Comparando os efeitos colaterais da enzalutamida e da abiraterona

Temos lido e ouvido muito sobre os benefícios de dois medicamentos relativamente recentes que competem no mercado de pacientes cujo câncer já é resistente aos tratamentos hormonais, a abiraterona e a enzalutamida. Não obstante, há muito pouco a respeito de seus efeitos colaterais. Uma equipe, com a participação de médicos e pesquisadores brasileiros, realizou uma meta-análise para ampliar o conhecimento nessa área. Lembro que a meta-análise inclui instrumentos estatísticos para analisar dados já coletados.

A que conclusões chegaram?

A enzalutamida não está associada com o conjunto de eventos cardiovasculares, graves e não graves, em seu conjunto, ou com eventos cardiovasculares graves (nível ≥3), mas está associada ao risco de fadiga, de todas as intensidades (RR 1.29 – 95% CI 1.15-1.44).

Com a abiraterona, os resultados foram diferentes: aumenta o risco de problemas cardiovasculares, mas não aumenta a fadiga.

Esses resultados mudam a probabilidade de qual tratamento será usado em qualquer caso porque há resistências cruzadas e, depois de usar um desses medicamentos o outro surte pouco efeito.

Informação para nós, pacientes. Converse com seu oncólogo.

Gláucio Soares IESP/UERJ

Saiba mais: leia o artigo em Raphael B Moreira, Marcio Debiasi, Edoardo Francini, Pier V Nuzzo, Guillermo De Velasco, Fernando C Maluf, Andre P Fay, Joaquim Bellmunt, Toni K Choueiri, Fabio A Schutz, em Oncotarget. 2017 Aug 08, versão eletrônica.

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Há alguns medicamentos que interagem bem: são poucos, mas existem

Intuitivamente, podemos achar que tomar dois medicamentos contra um câncer é sempre melhor do que tomar somente um, mas não é verdade. Usualmente, aumentam muito os efeitos colaterais; em outros casos, o ingrediente ativo é o mesmo nos dois medicamentos, o que significa, apenas, tomar uma dose maior; em alguns casos, há interações entre eles com consequências negativas para a saúde e o bem-estar.

Alguns, poucos, dão certo.

Como saber quais entre milhares de combinações possíveis?

Stefan Kubicek, do CeMM Research Center for Molecular Medicine, na Áustria, e sua equipe coletaram uma gigantesca “biblioteca” sobre medicamentos que funcionam melhor juntos e buscaram o que havia de comum entre eles.[i]

Deu trabalho! Há mais de trinta mil medicamentos aprovados pela FDA. Imaginem as combinações…

Eliminaram, claro, primeiro que tudo os medicamentos com o mesmo ingrediente ativo; retiraram todos os com componentes biológicos etc. Enfim, terminaram com perto de mil pequenas moléculas sistêmicas que são ativas.

O próximo passo era classifica-las. Formaram quatro grupos com base em suas estruturas e atividades conhecidas e demonstradas. Nesse ponto, usaram programas para selecionar agentes que fossem representativos. Com base neles, criaram uma biblioteca muito menor, de 308 compostos, que foi batizada de CLOUD.

Usaram a CLOUD para ver o efeito sobre células cancerosas. Uma combinação que interessa aos pacientes de câncer da próstata é a da flutamida, usada para combater esse câncer, e um agente antitrombótico a respeito do qual sou ignorante total, chamado, em inglês, phenprocoumon. Segundo os autores, os dois tem um efeito sinergético, que combate células cancerosas que resistem a vários tratamentos.

O objetivo dos autores não era analisar combinações com possíveis aplicações ao câncer da próstata, mas facilitar a busca de combinações de medicamentos que fossem eficientes. Acreditam que a Cloud ajuda nessa busca.

Como exemplo, verificaram que outros medicamentos não incluídos na Cloud, mas com as mesmas características que a flutamida e a (o?) phenprocoumon também atuam sinergisticamente contra as células cancerosas resistentes do CP. Ou seja: pretendem que os compostos estudados e incluídos na Cloud representam outros, que estão fora da Cloud.

Mais uma esperança, ainda que seja para os que ainda nem descobriram que tem câncer…

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ


[i] Nat. Chem. Biol. 2017, DOI: 10.1038/nchembio.2382

Cuidado com os efeitos colaterais!

Segundo David Goodhue, a FDA está examinando os efeitos colaterais de medicamentos usados contra o câncer da próstata, particularmente os que provocam ou agravam doenças cardíacas ou diabetes. São medicamentos hormonais, baseados em agonistas da gonadotropina. O provável resultado será uma campanha para conscientizar os médicos dos efeitos negativos dos remédios que receitam para seus clientes. Esses pacientes tem que ser acompanhados. Nos Estados Unidos são vendidos sob os nomes de Eligard, Lupron, Zoladex e outros.
Não creio que venham a ser proibidos, considerando que não há alternativa eficiente e comprovada. Ë uma situação complicada para muitos pacientes com canceres avançado, como eu, que estão iniciando esse tratamento.
Para saber mais:
http://www.allheadlinenews.com/articles/7018601434#ixzz0n8xZ6UDx