Dores e dissabores depois do câncer

 

Há dimensões dolorosas e ocultas, porque pouco discutidas, do câncer. Creio que, na nossa cultura, quando a vida está em risco, as demais questões ficam pequenas ou desaparecem dos nossos pensamentos. Não é assim em todas as culturas; algumas emprestam relevância maior a questões que, diretamente, não tem a ver com vida e saúde. Não obstante, indiretamente afetam ambas.

Várias questões, impensáveis na mesa de cirurgia, são muito relevantes para os que formulam políticas públicas. Pesquisei um pouco para escrever essas linhas.

Os Estados Unidos são o país dos paradoxos no que tange a saúde. Há décadas tem uma esperança de vida ao nascer mais baixa do que seria de esperar a partir do seu produto bruto e da sua renda per capita. Está vários pontos abaixo da curva no que concerne a medicina preventiva. Em contraposição, ostenta a melhor medicina curativa do planeta e vários dos seus hospitais estão entre os dez mais conceituados do planeta para tratar muitas enfermidades e deficiências. Lidera, de longe, na pesquisa médica na maioria dos campos de aplicação.

É “feio” discutir questões financeiras na frente do paciente, particularmente quando ainda está no hospital. Não obstante, fora do ouvido dele, ou, às vezes, nem totalmente fora do ouvido dele, vários parentes, e até amigos, discutem problemas práticos que incluem o pagamento das contas, quem fica de plantão com o paciente, quem leva para casa, quem isso, quem aquilo. É nesse momento que o melhor e o pior das pessoas aflora, vem à tona.

Fora do quarto do paciente, ou ao voltar para casa, os problemas “menores”, sanitariamente mantidos à distância, passam a ser discutidos. É nesse momento que muitas fissuras aparecem na família e que muitas “famílias” mostram que não eram mais do que aglomerados de pessoas com pouco mais do que uma vinculação genética ou uma tênue vinculação legal… As doenças letais não destroem apenas os pacientes, mas destroem as famílias também, ou mostram que elas eram mais ficção do que realidade.

Nos Estados Unidos, um país que valoriza muito a responsabilidade individual, muitas das questões discutidas no corredor em outros países, não dizem respeito à família, nem ao Estado (leia-se: às pessoas que pagam impostos, direta e indiretamente, feitas responsáveis pelo que acontece com os indivíduos). São vistas, em grande parte, como responsabilidade do indivíduo.

É nessa moldura de referência cultural e institucional que penso os dados que vou apresentar.

Tomemos um câncer – o câncer do cólon e do reto. Os que sobrevivem enfrentam outros problemas depois de curados: a American Cancer Society, limitando sua análise aos jovens em condições de trabalhar, estima que os gastos médicos não cobertos e outras perdas são da ordem de US$ 8.500,00 anualmente. Além dos gastos médicos, perdem mais dias de trabalho, produzem menos no trabalho, o que se traduz numa perda de competitividade com pessoas em tudo semelhantes, mas que não tiveram câncer. Pode se refletir em maior vulnerabilidade do emprego.

Claro, há países em que tudo isso vai parar na conta do Estado que, numa população cada vez mais velha, faliu e sacrifica outros setores para atender esses gastos e vários outros associados com a doença e com sua correlata, a idade.

Surabhi Dangi-Garimella, que escreveu um artigo que me inspirou, menciona a estimativa de 18 milhões de sobreviventes de câncer em mais cinco ou seis anos, em 2022, somente nos Estados Unidos. Não sei quantos serão no Brasil, mas serão muitos e em número crescente. A American Cancer Society, mencionada acima, levantou esses problemas e calculou esses custos, publicando-os no Journal of the National Cancer Institute.

O impacto foi, como esperado, maior entre os mais jovens entre os quais há menos aposentados e mais que trabalham horários completos ou que tem, até, mais de um emprego. As consequências do câncer e os efeitos colaterais permanentes dos tratamentos, assim como a idade modal dos pacientes, faz com que os custos variem muito de câncer para câncer.

