Exercícios fazem cancerosos viverem mais e melhor

Como saber se os exercícios afetam a probabilidade de viver mais entre nós, cancerosos?

Respostas confiáveis nos foram proporcionadas por uma pesquisa, chamada Health Professionals Follow-Up Study. Desse gigantesco estudo, mais de dois mil e setecentos tinham câncer da próstata não metastizado. Uns exercitavam muito, outros menos, outros menos e assim por diante até os que não se exercitavam nunca. Foram acompanhados de 1990 a 2008. Entre os que foram acompanhados pelo menos quatro anos, 548 tinham morrido. Olhem o primeiro resultado:

  • Entre os que morreram, 20% morreram devido ao câncer e 80% por outras causas (cardiovasculares, acidentes etc. etc.)

Numa análise multivariada (que “desconta” a influência de outros fatores, como a idade etc.), foi constatado que os que se exercitavam morreram menos do câncer da próstata (resultado que só se explicaria pelo acaso 4 vezes em mil) e também morreram menos devido a outras causas (resultado que só se explicaria pelo acaso uma vez em mil).

E quanto mais exercício, melhor. Entre os que caminhavam mais de noventa minutos por semana com um passo normal ou acelerado, tinham uma taxa de mortalidade de morrer que era 46% mais baixa do que os que não andavam regularmente ou que andavam menos, ou que andavam devagar. Esse é o resultado de andar uma hora e meia por semana – só isso!!!

Quem andava três ou mais horas ou tinha um outro exercício intenso tinham um risco de morrer 49% mais baixo.

Os benefícios para combater o câncer apareciam entre os que se exercitavam mais de três horas por semana de maneira intensa (correndo, andando rápido, jogando tênis, nadando etc.). Esses tinham um risco 61% mais baixo do que os que tinham menos de uma hora de atividade intensa.

Os esportistas, que praticavam intensamente um esporte antes e depois do diagnóstico viviam mais e melhor do que todos os demais.

E agora?

  • Pare de falar que vai fazer exercícios e faça exercícios. Chega de papo e promessas.
  • Comece devagar depois de conversar com seu médico.
  • Aumente diariamente um pouquinho ou fique uns dias num patamar e suba o patamar – um aumento de 5% a 10% cada 4-5 dias. Se você aumentar dez por cento cada quatro dias, um aumento moderado, em apenas dois meses você já terá dobrado o seu patamar.
  • E, se continuar insistindo, em um ano você será outra pessoa – viverá mais e melhor.

Fonte: Kenfield SA, Stampfer MJ, Giovannucci E, Chan JM. Em J Clin Oncol. 2011 Jan 4.

 

Por Gláucio Soares, diagnosticado há 15 anos.

Exercício físico é o melhor medicamento

Duas instituições universitárias, a Harvard School of Public Health e a University of California, em San Francisco, se uniram para pesquisar a influência dos exercícios e hábitos de vida sobre a morte de pacientes de câncer da próstata.

O resultado é simples: os homens que fizeram as atividades mais intensas, vigorosas, aumentaram muito a sobrevivência! Reduziram as chances de morte específica do câncer e também da mortalidade por outras causas.

Estudaram mais de dois mil e setecentos pacientes durante 18 anos. Homens que andaram mais de 90 minutos por semana a um passo normal ou acelerado tinham uma chance de morrer de qualquer causa que era 46% menor do que os que andavam menos de 90 minutos a um passo lento.

Definindo atividade física rigorosa como exercícios de três horas semanais ou mais, esse tipo intenso de atividade física reduziu o risco de morrer de câncer da próstata em 61%. É uma redução superior a de qualquer medicamento.

Que tipo de atividade o leitor interessado pode e deve fazer – se o médico aconselhar? Andar (quanto mais tempo e mais depressa melhor); correr (ainda que devagar, o que chamam de jogging), nadar, jogar tênis, praticar outros esportes – mas todos de maneira regular, sistemática e não uma vez ou outra. Até levantar peso pode ser uma boa alternativa, sob a orientação do médico e de um bom treinador. Leiam o que Marília Coutinho tem escrito a respeito.

Quinze minutos diários de exercícios moderados ou intensos já melhoram o panorama. É possível (e com freqüência aconselhável) começar pegando leve e ir aumentando gradualmente o tempo e a intensidade.

Essa pesquisa será publicada no Journal of Clinical Oncology.

Saia de frente da televisão e se levanter da mesa do botequim – se quiser viver mais e melhor.

 

GLÁUCIO SOARES