Uma luzinha de esperança

Essa é uma luzinha de esperança para quem já passou por todas as etapas do câncer da próstata. Quem são esses pacientes? Aqueles que não respondem mais às terapias já estabelecidas, como docetaxel, cabazitaxel, enzalutamida e abiraterona. Uma empresa chamada Endocyte desenvolve terapias personalizadas, feitas para subgrupos de pacientes com características especificas, e não para todos os pacientes.

Em que consiste a luzinha de esperança?

Em um tratamento com um nome impossível, 177Lu-PSMA-617, que direciona seu poder de fogo para um antígeno vinculado a uma membrana, chamado PSMA. Esse antígeno está presente em cerca de 80% dos pacientes com metástase que não respondem a qualquer tratamento hormonal. O 177Lu-PSMA-617 reduziu o PSA em mais de 50% numa percentagem razoável dos pacientes (de 40% a 60%). Os demais não responderam ao tratamento. Houve melhoria em boa parte do que apresentavam metástases para outros órgãos e redução da dor (muito temida nas metástases ósseas).

A mediana da sobrevivência foi de 12,7 meses.

Esses são resultados com poucos pacientes. São promissores, o que levou ao projeto de uma pesquisa maior, Fase III, prevista para 2018.

Uma luzinha no fim do túnel…

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

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A Enzalutamida aumenta a sobrevivência e o tempo até a químioterapia

A enzalutamida aumenta a sobrevivência e protela o avanço do câncer, de acordo com testes radiográficos, em pacientes que não respondem mais aos tratamentos hormonais.  É o que demonstra um trabalho apresentado ao   2014 Genitourinary Cancers Symposium. Como não houve outros tratamentos, o efeito protelativo pode ser atribuído à enzalutamida, disse o conhecido especialista Tomasz M. Beer.

Os testes com medicamentos, nos Estados Unidos, com frequência são feitos com tipos de pacientes e não com todos os pacientes. Antes as pesquisas com pacientes muito avançados, que haviam feito químioterapia com docetaxel, demonstraram que a enzalutamida aumentava a sobrevivência.

Mas, e entre os pacientes que ainda não fizeram químioterapia? A enzalutamida funciona?

Esse é um grupo grande de pacientes, maior que o anterior, sendo de interesse para o fabricante que o medicamento fosse indicado também para essa faixa do mercado. Daí a pesquisa, que custa caro.

A faixa é a de pacientes sem sintomas ou com poucos sintomas, que não respondem ao tratamento anti-hormonal. Como de praxe, grupo experimental (160 mg de enzalutamida diariamente) e grupo controle. Mais de mil e setecentos pacientes no total.

Fizeram uma primeira avaliação depois que perto de um terço (539) dos pacientes faleceu. Naquele momento, 35% do grupo placebo morreram, estatisticamente mais do que os 28% do grupo enzalutamida. A grande diferença foi no avanço da doença, 85% menor.  Um indicador do avanço é a quimioterapia: os pacientes do grupo enzalutamida fizeram químio 17 meses mais tarde que os do grupo placebo.

Interessante como parece, as desistências devidas aos efeitos colaterais foram iguais nos dois grupos: 6%.

A enzalutamida (o nome na farmácia é Xtandi) é mais uma opção para nós, com cânceres avançados. Sua principal contribuição não me parece o ganho de dois meses na sobrevivência geral e sim o ganho no tempo até quando teremos que usar o docetaxel, a químioterapia: 17 meses.

 

GLÁUCIO SOARES                                  IESP/UERJ

Quanto ganhamos de sobrevivência com a químioterapia?

Um artigo recente mostra qual a sobrevivência mediana de pacientes com câncer avançado, que já não responde ao tratamento hormonal, e ilustra os problemas com prever resultados individuais a partir de medidas de tendência central, como médias e medianas.

O experimento foi feito no Japão com 63 pacientes já refratários ao tratamento hormonal. Foram tratados com docetaxel, estramustina e hidrocortisona. Na mediana (metade dos pacientes recebeu menos e metade mais) os pacientes receberam onze “sessões” de químio.

Resultados:

  • PSA foi reduzido em >50% em 32 pacientes, ou 51%.
  • Dezoito (29%) tiveram excelente reação, com uma queda maior do que 90% no PSA;
  • Na mediana o PSA levou seis meses para voltar a crescer, mas olhem a variação: de um a 41 meses!

E a sobrevivência?

  • A mediana significou 14 meses de vida, mas também variou muito, (de um a 56 meses).

A sobrevivência com a quimioterapia não sai barata para o corpo: 87% tiveram neutropenia de grau 3 ou 4, dois pacientes enfartaram etc.

Esse é um tratamento extreme, com resultados muito variáveis: um paciente morreu logo; outro durou mais quatro anos e oito meses. Está longe de ser um tratamento eficiente.

Fonte:
Nakagami Y, Ohori M, Sakamoto N, Koga S, Hamada R, Hatano T, Tachibana M. em Int J Urol. 2010 Apr 26.