GORDURA E CÂNCER AGRESSIVO DA PRÓSTATA

Nova pesquisa revela conhecimento que incomoda os que gostamos de comer, particularmente os que gostamos de pratos deliciosos, mas que engordam.
Ganhar peso durante a vida adulta aumenta o risco de vir a ter uma forma agressiva de câncer da próstata. Pior: aumenta a probabilidade de vir a morrer deste câncer. O uso de um índice, chamado de body mass index, mostra que se esse índice aumenta durante nossas vidas o risco de ter uma forma agressiva do câncer da próstata aumenta também.
A pesquisa foi feita na Austrália, com mais de 17 mil homens com entre 40 e 69  anos de idade, confirma várias outras feitas em diferentes países: a obesidade tem uma relação com o risco de vir a ter câncer da próstata; tem uma relação pior – com vir a ter uma forma agressiva deste câncer – e com a pior de todas, vir a morrer dele.
O segredo é manter o peso através de exercício e dieta, inclusive quando é mais difícil fazer isso, na vida adulta.
Os resultados preliminares foram publicados no International Journal of Cancer

GLÁUCIO SOARES         IESP-UERJ

CANCEROSOS ESCALAM O KILIMANJARO

Há um grupo cujo objetivo é mostrar que os cancerosos podem ter uma vida normal, inclusive realizando algumas proezas. Esse grupo se chama Above + Beyond Cancer e se dedica a escalar montanhas difíceis – possíveis, não só para profissionais, mas difíceis para o cidadão comum. Ainda mais para um canceroso, pensará o leitor…
Pois o objetivo desse grupo é demonstrar que cancerosos e sobreviventes do câncer podem ter vidas normais e fazer coisas surpreendentes.
Como escalar o monte  Kilimanjaro, o mais alto da África……
Foram 19, inclusive Gail Endres, diagnosticado com câncer da próstata, tratado e sem fracasso bioquímico desde 2006. Não há garantia de que esteja curado, porque às vezes o PSA “volta” depois de dez, quinze anos…
O grupo foi bolado por um oncólogo com sensibilidade humana, Richard Deming. O nome, Above + Beyond Cancer, indica o propósito e o meio.
A idade desse grupo de alpinistas amadores e cancerosos variava entre 29 e 73. Incluía pacientes do câncer da próstata, da tireóide, da mama, das glândulas salivares, da leucemia, de linfomas… Alguns há anos não apresentam sintomas e outros estão em pleno tratamento para cânceres que já não podem ser curados.  
Profissionalmente, dá de tudo: um tocador de viola, um militar, um estudante, um padre, a mulher de um fazendeiro e muito mais.
No início não sabiam se conseguiriam ou não subir o  Kilimanjaro, mas sabiam que iam tentar para valer. Sabiam, também, que os resultados benéficos dessa tentativa marcaria suas vidas – e sua luta contra o câncer. 
Chegaram na África dia 2 de janeiro e mergulharam na cultura local. Nada de ser turistas, de ver a África através de telescópio. Visitaram a cidade de Moshi, um vilarejo e se mandaram para a montanha.

