NOVO TESTE PARA DETECTAR CÂNCERES AGRESSIVOS

Este ano perdi um amigo para o câncer da próstata. Foi um longo processo, de perto de dez anos, com um final doloroso. É um final que podemos evitar ou, pelo menos, postergar por vários anos.

Um dos nossos adversários na luta contra o câncer da próstata somos nós mesmos. Não fazemos os testes e desleixamos no tratamento, que inclui um estilo de vida saudável.

Do outro lado, há um número muito grande de pacientes com canceres indolentes, que crescem muito devagar, que recebem tratamentos desnecessários, invasivos, custosos e que reduzem muito a qualidade da vida. Repito: desnecessariamente.

São muitos os tipos de câncer da próstata, uns agressivos, outros “mais ou menos”, e outros indolentes que requereriam décadas e mais décadas para matar o paciente.

Como diferenciar entre eles?

Um início pode ser encontrado numa pesquisa feita na Grã-Bretanha. É uma pesquisa pequena, que analisou o sangue de 80 pacientes do câncer da próstata. Constataram uma clara relação entre o número de células cancerosas em circulação e tipos agressivos do câncer. Os pacientes com canceres que metastizaram tinham um número claramente maior de células cancerosas circulando. É possível desenvolver um teste com base nessa associação. Estão trabalhando para aperfeiçoa-lo.

Reitero que não se trata de ver se o paciente tem ou não câncer da próstata, mas quão agressivo (ou indolente) é o câncer que ele enfrenta.

O Dr Yong-Jie Lu, pesquisador do Barts Cancer Institute da University of London afirma:

“Our research shows that the number of these specific cells in a patient’s sample is a good indicator of prostate cancer spreading.”

O número dessas células é um bom indicador de que o câncer se espalhou, está se espalhando ou se espalhará.

Esse teste, aperfeiçoado, poderá ser usado juntamente com outros testes pouco invasivos que são usados para detectar o câncer, como o PSA, PSADT ou o toque retal, colocando à disposição dos pacientes e seus médicos um conhecimento adicional, reduzindo a margem de erro que temos e evitando testes invasivos, caros e dolorosos.

Se confirmado que o câncer é indolente, a grande maioria dos pacientes morrerá de outras causas, antes, muito antes, das muitas décadas que levaria até que o câncer se tornasse uma ameaça ao bem estar e à vida do paciente. Esses pacientes não teriam que sofrer tratamentos invasivos, dolorosos, custosos e com sérios efeitos colaterais. Seriam “acompanhados” através de exames clínicos e testes periódicos. O acompanhamento é necessário porque alguns dos canceres indolentes passam por mutações e se transformam em canceres agressivos.

Em contraste, os que tiverem cânceres agressivos passarão a saber que suas vidas estão em risco e serão aconselhados a realizar tratamentos adequados para serem curados ou para postergar o agravamento do câncer por muitos anos ou décadas.

Se conhece pacientes, ou simplesmente homens com bastante idade, ajude e faça com que essa informação chegue a eles.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

Religião e resistências ao exame do toque retal entre negros americanos

Há populações que, por razões culturais e psicológicas, se resistem a fazer esse ou aquele teste. O exame da próstata inclui um exame retal. Muitos homens preferem arriscar ter o câncer do que se submeter ao exame “do dedo”. Usualmente, atitudes conservadoras nessa área são atribuídas a fatores culturais tradicionais, inclusive à religião. Nos Estados Unidos existe a crença de que mais homens negros se negam ao exame digital retal do que os brancos. Por isso, eles têm sido alvo de pesquisas específicas.
Recentemente, uma pesquisa feita pela University of Alabama e publicado no American Journal of Men’s Health, produziu dados inesperados. Negros americanos que apresentam um comportamento religioso, ainda que não tenham crenças religiosas, tinham o dobro da probabilidade de ter feito esse exame. Os exames preventivos são particularmente importantes para a população negra nos Estados Unidos porque ela tem o dobro do risco de morrer de câncer da próstata em relação aos homens brancos. Aproximadamente duzentos homens negros foram estudados. A participação em atividades e serviços religiosas foram uma das variáveis usadas; ter uma relação com Deus ou rezar foram as crenças religiosas consideradas.
Negros que tinham comportamentos religiosos tinham uma probabilidade 1,7 vezes mais alta de ter feito o exame do toque retal no ano anterior. Os que tinham comportamentos religiosos tinham uma probabilidade sete vezes mais elevada de dizer que tinham uma consulta para fazer esse exame nos seis meses seguintes.
A significação dessas associações fica mais relevante porque nem comportamento nem crenças religiosas tinham uma associação estatisticamente significativa com fazer/não fazer um exame de PSA.

