METÁSTASE ÓSSEA

Quando há poucas opções de tratamento, o tratamento antihormonal não produz resultados e o câncer atingiu os ossos – usualmente uma experiência muito dolorosa – muitos pacientes e seus amigos e parentes esperam pelo pior.

Agora surge novo tratamento para pacientes nessas condições. O nome é Syphygo (o mercado está ficando saturado de nomes estranhos, como Xtandi, Zytiga etc.).

O que é o Syphygo? É um material radioativo que vai diretamente para os ossos. A químio é despejada no corpo inteiro, embora haja pesquisas tentando direcioná-la, Syphigo mimetiza o cálcio sendo atraído para onde o câncer metastizou.

O medicamento é endovenoso e o procedimento dura poucos minutos, uma vantagem. Para os pacientes com canceres muito avançados é uma chance de viver alguns meses a mais – e melhor.

Um dos sinais dessa melhoria é uma queda no PSA. Outro é uma redução muito bem vinda no nível da dor. O tratamento pode ser mensal e durar seis meses nessa fase experimental.

Um paciente experimental, Mr. Sullivan, está satisfeito, mas não deixa de acrescentar: “eu acredito no poder da oração”.

 

GLÁUCIO SOARES    IESP-UERJ

CAI A MORTALIDADE POR CÂNCER DA PRÓSTATA NA ESCÓCIA

Os progressos no tratamento do câncer da próstata e sobrevivência aparecem nas estatísticas escocesas. Cancer Research UK (CRUK) atribui a crescente sobrevivência dos pacientes à melhores tratamentos.

Na Escócia, cerca de 2.700 homens são diagnosticados com câncer da próstata. Os diagnosticados mais recentemente se beneficiaram de tratamentos mais modernos e eficientes. O seu conjunto não constitui uma panaceia, mas a taxa das mortes por cem mil homens caiu de cerca de 29 no início da década de 90 para cerca de 24 no presente. É uma melhoria substancial, de aproximadamente vinte por cento, mas não é milagre. Reflete o tipo de progresso dos medicamentos que postergam a morte em alguns ou muitos meses, mas sem pretensão à cura.

No período estudado, entre 1990-92 e 2008-10, as taxas de morte caíram 21% na faixa “jovem”, de 45 a 54 anos de idade; 25% entre 55 e 64 anos; 29% entre 65 e 74, e 25% no grupo de idades que vai de 75 a 84. No grupo com 85 ou mais o progresso foi mínimo, talvez porque não foram tratados com terapias igualmente intensivas, talvez com receio dos efeitos colaterais, inclusive a morte.

GLÁUCIO SOARES             IESP/UERJ

Como ler dados de pesquisas sobre o câncer

É preciso saber ler dados para poder saber o que as pesquisas revelam. Ninguém nasce sabendo. É possível aprender em qualquer idade. Entre para a Escola de Dados. É grátis e em Português.

A inscrição é em

http://escoladedados.org/

 

um abraço

 

GLÁUCIO SOARES        IESP/UERJ

Anticoagulantes contra o câncer da próstata?

Caroline F. Pratz, da Johns Hopkins Sidney Kimmel Comprehensive Cancer Center em Baltimore, analisou, com seus associados, os dados de 247 pacientes com canceres que já não respondiam ao tratamento hormonal e tinham recebido químio (docetaxel) num prazo de onze anos, do início de 1998 ao início de 2010.  Buscavam conhecer o uso de anticoagulantes e seus efeitos. Cerca de 12% recebiam anticoagulantes, um tratamento frequente entre pessoas de idade, usado para DVT (deep venous thrombosis), embolias pulmonares e combinação das duas situações.

O uso de anticoagulantes se associa com maior sobrevivência. A razão de risco de morrer (por qualquer causa) era de  0,61; P = 0,024 para o conjunto dos que usavam anticoagulantes; não muito diferente dos que usavam heparina  (RR, 0,58; P = 0,048); melhor do que os que usavam warfarina  (RR, 0,82; P = 0,23), um resultado não tão bom. A sobrevivência mediana  deste grupo com canceres muito adiantados foi de 20,9 meses, quase quatro meses a mais do que os que não usavam anticoagulantes (17,1 meses). Em modelos estatisticamente mais sofisticados, controlando por outras variáveis, o uso de anticoagulantes continuava concedendo um ganho na expectativa de vida.