O Kilimanjaro é um vulcão adormecido: como outros, pode voltar à vida, mas essas voltas usualmente dão aviso prévio. Partiram da base, ainda semi-tropical, de pouco mais de dois quilômetros. A altura do monte é, arredondando, seis quilômetros. Os excursionistas viram e sentiram as mudanças na flora e na fauna que acompanham as mudanças de altitude. Começaram numa floresta tropical, mas logo estavam numa região rochosa, onde viam o legado de erupções antigas. Continuaram pela trilha que leva até a cratera. Passaram por tudo: regiões desérticas e, no topo, neve. Todos sentiam o cansaço que caracteriza a diminuição do suprimento de oxigênio na altura e vários sentiam dores, tinham bolhas, calos, dores nas costas e tudo o mais. Sem falar nos vômitos, náuseas e diarréias. Mas o grupo estimulava a seguir adiante, como deve acontecer na vida de todos nós, cancerosos. E, claro, não havia banheiro nem chuveiro…
Aguente, Raimundo!
Um saudável espírito coletivista surgiu e quem tinha papel higiênico dividiu, quem tinha band-aid dividiu e assim por diante. As necessidades ficaram no Kilimanjaro e banho, bem, melhor esquecer. Todo mundo fedia a suor seco e tinha bafo de tigre. 
Mas era um grupo coeso, que se ajudava, como a humanidade deveria fazer. 
O que surpreendeu a todos foi a solidariedade instantânea que sentiram uns em relação aos outros. O câncer, essa tremenda adversidade, os uniu. Na minha leitura, Deus colocou esse potencial dentro de todos nós, mas foi preciso um câncer e uma escalada para que essas pessoas o descobrissem. E todos mudaram…
O esforço que pessoas que estavam fazendo tratamento, tinham passado recentemente pela debilitante quimioterapia, era gigantesco. Mas todos sabiam que era um passo de cada vez e cada passo exigia sacrifícios. Mesmo que tenham sido um milhão de passos, cada passo era o primeiro, sem pensar nos que viriam depois.
A história de cada um deles é uma história de superação. Foram seis dias duros, duríssimos, até que esse grupo de cancerosos chegasse ao tôpo do Kilimanjaro; chegaram, o que a grande maioria dos não-cancerosos não fez!
Todos temos nosso Kilimanjaro para escalar. Deus nos deu condições para fazê-lo. Vamos lá?
GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Sobre a tua saúde a partir de Picasso

O exercício físico na infância protege contra a depressão na vida adulta


Pesquisadores da Deakin University concluíram que o exercício físico na infância protege contra a depressão na vida adulta. Em uma pesquisa baseada nas auto avaliações de 2152 homens e mulheres no Sudeste da Austrália, as crianças com baixo nível de atividade física tinham um risco 35% mais alto de relatarem depressão quando adultos do que os que tiveram níveis mais altos de exercício físico na infância. Claro que a primeira objeção é hipotetisar que as pessoas mais ativas tiveram infâncias mais ativas e que os bons efeitos da atividade e do exercício se deviam ao que faziam como adultos, e não ao que fizeram quando crianças. Controlar a atividade física era, pois, um imperativo. Quando isso foi feito, o efeito da atividade física durante a infância sobre a depressão adulta continuou claro. Dr. Felice Jacka sugeriu que a atividade física infantil tem um forte impacto sobre a saúde mental dos adultos. A explicação se deveria a que a infância e a juventude são períodos de rápido desenvolvimento do cérebro humano. Já foi demonstrado que a prática de esportes afeta proteínas cerebrais importantes e reduz a oxidação devida ao estresse.
Há, também, um aspecto relacionado às redes sociais e interpessoais, que são mais altas entre as crianças e jovens que participam de esportes.
A pesquisa foi relatada no artigo “Lower levels of physical activity in childhood associated with adult depression” publicada no The Journal of Science and Medicine in Sport na Austrália.

 

O exercício físico na infância protege contra a depressão na vida adulta


Pesquisadores da Deakin University concluíram que o exercício físico na infância protege contra a depressão na vida adulta. Em uma pesquisa baseada nas auto avaliações de 2152 homens e mulheres no Sudeste da Austrália, as crianças com baixo nível de atividade física tinham um risco 35% mais alto de relatarem depressão quando adultos do que os que tiveram níveis mais altos de exercício físico na infância. Claro que a primeira objeção é hipotetisar que as pessoas mais ativas tiveram infâncias mais ativas e que os bons efeitos da atividade e do exercício se deviam ao que faziam como adultos, e não ao que fizeram quando crianças. Controlar a atividade física era, pois, um imperativo. Quando isso foi feito, o efeito da atividade física durante a infância sobre a depressão adulta continuou claro. Dr. Felice Jacka sugeriu que a atividade física infantil tem um forte impacto sobre a saúde mental dos adultos. A explicação se deveria a que a infância e a juventude são períodos de rápido desenvolvimento do cérebro humano. Já foi demonstrado que a prática de esportes afeta proteínas cerebrais importantes e reduz a oxidação devida ao estresse.

Há, também, um aspecto relacionado às redes sociais e interpessoais, que são mais altas entre as crianças e jovens que participam de esportes.

A pesquisa foi relatada no artigo “Lower levels of physical activity in childhood associated with adult depression” publicada no The Journal of Science and Medicine in Sport na Austrália.


