Dores e dissabores depois do câncer

 

Há dimensões dolorosas e ocultas, porque pouco discutidas, do câncer. Creio que, na nossa cultura, quando a vida está em risco, as demais questões ficam pequenas ou desaparecem dos nossos pensamentos. Não é assim em todas as culturas; algumas emprestam relevância maior a questões que, diretamente, não tem a ver com vida e saúde. Não obstante, indiretamente afetam ambas.

Várias questões, impensáveis na mesa de cirurgia, são muito relevantes para os que formulam políticas públicas. Pesquisei um pouco para escrever essas linhas.

Os Estados Unidos são o país dos paradoxos no que tange a saúde. Há décadas tem uma esperança de vida ao nascer mais baixa do que seria de esperar a partir do seu produto bruto e da sua renda per capita. Está vários pontos abaixo da curva no que concerne a medicina preventiva. Em contraposição, ostenta a melhor medicina curativa do planeta e vários dos seus hospitais estão entre os dez mais conceituados do planeta para tratar muitas enfermidades e deficiências. Lidera, de longe, na pesquisa médica na maioria dos campos de aplicação.

É “feio” discutir questões financeiras na frente do paciente, particularmente quando ainda está no hospital. Não obstante, fora do ouvido dele, ou, às vezes, nem totalmente fora do ouvido dele, vários parentes, e até amigos, discutem problemas práticos que incluem o pagamento das contas, quem fica de plantão com o paciente, quem leva para casa, quem isso, quem aquilo. É nesse momento que o melhor e o pior das pessoas aflora, vem à tona.

Fora do quarto do paciente, ou ao voltar para casa, os problemas “menores”, sanitariamente mantidos à distância, passam a ser discutidos. É nesse momento que muitas fissuras aparecem na família e que muitas “famílias” mostram que não eram mais do que aglomerados de pessoas com pouco mais do que uma vinculação genética ou uma tênue vinculação legal… As doenças letais não destroem apenas os pacientes, mas destroem as famílias também, ou mostram que elas eram mais ficção do que realidade.

Nos Estados Unidos, um país que valoriza muito a responsabilidade individual, muitas das questões discutidas no corredor em outros países, não dizem respeito à família, nem ao Estado (leia-se: às pessoas que pagam impostos, direta e indiretamente, feitas responsáveis pelo que acontece com os indivíduos). São vistas, em grande parte, como responsabilidade do indivíduo.

É nessa moldura de referência cultural e institucional que penso os dados que vou apresentar.

Tomemos um câncer – o câncer do cólon e do reto. Os que sobrevivem enfrentam outros problemas depois de curados: a American Cancer Society, limitando sua análise aos jovens em condições de trabalhar, estima que os gastos médicos não cobertos e outras perdas são da ordem de US$ 8.500,00 anualmente. Além dos gastos médicos, perdem mais dias de trabalho, produzem menos no trabalho, o que se traduz numa perda de competitividade com pessoas em tudo semelhantes, mas que não tiveram câncer. Pode se refletir em maior vulnerabilidade do emprego.

Claro, há países em que tudo isso vai parar na conta do Estado que, numa população cada vez mais velha, faliu e sacrifica outros setores para atender esses gastos e vários outros associados com a doença e com sua correlata, a idade.

Surabhi Dangi-Garimella, que escreveu um artigo que me inspirou, menciona a estimativa de 18 milhões de sobreviventes de câncer em mais cinco ou seis anos, em 2022, somente nos Estados Unidos. Não sei quantos serão no Brasil, mas serão muitos e em número crescente. A American Cancer Society, mencionada acima, levantou esses problemas e calculou esses custos, publicando-os no Journal of the National Cancer Institute.

O impacto foi, como esperado, maior entre os mais jovens entre os quais há menos aposentados e mais que trabalham horários completos ou que tem, até, mais de um emprego. As consequências do câncer e os efeitos colaterais permanentes dos tratamentos, assim como a idade modal dos pacientes, faz com que os custos variem muito de câncer para câncer.

 

OS CUSTOS DO CÂNCER DEPOIS DO CÂNCER (custos anuais)

CÂNCER DO CÓLON E DO RETO

$ 8.647,00

CÂNCER DA MAMA

$ 5.119,00

CÂNCER DA PRÓSTATA

$ 3.586,00

 

O número de dias perdidos por ano também varia de câncer para câncer: no caso dos canceres coloretais 14% tiveram consequências permanentes que os impediram de trabalhar, bem mais do que os casos de câncer da mama (5%). Os sobreviventes de canceres coloretais perdem 7,2 dias de trabalho ao ano, na média; os com câncer da mama perdem 3,3 dias.

