A QUALIDADE DA VIDA DOS IDOSOS

Com a idade, aumentam os problemas com a saúde física. Até que ponto a saúde física afeta a qualidade da vida (QdV)? Como a saúde física com outras variáveis que também afetam a QdV? Halvorsrud e Kalfoss estudaram idosos e idosas na Noruega para responder a essas perguntas.[i] Usaram dois grupos estratificados aleatoriamente como populações a serem comparadas: deprimidos (74 pessoas) e não deprimidos (356).[1] Os resultados são interessantes.

A qualidade da vida dos não deprimidos dependia da saúde física, da saúde psicológica e de perdas. A intimidade com outrem influenciava a QdV nos dois grupos. Para os deprimidos, porém, outras condições e variáveis eram mais importantes, particularmente sentir intimidade em relações, definida como oportunidades de dar e receber amor. Surge a solidão em sua forma mais cruel – a impossibilidade de dar e receber amor. Sublinho que os respondentes não estavam internados e moravam em seus lares, ou seja, é possível sentir muita solidão em sua casa – e eu acrescentaria, em suas famílias. É uma circunstância que não pode ser ignorada no tratamento e na prevenção da depressão.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ


[1] A depressão foi medida por uma escala padronizada, a Geriatric Depression Scale-15.


[i] Halvorsrud L. e Kalfoss M. Exploring the quality of life of depressed and nondepressed, home-dwelling, Norwegian adults, em Br J Community Nurs. 2016 Apr;21(4):170, 172-7. doi: 10.12968/bjcn.2016.21.4.170.

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Terapia hormonal para o câncer de próstata

Eligard (leuprolide acetate) 45 mg é uma nova droga no combate ao câncer de próstata que será lançada no mercado europeu (23 países). Sua grande vantagem é uma conveniência – é uma aplicação cada seis meses. Trata-se de uma injeção sub-cutânea que provoca a formação de uma substância gelatinosa que vai sendo lentamente absorvida pelo corpo do paciente. Eligard é um tratamento hormonal para pacientes com cânceres avançados. É do tipo LH-RH (luteinising hormone releasing hormone) agonista. É um procedimento muito menos inconveniente para os pacientes. O câncer da próstata é característico (mas não exclusivo) da Terceira Idade que também é muito suscetível a suicídios por razões de saúde. Uma droga que reduza o inconveniente de aplicações freqüentes poderá evitar alguns suicídios também.

Saúde e suicídio: aprendendo com os que tentaram

As pessoas que se sucidam não são uma amostra aleatória do total de pessoas que tentam o suicídio e sobrevivem, chamadas de para-suicidas. Há, proporcionalmente, mais homens entre os que conseguem se matar etc. Não obstante, podemos aprender bastante com os para-suicidas com benefícios para as políticas preventivas.

Esse é o resumo de um estudo de tentativas de suicídio na Europa, baseado em um survey, no qual foi usado o European Parasuicide Study Interview Schedule – EPSIS , que foi aplicado a 1.269 pessoas, de 15 anos ou mais de idade, que tentaram o suicídio. EPSIS inclui uma parte médica, escalas de depressão, desesperança, auto-estima etc. Doenças e problemas físicos foram fatores muito freqüentes entre os elencados pelos “parasuicidas”. Um em cada dois mencionaram doenças; a proporção é bem mais baixa entre jovens, mas aumenta muito na fase adulta e, sobretudo, na Terceira Idade. Nada menos de 42% mencionaram doenças como um dos fatores que provocaram a tentativa e 22% afirmaram que fora um dos fatores principais.

Esses dados permitam focar as políticas de prevenção, com melhor atendimento médico aos idosos e com uma atenção especial aos sinais dados por eles a respeito da intenção de suicídio.

Ver De Leo D.; Scocco P.; Marietta P.; Schmidtke A.; Bille-Brahe U.; Kerkhof A.J.F.M.; Lonnqvist J.; Crepet P.; Salander-Renberg E.; Wasserman D.; Michel K.; Bjerke T. Physical illness and parasuicide: Evidence from the European parasuicide study interview schedule (EPSIS/WHO-EURO) International Journal of Psychiatry in Medicine, Volume 29, Issue 2, 1999, Pages 149-163

Saúde e suicídio: aprendendo com os que tentaram

As pessoas que se sucidam não são uma amostra aleatória do total de pessoas que tentam o suicídio e sobrevivem, chamadas de para-suicidas. Há, proporcionalmente, mais homens entre os que conseguem se matar etc. Não obstante, podemos aprender bastante com os para-suicidas com benefícios para as políticas preventivas.

Esse é o resumo de um estudo de tentativas de suicídio na Europa, baseado em um survey, no qual foi usado o European Parasuicide Study Interview Schedule – EPSIS , que foi aplicado a 1.269 pessoas, de 15 anos ou mais de idade, que tentaram o suicídio. EPSIS inclui uma parte médica, escalas de depressão, desesperança, auto-estima etc. Doenças e problemas físicos foram fatores muito freqüentes entre os elencados pelos “parasuicidas”. Um em cada dois mencionaram doenças; a proporção é bem mais baixa entre jovens, mas aumenta muito na fase adulta e, sobretudo, na Terceira Idade. Nada menos de 42% mencionaram doenças como um dos fatores que provocaram a tentativa e 22% afirmaram que fora um dos fatores principais.

Esses dados permitam focar as políticas de prevenção, com melhor atendimento médico aos idosos e com uma atenção especial aos sinais dados por eles a respeito da intenção de suicídio.

Ver De Leo D.; Scocco P.; Marietta P.; Schmidtke A.; Bille-Brahe U.; Kerkhof A.J.F.M.; Lonnqvist J.; Crepet P.; Salander-Renberg E.; Wasserman D.; Michel K.; Bjerke T. Physical illness and parasuicide: Evidence from the European parasuicide study interview schedule (EPSIS/WHO-EURO) International Journal of Psychiatry in Medicine, Volume 29, Issue 2, 1999, Pages 149-163