Novos testes, menos erros

A mortalidade por câncer de próstata está declinando nos Estados Unidos.  Muitos analistas creditam essa Boa Nova aos exames preventivos, que incluem o PSA e o toque retal. Porém, o PSA não é algo que diga – "se der positivo tem câncer; se der negativo não tem".  O PSA se expressa em um número, cujo valor mais baixo é não detetável, ou seja, aquele instrumento não deteta o PSA, e não tem limite superior. Há casos de PSA baixo com câncer e de PSA alto sem câncer. E preciso reduzir a margem de erro.

Recentemente, a revista Urology publicou um artigo no qual se mostrava que um novo teste diminuia muito os erros. EPCA e EPCA-2 são proteínas nucleares que foram identificadas na famosíssima Johns Hopkins. Para ver se elas funcionavam, Leman e associados estudaram essas proteínas em material conhecido.

  • 63 com PSA inferior a 2,5 ng/ml e ium DRE normal; destes, 30 tinham biópsias (12 agulhas) negativas;
  • 80 com câncer de próstata, 40 confinados à próstata e outros 40 que já tinham saído;
  • 35 com hiperplasia benigna;
  • e 135 controles.

Os testes usando o EPCA-2.22 ELISA tinham alta especificidade (92%). O teste também diferenciou aqueles pacientes com câncer "confinado" dos com câncer que saiu da próstata.

Esses resultados são importantes por duas razões: permitem identificar cânceres mais cedo e tratá-los enquanto podem ser curados e evitam exames desnecessários  e dolorosos, como as biópsias, que estão sujeitas a infecções e a erros.

Fonte: Leman ES, Cannon GW, Trock BJ, Sokoll LJ, Chan DW, Mangold L, Partin AW, Getzenberg RH, Urology. 69(4):714-20, April 2007

 

E no Brasil, as mortes estão aumentando ou diminuíndo? Não sabemos! A inexistência de estatísticas minimamente confiáveis impede esse conhecimento, assim como planos mais adequados e eficientes de prevenção e tratamento.Para mais informações sobre estágios e o escore Gleason, clique nos links abaixo:
Estágios do câncer de próstata
Mais sobre o Escore Gleason
Escore Gleason e sobrevivência
<a
O Escore Gleason
<a
Cuidado com a patologia
Remetendo ao Escore Gleason (Gleason score)

Os testes iniciais de câncer de próstata

O paciente de câncer de próstata passa por etapas bem definidas. Quando há suspeita de câncer e o médico recomenda exames, muitos reagem com excessiva ansiedade, mais sob a influência de um medo descomunal de câncer do que da realidade do câncer de próstata. É importante lembrar que

• Descoberto no início, o câncer de próstata é quase sempre curável e
• Mesmo quando é descoberto numa etapa avançada e não é mais curável, o mais provável ainda é que o paciente morra com o câncer, de outra causa, mas não do câncer.

