E DEPOIS DA ABIRATERONA E DA ENZALUTAMIDA?

Um novo medicamento, chamado onapristona, está sendo desenvolvido por uma empresa biofarmacêutica, chamada Arno Therapeutics (ARNI). A onapristone está orientada para um grupo de pacientes que já não respondem à terapia hormonal, nem à abiraterona ou à enzalutamida. Em outras pesquisas Fase II, esse ingrediente já demonstrou potencial, mostrando que tem atividade anti-tumor. Ele bloqueia a ativação do receptor da progesterona, que talvez seja um mecanismo relacionado com o crescimento de vários tipos de câncer, inclusive da mama e do endométrio.

Como todas as pesquisas com pacientes, requer aprovação que só é dada depois que mecanismos de segurança são obedecidos. Após isso, buscarão pacientes para um Trial, Fase I/II (NCT02049190).

Há algum tempo, se o paciente não respondia mais aos tratamentos hormonais padrão, havia pouco que fazer, alem de reduzir dores e mantê-lo confortável. Medicamentos como a abiraterona e a enzalutamida, assim como Provenge, agregam mais tempo e qualidade de vida. Porém, quando seus efeitos terminam, há pouco que fazer. É a essa população que a onapristona se destina.

Todos sabemos que serão vários anos até que esse medicamento, cuja eficiência precisa ser demonstrada em pesquisa cara e extensa, Fase III, esteja disponível nas farmácias, mas é uma informação alvissareira para muitos, cujo câncer avançará até esses estágios.

Onde? Institute of Cancer Research, London e Royal Marsden NHS Foundation Trust na Grã-Bretanha.

 

University of London – The Institute of Cancer Research (Sutton Site)

15 Cotswold Rd

Sutton

London, Surrey SM2 5NG, United Kingdom

University of London – The Institute of Cancer Research (Sutton Site)

15 Cotswold Rd, Sutton, London, Surrey SM2 5NG, United Kingdom


icr.ac.uk

+44 20 7352 8133

 

Quantos? Sessenta pacientes recrutados naquele país. Os médicos dos interessados deverão contactar os pesquisadores e os pacientes provavelmente terão que permanecer um tempo na Grã-Bretanha.

 

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

 

Saiba mais: PBR Staff Writer, de 8 de Abril de 2014

Quanto custa a hegemonia militar?

Quanto custa a hegemonia militar?

Posted by soares7 em agosto 13, 2011

A hegemonia militar tem preço. Não sai barato. Os Estados Unidos gastaram, em 2010, 698 bilhões de dólares com os militares, a preços constantes de 2009.

Isso é muito ou pouco? O leitor pode responder a essa pergunta, de posse de alguns dados. Quem levanta, confere e organiza esses dados? Várias agências, mas talvez a mais confiável seja a SIPRI, localizada em Estocolmo. De acordo com o SIPRI, o segundo colocado nos gastos é a China, com 114 bilhões. Ou seja, menos de seis vezes. Mesmo assim, a China também gasta muito, em cifras absolutas: aproximadamente o dobro da França, o terceiro país mais gastador, exatamente o dobro do Reino Unido e mais do dobro da Rússia, outrora parte central da poderosa, ameaçadora e, comparativamente, pobre União Soviética.

Depois dos Estados Unidos, os dez países que mais gastam, em termos absolutos (sempre em dólares constantes de 2009), são a China, a França, o Reino Unido, a Rússia, o Japão, a Alemanha, a Itália, a Arábia Saudita, a Índia e…o nosso Brasil. Gastamos mais do que a Coréia do Sul, o Canadá, a Espanha…

Pois bem, esses dez países (inclusive a China), somados, representam 523 bilhões de dólares, menos do que os Estados Unidos. Gastam 75% do que os Estados Unidos gastam.

Como se paga a hegemonia militar? Todos os anos ela custa quase 5% do PIB. Noutros países desenvolvidos ela pesa menos: de 1% no Japão a 2,7% no Reino Unido.

Ela se paga, parcialmente, aumentando a dívida pública e, também parcialmente, reduzindo outros gastos, alguns considerados mais importantes. Mas isso tem custos.

Dia 5, o crédito do governo dos Estados Unidos baixou, pela primeira vez na história, de AAA para AA+. É um sistema usado pela Standard & Poor’s e a baixa não quer dizer que os Estados Unidos não pagarão suas dívidas. Em parte o problema é político, porque a rolagem, que era quase automática, só foi aprovada na última hora, numa jogada claramente política. Mas o problema existe.

A dívida pública não nasceu com Obama; ela aumentou nas guerras mundiais e foi gradualmente reduzida depois. Como percentagem do PIB, a dívida cresceu aceleradamente nas décadas de 80 e 90: triplicou entre 1980 e 1990. A Guerra Fria foi um das causas. Diminuiu quando ela terminou e voltou a crescer. Em 2008, a dívida pública tinha chegado a US $ 10, 3trilhões, ou dez vezes o nível de 1980. O crescimento da dívida fez com que um teto fosse aprovado, mas passou a ser mudado de acordo com as conveniências – todos os anos e sem problemas. Esse ano foi negociado e renegociado, com intenções que, para mim, são claramente eleitoreiras.