 

OS CUSTOS DO CÂNCER DEPOIS DO CÂNCER (custos anuais)

CÂNCER DO CÓLON E DO RETO

$ 8.647,00

CÂNCER DA MAMA

$ 5.119,00

CÂNCER DA PRÓSTATA

$ 3.586,00

 

O número de dias perdidos por ano também varia de câncer para câncer: no caso dos canceres coloretais 14% tiveram consequências permanentes que os impediram de trabalhar, bem mais do que os casos de câncer da mama (5%). Os sobreviventes de canceres coloretais perdem 7,2 dias de trabalho ao ano, na média; os com câncer da mama perdem 3,3 dias.

Claro está que, em países onde a responsabilidade por um indivíduo é daquele indivíduo, surge a necessidade de lidar com essas perdas. A sobre preocupação com a sobrevivência pode levar muitos a minimizar a qualidade da vida depois do câncer – não se preparam para a vida pós-câncer, não fazem seguros para as perdas que virão.

Se este artigo evitar dores e dissabores a um paciente, terá cumprido seu objetivo; se alguém se preparar para esses problemas, também. Os leitores podem alertar, no seu devido momento, pacientes, amigos e familiares sobre o fato de que o fim do câncer não significa o fim dos problemas.

Gláucio Soares  

IESP-UERJ

CAI A MORTALIDADE POR CÂNCER DA PRÓSTATA NA ESCÓCIA

Os progressos no tratamento do câncer da próstata e sobrevivência aparecem nas estatísticas escocesas. Cancer Research UK (CRUK) atribui a crescente sobrevivência dos pacientes à melhores tratamentos.

Na Escócia, cerca de 2.700 homens são diagnosticados com câncer da próstata. Os diagnosticados mais recentemente se beneficiaram de tratamentos mais modernos e eficientes. O seu conjunto não constitui uma panaceia, mas a taxa das mortes por cem mil homens caiu de cerca de 29 no início da década de 90 para cerca de 24 no presente. É uma melhoria substancial, de aproximadamente vinte por cento, mas não é milagre. Reflete o tipo de progresso dos medicamentos que postergam a morte em alguns ou muitos meses, mas sem pretensão à cura.

No período estudado, entre 1990-92 e 2008-10, as taxas de morte caíram 21% na faixa “jovem”, de 45 a 54 anos de idade; 25% entre 55 e 64 anos; 29% entre 65 e 74, e 25% no grupo de idades que vai de 75 a 84. No grupo com 85 ou mais o progresso foi mínimo, talvez porque não foram tratados com terapias igualmente intensivas, talvez com receio dos efeitos colaterais, inclusive a morte.

GLÁUCIO SOARES             IESP/UERJ

OS MELHORES HOSPITAIS

No tratamento das doenças, particularmente dos que incluem cirurgia, a qualidade do hospital é fundamental.  Os médicos também contam, mas usualmente bons médicos trabalham em bons hospitais e os dois fatores se juntam para pesar ainda  mais no prognóstico.  Há varias maneiras de aquilatar a qualidade de um hospital. Uma das mais usadas se baseia nas avaliações – de paciente, médicos e outros profissionais da saúde, e especialistas neste tipo de avaliação.  Os que avaliam usualmente empregam indicadores: sobrevivência, sucesso no tratamento, formação dos médicos, formação do pessoal hospitalar, como as enfermeiras, relação entre o número de médicos e de enfermeiras (separadamente), quartos, leitos, medicamentos e o de pacientes, assim como a qualidade do equipamento, o grau de competência e especialização dos médicos, enfermeiras, técnicos e todo o pessoal hospitalar. Do lado negativo, estão as mortes, as recidivas, as infecções hospitalares, a falta de leitos, o desconhecimento da parte do pessoal hospitalar, e muito mais.

Há algumas instituições que se dedicam a levantar e organizar esses dados e publicar suas avaliações.