Claro está que, em países onde a responsabilidade por um indivíduo é daquele indivíduo, surge a necessidade de lidar com essas perdas. A sobre preocupação com a sobrevivência pode levar muitos a minimizar a qualidade da vida depois do câncer – não se preparam para a vida pós-câncer, não fazem seguros para as perdas que virão.

Se este artigo evitar dores e dissabores a um paciente, terá cumprido seu objetivo; se alguém se preparar para esses problemas, também. Os leitores podem alertar, no seu devido momento, pacientes, amigos e familiares sobre o fato de que o fim do câncer não significa o fim dos problemas.

Gláucio Soares  

IESP-UERJ

BOTOX CONTRA O CÂNCER?

Entre as muitas substancias e medicamentos surge uma aliada inesperada na luta contra o câncer da próstata: o botox.

É uma toxina, que tem sido aplicada contra rugas na face e na testa. Bloqueia a ação dos nervos. É por esse caminho inverossímil que enveredaram Gustavo Ayala e colegas no Health Science Center, da Universidade do Texas, em Houston. O seu caráter inesperado e promissor levou a Prostate Cancer Foundation a financiar a pesquisa.

Ultimamente houve avanços no conhecimento do que é chamado do microambiente do tumor, inclusive do suprimento de sangue. Sem sangue, as células morrem. Os tumores criam uma rede de suprimentos para seguir crescendo. Há muitos medicamentos pensados para interferir no suprimento de sangue aos tumores, com resultados variados. Alguns miram a angiogênese, a criação de vascularização para alimentar o câncer.   

Mas, e os nervos? Qual o papel deles no câncer? As pesquisas do grupo de Ayala se concentram na criação de nervos e como afetar os tumores dificultando-a. Talvez o botox possa ajudar na tarefa.  

Os primeiros resultados mostram que o botox murchou essas células num experimentos com homens antes da cirurgia. É possível que injeções de botox diretamente no tumor maximizem os efeitos da cirurgia e da radioterapia. Ayala mostrou que quando as células cancerosas invadem a capa que protege os nervos elas são muito mais difíceis de matar. A equipe demonstrou que o câncer invade os nervos e provoca a formação de novos nervos necessários para a sua expansão.

Como foi a pesquisa? Foi concentrada em pacientes com câncer bilateral e Gleason 6 ou 7. Injetaram botox em um lado e solução salina na outra. Quatro semanas mais tarde os pacientes foram operados (prostatectomia) e a próstata foi examinada. É uma pesquisa Fase I. No lado em que o botox foi injetado, as células cancerosas murcharam em comparação com o lado controle, no qual injetaram a solução salina. Mais: não houve efeito sobre a vascularização sanguínea, o que sugere que o efeito do botox foi sobre os nervos.   

Agora o grupo de Ayala quer saber qual o melhor momento para usar o botox. Claro, se tudo der certo, ainda assim faltará muito tempo até poder ser usado clinicamente.

Sem dúvida, muita criatividade.

GLÁUCIO SOARES  IESP/UERJ 

BOTOX CONTRA O CÂNCER?

Entre as muitas substancias e medicamentos surge uma aliada inesperada na luta contra o câncer da próstata: o botox.

É uma toxina, que tem sido aplicada contra rugas na face e na testa. Bloqueia a ação dos nervos. É por esse caminho inverossímil que enveredaram Gustavo Ayala e colegas no Health Science Center, da Universidade do Texas, em Houston. O seu caráter inesperado e promissor levou a Prostate Cancer Foundation a financiar a pesquisa.

Ultimamente houve avanços no conhecimento do que é chamado do microambiente do tumor, inclusive do suprimento de sangue. Sem sangue, as células morrem. Os tumores criam uma rede de suprimentos para seguir crescendo. Há muitos medicamentos pensados para interferir no suprimento de sangue aos tumores, com resultados variados. Alguns miram a angiogênese, a criação de vascularização para alimentar o câncer.   

Mas, e os nervos? Qual o papel deles no câncer? As pesquisas do grupo de Ayala se concentram na criação de nervos e como afetar os tumores dificultando-a. Talvez o botox possa ajudar na tarefa.  

