peso, inclusive obesas, que sofriam com A-Fib, que melhoram sua condição física cardíaca, não tinham mais sintomas quatro anos depois. Essa melhoria inclui as que continuaram com excesso de peso (suponho que substituíram parte da banha por músculo).

De outra fonte, soube que os trinta minutos podem ser substituídos por dois de quinze.

É isso. Boas notícias. Vamos andar um pouco?

GLÁUCIO SOARES IESP UERJ

Controlando os efeitos do entupimento da aorta

Aortas entupidas são um perigo constante de morte. Uma das maneiras de enfrentar esse problema é colocar umas armações de metal chamadas de stents que impedem as paredes de se grudarem umas nas outras. Dá certo? Quanto tempo dura?Stents salvam vidas

O gráfico mostra uma elevada taxa de sucesso: 86% no médio prazo e 77% a longo prazo.

Por que fazer?

O entupimento reduz o fluxo de sangue e causa a Hipertensão. Ele é responsável por 5% a 10% dos casos de falhas cardíacas congênitas. Se não for tratado responderá por uma alta percentagem das doenças (morbidade) e da mortalidade.

O pesquisador, Ralf Holzer estudou mais de trezentos pacientes para chegar a essa conclusão durante nove anos.

Nao obstante, o estilo de vida continua sendo a melhor garantia (e a mais fácil) de evitar problemas de entupimento: dieta adequada e exercícios.

Escrito por GLÁUCIO SOARES com base em resumo do artigo original.