Câncer da Próstata: mais uma esperança no horizonte

 

A empresa Tokai Pharmaceuticals apresentou há horas dados sobre o uso de Galeterona em pacientes com canceres avançados. O marcador usado, que decide se o medicamento funciona ou não, é o PSA.

Trabalharam com três grupos: no primeiro, os pacientes não respondem mais ao tratamento hormonal; no segundo, além de não responderem, já apresentam metástases detectáveis e no terceiro e último, já não respondem à abiraterona.

Os resultados se referem a 87 pacientes que receberam doses diárias de 2.550 mg.

O que aconteceu com eles?

Entre os 51 que não respondem ao tratamento hormonal, mas não apresentam metástases, 82% tiveram uma redução de trinta por cento ou mais no PSA. Usando um critério mais exigente, uma redução de 50%, a percentagem não cai muito – 75%. Sem dúvida, um excelente resultado. Não sabemos quanto tempo essa redução se manterá.

No segundo grupo, que apresenta metástases, com 39 pacientes, 85% tiveram uma redução de, pelo menos, 30% e 77% uma redução de 50% ou mais. Resultados semelhantes aos do primeiro grupo.

A abiraterona tem sido usada depois dos tratamentos hormonais. Em quinze desses pacientes, 27% tiveram um declínio no PSA, sugerindo que a Galeterona beneficiará poucos pacientes nesse nível.

E os efeitos colaterais? Não foram grandes: os mais comuns são náusea, diarreia, fadiga, falta de apetite etc.

Mais uma esperança.

 

GLÁUCIO SOARES     IESP/UERJ

E DEPOIS DA ABIRATERONA E DA ENZALUTAMIDA?

Um novo medicamento, chamado onapristona, está sendo desenvolvido por uma empresa biofarmacêutica, chamada Arno Therapeutics (ARNI). A onapristone está orientada para um grupo de pacientes que já não respondem à terapia hormonal, nem à abiraterona ou à enzalutamida. Em outras pesquisas Fase II, esse ingrediente já demonstrou potencial, mostrando que tem atividade anti-tumor. Ele bloqueia a ativação do receptor da progesterona, que talvez seja um mecanismo relacionado com o crescimento de vários tipos de câncer, inclusive da mama e do endométrio.

Como todas as pesquisas com pacientes, requer aprovação que só é dada depois que mecanismos de segurança são obedecidos. Após isso, buscarão pacientes para um Trial, Fase I/II (NCT02049190).

Há algum tempo, se o paciente não respondia mais aos tratamentos hormonais padrão, havia pouco que fazer, alem de reduzir dores e mantê-lo confortável. Medicamentos como a abiraterona e a enzalutamida, assim como Provenge, agregam mais tempo e qualidade de vida. Porém, quando seus efeitos terminam, há pouco que fazer. É a essa população que a onapristona se destina.

Todos sabemos que serão vários anos até que esse medicamento, cuja eficiência precisa ser demonstrada em pesquisa cara e extensa, Fase III, esteja disponível nas farmácias, mas é uma informação alvissareira para muitos, cujo câncer avançará até esses estágios.

Onde? Institute of Cancer Research, London e Royal Marsden NHS Foundation Trust na Grã-Bretanha.

 

University of London – The Institute of Cancer Research (Sutton Site)

15 Cotswold Rd

Sutton

London, Surrey SM2 5NG, United Kingdom

University of London – The Institute of Cancer Research (Sutton Site)

15 Cotswold Rd, Sutton, London, Surrey SM2 5NG, United Kingdom


icr.ac.uk

+44 20 7352 8133

 

Quantos? Sessenta pacientes recrutados naquele país. Os médicos dos interessados deverão contactar os pesquisadores e os pacientes provavelmente terão que permanecer um tempo na Grã-Bretanha.

 

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

 

Saiba mais: PBR Staff Writer, de 8 de Abril de 2014

GALETERONE: NOVA ESPERANÇA CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

Agora que pesquisadores “descobriram” o câncer da próstata e que a indústria farmacêutica “descobriu” que, cada ano, o número de novos pacientes ultrapassa duzentos e trinta mil somente nos Estados Unidos, há mais interesse e mais investimentos na área. Nada comparável ao investimento massivo feito para controlar o HIV/AIDS mas, mesmo assim, algo a celebrar.

O tratamento de outros cânceres parecia ter um princípio, uma diretriz: após o diagnóstico, se houver uma decisão de tratar o paciente, partia-se com tudo para cima do câncer. Sabemos que cada câncer inclui subtipos, causados por células diferentes e que muitos medicamentos funcionam bem em umas células, mas não em outras. A simultaneidade de tratamentos, muitos dos quais com pesados efeitos colaterais, obedeciam à lógica de que um medicamento de um tipo atacava células deste e daquele tipo, mas não eliminava as demais, que exigiam outro  medicamento e assim por diante.

