Sobre a tua saúde a partir de Picasso

Que países pesquisam mais e melhor os derrames e AVCs?

Quem produz os melhores trabalhos sobre os derrames e outros problemas cardio-vasculares? É o que pretendiam descobrir três pesquisadores suécos, Asplund, Eriksson e Persson. Estudaram todos os artigos epidemiológicos e clínicos identificados no Science Citation Index Expanded durante dez anos, de 2001 a 2011. Incluíram tudo. Os Estados Unidos tinham 29% do total, e seus artigos são mais influentes porque são responsáveis por 36% das citações. Um grupo de quatro países (Estados Unidos, Japão, o Reino Unido e a Alemanha) dominam a área, sendo responsáveis por 52% dos artigos e 61% das citações. Claro, em boa parte esses dados refletem o tamanho e o nível desenvolvimento econômico. Quando a produção científica sobre esse tema é analisada descontando o tamanho da população e o produto interno bruto (o PIB), alguns países europeus menores, Israel e Taiwan são os que mais se destacam.

Poderíamos pensar que a incidência e a prevalência de derrames e outros AVCs estariam diretamente relacionadas com a produção sobre essas doenças. Em verdade, a relação é negativa (r=0,60) com um indicador do número de anos perdidos por morte ou incapacidade!

Essa relação está mudando! O crescimento da produção científica nesse campo na China, na Coréia do Sul e em Cingapura é o dobro da mundial, com um óbice: esses países não colaboram nas pesquisas e na produção científica, o contrário do que se observa entre países europeus e entre eles e os Estados Unidos.

E o Brasil? A produção brasileira está crescendo, mas o país sofre as consequências de ter universidades arcaicas, dominadas pelo corporativismo.

Fonte: “Country Comparisons of Human Stroke Research Since 2001: A Bibliometric Study” em Stroke.

 

GLÁUCIO SOARES              IESP/UERJ

Estresse e estressores

Acabo de receber um relatório resumido sobre o estresse da Harvard Medical School. Façamos um experimento: pense em cinco pessoas estressadas diferentes que você conhece, mas não das mesmas situações. Escolha gente da família, do trabalho ou da escola, entre os amigos, vizinhos etc. Faça uma lista para cada pessoa do que é que estressa. Pode perguntar. Acredito que a lista incluirá vários fatores que não são os mesmos para as pessoas. Eu mesmo fiz esse experimento e a lista é grande: um tem problemas com a saúde e desilusão com os colegas; outro tem diabete e problemas sérios com a esposa; outra tem problemas com o marido que bebe; outra tem problema porque os pais (e a família) não aceitam o namorado que foi casado com uma amiga da família; além disso, não se sente feliz na profissão; outra também tem problemas com o marido que bebe e a trai – e assim por diante. Esses fatores que provocam estresse são chamados de estressores e podem ser muito variados.

O estresse passa pela bioquímica do corpo. Sabemos isso há muito tempo, pelo menos desde um experimento feito por um fisiólogo chamado Walter Cannon. O que Cannon fez? Estressou um grupo de gatos, que estavam presos em jaulas (e protegidos dentro delas), colocando cachorros agressivos do lado de fora. Depois examinou os hormônios produzidos pelas glândulas adrenais dos gatos e isolou um que, quando injetados em outros gatos que não tinham sido estressados provocavam reações semelhantes. O que aconteceu com esses gatos? A pressão sanguínea aumentou muito, os batimentos cardíacos também dispararam, houve aumento das células brancas no cérebro e os gatos demonstraram reações que foram chamadas de “fright, fight or flight“. Medo, Luta ou Fuga.  O experimento provou que o estresse passa pelo sistema bioquímico e pela produção de alguns hormônios no caminho que provoca as reações observadas de Medo, Luta ou Fuga.

Outros experimentos demonstraram que os estressores são muitos e de vários tipos, alguns envolvendo atividades consideradas boas como o casamento ou a volta, através da conciliação, ao esposo(a) ou namorado(a), o nascimento de um filho ou filha etc. Muito estresse pode causar problemas de saúde, alguns sérios como úlceras, insônia, problemas cardíacos etc.

