O destino dos pacientes idosos

 Um relato publicado recentemente em PSA Rising ilustra o percurso seguido por muitos idosos. É o de um paciente diagnosticado quinze anos antes e tratado com implantes radioativos que foi vitimado por outra doença, também característica de idades avançadas, que é a que mais impacto tem sobre a qualidade de vida do paciente.

Diz a senhora:

“há 15 anos, meu marido, Frank, foi diagnosticado e subsequentemente tratado com implantes de iodo radiotivo (braquiterapia). Aos 90 ele não faz mais testes de PSA. Infelizmente, ele foi diagnosticado com Altzheimer’s há sete anos e agora vive em uma residência especial, com assistência médica, perto de nossa casa. Eu o visito todos os dias e ele parece feliz.”

(minha tradução, não literal)

O caso de Frank exemplifica o que acontece com muitos pacientes de câncer da próstata: sobrevivem muitos anos e, se idosos, acabam tendo outras doenças e não morrem do câncer. A maioria dos pacientes diagnosticados com câncer da próstata, mesmo aqueles nos quais o PSA “volta”, morre de outra causa.

GLÁUCIO SOARES           IESP/UERJ

CANCEROSOS ESCALAM O KILIMANJARO

Há um grupo cujo objetivo é mostrar que os cancerosos podem ter uma vida normal, inclusive realizando algumas proezas. Esse grupo se chama Above + Beyond Cancer e se dedica a escalar montanhas difíceis – possíveis, não só para profissionais, mas difíceis para o cidadão comum. Ainda mais para um canceroso, pensará o leitor…
Pois o objetivo desse grupo é demonstrar que cancerosos e sobreviventes do câncer podem ter vidas normais e fazer coisas surpreendentes.
Como escalar o monte  Kilimanjaro, o mais alto da África……
Foram 19, inclusive Gail Endres, diagnosticado com câncer da próstata, tratado e sem fracasso bioquímico desde 2006. Não há garantia de que esteja curado, porque às vezes o PSA “volta” depois de dez, quinze anos…
O grupo foi bolado por um oncólogo com sensibilidade humana, Richard Deming. O nome, Above + Beyond Cancer, indica o propósito e o meio.
A idade desse grupo de alpinistas amadores e cancerosos variava entre 29 e 73. Incluía pacientes do câncer da próstata, da tireóide, da mama, das glândulas salivares, da leucemia, de linfomas… Alguns há anos não apresentam sintomas e outros estão em pleno tratamento para cânceres que já não podem ser curados.  
Profissionalmente, dá de tudo: um tocador de viola, um militar, um estudante, um padre, a mulher de um fazendeiro e muito mais.
No início não sabiam se conseguiriam ou não subir o  Kilimanjaro, mas sabiam que iam tentar para valer. Sabiam, também, que os resultados benéficos dessa tentativa marcaria suas vidas – e sua luta contra o câncer. 
Chegaram na África dia 2 de janeiro e mergulharam na cultura local. Nada de ser turistas, de ver a África através de telescópio. Visitaram a cidade de Moshi, um vilarejo e se mandaram para a montanha.

