Câncer da Próstata, Resveratrol e Células Tronco

Há células-tronco cancerosas (CSCs), inclusive no câncer da próstata. Elas “residem” no interior da massa tumoral e talvez sejam responsáveis por tornar o câncer resistente a tratamentos e leve a um reaparecimento do câncer. As células-tronco não são especializadas, mas podem se transformar em qualquer coisa, inclusive em células especializadas mas, tanto quanto em saiba, a reciproca não é verdadeira: as células especializadas só podem gerar outras células especializadas.

Há muitas pesquisas em curso para controlar as células-tronco. Se forem exitosas, os ganhos serão imensos. A substância resveratrol está sendo estudada porque existe em abundância na natureza. Como há pouco dinheiro a ser ganho com isso, as pesquisas são pequenas e muitas feitas em países com menos recursos, como a Índia. Uma delas estuda os caminhos através dos quais o resveratrol inibe a auto renovação e a metástase dessas células-tronco.

Não obstante, as pesquisas com camundongos são feitas com doses muito altas que dificilmente seriam atingíveis em seres humanos através da dieta. Esse salto poderá vir a ser crucial.

Há pesquisas em andamento focando nas células tronco encontradas no câncer da próstata.

Essas pesquisas demoram, e há muitos de nós correndo contra o tempo.

 

GLÁUCIO SOARES             IESP-UERJ

Curcumã: futuro adjuvante na quimioterapia contra o câncer da próstata?

Há alguns anos não se recomendava qualquer tipo de quimioterapia para o câncer da próstata. A químio seria recomendável apenas para canceres com crescimento relativamente rápido. O câncer da próstata não seria um deles. Há uma década apareceram os primeiros resultados que demonstravam um aumento da sobrevivência quando docetaxel era usado contra o câncer da próstata. O aumento, com a mediana de vários meses, passou a justificar o seu uso nos casos mais avançados. De lá para cá, o problema passou a ser como usar esse recurso quimioterápico de maneira mais efetiva.

Agora surgem pesquisas sobre combinações (docetaxel + outro ingrediente) que aumentam a sobrevivência e/ou reduzem os efeitos colaterais.

Uma delas, Fase II, usa curcuminóides em conjunção com o docetaxel, em pacientes que já não respondem ao tratamento (anti)hormonal (são definidos pela sigla CRPC). Curcumã (turmeric) é um aditivo alimentar, “dá gosto”. É uma raiz. É muito usado em partes da Índia e em outras áreas. Hakim Mahammedi, pesquisador do Centre Jean Perrin, e colegas apresentaram os resultados na conferência anual da European Society for Medical Oncology.

Pesquisas iniciais, pré-clínicas, haviam demonstrado que os curcuminoides inibiam as metástases, e a angiogênese, além de reduzir a resistência a medicamentos já estabelecidos. Mahammedi e associados queriam maximizar o efeito do docetaxel em pacientes tipo CRPC. Já haviam feito trabalho semelhante em pacientes com câncer da mama.

Como outras pesquisas Fase II o número de pacientes é pequeno (n = 30); tinham resistência crescente ao tratamento hormonal e também um PSA que crescia, indicando que as células cancerosas estavam se multiplicando. Obtiveram quatro respostas completas e treze parciais (redução do PSA), o equivalente a 59% dos pacientes. A redução foi observada em pouco tempo, antes do terceiro ciclo de três semanas cada.

Quanto tempo durou até que o PSA voltasse a crescer? Quase seis meses, na mediana.

Quanto tempo viveram depois? Na média, 19 meses, com mediana de dois anos (metade menos; metade mais).

Não se desespere com esses números. Lembre que, nos últimos anos, apareceram outros tratamentos que esticam ainda mais a sobrevivência (como Xtandi, Zytiga, Jevtana, Provenge etc.) e que há muitos outros sendo testados. Lembre-se, também, que essa é uma população idosa cuja esperança de vida sem câncer é limitada.


  GLÁUCIO SOARES       IESP-UERJ

 

 

Como foi o tratamento? Com docetaxel foi padrão: um ciclo de 75mg/m2, intravenoso durante uma hora, cada três semanas; no total, seis ciclos. Docetaxel foi administrado com prednisolone que, segundo entendo (e posso estar muito errado), reduz alguns efeitos colaterais. Os curcuminóides foram dados oralmente, 6 g/dia, começando quatro dias antes do docetaxel e terminando dois dias depois.