 

O exercício físico na infância protege contra a depressão na vida adulta


Pesquisadores da Deakin University concluíram que o exercício físico na infância protege contra a depressão na vida adulta. Em uma pesquisa baseada nas auto avaliações de 2152 homens e mulheres no Sudeste da Austrália, as crianças com baixo nível de atividade física tinham um risco 35% mais alto de relatarem depressão quando adultos do que os que tiveram níveis mais altos de exercício físico na infância. Claro que a primeira objeção é hipotetisar que as pessoas mais ativas tiveram infâncias mais ativas e que os bons efeitos da atividade e do exercício se deviam ao que faziam como adultos, e não ao que fizeram quando crianças. Controlar a atividade física era, pois, um imperativo. Quando isso foi feito, o efeito da atividade física durante a infância sobre a depressão adulta continuou claro. Dr. Felice Jacka sugeriu que a atividade física infantil tem um forte impacto sobre a saúde mental dos adultos. A explicação se deveria a que a infância e a juventude são períodos de rápido desenvolvimento do cérebro humano. Já foi demonstrado que a prática de esportes afeta proteínas cerebrais importantes e reduz a oxidação devida ao estresse.
Há, também, um aspecto relacionado às redes sociais e interpessoais, que são mais altas entre as crianças e jovens que participam de esportes.
A pesquisa foi relatada no artigo “Lower levels of physical activity in childhood associated with adult depression” publicada no The Journal of Science and Medicine in Sport na Austrália.

 

Exercícios fazem cancerosos viverem mais e melhor


Como saber se os exercícios afetam a probabilidade de viver mais entre nós, cancerosos?

Respostas confiáveis nos foram proporcionadas por uma pesquisa, chamada Health Professionals Follow-Up Study. Desse gigantesco estudo, mais de dois mil e setecentos tinham câncer da próstata não metastizado. Uns exercitavam muito, outros menos, outros menos e assim por diante até os que não se exercitavam nunca. Foram acompanhados de 1990 a 2008. Entre os que foram acompanhados pelo menos quatro anos, 548 tinham morrido. Olhem o primeiro resultado:

  • Entre os que morreram, 20% morreram devido ao câncer e 80% por outras causas (cardiovasculares, acidentes etc. etc.)

Numa análise multivariada (que “desconta” a influência de outros fatores, como a idade etc.), foi constatado que os que se exercitavam morreram menos do câncer da próstata (resultado que só se explicaria pelo acaso 4 vezes em mil) e também morreram menos devido a outras causas (resultado que só se explicaria pelo acaso uma vez em mil).

E quanto mais exercício, melhor. Entre os que caminhavam mais de noventa minutos por semana com um passo normal ou acelerado, tinham uma taxa de mortalidade de morrer que era 46% mais baixa do que os que não andavam regularmente ou que andavam menos, ou que andavam devagar. Esse é o resultado de andar uma hora e meia por semana – só isso!!!

Quem andava três ou mais horas ou tinha um outro exercício intenso tinham um risco de morrer 49% mais baixo.

Os benefícios para combater o câncer apareciam entre os que se exercitavam mais de três horas por semana de maneira intensa (correndo, andando rápido, jogando tênis, nadando etc.). Esses tinham um risco 61% mais baixo do que os que tinham menos de uma hora de atividade intensa.

Os esportistas, que praticavam intensamente um esporte antes e depois do diagnóstico viviam mais e melhor do que todos os demais.

E agora?

  • Pare de falar que vai fazer exercícios e faça exercícios. Chega de papo e promessas.
  • Comece devagar depois de conversar com seu médico.
  • Aumente diariamente um pouquinho ou fique uns dias num patamar e suba o patamar – um aumento de 5% a 10% cada 4-5 dias. Se você aumentar dez por cento cada quatro dias, um aumento moderado, em apenas dois meses você já terá dobrado o seu patamar.
  • E, se continuar insistindo, em um ano você será outra pessoa – viverá mais e melhor.

Fonte: Kenfield SA, Stampfer MJ, Giovannucci E, Chan JM. Em J Clin Oncol. 2011 Jan 4.


 

Por Gláucio Soares, diagnosticado há 15 anos.