O relatório da U.S. News and World Report, chamado  U.S. News Best Hospitals, atualmente na versão 2013-14, é muito considerado, mas seu forte reside na avaliação dos hospitais americanos. Faz um trabalho minucioso, por área.

A qualidade dos hospitais, tal qual avaliada por diferentes instituições, varia de acordo com o campo médico, com a especialidade, com o grupo de doenças. Alguns hospitais são “gerais”, ao passo que outros são especializados. O Sloan-Kettering, em Nova Iorque, é um centro de excelência em câncer. Tem áreas auxiliares, mas é um hospital dedicado ao câncer. Esse relatório o considera o segundo melhor dos Estados Unidos.

Outros hospitais se destacam em várias áreas, mas são conhecidos principalmente por uma ou algumas. O Johns Hopkins, em Baltimore, tem várias áreas fortes, mas os pacientes informados de câncer da próstata sabem que é um centro de referência em urologia. Eis o que indica o U.S. News and World Report (se clicarem usando Control+ irão para a página desejada). Creio indispensável que o façam para que sua escolha seja bem informada:

 

 

+xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

University of Texas MD Anderson Cancer Center

·         #1

University of Texas MD Anderson Cancer Center

Houston, TX

·         #2

Memorial Sloan-Kettering Cancer Center

New York, NY

·         #3

Mayo Clinic

Rochester, MN

See all Best Cancer Hospitals

New York-Presbyterian University Hospital of Columbia and Cornell

·         #1

Cleveland Clinic

Cleveland, OH

·         #2

Mayo Clinic

Rochester, MN

·         #3

New York-Presbyterian University Hospital of Columbia and Cornell

New York, NY

See all Best Cardiology & Heart Surgery Hospitals

Massachusetts General Hospital

·         #1

Mayo Clinic

Rochester, MN

·         #2

Cleveland Clinic

Cleveland, OH

·         #3

Massachusetts General Hospital

Boston, MA

See all Best Diabetes & Endocrinology Hospitals

University of Texas MD Anderson Cancer Center

·         #1

Johns Hopkins Hospital

Baltimore, MD

·         #2

Mayo Clinic

Rochester, MN

·         #3

University of Texas MD Anderson Cancer Center

Houston, TX

See all Best Ear, Nose & Throat Hospitals

Mayo Clinic

·         #1

Mayo Clinic

Rochester, MN

·         #2

Cleveland Clinic

Cleveland, OH

·         #3

Johns Hopkins Hospital

Baltimore, MD

See all Best Gastroenterology & GI Surgery Hospitals

UCLA Medical Center

·         #1

Johns Hopkins Hospital

Baltimore, MD

·         #2

Mayo Clinic

Rochester, MN

·         #3

UCLA Medical Center

Los Angeles, CA

See all Best Geriatrics Hospitals

Brigham and Women’s Hospital

·         #1

Mayo Clinic

Rochester, MN

·         #2

Brigham and Women’s Hospital

Boston, MA

·         #3

Cleveland Clinic

Cleveland, OH

See all Best Gynecology Hospitals

Mayo Clinic

·         #1

Mayo Clinic

Rochester, MN

·         #2

Cleveland Clinic

Cleveland, OH

·         #3

New York-Presbyterian University Hospital of Columbia and Cornell

New York, NY

See all Best Nephrology Hospitals

Johns Hopkins Hospital

·         #1

Johns Hopkins Hospital

Baltimore, MD

·         #2

Mayo Clinic

Rochester, MN

·         #3

New York-Presbyterian University Hospital of Columbia and Cornell

New York, NY

See all Best Neurology & Neurosurgery Hospitals

Bascom Palmer Eye Institute at the University of Miami

·         #1

Bascom Palmer Eye Institute at the University of Miami

Miami, FL

·         #2

Wills Eye Hospital

Philadelphia, PA

·         #3

Wilmer Eye Institute, Johns Hopkins Hospital

Baltimore, MD

See all Best Ophthalmology Hospitals

Hospital for Special Surgery

·         #1

Hospital for Special Surgery

New York, NY

·         #2

Mayo Clinic

Rochester, MN

·         #3

Cleveland Clinic

Cleveland, OH

See all Best Orthopedics Hospitals

McLean Hospital

·         #1

McLean Hospital

Belmont, MA

·         #2

Johns Hopkins Hospital

Baltimore, MD

·         #3

Massachusetts General Hospital

Boston, MA

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National Jewish Health, Denver-University of Colorado Hospital