O Kilimanjaro é um vulcão adormecido: como outros, pode voltar à vida, mas essas voltas usualmente dão aviso prévio. Partiram da base, ainda semi-tropical, de pouco mais de dois quilômetros. A altura do monte é, arredondando, seis quilômetros. Os excursionistas viram e sentiram as mudanças na flora e na fauna que acompanham as mudanças de altitude. Começaram numa floresta tropical, mas logo estavam numa região rochosa, onde viam o legado de erupções antigas. Continuaram pela trilha que leva até a cratera. Passaram por tudo: regiões desérticas e, no topo, neve. Todos sentiam o cansaço que caracteriza a diminuição do suprimento de oxigênio na altura e vários sentiam dores, tinham bolhas, calos, dores nas costas e tudo o mais. Sem falar nos vômitos, náuseas e diarréias. Mas o grupo estimulava a seguir adiante, como deve acontecer na vida de todos nós, cancerosos. E, claro, não havia banheiro nem chuveiro…
Aguente, Raimundo!
Um saudável espírito coletivista surgiu e quem tinha papel higiênico dividiu, quem tinha band-aid dividiu e assim por diante. As necessidades ficaram no Kilimanjaro e banho, bem, melhor esquecer. Todo mundo fedia a suor seco e tinha bafo de tigre. 
Mas era um grupo coeso, que se ajudava, como a humanidade deveria fazer. 
O que surpreendeu a todos foi a solidariedade instantânea que sentiram uns em relação aos outros. O câncer, essa tremenda adversidade, os uniu. Na minha leitura, Deus colocou esse potencial dentro de todos nós, mas foi preciso um câncer e uma escalada para que essas pessoas o descobrissem. E todos mudaram…
O esforço que pessoas que estavam fazendo tratamento, tinham passado recentemente pela debilitante quimioterapia, era gigantesco. Mas todos sabiam que era um passo de cada vez e cada passo exigia sacrifícios. Mesmo que tenham sido um milhão de passos, cada passo era o primeiro, sem pensar nos que viriam depois.
A história de cada um deles é uma história de superação. Foram seis dias duros, duríssimos, até que esse grupo de cancerosos chegasse ao tôpo do Kilimanjaro; chegaram, o que a grande maioria dos não-cancerosos não fez!
Todos temos nosso Kilimanjaro para escalar. Deus nos deu condições para fazê-lo. Vamos lá?
GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

Depressão e suicídio entre idosos

Sabemos que a depressão e o suicídio aumentam com a idade. Essa é uma relação que se aplica à grande maioria dos países. Nos Estados Unidos, esses dois males estão crescendo. Reduções na ajuda e a recessão não ajudam – descem os rendimentos e sobem, com a idade, os gastos, sobretudo os gastos com a saúde. A taxa de suicídios de idosos (>=65) em 2006 foi 14,2. Ela é maior entre brancos e cresce com a idade. Entre brancos com >=85 anos a taxa atinge 48 suicídios por 100 mil pessoas – nível das taxas de homicídio nos piores estados brasileiros. A depressão acompanha. A depressão clínica em idosos comuns varia entre 1% e 5%, mas é muito maior entre os que estão tão doentes que necessitam hospitalização.

Os medicamentos reduzem os sintomas da depressão e, através deles, os suicídios. Reduzem, mas não acabam. Pior: os médicos não foram treinados para diagnosticar a depressão entre idosos ou acham que “é normal”. Esse lapso, freqüente, contribui para a taxa de suicídios. Pior ainda: muitos idosos “escondem” a depressão: dizem que estão bem quando não estão. Esses comportamentos reduzem a percentagem que se trata com remédios e/ou terapias verbais. Conseqüentemente, continuam deprimidos e muitos se suicidam.

Alguns idosos dificultam o trabalho de quem busca ajudar-los: não tomam os remédios, ou se esquecem de tomá-los. Rejeitam ajuda com o horário de tomar remédios. Comprovadamente, medicamentos e terapia ajudam idosos a controlar e reduzir a depressão. Uma pesquisa recente mostra que o uso dos reuptakers de serotonina ajudam e muito.

Não obstante, há remédios que aumentam o risco de suicídios entre idosos. O uso de sedativos aumenta o risco e um sedativo em particular aumentava esse risco em 14 vezes. Tratamento com remédios de tipo hipnótico multiplica por quatro o risco de suicídio.

Há quem defenda o suicídio de idosos, que o considere como uma opção legítima. Definem que vários fatores aumentaram tanto o peso e as dificuldades da vida que ela perdeu o sentido. Um sério problema com esse argumento é que muitos recuperam o sentido e a alegria de viver. Evidentemente, os que se suicidaram não podem dar essa volta por cima.

Há, no Brasil, pouca informação sobre os sinais de depressão e os avisos de suicídio. Precisamos treinar mais pessoas a percebê-los e a conscientizar os idosos a respeito das alegrias que muitos deles encontram na vida.