Há outros custos, no meu entender, muito maiores, medidos em anos de vida perdidos e em sofrimento.

O NIH é, de longe, a maior financiadora de pesquisas na área da saúde. Podemos ler no site do NIH: “o NIH investe… US $32,2 bilhões anualmente na pesquisa médica para o povo americano.” Menos de sete por cento do que gastam anualmente com as Forças Armadas.

Tomemos o câncer, o segundo maior assassino da população americana, como exemplo: nos Estados Unidos, o National Cancer Institute (NCI), parte dos National Institutes of Health and the Department of Health and Human Services coordena muitas pesquisas sobre o câncer e uma das instituições que, no setor público, financiam pesquisas sobre o câncer.

O NCI gasta pouco menos de cinco bilhões por ano com pesquisas sobre o câncer, ou 0,7% dos gastos militares. Isso significa que os gastos militares de um ano equivalem aos gastos com pesquisas sobre câncer do NCI durante 170 anos. O orçamento anual do NCI é da mesma ordem de grandeza da construção de um porta-aviões, o Ronald Reagan. Nos Estados Unidos, aproximadamente mil e quinhentas pessoas morrem de câncer todos os dias; por ano são perto de 570 mil pessoas – mais de meio milhão. Em toda a guerra do Iraque até o dia 18 de julho recente, morreram em combate 3.529 soldados americanos. O equivalente a pouco mais de dois dias do número de mortes de cancerosos nos Estados Unidos, onde uma em cada quatro pessoas deverá morrer de câncer.

Pesquisa e tratamento ajudam! Em 1975/77, de cada cem pessoas diagnosticadas com câncer, cinqüenta estavam vivas cinco anos mais tarde; mas entre os diagnosticados entre 1998 e 2005, 68% estavam vivos cinco anos depois. Um ganho de 13% em um quarto de século. Milhões de vidas. Quantos sobreviveriam se houvesse um corte de dez por cento nos gastos militares, e esses recursos (quase 70 bilhões de dólares anuais) fossem transferidos para a pesquisa, prevenção e tratamento do câncer? Afinal, estaríamos gastando quatorze vezes mais, todos os anos. O meu chute: em dez anos, vários cânceres estariam na categoria de doenças crônicas e muitos outros teriam uma cura bem mais fácil do que agora. Milhões de vidas americanas seriam salvas em uma década. É, ser potência custa caro! Em vidas humanas também.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

INFORMAÇÕES A RESPEITO DE PROVENGE –

Provenge encontrou dificuldades para ser aprovado pela FDA nos Estados Unidos. É difícil de fazer. Mesmo em se tratando de uma doença que mata 32 mil americanos ao ano, há somente cinqüenta lugares onde a ‘vacina’ é aplicada. Está entre aspas porque vacina normalmente é um termo usado para doenças futuras e não para as que o paciente já tem. Em comum com muitas vacinas, Provenge usa as defesas do sistema imune para atacar as células cancerosas. O sistema é treinado a atacar uma proteína (ou um antígeno) associada com as células cancerosas e reinjetado no paciente.

Esse é um bom momento para lembrar que o câncer da próstata não é uma doença só. Há vários tipos, cada um causado por um tipo de célula, diferente das demais. É possível ter mais de um tipo.

Provenge não funciona bem em pacientes com cânceres muito avançados. Se o câncer tiver destruído o sistema imune (lembremos que ele costuma metastisar para os ossos) a resposta será débil. O melhor uso é com pacientes com poucos sintomas ou com cânceres avançados, mas nas etapas iniciais. Se houver uma quantidade massiva de câncer, o sistema imune enfrentará um problema maior do que pode resolver. Os pacientes mais indicados (e é preciso considerar o preço) são aqueles nos que bloquear testosterona já não impede o avanço do câncer, mas ainda não tem metástases generalizadas.

No centro de tratamento, as células brancas onde foram detectados antígenos são retiradas e enviadas ah empresa. Quase todos os tipos de câncer de próstata tem um antígeno chamado PAP que, combinado com um ingrediente que coloca o sistema imune em ação. Com isso, o sistema imune é treinado para atacar tudo o que contenha o PAP. Essa vacina requer três injeções e leva quatro meses para se tornar plenamente eficiente.

Os pacientes que usaram a vacina viveram quatro a cinco meses mais do que um grupo controle. A mediana (metade viveu mais e metade viveu menos) foi de quase 26 meses. Perto de um terço dos pacientes viveram mais de três anos com a vacina.

Como há competidores que, mais cedo ou mais tarde, entrarão nesse mercado, é de esperar que Provenge seja aperfeiçoada.

Escrito por GLÁUCIO SOARES com base em uma entrevista e vários resumos.