·         #1

Mayo Clinic

Rochester, MN

·         #2

National Jewish Health, Denver-University of Colorado Hospital

Aurora, CO

·         #3

Cleveland Clinic

Cleveland, OH

See all Best Pulmonology Hospitals

Rehabilitation Institute of Chicago

·         #1

Rehabilitation Institute of Chicago

Chicago, IL

·         #2

Kessler Institute for Rehabilitation

West Orange, NJ

·         #3

TIRR Memorial Hermann

Houston, TX

See all Best Rehabilitation Hospitals

Cleveland Clinic

·         #1

Johns Hopkins Hospital

Baltimore, MD

·         #2

Cleveland Clinic

Cleveland, OH

·         #3

Mayo Clinic

Rochester, MN

See all Best Rheumatology Hospitals

Johns Hopkins Hospital

·         #1

Johns Hopkins Hospital

Baltimore, MD

·         #2

Cleveland Clinic

Cleveland, OH

·         #3

Mayo Clinic

Rochester, MN

See all Best Urology Hospitals

Disclaimer and a note about your health


 

 

As fontes usadas em avaliações deste tipo são a opinião de médicos e outros especialistas, o número de camas por paciente, de enfermeiras por paciente, a mortalidade por mil casos etc.

Como sempre, há vieses, que seguem a qualidade da informação.   

         Um dos critérios usados para medir a qualidade dos hospitais se concentra na Web. O leitor pode se aprofundar nos resultados desse método consultando

 

http://hospitals.webometrics.info/en/world

           

Há uma correlação modesta entre rankings produzidos com metodologias diferentes. É uma situação diferente da que caracteriza as universidades, instituições que são avaliadas por empresas localizadas em diversos países com critérios e resultados semelhantes. A maioria dos melhores hospitais americanos está presente em várias listas. Não obstante, e mais uma vez como diferentes dos rankings de universidades, há um claro predomínio dos hospitais indicados pelo U.S. News and World Report.

Em outra fonte, há três hospitais brasileiros entre os quatro melhores da América Latina, o INCA, o Einstein e o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas. Infelizmente, os hospitais latino-americanos não figuram entre os melhores do mundo. Não obstante a instituição avaliadora, a Ranking Web of Hospital ressalta as limitações do método usado, que chamam de webometrics, e, com toda a honestidade, enfatizam que esse ranking é puramente acadêmico, fala mais de pesquisa e da produção de artigos e não deve ser usado como guia para pacientes.

A Cejka Executive Search produz o Becker’s Hospital Review que não produz rankings, mas indica cem excelentes hospitais.

Healthgrades é um website popular, que proporciona informações sobre médicos e hospitais. É um recurso acionado cerca de 250 milhões de vezes por ano. Um dos quadros mostra o número de hospitais que estão entre os cem melhores por estado.  A julgar pelos critérios dessa instituição, 22 estados americanos não tem um só hospital ranqueado entre os cem melhores. Florida e Califórnia estão no topo da lista. Surpreendentemente, Massachusetts está ausente desta lista de hospitais notáveis.   

É preciso cuidado ao selecionar. O sistema hospitalar americano, folgadamente o melhor do mundo, em boa parte visa lucro – mesmo os hospitais que não tem fim de lucro. E parte do gasto não é necessária. Dr. Eric Topol, que trabalha numa empresa que eu uso (fornece medicamentos), a Scripps Health, afirma que os gastos com a saúde nos Estados Unidos estão perto de três trilhões de dólares ao ano, mas que um terço, ou um trilhão, é puro desperdício.

