A DEPRESSÃO PÓS UTI

As Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) são um recurso hospitalar que quase todos conhecem: estiveram internados, visitaram alguém que estava, ou ouviram falar. A California Pacific Medical Center Informa que as UTIs são destinadas a pacientes em estado grave. Em um bom hospital, são atendidos por uma equipe especializada, que inclui, alem dos médicos, enfermeiras, terapeutas respiratórios e muito mais. Porque os pacientes estão em estado grave, nos bons hospitais, repito, nos bons hospitais, os pacientes são observados e monitorados com frequência. Usualmente, cada enfermeira tem, apenas, um a dois pacientes para cuidar. Os doutores também precisam ser treinados. Isso, em bons hospitais. Dependendo do caso e da sua gravidade, os pacientes podem ter equipamento especial no seu quarto, que pode assustar, particularmente se não houver chance ou treinamento para preparar psicologicamente o paciente. icu : Patient monitor icu pulse Stock Photo

Os pacientes ficam conectados a maquinas, as mais comuns monitorando as batidas cardíacas, a pressão, a respiração. Alguns pacientes necessitam de maquinas que produzem oxigênio e outros de equipamento que ajuda na respiração. Os monitores podem aumentar o estresse dos ansiosos.

Uma visão de sala de UTI com múltiplos leitos pode ajudar a entender:

 

Tudo isso pode meter medo.

No mencionado hospital, o número máximo de visitantes é dois. Os visitantes não devem entrar e sair (perturbações e aumento do risco de contaminação); não obstante devem ficar fora do quarto durante exames e tratamento.

Onde ficam?  Na sala de espera – e não batendo papo em outros quartos. É um bom momento para controlar a curiosidade e não bisbilhotar a respeito da doença de outros pacientes.

Quando há doenças infecciosas, não são permitidas as visitas simples.

Todas essas medidas contribuem para a segurança médica do paciente, mas podem provocar receio e causar uma sensação de solidão diante do perigo, que pode ser psicologicamente aumentado.

Qual o efeito de todas essas experiências sobre os pacientes depois que saem da UTI?

John Gever, em artigo publicado na MedPage Today, analisa algumas possibilidades. Acompanharam pacientes que foram internados, sobreviveram e saíram das UTIs.

Foram encontrados sintomas de depressão, perda de apetite, insônia e outros sintomas de depressão em um terço dos pacientes um ano após saírem da UTI. A depressão é a doença mental mais comum entre pacientes que estiveram na UTI, cinco vezes mais frequente do que o PTSD, desordem (ou transtorno) de estresse pós-trauma. James C. Jackson concluiu que esses pacientes somatizavam muito.  As limitações físicas contribuem para essa depressão, sugerindo um papel para a reabilitação física no tratamento da depressão pós-UTI. Jackson sugere o maior uso de medidas e ações que ajudassem, onde possível, os pacientes a manter um nível físico razoável ainda durante a internação.

Em situações brasileiras, nas que a assistência médica pós-UTI pode ser precária ou nenhuma, os familiares e amigos dos pacientes (ou quem quer que os cuide) devem ter presente esses resultados, leva-los e discuti-los com seus médicos, e lidar com a depressão do paciente, mesmo que el@ negue a depressão, sem abandonar a parte física, que parece ser importante.

Tudo a ser discutido com um bom médico, formado em boas universidades, que participe de congressos e conferências, e que continue se atualizando.

 

GLÁUCIO SOARES                                            IESP-UERJ

COMENDO PELAS BEIRINHAS: SEPARANDO OS PACIENTES DE MUITO BAIXO RISCO

Uma pesquisa da Clínica Mayo ajuda a entender o atual debate sobre a questão de testar ou não testar sistematicamente a população masculina com o exame de PSA. Acompanharam o grupo, na mediana, durante 16,8 anos. Os homens que tinham PSA inferior a 1 ng/ml não desenvolveram canceres agressivos. Nenhum dos que tinham esse nível desenvolveu uma forma agressiva e perigosa do câncer, ainda que fossem relativamente jovens, com menos de 50 anos. 
Christopher Weight informou a Sociedade Americana de Urologia que a incidência, com PSA’s nesse baixo nível, era <1% entre os com 55 e <3% entre os com 60 anos de idade.
Ou seja, uma só medida de PSA, se for o suficientemente baixa, parece garantir que poucos terão câncer e que esse câncer não causará preocupações porque não será agressivo.
O panorama muda se o PSA estive acima de 1 ng/ml. Olhando os dados resultantes das práticas americanas, concluíram que o risco de que fariam uma biópsia sob recomendação médica era alto. Esses homens devem repetir os testes de ano em ano. Mais prudentes do que o que está sendo proposto, recomendam que os homens de 40 anos com esses baixos níveis só voltem a ser testados aos 55.
Essa pesquisa começou em 1990, com amostra de homens entre 40 e 49 anos do condado de Olmsted, em Minnesota, e foram submetidos ao teste de PSA, toque retal, e um ultrassom através da uretra, quando entraram no programa e a cada dois anos depois disso. O resultado indica que poderiam ter esperado até os 55 para fazer novo teste.
Foram diagnosticados seis casos de câncer da próstata, uma taxa de incidência de 1,6 por mil pacientes/ano; porém se o PSA era igual ou superior a 1, doze pacientes desenvolveram o câncer – uma taxa de incidência de 8,3 por mil pacientes/ano.
Dois homens no grupo mais alto acabaram sendo diagnosticados com uma forma agressiva do câncer, em contraste com nenhum no grupo com PSA mais baixo. Mesmo assim, transcorreu muito tempo: na medida na 14,6 anos no grupo de baixo risco e 10,3 no grupo de mais alto risco. 
Esses estudos ajudam a aliviar a pressão sobre aqueles que apresentam um resultado baixo, mas o grosso dos homens não apresenta PSAs tão baixos. 
É por aí que, creio, a implementação de diretrizes progredirá: individualizar o risco por nível de PSA na origem, aliviando uma parcela relativamente pequena dos que tiverem um resultado baixo, recomendando novo teste apenas muitos anos depois, e os com PSAs muito altos, ao contrário, deveriam ser acompanhados frequentemente. Elimina dois grupos extremos, mas o grosso está no meio e, para eles, as diretrizes são menos claras.
Esses estudos permitem concluir que temos necessidade de testes mais exatos que seriam adicionados aos existentes, reduzindo muito os erros; porém também colocam a boca no trombone a respeito das terapias usadas, que, idealmente, deveriam ser substituídas por outras com menos efeitos colaterais.

GLÁUCIO SOARES                 IESP/UERJ