Os primeiros resultados mostram que o botox murchou essas células num experimentos com homens antes da cirurgia. É possível que injeções de botox diretamente no tumor maximizem os efeitos da cirurgia e da radioterapia. Ayala mostrou que quando as células cancerosas invadem a capa que protege os nervos elas são muito mais difíceis de matar. A equipe demonstrou que o câncer invade os nervos e provoca a formação de novos nervos necessários para a sua expansão.

Como foi a pesquisa? Foi concentrada em pacientes com câncer bilateral e Gleason 6 ou 7. Injetaram botox em um lado e solução salina na outra. Quatro semanas mais tarde os pacientes foram operados (prostatectomia) e a próstata foi examinada. É uma pesquisa Fase I. No lado em que o botox foi injetado, as células cancerosas murcharam em comparação com o lado controle, no qual injetaram a solução salina. Mais: não houve efeito sobre a vascularização sanguínea, o que sugere que o efeito do botox foi sobre os nervos.   

Agora o grupo de Ayala quer saber qual o melhor momento para usar o botox. Claro, se tudo der certo, ainda assim faltará muito tempo até poder ser usado clinicamente.

Sem dúvida, muita criatividade.

GLÁUCIO SOARES  IESP/UERJ 

FUMO E CÂNCER DO PULMÃO ENTRE MULHERES AMERICANAS

A relação entre o fumo e a incidência de câncer do pulmão “aparece” num estudo sobre as mulheres nos Estados Unidos. O estado onde há, percentualmente, mais mulheres que fumam é Kentucky, com 27%. Kentucky é o estado com taxa mais alta de câncer do pulmão entre as mulheres.

O estado onde as mulheres fumam menos é Utah – menos de dez por cem. Não é de surpreender que Utah seja o estado com a taxa mais baixa de câncer do pulmão entre as mulheres.

Estatisticamente, não tem como fugir: o fumo aumenta, e muito, o risco de ter câncer do pulmão.

 

GLÁUCIO SOARES      IESP-UERJ

FUMO E CÂNCER DO PULMÃO ENTRE MULHERES AMERICANAS

A relação entre o fumo e a incidência de câncer do pulmão “aparece” num estudo sobre as mulheres nos Estados Unidos. O estado onde há, percentualmente, mais mulheres que fumam é Kentucky, com 27%. Kentucky é o estado com taxa mais alta de câncer do pulmão entre as mulheres.

O estado onde as mulheres fumam menos é Utah – menos de dez por cem. Não é de surpreender que Utah seja o estado com a taxa mais baixa de câncer do pulmão entre as mulheres.

Estatisticamente, não tem como fugir: o fumo aumenta, e muito, o risco de ter câncer do pulmão.

 

GLÁUCIO SOARES      IESP-UERJ

Adesivos contra o câncer da próstrata

 

 

 

 +
Um adesivo
Um adesivo, baseado, num princípio semelhante so que se usa no combate ao fumo poderia vir a ser usado para levar hormônios a pacientes com câncer da próstata. O adesivo fica grudado na pele. Os primeiros dados sugerem que é um procedimento tão eficientes quanto as pílulas e as injeções.  Em verdade, esse método está sendo usado experimentalmente numa pequena pesquisa para levar estrogenio (hormonio feminino) ao corpo dos pacientes.
É um procedimento semelhante ao que já é usado com os tratamentos de reposição hormonal com as mulheres. A diferença é que parece ser mais seguro. As pílulas requerem memória e determinação. Os adesivos ficam lá. Já está demonstrado que reduzem significativamente a testosterona.  GLÁUCIO SOARES      IESP-UERJ 


Leia mais: http://www.digitaljournal.com/article/345063#ixzz2MsCkJQIZ

Adesivos contra o câncer da próstrata

 

 

 

 +
Um adesivo
Um adesivo, baseado, num princípio semelhante so que se usa no combate ao fumo poderia vir a ser usado para levar hormônios a pacientes com câncer da próstata. O adesivo fica grudado na pele. Os primeiros dados sugerem que é um procedimento tão eficientes quanto as pílulas e as injeções.  Em verdade, esse método está sendo usado experimentalmente numa pequena pesquisa para levar estrogenio (hormonio feminino) ao corpo dos pacientes.
É um procedimento semelhante ao que já é usado com os tratamentos de reposição hormonal com as mulheres. A diferença é que parece ser mais seguro. As pílulas requerem memória e determinação. Os adesivos ficam lá. Já está demonstrado que reduzem significativamente a testosterona.  GLÁUCIO SOARES      IESP-UERJ 


Leia mais: http://www.digitaljournal.com/article/345063#ixzz2MsCkJQIZ