Os hospitais querem lucro e anunciam principalmente os departamentos e programas que mais dão lucro, que podem não ser os melhores ranqueados. Alguns leitores ingênuos podem ver incompatibilidade entre os ideais da área da saúde (que existem mais na cabeça esperançosa dos pacientes do que na dos administradores hospitalares) e o objetivo de lucro. A realidade é essa: os melhores hospitais cobram caro. Querem expandir, adquirir sempre os equipamentos de ponta e pagar regiamente seus médicos e, sobretudo, seus administradores.

         Infelizmente, os melhores hospitais do mundo estão concentrados nas áreas com renda per capita mais alta. Há uma diferença muito grande na qualidade do serviço hospitalar entre os Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e a Europa Ocidental, de um lado, e a África, o mundo árabe e boa parte da América Latina:

 

A PARTICIPAÇÃO DAS REGIõES MUNDIAIS NA QUALIDADE DOS HOSPITAIS

Distribuição por Continente

 

 

 

 

 

CONTINENTE

 200 MELHORES

500 MELHORES

1000 MELHORES

 

 

 

 

USA & Canada

118

293

562


 

Europa

56

139

281

 

 


 

Asia

19

48

108

 

 


 

Resto da América

5

8

17

 

 


 

Oceania

2

8

22

 

 


 

Mundo Árabe

 

4

7

 

 


 

Africa

 

 

3

 

 

 

 

 

Como ler esse quadro? Vamos ao que interessa: dos 200 melhores hospitais do mundo, 118 estão nos Estados Unidos e no Canadá, 56 na Europa e assim por diante. No “resto da América”, que nos inclui, encontramos, apenas, 5 dos melhores duzentos hospitais e dois na Oceania. Infelizmente, nenhum no mundo árabe e nenhum na África.

É preciso escolher cuidadosamente quem e onde tratará você.

Não é tarefa fácil.

 

 

GLÁUCIO SOARES

Podemos reduzir o risco de ter câncer da próstata?

Afinal, quais são os fatores que aumentam o risco de um homem vir a ter câncer da próstata? Abaixo, trocado em miúdos, está o que a American Cancer Society tem a dizer:

Primeiro, alguns dos fatores que aumentam o risco de ter câncer da próstata e outros que o diminuem podem ser alterados; outros, como a etnia ou a existência deste tipo de câncer em familiares não pode.

Fator de risco é um conceito probabilístico. É possível ter todos e não ter câncer; assim como é possível não ter nenhum e ter câncer. Esses são casos extremos. Para o grosso das pessoas, vale a norma simplificada de que quanto mais fatores de risco, mais alta a probabilidade de ter, ou vir a ter, câncer da próstata.

A idade é um dos fatores mais conhecidos, a respeito do qual não podemos fazer nada – falando da idade cronológica. Seis em cada dez casos são diagnosticados em idosos, com mais de 65 anos. Raramente encontramos casos em homens com quarenta anos ou menos. Mas a idade cronológica é uma coisa, e a idade biológica é outra. Pessoas com a mesma idade cronológica podem ter idades biológicas muito diferentes. E há fatores, como dieta adequada, sono regular, exercícios regulares (se possível, e aconselhados pelo médico, intensos) e o controle do estresse estão relacionados com a idade biológica.

Raça, etnia e nacionalidade sugerem interações entre genética e cultura. Nos Estados Unidos, o câncer da próstata é mais frequente entre negros do que entre os demais grupos étnicos e raciais. Porém, a influência genética interage com outras e é difícil saber, por exemplo, porque os japoneses no Japão tem incidência e prevalência mais baixas: a dieta é muito melhor por tudo o que sabemos. Que a dieta conta, sabemos com dados de homens de origem japonesa que vivem nos Estados Unidos: o câncer aumenta na medida em que adotam uma dieta “americanizada”.