 

Dados os resultados estimulantes de outras pesquisas Fase I e II com curcuminóides, é evidente que precisamos de uma, muito maior (e mais cara), com grupos controle e demais exigências de uma pesquisa científica.  Os comentaristas deixaram claro que esses resultados não constituem prova da utilidade dos curcuminóides e que uma pesquisa Fase III, com um desenho cuidadoso e seleção igualmente cuidadosa, é indispensável. 

 

Curcumã: futuro adjuvante na quimioterapia contra o câncer da próstata?

Há alguns anos não se recomendava qualquer tipo de quimioterapia para o câncer da próstata. A químio seria recomendável apenas para canceres com crescimento relativamente rápido. O câncer da próstata não seria um deles. Há uma década apareceram os primeiros resultados que demonstravam um aumento da sobrevivência quando docetaxel era usado contra o câncer da próstata. O aumento, com a mediana de vários meses, passou a justificar o seu uso nos casos mais avançados. De lá para cá, o problema passou a ser como usar esse recurso quimioterápico de maneira mais efetiva.

Agora surgem pesquisas sobre combinações (docetaxel + outro ingrediente) que aumentam a sobrevivência e/ou reduzem os efeitos colaterais.

Uma delas, Fase II, usa curcuminóides em conjunção com o docetaxel, em pacientes que já não respondem ao tratamento (anti)hormonal (são definidos pela sigla CRPC). Curcumã (turmeric) é um aditivo alimentar, “dá gosto”. É uma raiz. É muito usado em partes da Índia e em outras áreas. Hakim Mahammedi, pesquisador do Centre Jean Perrin, e colegas apresentaram os resultados na conferência anual da European Society for Medical Oncology.

Pesquisas iniciais, pré-clínicas, haviam demonstrado que os curcuminoides inibiam as metástases, e a angiogênese, além de reduzir a resistência a medicamentos já estabelecidos. Mahammedi e associados queriam maximizar o efeito do docetaxel em pacientes tipo CRPC. Já haviam feito trabalho semelhante em pacientes com câncer da mama.

Como outras pesquisas Fase II o número de pacientes é pequeno (n = 30); tinham resistência crescente ao tratamento hormonal e também um PSA que crescia, indicando que as células cancerosas estavam se multiplicando. Obtiveram quatro respostas completas e treze parciais (redução do PSA), o equivalente a 59% dos pacientes. A redução foi observada em pouco tempo, antes do terceiro ciclo de três semanas cada.

Quanto tempo durou até que o PSA voltasse a crescer? Quase seis meses, na mediana.

Quanto tempo viveram depois? Na média, 19 meses, com mediana de dois anos (metade menos; metade mais).

Não se desespere com esses números. Lembre que, nos últimos anos, apareceram outros tratamentos que esticam ainda mais a sobrevivência (como Xtandi, Zytiga, Jevtana, Provenge etc.) e que há muitos outros sendo testados. Lembre-se, também, que essa é uma população idosa cuja esperança de vida sem câncer é limitada.


  GLÁUCIO SOARES       IESP-UERJ

 

 

Como foi o tratamento? Com docetaxel foi padrão: um ciclo de 75mg/m2, intravenoso durante uma hora, cada três semanas; no total, seis ciclos. Docetaxel foi administrado com prednisolone que, segundo entendo (e posso estar muito errado), reduz alguns efeitos colaterais. Os curcuminóides foram dados oralmente, 6 g/dia, começando quatro dias antes do docetaxel e terminando dois dias depois.

 

Dados os resultados estimulantes de outras pesquisas Fase I e II com curcuminóides, é evidente que precisamos de uma, muito maior (e mais cara), com grupos controle e demais exigências de uma pesquisa científica.  Os comentaristas deixaram claro que esses resultados não constituem prova da utilidade dos curcuminóides e que uma pesquisa Fase III, com um desenho cuidadoso e seleção igualmente cuidadosa, é indispensável. 

 

PESQUISA ENCONTRA E DESCREVE AS CÉLULAS CANCEROSAS RESISTENTES

Uma pesquisa, levada a cabo na Monash University, Austrália, teve seus resultados publicados em Science Translational Medicine.

Qual a contribuição dessa pesquisa? Ela identificou as células que resistem à terapia hormonal. A massa cancerosa da próstata é caracterizada por uma diversidade de células, algumas mais estudadas do que outras. Um dos tratamentos mais comuns hoje em dia é o hormonal (que, de fato, é anti-hormonal, pois busca zerar a produção de testosterona). Os tratamentos variam, sendo Lupron o mais receitado hoje em dia.