Os estressores não são todos iguais: uns estressam mais e outros menos. O que estressa mais e o que estressa menos variam de pessoa para pessoa e de cultura para cultura, assim como algumas das medidas para lidar com eles (ainda que outros não variem). Deus querendo, voltarei a tratar do tema.

Estresse e estressores

Acabo de receber um relatório resumido sobre o estresse da Harvard Medical School. Façamos um experimento: pense em cinco pessoas estressadas diferentes que você conhece, mas não das mesmas situações. Escolha gente da família, do trabalho ou da escola, entre os amigos, vizinhos etc. Faça uma lista para cada pessoa do que é que estressa. Pode perguntar. Acredito que a lista incluirá vários fatores que não são os mesmos para as pessoas. Eu mesmo fiz esse experimento e a lista é grande: um tem problemas com a saúde e desilusão com os colegas; outro tem diabete e problemas sérios com a esposa; outra tem problemas com o marido que bebe; outra tem problema porque os pais (e a família) não aceitam o namorado que foi casado com uma amiga da família; além disso, não se sente feliz na profissão; outra também tem problemas com o marido que bebe e a trai – e assim por diante. Esses fatores que provocam estresse são chamados de estressores e podem ser muito variados.

O estresse passa pela bioquímica do corpo. Sabemos isso há muito tempo, pelo menos desde um experimento feito por um fisiólogo chamado Walter Cannon. O que Cannon fez? Estressou um grupo de gatos, que estavam presos em jaulas (e protegidos dentro delas), colocando cachorros agressivos do lado de fora. Depois examinou os hormônios produzidos pelas glândulas adrenais dos gatos e isolou um que, quando injetados em outros gatos que não tinham sido estressados provocavam reações semelhantes. O que aconteceu com esses gatos? A pressão sanguínea aumentou muito, os batimentos cardíacos também dispararam, houve aumento das células brancas no cérebro e os gatos demonstraram reações que foram chamadas de “fright, fight or flight“. Medo, Luta ou Fuga.  O experimento provou que o estresse passa pelo sistema bioquímico e pela produção de alguns hormônios no caminho que provoca as reações observadas de Medo, Luta ou Fuga.

Outros experimentos demonstraram que os estressores são muitos e de vários tipos, alguns envolvendo atividades consideradas boas como o casamento ou a volta, através da conciliação, ao esposo(a) ou namorado(a), o nascimento de um filho ou filha etc. Muito estresse pode causar problemas de saúde, alguns sérios como úlceras, insônia, problemas cardíacos etc.

Os estressores não são todos iguais: uns estressam mais e outros menos. O que estressa mais e o que estressa menos variam de pessoa para pessoa e de cultura para cultura, assim como algumas das medidas para lidar com eles (ainda que outros não variem). Deus querendo, voltarei a tratar do tema.

Qualquer excesso de peso aumenta o risco de ter pressão alta

Qualquer excesso de peso aumenta o risco de ter pressão alta, até mesmo aquele excesso pequenininho, que coloca o paciente do lado alto da normalidade. É o que foi publicado no American Journal of Hypertension (volume 20, page 370).
Já sabíamos que pessoas gordas e obesas tinham um risco consideravelmente mais alto de pressão alta do que pessoas sem excesso de peso. Afinal, quanto mais peso, mais trabalho para o corpo, inclusive de carregar sangue para o peso excedente. Isso castiga as paredes das artérias, preparando o caminho para pressão alta e outros problemas. Há uma pesquisa, chamada de Physicians Health Study com treze mil homens maduros que foram acompanhados durante nada menos do que 15 anos. Há uma medida do excedente do peso (e, sobretudo, da gordura) chamada de BMI. Pois o seu BMI de hoje afeta o seu risco de ter pressão alta em mais quinze anos. Os obesos tinham um risco 85% mais alto de ter pressão alta, mesmo controlando outros fatores como a idade, a atividade física, se fuma ou não, se é diabético ou não, e o colesterol. “Controlar” esses fatores significa descontar a influência deles. Ser gordo ou gorda não é apenas um problema social e psicológico criado pela estética moderna, é um sério risco de saúde. Vamos andar, fazer exercícios, queimar calorias desnecessárias, comer menos e bem, para viver mais e melhor.
Fonte: Hypertension and Stroke, April 28, 2009
Postado por Gláucio Ary Dillon Soares às 14:24