Há mais diferenças entre países: a dieta é apenas uma. Tomando, apenas, os que dispõem de estatísticas confiáveis, incidência e prevalência são mais altas nos Estados Unidos e Canadá, no noroeste da Europa, na Austrália. São mais baixas na Ásia e em países com estatísticas menos confiáveis, localizados na América do Sul, na América Central e na África.

 

Não há muito que possamos fazer nas famílias com histórico de câncer da próstata. Porém, as famílias não diferem entre si somente na genética: diferem, também, no que concerne o estilo de vida, a dieta, a ênfase em exercícios e mais. Nada podemos fazer (ainda) no que concerne a genética, mas podemos mudar um estilo de vida pouco saudável. O que o histórico familiar faz é aumentar o nível do alerta. O risco de quem tem um pai ou irmão com este câncer é mais do dobro do risco de quem não tem. Se forem muitos os parentes com esse câncer, o risco aumenta ainda mais. Não termina aí: se o câncer foi diagnosticado quando os parentes eram relativamente jovens, o risco aumenta.

Já foram identificados vários genes associados positivamente com o risco e outros negativamente. Ainda não há teste genético disponível. Sabemos que mutações genéticas nos genes BRCA1 ou BRCA2 contribuem para explicar porque os canceres da mama e dos ovários são muito mais frequentes em algumas famílias.  Não obstante, o peso da genética no câncer da próstata parece ser mais limitado, mas essa é área pouco conhecida.

E a dieta? Mudar a dieta está no nosso alcance. Homens que comem muita carne vermelha ou produtos derivados do leite têm um risco mais elevado, assim como os que comem menos frutas e vegetais. Mas os caminhos seguidos por essas associações ainda não são bem conhecidos.

O que podemos mudar? O principal, que mais reduz a esperança de vida, muito relacionado com canceres diferentes e doenças cardiovasculares é o fumo. Toneladas de pesquisas demonstraram isso.

Mas, especificamente, o câncer da próstata? E o risco de morrer deste câncer?

Algumas pesquisas sugerem que fumar aumenta o risco de morrer deste câncer. Os caminhos que aumentam esse risco não são conhecidos, porque há vários aspectos do funcionamento do corpo humano que são afetados pelo fumo e que podem alterar o risco de ter e de morrer de um câncer. O caso que mais se destaca é o câncer do pulmão.

A obesidade se relaciona com vários canceres e outras disfunções. Os caminhos desta relação – com o câncer da próstata – não estão mapeados. Algumas pesquisas sugerem que o risco de ter um câncer mais agressivo é maior, mas a de ter um câncer menos agressivo é menor. É possível, mas não demonstrado, que a obesidade contribua para a transformação de alguns canceres menos agressivos em canceres mais agressivos.

Algumas ocupações, como a de bombeiro, aumentam a exposição a substâncias carcinogênicas. Alguns dados sugerem que há algumas ocupações que aumentam o risco, dependendo da exposição a essas substâncias.

Inflamação da próstata. Nos últimos anos, foram descobertas as conexões entre as  inflamações e muitas doenças, inclusive cardiovasculares e canceres. A prostatite (inflamação da próstata) pode estar ligada ao câncer da próstata, mas nem todas as pesquisas confirmaram essa associação.    

Doenças venéreas, sexualmente transmissíveis (como gonorreia ou clamídia). Há suspeita de que podem contribuir porque aumentam o risco de inflamação da próstata, mas faltam pesquisas.

A vasectomia altera o risco de desenvolver um câncer da próstata? Os dados não são coerentes. Algumas pesquisas sugerem que uma vasectomia em pessoas jovens (35 anos ou menos) aumenta ligeiramente o risco de ter um câncer da próstata. Os caminhos dessa relação não são claros e a própria relação não está confirmada. É uma suspeita baseada em alguns dados. A ACS sugere que, a partir do conhecimento que temos, que o medo de aumentar o risco do câncer da próstata não deve impedir alguém que tenha boas razões para fazer essa cirurgia.

