A resposta do PSA à abiraterona é muito importante

Uma informação que pode ser útil para pacientes que não respondem ao tratamento anti-hormonal e que apresentam metástases.

As mudanças no PSA no inicio do tratamento com abiraterona indica quão exitoso o tratamento será. É uma indicação meramente probabilística. Nada nessa área é inevitável.

O que foi apresentado num pôster na ASCO 2016 se refere a um estudo com 87 pacientes com as características acima.

A primeira pergunta que fizeram foi: como reagiram ao tratamento aos 15 dias, aos 90 dias e mês a mês?

Trabalharam com um modelo complexo, multivariado que controlou variáveis clínicas e da patologia.

O PSA baixou em 79% dos pacientes. Houve resposta rápida em 56%, sendo que em 23% o declínio em 15 dias foi >50%, mais da metade do valor anterior. Os que responderam logo apresentaram uma vantagem clara na sobrevivência específica (não morreram do câncer) – depois de um ano, o risco relativo foi de 0,28 – e de sobrevivência geral foi de 0,22.

Nesse grupo que respondeu bem e rapidamente outras variáveis pesaram: se usaram abiraterona por mais tempo (mais de sete meses); se tinham feito terapia hormonal (mais de 2,5 meses) e resultados contraditórios com a químio (melhor se receberam mais de duas rodadas, pior se receberam mais de 675 mg/m2 de docetaxel.

Sabemos um pouco mais, mas falta muito, muito.

GLÁUCIO SOARES ISP/UERJ

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Os benefícios da abiraterona são maiores do que se pensava

 

 

Quando, num experimento em andamento, os dados provisórios permitem ver que há um benefício claro para os que estão no grupo experimental, por razões humanitárias se permite que os membros do grupo placebo passem para o experimental. Essa passagem é chamada de cross-over.

Uma equipe capitaneada por Wayne Kuznar reanalisou os dados de uma pesquisa que, a partir de um ponto, permitiu o cross-over.

A pesquisa lidava com mais de mil pacientes adiantados, que tinham metástases crescentes e que já não respondiam ao tratamento hormonal, chamados de pacientes mCRPC, mas que não tinham sintomas ou tinham sintomas leves. Quando foram diagnosticados, metade dos pacientes nos dois grupos tinham um Gleason ≥8 (esse sinal significa igual ou mais alto do que 8).

Foram dois grupos iguais, um, placebo mais prednisona, e outro acetato de abiraterona (1.000mg. diariamente) mais prednisona.

Por mais frio que pareça, os pesquisadores calculam as mortes, além de registrarem quando elas acontecem. Depois de pouco mais do que quatro anos, 741 pacientes tinham morrido.

Quarenta e quatro porcento dos pacientes do grupo placebo passaram para o grupo experimental e começaram o tratamento com abiraterona. É o cross-over.

Porém, esses pacientes passaram um tempo, grande para alguns, sem esse tratamento, o que prejudicou seu resultado. Os ganhos com o uso da abiraterona

Inicialmente, se calculou que a mediana (metade mais, metade menos) de sobrevivência geral, considerando todas as causas de morte, era de 30,3 meses no grupo placebo e de 34,7 meses no grupo abiraterona. O risco de morte no grupo abiraterona era 19% menor. Porém, quando foram levados em consideração os efeitos da mudança de grupo, a diferença aumentou para 26%.

Já sabemos que alguns pacientes não respondem ao tratamento com abiraterona (ou enzalutamida) e já sabemos o porquê. Esses tratamentos aumentam a vida dos pacientes em alguns meses, na mediana. Metade vive mais do que isso e alguns pacientes vivem muito mais. É o que temos, mas há algumas promessas sendo pesquisadas.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Câncer da Próstata: mais uma esperança no horizonte

 

A empresa Tokai Pharmaceuticals apresentou há horas dados sobre o uso de Galeterona em pacientes com canceres avançados. O marcador usado, que decide se o medicamento funciona ou não, é o PSA.

Trabalharam com três grupos: no primeiro, os pacientes não respondem mais ao tratamento hormonal; no segundo, além de não responderem, já apresentam metástases detectáveis e no terceiro e último, já não respondem à abiraterona.

Os resultados se referem a 87 pacientes que receberam doses diárias de 2.550 mg.

O que aconteceu com eles?

Entre os 51 que não respondem ao tratamento hormonal, mas não apresentam metástases, 82% tiveram uma redução de trinta por cento ou mais no PSA. Usando um critério mais exigente, uma redução de 50%, a percentagem não cai muito – 75%. Sem dúvida, um excelente resultado. Não sabemos quanto tempo essa redução se manterá.

No segundo grupo, que apresenta metástases, com 39 pacientes, 85% tiveram uma redução de, pelo menos, 30% e 77% uma redução de 50% ou mais. Resultados semelhantes aos do primeiro grupo.

A abiraterona tem sido usada depois dos tratamentos hormonais. Em quinze desses pacientes, 27% tiveram um declínio no PSA, sugerindo que a Galeterona beneficiará poucos pacientes nesse nível.

E os efeitos colaterais? Não foram grandes: os mais comuns são náusea, diarreia, fadiga, falta de apetite etc.

Mais uma esperança.

 

GLÁUCIO SOARES     IESP/UERJ

E DEPOIS DA ABIRATERONA E DA ENZALUTAMIDA?

Um novo medicamento, chamado onapristona, está sendo desenvolvido por uma empresa biofarmacêutica, chamada Arno Therapeutics (ARNI). A onapristone está orientada para um grupo de pacientes que já não respondem à terapia hormonal, nem à abiraterona ou à enzalutamida. Em outras pesquisas Fase II, esse ingrediente já demonstrou potencial, mostrando que tem atividade anti-tumor. Ele bloqueia a ativação do receptor da progesterona, que talvez seja um mecanismo relacionado com o crescimento de vários tipos de câncer, inclusive da mama e do endométrio.

Como todas as pesquisas com pacientes, requer aprovação que só é dada depois que mecanismos de segurança são obedecidos. Após isso, buscarão pacientes para um Trial, Fase I/II (NCT02049190).

Há algum tempo, se o paciente não respondia mais aos tratamentos hormonais padrão, havia pouco que fazer, alem de reduzir dores e mantê-lo confortável. Medicamentos como a abiraterona e a enzalutamida, assim como Provenge, agregam mais tempo e qualidade de vida. Porém, quando seus efeitos terminam, há pouco que fazer. É a essa população que a onapristona se destina.

Todos sabemos que serão vários anos até que esse medicamento, cuja eficiência precisa ser demonstrada em pesquisa cara e extensa, Fase III, esteja disponível nas farmácias, mas é uma informação alvissareira para muitos, cujo câncer avançará até esses estágios.

Onde? Institute of Cancer Research, London e Royal Marsden NHS Foundation Trust na Grã-Bretanha.

 

University of London – The Institute of Cancer Research (Sutton Site)

15 Cotswold Rd

Sutton

London, Surrey SM2 5NG, United Kingdom

University of London – The Institute of Cancer Research (Sutton Site)

15 Cotswold Rd, Sutton, London, Surrey SM2 5NG, United Kingdom


icr.ac.uk

+44 20 7352 8133

 

Quantos? Sessenta pacientes recrutados naquele país. Os médicos dos interessados deverão contactar os pesquisadores e os pacientes provavelmente terão que permanecer um tempo na Grã-Bretanha.

 

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

 

Saiba mais: PBR Staff Writer, de 8 de Abril de 2014