Reduzindo o estresse

A Universidade de Iowa tem um excelente serviço de aconselhamento psicológico que produziu um manual para reduzir o estresse

  • O primeiro passo é identificar o que provoca estresse atualmente e como você está lidando com esses estressores.
  • Como identificar?
  •  
    • Compile uma lista de coisas e condições que estão produzindo estresse na sua vida.
    • GADS: Usualmente, a primeira tarefa é gerar uma lista, ainda não é priorizar seus ítens.
    • O que entra nessa lista? Tudo o que te estressa, coisas como pressões na escola ou no trabalho; mudar de casa; pagamento de contas; uma conversa chata com uma pessoa etc. 
    • GADS: Se quizer, pode organizar a lista por importância, por facilidade de solução etc. Se não quizer, deixe a lista como está.
    • Faça um exame sério e honesto a respeito de como tu tens (ou costumas) lidar com situações estressantes. Avalia se são respostas saudáveis ou não; se contribuem para solucionar os problemas ou para piorá-los. Veja alguns exemplos: Respostas saudáveis e respostas não saudáveis

      saudável:-exercitar, fazer uma longa caminhada (reduz o estresse) –
    • Não saudável: beber.
      saudável:-criar tempo para se cuidar melhor e se preparar para a situação
    • Não saudável: evitar o evento; não enfrentar situações que precisam ser enfrentadas.
    • exemplo: visita ao médico – saudáveis – se preparar para a visita, fazer uma lista dos sintomas, fazer uma lista dos remédios que está tomando, fazer uma lista das dúvidas e perguntas; não saudáveis – não ir ao médico, fingir que o problema não existe, não comprar ou tomar o remédio.
    • mais exemplo de estresse: não equilibra sua vida (trabalha demais OU trabalha pouco; não se diverte OU se diverte demais e trabalha pouco)
    • saudável:-equilibrar sua vida, reservando tempo razoável para o trabalho, a família e a diversão. Aceitar que não dá para fazer tudo. Fazer uma agenda, aperfeiçoá-la e seguí-la;
    • Não saudável: empurrar com a barriga, não enfrentar os problemas, comer demais.

Esse é o início da redução do estresse.

Estresse, derrames, AVC’s e outros problemas cardio-vasculares

Os médicos recomendam melhoria no “estilo de vida” para reduzir o risco de problemas cardio-vasculares – para uma população que não quer assumir responsabilidade pela sua própria saúde e quer, apenas, remédios. Porém, artigo publicado na revista The Lancet, não deixa dúvida quanto à importância do estilo de vida e do controle do estresse.

Dr Daniel Brotman, do Johns Hopkins Hospital, Baltimore, e associados fizeram uma ampla revisão das publicações científicas relevantes de 1990 a 2006. Os resultados são claros: há uma conexão íntima entre o estresse emocional e o risco de doenças cardio-vasculares, inclusive morte. Estressores físicos pesados como um trauma, uma cirurgia ou um estresse físico exagerado podem provocar eventos cardio-vasculares negativos. Um exemplo vem de desastres físicos: no terremoto de Los Angeles, em 1994, a taxa de morte por problemas cardíacos de indivíduos que não foram diretamente afetados pelo terremoto foi de duas a cinco vezes a taxa normal (dependendo da área e outros fatores).

Por isso, médicos e enfermeiras devem aconselhar seus pacientes a tentar reduzir o estresse, mudar o estilo de vida, inclusive controlando a dieta e a depressão, aprendendo a controlar a raiva, e introduzindo exercícios de maneira progressiva no dia a dia.