COMENDO PELAS BEIRINHAS: SEPARANDO OS PACIENTES DE MUITO BAIXO RISCO

Uma pesquisa da Clínica Mayo ajuda a entender o atual debate sobre a questão de testar ou não testar sistematicamente a população masculina com o exame de PSA. Acompanharam o grupo, na mediana, durante 16,8 anos. Os homens que tinham PSA inferior a 1 ng/ml não desenvolveram canceres agressivos. Nenhum dos que tinham esse nível desenvolveu uma forma agressiva e perigosa do câncer, ainda que fossem relativamente jovens, com menos de 50 anos. 
Christopher Weight informou a Sociedade Americana de Urologia que a incidência, com PSA’s nesse baixo nível, era <1% entre os com 55 e <3% entre os com 60 anos de idade.
Ou seja, uma só medida de PSA, se for o suficientemente baixa, parece garantir que poucos terão câncer e que esse câncer não causará preocupações porque não será agressivo.
O panorama muda se o PSA estive acima de 1 ng/ml. Olhando os dados resultantes das práticas americanas, concluíram que o risco de que fariam uma biópsia sob recomendação médica era alto. Esses homens devem repetir os testes de ano em ano. Mais prudentes do que o que está sendo proposto, recomendam que os homens de 40 anos com esses baixos níveis só voltem a ser testados aos 55.
Essa pesquisa começou em 1990, com amostra de homens entre 40 e 49 anos do condado de Olmsted, em Minnesota, e foram submetidos ao teste de PSA, toque retal, e um ultrassom através da uretra, quando entraram no programa e a cada dois anos depois disso. O resultado indica que poderiam ter esperado até os 55 para fazer novo teste.
Foram diagnosticados seis casos de câncer da próstata, uma taxa de incidência de 1,6 por mil pacientes/ano; porém se o PSA era igual ou superior a 1, doze pacientes desenvolveram o câncer – uma taxa de incidência de 8,3 por mil pacientes/ano.
Dois homens no grupo mais alto acabaram sendo diagnosticados com uma forma agressiva do câncer, em contraste com nenhum no grupo com PSA mais baixo. Mesmo assim, transcorreu muito tempo: na medida na 14,6 anos no grupo de baixo risco e 10,3 no grupo de mais alto risco. 
Esses estudos ajudam a aliviar a pressão sobre aqueles que apresentam um resultado baixo, mas o grosso dos homens não apresenta PSAs tão baixos. 
É por aí que, creio, a implementação de diretrizes progredirá: individualizar o risco por nível de PSA na origem, aliviando uma parcela relativamente pequena dos que tiverem um resultado baixo, recomendando novo teste apenas muitos anos depois, e os com PSAs muito altos, ao contrário, deveriam ser acompanhados frequentemente. Elimina dois grupos extremos, mas o grosso está no meio e, para eles, as diretrizes são menos claras.
Esses estudos permitem concluir que temos necessidade de testes mais exatos que seriam adicionados aos existentes, reduzindo muito os erros; porém também colocam a boca no trombone a respeito das terapias usadas, que, idealmente, deveriam ser substituídas por outras com menos efeitos colaterais.

GLÁUCIO SOARES                 IESP/UERJ

A reabilitação cardíaca salva muitas vidas

O que é reabilitação cardíaca? Segundo o conhecido National Institute of Health, é um programa SIMPLES composto por

  • Exercícios sob supervisão;
  • Educação e informação sobre o funcionamento do sistema cardiovascular e sobre como o estilo de vida do paciente afeta esse sistema;
  • Terapia ou aconselhamento profissional;
  • Redução de estresse.

É simples e eficiente, uma grande ajuda a quem faz tratamento cardíaco ou de qualquer parte do sistema cardiovascular. Melhora as pessoas.

Nos Estados Unidos, cada ano 600 mil pessoas fazem algum tipo de cirurgia cardíaca, particularmente angioplastia, e todos poderiam se beneficiar muito do programa. Não sei quantos fazem cirurgias semelhantes no Brasil, mas suspeito que poucos façam um programa de reabilitação cardiovascular.

Vale a pena? A conhecida Mayo Clinic patrocinou um estudo com 2.400 pacientes que durou quatorze anos. Os resultados mostram que as taxas de sobrevivência dos que seguiram programas semelhantes são muito mais altas do que a dos demais.

Angioplastia é uma cirurgia que corrige erros do nosso estilo de vida e da nossa genética: artérias próximas ao coração ficam obstruídas com placas (aterosclerose) e a cirurgia aumenta artificialmente o diâmetro desses vasos sanguíneos para que o sangue possa circular. É importante saber que as placas podem e devem ser reduzidas desde muito tempo antes com dieta e exercício o que evita a cirurgia ou, pelo menos, a posterga por vários anos.

O programa tem tal impacto que quarenta por cento dos pacientes que assistiram pelo menos uma das sessões do programa tiveram uma redução importante nas taxas de mortalidade de todas as causas. A prazo, as diferenças se acumulam e são maiores: O Dr. Randal Thomas diz que os que fizeram o curso de reabilitação tem 50%.

Há críticas à pesquisa que afirmam que a população estudada é homogênea, ao que os autores respondem com o argumento forte de que mesmo de apenas 20% aumentarem a esperança de vida, são 120 mil pessoas!

Precisamos treinar – e muito – nossas enfermeiras e conscientizar – e muito – nossos cirurgiões que a guerra contra a doença e a morte continuam após a cirurgia.

GLÁUCIO SOARES