A duração do Lupron varia muito, desde pacientes que não respondem ao tratamento até aqueles que respondem muito bem durante muitos anos. Porém, são tratamentos com muitos e pesados efeitos colaterais.

Gail Risbridger e Renea Taylor da Monash University, obtiveram amostras de doze pacientes no estágio inicial do câncer. Trabalhando com camundongos observaram o comportamento das células dessas amostras. Mesmo depois de várias semanas de tratamento, algumas células cancerosas continuavam vivas e ativas. Essas células não são iguais às demais. Elas parecem ser as precursoras de outras células mais agressivas e resistentes ao tratamento, que caracterizam o câncer mais avançado, chamado de androgen-resistant.

A identificação dessas células, resistentes e precursoras dos canceres mais avançados e agressivos, abre o caminho para tratamentos focados nelas. Até então sabíamos  muito pouco sobre essas células resistentes e o que as diferencia das demais.

Claro que essa é uma pesquisa muito preliminar. Afinal, são apenas doze amostras e há muito que observar e testar até conhecer bem essas células, inclusive a que são vulneráveis. Se e quando isso acontecer, talvez seja possível parar o avanço desse câncer, tornando o tratamento hormonal muito mais eficiente.

 

GLÁUCIO SOARES     IESP/UERJ

 

 

 

PESQUISA ENCONTRA E DESCREVE AS CÉLULAS CANCEROSAS RESISTENTES

Uma pesquisa, levada a cabo na Monash University, Autrália, teve seus resultados publicados em Science Translational Medicine.

Qual a contribuição dessa pesquisa? Ela identificou as células que resistem à terapia hormonal. A massa cancerosa da próstata é caracterizada por uma diversidade de células, algumas mais estudadas do que outras. Um dos tratamentos mais comuns hoje em dia é o hormonal (que, de fato, é anti-hormonal, pois busca zerar a produção de testosterona). Os tratamentos variam, sendo Lupron o mais receitado hoje em dia.

A duração do Lupron varia muito, desde pacientes que não respondem ao tratamento até aqueles que respondem muito bem. São tratamentos com muitos e pesados efeitos colaterais.

Gail Risbridger e Renea Taylor da Monash University, obtiveram amostras de doze pacientes no estágio inicial do câncer. Trabalhando com camundongos observaram o comportamento das células dessas amostras. Mesmo depois de várias semanas de tratamento, algumas células cancerosas continuavam ativas. Essas células não são iguais às demais. Elas parecem ser as precursoras de outras células mais agressivas e resistentes ao tratamento, que caracterizam o câncer mais avançado, chamado de androgen-resistant.

A identificação dessas células, resistentes e precursoras dos canceres mais avançados e agressivos, abre o caminho para tratamentos focados nelas. Até então sabíamos  muito pouco sobre essas células resistentes e o que as diferencia das demais.

Claro que essa é uma pesquisa muito preliminar. Afinal, são apenas doze amostras e há muito que observar e testar até conhecer bem essas células, inclusive a que são vulneráveis. Se e quando isso acontecer, talvez seja possível parar o avanço desse câncer, tornando o tratamento hormonal muito mais eficiente.

 

GLÁUCIO SOARES     IESP/UERJ

 

 

 

 

Um remédio antigo, com um nome impossível para nós, leigos, (Diethylstilbestrol – DES) talvez volte a ser usado. O progresso no tratamento não se  limita à produção de novos medicamentos; há muitos ganhos com o aperfeiçoamento dos medicamentos existentes.

Porém, o DES tinha pesados efeitos colaterais, mas eles variavam com a dose. Era usado em pacientes com metástases. A dose usada por muitos, 5-mg, era altamente tóxica.   

Em 1941, Huggins estava pesquisando os efeitos tóxicos do DES e sua relação com a dosagem. Uma pesquisa chamada VACURG mostrou um aumento de 36% na mortalidade com essa dose.

Não obstante, num nível mais baixo, de 3-mg diários, os eventos tromboembólicos atingiram cerca de 10% dos pacientes, bem mais do que os 2,7% do outro grupo, que incluía duas substâncias (cyproterone acetate e

medroxyprogesterone acetate) numa pesquisa chamada de EORTC, feita na Europa. Um resultado consideravelmente melhor do que o obtido com 5-mg.

