REDUÇÃO NA MORTALIDADE POR CÂNCER DA PRÓSTATA NA ITÁLIA

Uma pesquisa, realizada na Itália, indica que a mortalidade devida ao câncer da próstata, padronizada pela idade, aumentou nas três décadas de 70, 80 e 90; a partir desse momento, passou a decrescer, na média, 2,3% por ano. A previsão feita nos diz que em 2020 a taxa de mortalidade por este câncer, padronizada pela idade, será de 12 por cem mil.[1]

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ


[1] A pesquisa foi realizada por R Capocaccia, R Foschi, A Zucchetto, R Valdagni, N Nicolai, M Maffezzini, G Gatta e publicada eletronicamente em Cancer epidemiology. 2015 Dec 27.

ONDE ESTÃO AS CÉLULAS CANCEROSAS?

Uma empresa de biotecnologia baseada em Seattle, a Cancer Targeted Technology (CTT), recebeu uma doação de dois milhões do NIH com o objetivo de facilitar diagnósticos e tratamentos mais exatos. Permitirá acompanhar as metástases. Usa a chamada tomografia PET.

Como funciona?

Trabalham com uma pequena molécula chamada CTT1057 que adere a um antígeno encontrável na membrana das células cancerosas do câncer da próstata. Ela aparece nitidamente quando escaneada e ela é abundante nas células cancerosas. Como isso é possível ver as regiões afetadas.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Forum de sobreviventes de câncer

 

Um sobrevivente de dois episódios de leucemia quer aproveitar dois programas gratuitos onde outros sobreviventes de câncer trocam fichinhas, informações e emoções. Infelizmente, está em Inglês.  Queiramos ou não, é o idioma dominante na Ciência e na internet também. Quem quiser dar uma olhada ou participar, clique no link abaixo.

 

GLÁUCIO SOARES                                 IESP-UERJ

 

http://blog.postach.io/sharing-and-remembering-stories-of-survival-with-evernote-and-postach-io

Subestimando ou superestimando o câncer da próstata

Às vezes, o câncer da próstata é descoberto por acaso; às vezes, é descoberto quando fazemos exames periódicos e às vezes é porque há sintomas (o que muitas vezes significa que o câncer está avançado). Os primeiros exames específicos para verificar se o paciente tem câncer são o de PSA, que é um exame de sangue barato, e o toque retal.

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Um PSA alto e encontrar uma massa sólida no toque retal levantam suspeitas. Até 3 ou 4 ng/ml os clínicos não se preocupam, embora haja falsos negativos; entre esse nível e dez é uma zona cinza, chamada de cinza porque dá de tudo, câncer e não câncer; acima de dez usualmente o médico sugere uma biópsia; se, além do PSA suspeito, o toque retal também revelar uma massa sólida, dura, o médico usualmente faz uma sugestão insistente.

O único erro que meu cirurgião cometeu, que eu saiba, foi afirmar que eu deveria fazer a biópsia “to rule out cancer” – para eliminar a hipótese de câncer. Não elimina. As biópsias são probabilísticas e com certa freqüência produzem falsos negativos. Eu fiz quatro agulhas numa biópsia; depois, como o PSA continuava subindo, mais seis e… nada! Mas, como o PSA continuava subindo, o médico sugeriu mais seis e aí sim, encontraram um adenocarcinoma com um Gleason de 3+3.

O que é o tal de escore Gleason? As células normais são diferenciadas e diferentes partes da célula fazem tarefas diferentes; com o câncer elas ficam mais homogêneas, mais iguais, dedicadas a crescer e crescer, e mais nada. O escore de uma célula pode variar até cinco, o mais alto. No cinco, elas são absolutamente iguais e só fazem crescer. Numa biópsia, há células de tipo diferentes, umas normais, outras não e mesmo as cancerosas também são diferentes umas das outras. Tem células com escores diferentes. A mais freqüente, que tivermos em maior número na amostra dá a primeira parte do escore Gleason, o primeiro número. A segunda mais freqüente fornece o segundo número. Se a mais freqüente for mais ou menos diferenciada, o escore poderá ser 3; se a segunda mais freqüente for totalmente indiferenciada, toda igual, o escore será 5 e o Gleason vai ser definido como 3+5. As células com valor acima de três são consideradas indicadoras de cânceres avançados e/ou agressivos.

Porém, dar um valor a uma célula tem algo de subjetivo. Para maior exatidão, precisamos de testes melhores que excluam a subjetividade.

O Dr. Richard Matern, urólogo no LDS Hospital, constata, como muitos outros já o fizeram, que quando a próstata é removida e examinada por um patologista, com indesejável freqüência o escore Gleason é mais alto do que na biópsia. Significa que o câncer foi “subclassificado” na biópsia. Ora, o escore Gleason é muito importante na determinação do tratamento a ser seguido. Um Gleason baixo pode justificar o chamado “watchful waiting”, estratégia durante a qual os pacientes são acompanhados, fazem testes periódicos, mas não fazem nenhum tratamento. Um Gleason alto, oito ou mais no total, por exemplo, praticamente empurra médico e paciente para um tratamento mais agressivo e mais cedo.

As biópsias melhoraram desde que as fiz, há 16 anos. Usam mais agulhas – um incômodo – e também procurar chegar aos lugares mais difíceis, reduzindo a margem para erros.

A importância de acertar a agressividade é óbvia: tratar agressivamente um câncer indolente possivelmente significa submeter o paciente a efeitos colaterais pesados, como a impotência e a incontinência; não fazê-lo com um paciente portador de um câncer agressivo aumenta o risco de que ele venha a falecer do câncer, embora a maioria dos portadores de cânceres da próstata acabem morrendo de outras causas. Não obstante, um paciente relativamente jovem com um câncer agressivo e avançado requer um tratamento igualmente agressivo e duro, a despeito dos efeitos colaterais.

Essa é a importância de dividir os cânceres em estágios, de acordo com o risco que eles trazem para os pacientes. Para isso, a correção do escore Gleason continua fundamental.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