É importante entender que há muitos acidentes fatais com pessoas que usam anticoagulantes, que devem ser usados com receita médica e acompanhados pelo médico. Nem pensem em usá-los por conta própria e em automedicação.  

 

GLÁUCIO SOARES                 IESP-UERJ

Palestras e conferências sobre o câncer da próstata

A organização UroToday disponibilizou uma série de palestras pela internet, acessíveis no site

http://www.urotoday.com/urology-tube

São muitas palestras, pensadas para um público como nós, pacientes e nossos amigos e familiares interessados. O grande problema – um dos mais sérios da educação brasileira, em comparação com níveis semelhantes na Europa, China, Coréia e Japão, é o nosso desconhecimento de idiomas, particularmente de Inglês. Não obstante, há programas grátis que traduzem para o Português. Ainda cometem muitos erros, mas servem para dar uma boa idéia do conteúdo dos artigos.

Um abraço

GLÁUCIO SOARES                          IESP/UERJ

A Grã Bretanha aprova o uso da enzalutamide

 

Publicamos notícias esparsas sobre um novo medicamento adicionado ao arsenal contra o câncer da próstata, chamado enzalutamide. Era muito, muito caro… Perto de 25 mil libras. O preço baixou e resultados de pesquisa com perto de mil e duzentos pacientes mostraram que aumenta a sobrevivência em casos extremos deste câncer – de 13,6 para 18,4 meses. Foi aprovado pelo NHS, na Inglaterra.

 

 

É pouco? Se o paciente tiver sessenta anos para viver, é; mas estamos falando de uma população cuja esperança de vida é inferior a dois anos.

Tem mais: metade dos usuários que participaram do experimento declararam que a qualidade da vida melhorou.

É um tratamento que estará disponível para todos os britânicos já em 2014.

 

 

GLÁUCIO SOARES        IESP/UERJ


 .

O estilo de vida e o risco de morrer do câncer da próstata

 A prevenção e a cura do câncer da próstata não dependem exclusivamente de tratamento e de medicamentos. O estilo de vida conta. E muito. Uma pesquisa analisou os dados referentes a mais de 45 mil homens que foram acompanhados durante 25 anos. Definiram seis hábitos considerados importantes. Os homens que tinham cinco ou seis desses hábitos tinham um risco de desenvolver um câncer da próstata letal era 39% menor do que os que não adotaram qualquer dos hábitos, ou adotaram apenas um. Em outra pesquisa, com 21 mil homens, a redução foi de 47%. São reduções muito altas, sem o desconforto e os efeitos colaterais de muitos tratamentos.

Quais eram os hábitos?

A análise mais detalhada, que pretende ver quais os mais importantes ainda está em processo. Não obstante, alguns dos que foram identificados em estudos menores também estão presentes nessas duas pesquisas:

1.         Não fumar;

2.         Exercitar;

3.         Ter uma relação entre corpo/massa abaixo de 30 (ou seja, ser obeso pesa contra);

4.         Comer peixes (algumas espécies são mais saudáveis do que outras).

 

Convém lembrar o numero de vidas salvas. Nos Estados Unidos, um em cada seis homens foi ou será diagnosticado com câncer da próstata. Não obstante, muitos desses canceres são lentos e não matam. Requerem mais tempo para matar do que a duração normal da vida. Devido a essa característica, a maioria dos diagnosticados não morre desse câncer – acaba morrendo de outras causas, como problemas cardiovasculares ou outros canceres.

Não obstante, o câncer da próstata é tão comum que, mesmo tendo uma taxa de sobrevivência alta, é o segundo que mais mata naquele país.

Por isso, campanhas que provoquem mudanças no estilo de vida salvam muitos homens. Lembremos que os que levavam uma vida saudável tinham um risco de enfrentar um câncer letal 39% menor, numa pesquisa, e 47% em outra.

Uma das duas pesquisas mostrou que mudar a dieta é importante: os homens com uma dieta saudável – e nada mais – reduziam o risco de câncer letal em 27%; na outra pesquisa, a redução era ainda maior, 48%.

 O mesmo grupo de pesquisadores concluiu, ao examinar mais de quatro mil e quinhentos homens com um câncer da próstata inicial, que homens que cuja dieta incluía, em abundância, óleos vegetais, abacates, nozes e similares viviam mais, tinham menor risco de desenvolver um câncer mais agressivo e de morrer do câncer.

 

GLÁUCIO SOARES        IESP-UERJ