A combinação de testes reduz a margem de erros. Assim, o PSA tem certa percentagem de falsos positivos e de falsos negativos; agregar o PSA livre reduz os erros, mas não os elimina; agregar outras medidas como a velocidade do PSA e o PSADT, o tempo que o PSA leva para dobrar reduz mais ainda os erros; agregar o toque retal reduz ainda mais os erros – mas não os elimina. Recentemente foram desenvolvidos (e mais estão sendo desenvolvidos) que vão aumentar a exatidão.
A biópsia praticamente elimina os falsos positivos (podem haver, devido a erro, mas são raríssimos), mas não os falsos negativos (falso negativo é quando você tem câncer e a biópsia não acusa). Devo repetir para os novos leitores que eu fiz dez agulhas que foram negativas, o toque retal era negativo, mas o PSA era alto e crescia rapidamente. Foi, apenas, na terceira série de agulhas (seis agulhas) que o câncer apareceu. Estava escondido, não aparecia e olha que era agressivo. Isso foi há mais de onze anos e eu estou aqui escrevendo para vocês.
Quando se faz apenas o tratamento com radiação, seja externa, seja com braquiterapia, o PSA não some, êle baixa aos níveis normais (lembre-se de que a próstata normal produz PSA), mas há muitas medidas para ver qual o êxito do tratamento.
Quando a cirurgia fôr o tratamento, o PSA some após algum tempo se o tratamento fôr eficiente. Tecnicamente, se diz que o PSA não é detectável, mas o não detectável de hoje é melhor do que o não detectável de há dez anos, porque os testes são melhores. Detectam quantidades de câncer muito menores do que antes. Se não voltar, o câncer foi extirpado e o paciente está curado. Infelizmente, não há “certeza totalmente certa”. O risco diminui com o tempo, mas nunca chega a zero. Há alguns casos de mais de dez anos. Entretanto, quando o PSA demora muitos anos para reaparecer a probabilidade de que a pessoa venha a morrer do câncer é pequena.
Voltaremos ao tema.
Tratei do crescimento do PSA em algumas páginas

A volta do PSA
Tratar ou não tratar o câncer?
O tempo para dobrar
Os testes iniciais do câncer
Mais um teste
Novo teste, nova promessa
Tratar cânceres agressivos localizados
Novo tratamento para cânceres avançados

As sete chaves do câncer de próstata

Uma importante publicação, chamada das “setes chaves” no diagnóstico e tratamento do câncer de próstata está disponível online.
Clique aqui

É uma da série de publicações do Johns Hopkins, ano trás ano votado o melhor conjunto hospitalar dos Estados Unidos.
A publicação é grátis, cimples, pode ser baixada, mas está em Inglês.

Câncer de próstata, testes e ansiedade

Os exames de câncer de próstata são probabilísticos: somente quando uma biópsia nos dá um resultado positivo (leia-se, com câncer) é que há certeza, ainda assim com aquela pequena margem de dúvida derivada de erros de laboratório. Por isso, os exames são repetidos. Aliás, quando fui operado notei que retiravam meu sangue logo antes da operação. Eu acreditava que faziam isso desde antes, acumulando o sangue durante algumas semanas, mas me informaram que era mais seguro fazê-lo no próprio ambiente de cirurgia, porque eliminava “clerical errors”, erros de secretária – colocar o rótulo de um paciente no sangue de outro. A existência de estatísticas adequadas permitia essa conclusão.
Porém, um exame de PSA alto e/ou um toque retal suspeito representam uma probabilidade mais elevada de que exista câncer e o procedimento seguinte é a biópsia, que também é probabilística. Eu “fiz” dez agulhas sem que o câncer aparecesse, mas estava lá. Esses procedimentos geram muita angústia.
O Dr. David A. Katz do VA Iowa City Health Care System e colaboradores acompanharam 109 homens que tiveram testes com resultados suspeitos, mas com biópsias negativas, comparando-os com 101 homens com testes normais. Aplicaram uma escala de preocupação com câncer de prostata que varia de zero a cinco. Os homens com testes suspeitos tiveram um escore médio de 4,5 e os controles 3,9. Esses resultados foram publicados em Urology 2007;69:215-220.
Essa pesquisa, e muitas outras, nos dizem que temos que desenvolver testes mais exatos e mais rápidos: até lá, temos que acelerar os resultados sem comprometer a qualidade porque o preço que está sendo pago pelo paciente que espera é alto.

Sobre testes, clicar sobre as seguintes páginas:

O fim das biópsias?
Go to source>>
Testes melhores estão à vista
Mais um teste para ajudar na detecção do câncer de próstata!
Variações no PSA de um dia para o outro
Os testes iniciais de câncer de próstata
Novo teste, nova promessa
Câncer de próstata, testes e ansiedade
Um teste-alerta ultra rápido
Novo teste para cânceres agressivos

Descrição interativa do câncer de próstata

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A Medíndia, uma excelente organização médica da Índia, colocou na web uma descrição da próstata, do câncer de próstata, biópsica, classificação dos cânceres de próstata etc. Embora esteja em Inglês, o visual permite a compreensão. Clique aqui.