O risco de um evento tromboembólico aumentou com a idade, o peso e um histórico de doenças cardiovasculares, como seria de esperar.

Alguns pesquisadores começam a levantar a hipótese de que com doses baixas, de 1-mg a 3-mg, o DES poderia voltar a ser usado.

Quais os benefícios do DES?

Em cinco pesquisas houve uma resposta entre 39% e 79% do PSA. Como vários outros medicamentos dados a pacientes com câncer avançado, o ganho na esperança de vida foi modesto. Comecemos com o tempo até o câncer voltar a crescer: essa cifra está disponível em três pesquisas: 6,7; 7 e 7,5 meses (na média), uma variação limitada. Dentro de cada pesquisa também houve variação: duas proporcionaram essa informação. Uma entre dois e 36 meses; outra entre 4,8 e 15,2 meses. É importante notar que esses pacientes já haviam passado por outro tratamento hormonal e não respondiam mais a ele. Ou seja, o DES estava sendo usado em pacientes como um tratamento hormonal de segunda linha.

Uma pesquisa de Klotz e associados revelou que, dois anos depois, 63% dos pacientes que usaram DES como tratamento continuavam vivos. A sobrevivência média ou mediana deve ser aquilatada em relação à mesma sobrevivência da população masculina total com a mesma idade. No Brasil, homens com 75 anos têm uma esperança de vida de dez anos, ou 120 meses.

O DES é barato, raramente foi usado nos Estados Unidos mas foi amplamente usado na Europa. Pode ser melhorado e seus efeitos colaterais podem ser reduzidos. É um forte candidato a um tratamento hormonal de segunda ou terceira linha.

 

 

GLÁUCIO SOARES           IESP/UERJ   

A volta de um antigo medicamento?

 

Um remédio antigo, com um nome impossível para nós, leigos, (Diethylstilbestrol – DES) talvez volte a ser usado. O progresso no tratamento não se  limita à produção de novos medicamentos; há muitos ganhos com o aperfeiçoamento dos medicamentos existentes.

Porém, o DES tinha pesados efeitos colaterais, mas eles variavam com a dose. Era usado em pacientes com metástases. A dose usada por muitos, 5-mg, era altamente tóxica.   

Em 1941, Huggins estava pesquisando os efeitos tóxicos do DES e sua relação com a dosagem. Uma pesquisa chamada VACURG mostrou um aumento de 36% na mortalidade com essa dose.

Não obstante, num nível mais baixo, de 3-mg diários, os eventos tromboembólicos atingiram cerca de 10% dos pacientes, bem mais do que os 2,7% do outro grupo, que incluía duas substâncias (cyproterone acetate e

medroxyprogesterone acetate) numa pesquisa chamada de EORTC, feita na Europa. Um resultado consideravelmente melhor do que o obtido com 5-mg.

O risco de um evento tromboembólico aumentou com a idade, o peso e um histórico de doenças cardiovasculares, como seria de esperar.

Alguns pesquisadores começam a levantar a hipótese de que com doses baixas, de 1-mg a 3-mg, o DES poderia voltar a ser usado.

Quais os benefícios do DES?

Em cinco pesquisas houve uma resposta entre 39% e 79% do PSA. Como vários outros medicamentos dados a pacientes com câncer avançado, o ganho na esperança de vida foi modesto. Comecemos com o tempo até o câncer voltar a crescer: essa cifra está disponível em três pesquisas: 6,7; 7 e 7,5 meses (na média), uma variação limitada. Dentro de cada pesquisa também houve variação: duas proporcionaram essa informação. Uma entre dois e 36 meses; outra entre 4,8 e 15,2 meses. É importante notar que esses pacientes já haviam passado por outro tratamento hormonal e não respondiam mais a ele. Ou seja, o DES estava sendo usado em pacientes como um tratamento hormonal de segunda linha.

Uma pesquisa de Klotz e associados revelou que, dois anos depois, 63% dos pacientes que usaram DES como tratamento continuavam vivos. A sobrevivência média ou mediana deve ser aquilatada em relação à mesma sobrevivência da população masculina total com a mesma idade. No Brasil, homens com 75 anos têm uma esperança de vida de dez anos, ou 120 meses.

O DES é barato, raramente foi usado nos Estados Unidos mas foi amplamente usado na Europa. Pode ser melhorado e seus efeitos colaterais podem ser reduzidos. É um forte candidato a um tratamento hormonal de segunda ou terceira linha.

 

 

GLÁUCIO SOARES           IESP/UERJ