Um teste de urina que poderá salvar vidas, sofrimento e dinheiro

Agora existe, em fase experimental, um teste simples, de urina, que pode ajudar no diagnóstico do câncer da próstata com alta acuidade, acertando em 98% dos casos.

Há dois tipos de erros que usualmente ocorrem no inicio do câncer. O pior não trata canceres que precisam ser tratados. Sem testes, é uma possibilidade real e uma ocorrência comum porque os sintomas que são perceptíveis pelos próprios pacientes só surgem quando o câncer está avançado.

O erro oposto tem a ver com diagnosticar e tratar invasivamente um câncer da próstata que não é agressivo, que não matará nem afetará a vida do paciente.

Quando o teste de PSA e o toque retal não excluem a possibilidade de câncer, o próximo passo é a biópsia, com agulhas, um procedimento claramente invasivo.

Precisamos de avanços e progresso nesse nível também, e não apenas nos níveis avançados do câncer.

Esse novo teste de urina pode evitar 4 em cada dez biópsias. Dificilmente há falsos positivos nas biopsias, mas ainda hoje há falsos negativos. O câncer está numa área que escapou às agulhas etc.

Esse teste, chamado SelectMDx, ainda está em desenvolvimento no Radboud University Medical Centre, na Holanda. Se confirmar as promessas, evitará muita dor, física e psicológica, para futuros possíveis pacientes.

Gláucio Soares IESP-UERJ

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Cachorros farejam o câncer na urina

No estado de Indiana, um grupo de pesquisadores, com Dr.Mangilal Argawal à frente, está levando a sério a possibilidade de usar cachorros na detecção do câncer da próstata.

Foram inspirados por uma pesquisa feita na Itália onde os cachorros foram treinados para detectar corretamente o câncer cheirando a urina. Acertaram em 98% dos casos, um resultado muito superior ao de outros testes. As biopsias, custosas, invasivas, frequentemente dolorosas e sujeitas a infecções e outros efeitos colaterais, tem uma taxa incômoda de falsos negativos.

Embora os erros tenham diminuído, ainda existem. Quando eu fiz biopsias os dois primeiros “batches” (um de quatro agulhas, outro de seis) deram resultados negativos. Como o PSA continuava crescendo, foi feita nova série de seis agulhas e o câncer foi encontrado.

O olfato dos cachorros é muito, muito mais poderoso do que o dos humanos. Alexandra Horowitz, que estuda os caninos no Barnard College, afirma que os cachorros podem notar uma colher de açúcar no volume equivalente a duas piscinas. A acuidade seria de partes por trilhão.

Fonte: Inside of a Dog. 384 páginas, ISBN 9781416583431 | September 2010. À venda na Kindle por 13 dólares.

Na minha leitura, há dois grandes problemas no uso sistemático de cachorros na detecção do câncer da próstata: o primeiro é o treinamento. Tudo depende da qualidade e da extensão do treinamento. O segundo é o preconceito. Não vai ser fácil convencer pacientes a depositar as suas fichas em algo tão importante como a detecção de um câncer em um cachorro.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

MELHORES TESTES, MENOS ERROS

O teste de PSA é tradicionalmente usado para detectar o câncer da próstata. Tem muita utilidade: é fácil de coletar e de analisar, os resultados são apurados rapidamente, com margem de erro conhecida. Não obstante, permite erros, falsos positivos (PSA alto, indicativo de que há câncer, mas não há) e falsos negativos (PSA baixo, indicativo de que não há câncer, mas há). Se feito juntamente com o toque retal, a percentagem dos erros diminui consideravelmente. O PSA, durante muito tempo, foi recomendado e usado regularmente, com o objetivo de detectar o câncer cedo, quando ainda é curável. Porém, os falsos positivos geraram outro tipo de problema, biópsias e mais biópsias (mais caras, difíceis e dolorosas, com alguns efeitos colaterais e também suscetíveis a margem cada vez menos aceitável de erro) e às vezes até tratamentos com a intenção de curar um câncer que não existe. Dai, alguns países e médicos terem passado a não recomendar o exame sistemático de PSA, exceto para pessoas de alto risco (como as que tem pai, tio ou irmão com este câncer).Surgiram outros testes que prometiam as vantagens dos anteriores, sem algumas das desvantagens. Há outros marcadores no sangue que podem reduzir muito a margem de erro. Numa das pesquisas, três outros marcadores foram adicionados, reduzindo – muito – a margem de erro. A percentagem de falsos positivos e de falsos negativos foi reduzida de 32 a nove por cento. Uma queda considerável. Kailash Chadha, do Roswell Park Cancer Institute em Buffalo, N.Y., apresentou os resultados.clip_image001

Os três marcadores são proteínas que circulam no sangue chamadas de cytokines, IL-8, TNF-alpha e sTNFR1.

Essa foi uma pesquisa pequena e requer outra, muito maior, Fase III. Esses testes poderão reduzir os erros, evitar biópsias, tratamentos e medicamentos desnecessários, assim como evitar que cânceres perigosos permaneçam mais tempo desapercebidos.

 

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