Depressão e suicídio entre idosos


Sabemos que a depressão e o suicídio aumentam com a idade. Essa é uma relação que se aplica à grande maioria dos países. Nos Estados Unidos, esses dois males estão crescendo. Reduções na ajuda e a recessão não ajudam – descem os rendimentos e sobem, com a idade, os gastos, sobretudo os gastos com a saúde. A taxa de suicídios de idosos (>=65) em 2006 foi 14,2. Ela é maior entre brancos e cresce com a idade. Entre brancos com >=85 anos a taxa atinge 48 suicídios por 100 mil pessoas – nível das taxas de homicídio nos piores estados brasileiros. A depressão acompanha. A depressão clínica em idosos comuns varia entre 1% e 5%, mas é muito maior entre os que estão tão doentes que necessitam hospitalização.

Os medicamentos reduzem os sintomas da depressão e, através deles, os suicídios. Reduzem, mas não acabam. Pior: os médicos não foram treinados para diagnosticar a depressão entre idosos ou acham que “é normal”. Esse lapso, freqüente, contribui para a taxa de suicídios. Pior ainda: muitos idosos “escondem” a depressão: dizem que estão bem quando não estão. Esses comportamentos reduzem a percentagem que se trata com remédios e/ou terapias verbais. Conseqüentemente, continuam deprimidos e muitos se suicidam.

Alguns idosos dificultam o trabalho de quem busca ajudar-los: não tomam os remédios, ou se esquecem de tomá-los. Rejeitam ajuda com o horário de tomar remédios. Comprovadamente, medicamentos e terapia ajudam idosos a controlar e reduzir a depressão. Uma pesquisa recente mostra que o uso dos reuptakers de serotonina ajudam e muito.

Não obstante, há remédios que aumentam o risco de suicídios entre idosos. O uso de sedativos aumenta o risco e um sedativo em particular aumentava esse risco em 14 vezes. Tratamento com remédios de tipo hipnótico multiplica por quatro o risco de suicídio.

Há quem defenda o suicídio de idosos, que o considere como uma opção legítima. Definem que vários fatores aumentaram tanto o peso e as dificuldades da vida que ela perdeu o sentido. Um sério problema com esse argumento é que muitos recuperam o sentido e a alegria de viver. Evidentemente, os que se suicidaram não podem dar essa volta por cima.

Há, no Brasil, pouca informação sobre os sinais de depressão e os avisos de suicídio. Precisamos treinar mais pessoas a percebê-los e a conscientizar os idosos a respeito das alegrias que muitos deles encontram na vida.



GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ


Se quiser saber mais sobre suicídios e a prevenção de suicídios, visite os seguintes blogs:

Câncer, depressão, armas de fogo e suicídio

Tentativas de suicídio são mais comuns entre idosos do que entre jovens, e mais comuns entre pessoas com doenças físicas e mentais do que entre pessoas sãs. As depressões freqüentemente acompanham pessoas que sofreram AVC’s, que foram diagnosticadas com câncer, que perderam um familiar, que se divorciaram ou separaram etc. Em alguns casos, amigos e familiares, assim como as pessoas vinculadas à saúde física e mental da pessoa, podem tomar medidas preventivas do suicídio. Além do importante tratamento com remédios e terapia adequada, é importante fechar janelas de oportunidade para os suicídios.

Muitas pessoas entram em desespêro quando enfrentam situações adversas, sem se dar conta de que a vida pode ser boa e gostosa a despeito de doenças e perdas.
Um estudo, realizado no Estado de Illinois, mostrou a importância de retirar as armas de fogo do ambiente ao qual a pessoa em situação de risco tem acesso. De janeiro de 1990 a dezembro de 1997 houve mais de 37 mil internações nos hospitais por tentativas de suicídio e houve 10.287 suicídios completos. Tentar se suicidar com arma de fogo, em si, não requer muita preparação e pode ser, apenas, uma “janela” negativa, mas as tentativas com armas de fogo são muito mais letais. Os dados mostram que as armas de fogo são, de longe, o método mais letal, 2.6 vezes mais letal do que o segundo, que usa a asfixia, principalmente por enforcamento. Os autores estimavam que a simples substituição dos métodos de suicídio salvaria 32% dos suicidas menores de idade e 6,5% dos suicidas adultos. Esse cálculo foi feito sem levar em conta que a oportunidade é um fator importante nos suicídios e que um número tenta o suicídio com uma arma simplesmente porque encontra uma pela frente.