Como vemos, há bastante que podemos fazer para reduzir o risco de ter esse câncer, mas ainda falta muito para que conheçamos o suficiente para que possamos reduzir um risco muito alto para o nível de um risco muito baixo. Façamos o que podemos…

 

 

GLÁUCIO SOARES         IESP/UERJ`

 

 

Saiba mais: para obter informações básicas sobre o câncer da próstata (e os outros canceres também) busque em

 

www.cancer.org

 

 

Como ler dados de pesquisas sobre o câncer

É preciso saber ler dados para poder saber o que as pesquisas revelam. Ninguém nasce sabendo. É possível aprender em qualquer idade. Entre para a Escola de Dados. É grátis e em Português.

A inscrição é em

http://escoladedados.org/

 

um abraço

 

GLÁUCIO SOARES        IESP/UERJ

Anticoagulantes contra o câncer da próstata?

Caroline F. Pratz, da Johns Hopkins Sidney Kimmel Comprehensive Cancer Center em Baltimore, analisou, com seus associados, os dados de 247 pacientes com canceres que já não respondiam ao tratamento hormonal e tinham recebido químio (docetaxel) num prazo de onze anos, do início de 1998 ao início de 2010.  Buscavam conhecer o uso de anticoagulantes e seus efeitos. Cerca de 12% recebiam anticoagulantes, um tratamento frequente entre pessoas de idade, usado para DVT (deep venous thrombosis), embolias pulmonares e combinação das duas situações.

O uso de anticoagulantes se associa com maior sobrevivência. A razão de risco de morrer (por qualquer causa) era de  0,61; P = 0,024 para o conjunto dos que usavam anticoagulantes; não muito diferente dos que usavam heparina  (RR, 0,58; P = 0,048); melhor do que os que usavam warfarina  (RR, 0,82; P = 0,23), um resultado não tão bom. A sobrevivência mediana  deste grupo com canceres muito adiantados foi de 20,9 meses, quase quatro meses a mais do que os que não usavam anticoagulantes (17,1 meses). Em modelos estatisticamente mais sofisticados, controlando por outras variáveis, o uso de anticoagulantes continuava concedendo um ganho na expectativa de vida.

É importante entender que há muitos acidentes fatais com pessoas que usam anticoagulantes, que devem ser usados com receita médica e acompanhados pelo médico. Nem pensem em usá-los por conta própria e em automedicação.  

 

GLÁUCIO SOARES                 IESP-UERJ

Negar o câncer aumenta o estresse

 

 

 

 

Uma pequena pesquisa sugere que a negação (denial) não é uma boa resposta a notícias negativas em relação ao câncer. A pesquisa, feita em Miami, mostra que a negação e evitar falar/ler/ouvir sobre a doença faz com que o diagnóstico e outras notícias negativas sejam ainda piores do que realmente são.  

O estudo é pequeno, com cerca de cem homens que farão uma biópsia. Todos completaram um questionário antes que buscava ver que o tipo de resposta do paciente ao receber a notícia. Essa coleta de dados foi feita logo antes da biópsia e outra foi feita duas semanas depois de conhecido o resultado.

Trinta e oito tinham câncer. Os que tinham uma atitude de negação (não tenho câncer; os médicos estão errados; os testes não indicam nada etc.) ou de evitar saber (não quero saber, não me digam, silêncio e isolamento social propositados etc.) tinham níveis de estresse mais altos após receberem o diagnóstico desfavorável.

Essa consequência do tipo de reação também teve um impacto negativo entre os que receberam um resultado benigno. Não obstante, uma atitude positiva, ativa, não aumentava nem diminuía o estresse.

Claro que essa é uma pesquisa pequena que precisa ser repetida com um número maior de pacientes. Até lá, ficam essas sugestões…

 

GLÁUCIO SOARES       IESP/UERJ