PEQUENAS DOSES DE ASPIRINA CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

Uma pesquisa confirma resultados anteriores: uma pequena dose de aspirina regularmente aumenta a sobrevivência de homens que fizeram cirurgia e/ou radiação para o câncer da próstata. Kevin Choe, em trabalho publicado no Journal of Clinical Oncology, revela que uma análise de seis mil pacientes que os subdividiu em dois grupos, os que tomavam regularmente um dos anticoagulantes comuns, encontrou diferenças significativas depois de dez anos: 3% no grupo que tomava anticoagulantes regularmente por prescrição médica, e 8% entre os que não tomavam. A diferença é estatisticamente significativa. O risco de “volta” do câncer e de metástase também era significativamente mais baixo. Esse benefício se deveu, principalmente, às pequenas doses de aspirina. Como a aspirina é anticoagulante e idosos frequentemente tomam outros anticoagulantes, como warfarina, a dose tem que ser calculada para não provocar hemorragia.

 

 

    GLÁUCIO SOARES          IESP/UERJ    

 

OS ASPECTOS COGNITIVOS E DE SAÚDE MENTAL DOS SOBREVIVENTES DE DERRAMES E AVC’S SÃO POUCO ESTUDADOS

Na opinião dos que estudam derrames, é muito importante estudar as sequelas dos pacientes que sobrevivem a um derrame, um AVC, sobretudo as cognitivas e as que se relacionam com a saúde mental. São preocupações que vão além do funcionamento adequado do sistema cardiovascular e se relacionam com a qualidade de vida dos sobreviventes. Essas preocupações também estão presentes nos testes clínicos dos medicamentos. Afinal, o objetivo do tratamento não é apenas manter o paciente vivo, mas mantê-lo funcional e feliz. Os problemas cognitivos e mentais afligem muitos pacientes que sobreviveram aos derrames.
Como pesquisar essas características. O que fazem os pesquisadores?
Dois deles codificaram os artigos de revistas científicas prestigiosas com um alto fator de impacto (impact fator), cujos artigos são muito citados. Buscaram quatro dedicados à medicina em geral, três à gerontologia e à reabilitação, quatro à neurologia, outros quatro à psiquiatria, mais quatro à psicologia e três aos derrames. A escolha das revistas é importante porque cada especialidade tem suas próprias preferências. O período coberto vai de janeiro de 2000 a outubro de 2011.Foram examinados somente os artigos que tratavam desses dois tipos de sequelas. 
Apenas 6% dos 8.826 artigos tratavam de aspectos cognitivos ou relacionados à saúde mental dos pacientes. Desses, 83% tratavam dos aspectos cognitivos e 51% da saúde mental. 
A necessidade de padronizar as pesquisas para torná-las comparáveis fez com que muitos usassem as mesmas medidas. Uma escala da capacidade cognitiva, chamada de Folstein’s Mini-Mental State Examination foi usada em 37% desse subconjunto de artigos e os problemas mentais se concentraram na depressão, muito comum entre pessoas que sofreram derrames e outros problemas cardiovasculares. Há pouca padronização também nessa área – apenas 9% usaram o mesmo instrumento, chamado de Hamilton Rating Scale of Depression.
A conclusão, triste, é que a grande maioria dos artigos sobre depressão não tratam dos problemas cognitivos e mentais que, com frequência, afetam os pacientes que sobreviveram um derrame.
Fonte: Comments and Opinions and Research Letters to Brief Reports
Cognitive and Mood Assessment in Stroke Research Focused Review of Contemporary Studies
Rosalind Lees, Patricia Fearon; Jennifer K. Harrison; Niall M. Broomfield e Terence J. Quinn.
GLÁUCIO SOARES             IESP/UERJ