CANCEROSOS ESCALAM O KILIMANJARO

Há um grupo cujo objetivo é mostrar que os cancerosos podem ter uma vida normal, inclusive realizando algumas proezas. Esse grupo se chama Above + Beyond Cancer e se dedica a escalar montanhas difíceis – possíveis, não só para profissionais, mas difíceis para o cidadão comum. Ainda mais para um canceroso, pensará o leitor…
Pois o objetivo desse grupo é demonstrar que cancerosos e sobreviventes do câncer podem ter vidas normais e fazer coisas surpreendentes.
Como escalar o monte  Kilimanjaro, o mais alto da África……
Foram 19, inclusive Gail Endres, diagnosticado com câncer da próstata, tratado e sem fracasso bioquímico desde 2006. Não há garantia de que esteja curado, porque às vezes o PSA “volta” depois de dez, quinze anos…
O grupo foi bolado por um oncólogo com sensibilidade humana, Richard Deming. O nome, Above + Beyond Cancer, indica o propósito e o meio.
A idade desse grupo de alpinistas amadores e cancerosos variava entre 29 e 73. Incluía pacientes do câncer da próstata, da tireóide, da mama, das glândulas salivares, da leucemia, de linfomas… Alguns há anos não apresentam sintomas e outros estão em pleno tratamento para cânceres que já não podem ser curados.  
Profissionalmente, dá de tudo: um tocador de viola, um militar, um estudante, um padre, a mulher de um fazendeiro e muito mais.
No início não sabiam se conseguiriam ou não subir o  Kilimanjaro, mas sabiam que iam tentar para valer. Sabiam, também, que os resultados benéficos dessa tentativa marcaria suas vidas – e sua luta contra o câncer. 
Chegaram na África dia 2 de janeiro e mergulharam na cultura local. Nada de ser turistas, de ver a África através de telescópio. Visitaram a cidade de Moshi, um vilarejo e se mandaram para a montanha.

O Kilimanjaro é um vulcão adormecido: como outros, pode voltar à vida, mas essas voltas usualmente dão aviso prévio. Partiram da base, ainda semi-tropical, de pouco mais de dois quilômetros. A altura do monte é, arredondando, seis quilômetros. Os excursionistas viram e sentiram as mudanças na flora e na fauna que acompanham as mudanças de altitude. Começaram numa floresta tropical, mas logo estavam numa região rochosa, onde viam o legado de erupções antigas. Continuaram pela trilha que leva até a cratera. Passaram por tudo: regiões desérticas e, no topo, neve. Todos sentiam o cansaço que caracteriza a diminuição do suprimento de oxigênio na altura e vários sentiam dores, tinham bolhas, calos, dores nas costas e tudo o mais. Sem falar nos vômitos, náuseas e diarréias. Mas o grupo estimulava a seguir adiante, como deve acontecer na vida de todos nós, cancerosos. E, claro, não havia banheiro nem chuveiro…
Aguente, Raimundo!
Um saudável espírito coletivista surgiu e quem tinha papel higiênico dividiu, quem tinha band-aid dividiu e assim por diante. As necessidades ficaram no Kilimanjaro e banho, bem, melhor esquecer. Todo mundo fedia a suor seco e tinha bafo de tigre. 
Mas era um grupo coeso, que se ajudava, como a humanidade deveria fazer. 
O que surpreendeu a todos foi a solidariedade instantânea que sentiram uns em relação aos outros. O câncer, essa tremenda adversidade, os uniu. Na minha leitura, Deus colocou esse potencial dentro de todos nós, mas foi preciso um câncer e uma escalada para que essas pessoas o descobrissem. E todos mudaram…
O esforço que pessoas que estavam fazendo tratamento, tinham passado recentemente pela debilitante quimioterapia, era gigantesco. Mas todos sabiam que era um passo de cada vez e cada passo exigia sacrifícios. Mesmo que tenham sido um milhão de passos, cada passo era o primeiro, sem pensar nos que viriam depois.
A história de cada um deles é uma história de superação. Foram seis dias duros, duríssimos, até que esse grupo de cancerosos chegasse ao tôpo do Kilimanjaro; chegaram, o que a grande maioria dos não-cancerosos não fez!
Todos temos nosso Kilimanjaro para escalar. Deus nos deu condições para fazê-lo. Vamos lá?
GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Os remédios para a pressão alta

Um demônio ronda as casas das pessoas com pressão alta: as próprias pessoas que sofrem dessa doença. Elas acham  que quando os sintomas desaparecem, podem parar de tomar os remédios. Algumas (poucas), mais informadas, tiram a pressão regularmente e, quando a pressão baixa ao normal, param de tomar o remédio. São candidatas ao derrame e à morrer de enfermidade circulatória.

A pressão ala tem muito a ver com o estilo de vida da pessoa, o que come (de errado) e o que faz (ou não faz, ficando sentada vendo televisão). É uma doença crônica. Os remédios podem controlar a pressão alta, mas não podem curá-la.

Muita gente com pressão alta não sente nada (por isso alguns a chamam de doença oculta). E acaba parando de tomar os medicamentos.

Acontece alguma coisa quando o doente para de tomar o medicamento?

Acontece! Aumenta o risco de infartar, de outros ataques cardiovasculares. de derrame, de dano e parálise dos rins e muitas doenças mais.

E se a gente esquece? Eu uso uma caixinha dividida em sete dias da semana e coloco todas as pílulas que tenho que tomar cada dia. Outros deixam avisos dentro da própria casa ou pedem a outras pessoas que moram na casa para avisar e até algumas que não moram. Ajuda, e muito.

Às vezes, quando você realmente muda seu estilo de vida, muda a dieta, corta o sal a quase zero, passa a andar ou a fazer outros exercícios com frequência, o médico pode reduzir a dose, mas quase nunca aconselhar a parar de tomar o remédio.

Cuidado com esse demônio. Êle está dentro de você tentando você a parar o tratamento…

Qualquer excesso de peso aumenta o risco de ter pressão alta

Qualquer excesso de peso aumenta o risco de ter pressão alta, até mesmo aquele excesso pequenininho, que coloca o paciente do lado alto da normalidade. É o que foi publicado no American Journal of Hypertension (volume 20, page 370).

Já sabíamos que pessoas gordas e obesas tinham um risco consideravelmente mais alto de pressão alta do que pessoas sem excesso de peso. Afinal, quanto mais peso, mais trabalho para o corpo, inclusive de carregar sangue para o peso excedente. Isso castiga as paredes das artérias, preparando o caminho para pressão alta e outros problemas. Há uma pesquisa, chamada de Physicians Health Study com treze mil homens maduros que foram acompanhados durante nada menos do que 15 anos. Há uma medida do excedente do peso (e, sobretudo, da gordura) chamada de BMI. Pois o seu BMI de hoje afeta o seu risco de ter pressão alta em mais quinze anos. Os obesos tinham um risco 85% mais alto de ter pressão alta, mesmo controlando outros fatores como a idade, a atividade física, se fuma ou não, se é diabético ou não, e o colesterol. “Controlar” esses fatores significa descontar a influência deles. Ser gordo ou gorda não é apenas um problema social e psicológico criado pela estética moderna, é um sério risco de saúde. Vamos andar, fazer exercícios, queimar calorias desnecessárias, comer menos e bem, para viver mais e melhor.

Fonte: Hypertension and Stroke, April 28, 2009