A última vez que verifiquei, havia 25 tipos de células de câncer da próstata;  embora várias  delas sejam raridades, são muito tipos, constituindo um alvo difícil de eliminar com  um medicamento só.

Uma tendência mais recente é a de incluir vários alvos num medicamento só. Um dos mais recentes dessa tendência se chama galeterone. Ele lança um ataque em três frentes contra o câncer da próstata. Como se tornou habitual, ele se concentra nos pacientes que já não respondem ao tratamento (anti)hormonal. Os primeiros testes, com poucos pacientes, deram resultados promissores. Não é cura, mas poderá ajudar muitos pacientes.

Quais foram esses resultados obtidos por esses pesquisadores baseados em Harvard?

  1. 1.  Primeiro, em mais da metade dos pacientes, houve uma redução no PSA de 30% ou mais. Esse resultado é modesto, mas me diz algumas coisas:
  • ·       Muitos pacientes não respondem a esse medicamento, embora um número maior possa vir a responder com seu aperfeiçoamento;
  • ·       Redução do PSA não é cura. Cura pode haver, se chegarmos a níveis não detectáveis do PSA.  Para esses pacientes que responderam bem ao medicamento, a grande incógnita é: quanto tempo durarão os benefícios? O tempo conta porque, por se tratar de uma população velha, em duas décadas quase todos morrerão de outras causas.
  • 2.  Em onze pacientes (entre 49) houve uma redução substancial, de 50% ou mais do PSA. A lógica da avaliação é a mesma: nem todos respondem assim (alguns não respondem) e a duração desses benefícios é uma incógnita porque sua determinação depende de um acompanhando de uma população maior por muitos anos;

3.  Em alguns pacientes houve redução dos tumores, que representa uma demonstração mais segura de que o medicamento surte efeito, ainda que não cure.

 

· Galeterone funciona simultaneamente em três direções: bloqueia receptores de proteínas que respondem à testosterona;

  1. ·       Reduz o número de receptores nos tumores e
  2. ·       Foca em um enzima que está ligado com os caminhos dos hormônios ligados ao câncer.

Os resultados dessa pesquisa preliminar foram apresentados à American Association for Cancer Research. Outra pesquisa, Fase II, terá mais pacientes e avaliará a eficiência do medicamento, devendo ser começada ainda este ano.

É praxe conduzir um terceiro (e mais caro e demorado) tipo de pesquisa, chamado de FASE III, com um número maior de pacientes e um grupo controle.

Ainda falta bastante até que o medicamento seja aprovado e possa ser vendido, mas, se funcionar, é provável que muitos dos leitores venham a ser beneficiados por ele.

GLÁUCIO SOARES                 IESP/UERJ

Mais sobre câncer e suicídio

O número de mortes por câncer, em geral, e por câncer da próstata, em particular, tem sido reduzido, na média, 1% ao ano. A sobrevivência é, hoje, muito maior do que era há duas ou três décadas. Parte da melhoria se deve ao acúmulo de pequenos ganhos mas, em alguns cânceres se deve a descobertas importantes.

O câncer da próstata é muito mais freqüente entre idosos do que entre homens maduros. Muitos deles ainda não se livraram do conceito ultrapassado de que um diagnóstico de câncer equivale a uma sentença de morte. De fato, nos Estados Unidos, aproximadamente um em cada seis ou sete pessoas diagnosticadas com câncer da próstata morrem deste câncer. Mas muitos – demasiados – pacientes desconhecem que suas próprias chances de longa sobrevivência são muito altas. Além disso, os tratamentos mais eficientes existentes hoje têm efeitos colaterais pesados que podem trazer, por exemplo, impotência e incontinência, temporários ou permanentes.

Devido à idade avançada de muitos pacientes, há outros fatores que contribuem para a depressão, como a falta de planos, de perspectivas e de esperança. Idade e câncer se dão as mãos para tornar a vida do paciente idoso difícil e triste. A elas se junta a falta de informação.

Essas forças e energias negativas aumentam o risco de suicídio e de problemas cardiovasculares. Uma pesquisa publicada em PLoS Medicine, mostra que o estresse produzido por um diagnóstico de câncer da próstata multiplica por onze o risco de morrer por causas cardiovasculares e por oito o risco de suicídio. São aumentos gigantescos.

Essa é uma situação típica, que requer uma política publica de treinamento dos médicos para que olhem para o lado emocional dos pacientes, sobretudo após um diagnóstico de câncer, assim como do pessoal hospitalar, além de uma intensa campanha de informação e de conscientização, de que o câncer não é mais aquele. Urólogos e oncólogos são essenciais nessa campanha.

Neste blog tivemos uma carta de um paciente que foi operado há vinte anos: o câncer voltou e ele está aí, vivendo e satisfeito. Meu diagnóstico foi em 1995/96, o câncer voltou depois de cinco anos, e treze a quatorze anos mais tarde estou aqui, escrevendo para vocês.