Dados de Shanessa, Catlin e Buka, 2003.

Pacientes treinados ajudam outros pacientes a reduzir a depressão

O contato cara-a-cara com outro paciente treinado para atender novos pacientes pode reduzir muito a depressão dos novos pacientes e aumentar a sensação de eficácia pessoal e de controle sobre sua própria vida. É o que concluíram vários pesquisadores (inclusive o cirurgião que me operou). Os autores dividiram uma população de pacientes que fizeram cirurgia radical da próstata em dois grupos: um grupo com tratamento diádico e outro o controle. O grupo com tratamento era composto por pacientes que se encontraram com pessoas treinadas que lhes davam apoio. Foram oito encontros (ou sessões) em oito semanas. As pessoas treinadas eram pacientes também, que seguiram o mesmo tratamento e enfrentavam os mesmos efeitos colaterais (como problemas de ereção, medo etc.). Os resultados mostram que o grupo experimental tinha muito menos depressão (Médias de 0.92 e 2.49, numa escala padronizada) e uma sensação maior de auto-eficácia, de poder/saber resolver seus problemas dentro de limites. Os dois resultados são estatisticamente significativos. Algum dia nosso país chegará ao ponto de ter programas de assistência desse tipo, de encontros planejados, cara a cara, com pacientes treinados. Enquanto isso não acontece, cabe a cada um de nós ajudar os demais, particularmente os recém-diagnosticados e recém-tratados. Não fique esperando acontecer. Tome a iniciativa, busque quem precisa, inclusive vá aos hospitais. Ver “The Impact of Dyadic Social Support on Self-Efficacy and Depression After Radical Prostatectomy”, Bryan A. Weber, Beverly L. Roberts, Hossein Yarandi, Terry L. Mills, Neale R. Chumbler e Zev Wajsman.

As mensagens que Deus me dá

Fiquei com o texto abaixo dois anos na gaveta. Hoje o redescobri, Poderá ajudar alguém.

Hoje a manhã começou mal. Um programa que uso para fazer análise de conteúdo de textos pifou (ou eu o estou usando mal). Acordei com dores no corpo, muito zangado comigo mesmo por ter passado três dias sem me exercitar e por não ter iniciado o hábito (escrito e colocado na parede) de alongar todas as manhãs. Revivendo a dúvida que, volta e meia, me assola sobre se estou fazendo o que Deus quer que eu faça. Foi quando recebi a carta abaixo. Para mim, há duas mensagens: a de quem enviou, e a de quem enviou quem enviou (e que, talvez, não saiba que foi enviada).
Quero fazer um convite a todos. Descubram, se ainda não o fizeram, o bem que nos faz fazer o bem. Ajudem alguém. Se clicarem em http://www.fundacaoterra.org.br/ verão as crianças e atividades que ajudo. Ajudem quem quizerem, crianças e necessitados de qualquer religião ou sem religião e experimentarão a felicidade de saber que vocês podem fazer a diferença entre a tristeza e a felicidade.
Que tenham boas festas e um lindo 2008.

Prezado Gláucio,

Gostaria de agradecer todas as msgs que recebi durante o ano de forma
objetiva, esclarecedora e direta sobre o câncer. As pessoas tem medo e
vergonha ainda de falar sobre a doença. Quando acontece em nossa família,
acordamos para a doença e procuramos todas as formas de informação sobre
tecnologias em saúde para escolher o melhor tratamento e de ajuda
psicológica para suportar todas as dores, perdas, sensações de frustração e
inutilidade e até mesmo, de como encarar a morte.
Obrigada pelo apoio.

Desejo a todos uma noite natalina de encontros de almas e corações. De vida
e esperança. De alegria e aconchego. De união da família e dos amigos. De
perdão e de paz. De força e fé para superar os obstáculos de nossa caminhada
e assim prosseguir no Novo Ano renovando nossos corações com a certeza de
que superaremos e nos surpreenderemos com a força que cada ser humano tem, a
cada novo amanhecer.
Um forte abraço e Feliz Natal
D. R.