Rio: o melhor abril em 24 anos

A despeito da declaração de guerra por parte do tráfico, com o intuito de retomar os territórios perdidos, que me foi anunciada há uns três anos pelo Zeca Borges, o Estado prossegue com sua campanha vitoriosa para reduzir os homicídios. Pensem no número de vidas que seriam perdidas se continuasse o aumento das mortes por armas de fogo observado e constatado até 2003, ano em que foi promulgado o Estatuto do Desarmamento. Os problemas que enfrentamos não derivam da incompetência  e do descaso, como observamos em tantos estados brasileiros, e muito menos das UPPs, símbolos da reação do nosso Estado, mas com leis e justiça em descompasso com a realidade brasileira, que é extremamente violenta. É enorme a proporção dos que matam, roubam e assaltam que já foram presos, deveriam estar presos, mas foram 

 soltos.Em todos os estados brasileiros, a reincidência é inaceitávelmente alta

 soltos.Em todos os estados brasileiros, a reincidência é inaceitavelmente alta.
 
 
 
 
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Redução foi impulsionada pelos registros na Região Metropolitana e na Baixada Fluminense, com quedas…
CBN.GLOBORADIO.GLOBO.COM
 

ACABANDO COM O VOTO SECRETO NO LEGISLATIVO

Recebi texto de Michael Freitas Mohallem da Avaaz.org. Reproduzo resumo com modificações. O site da Avaaz merece ser visitado: http://avaaz.org/en/

Caros membros da Avaaz em todo o Brasil,

Nós conseguimos! O Congresso finalmente acabou com o voto secreto para cassação de mandatos de parlamentares. Nossa comunidade esteve por trás de cada etapa. Esta semana, o Senador xxx disse que a nossa vitória só foi possível “graças à participação da sociedade, e a Avaaz teve um papel fundamental ao levar a voz de tanta gente para o Congresso Nacional.”

É uma vitória enorme. [Os] políticos condenados ou envolvidos em esquemas de corrupção… [terão mais dificuldade em] se manter no poder por meio de acordos, chantagem e intimidação em troca de proteção. Com o voto aberto, … [dificilmente os] político[s] arriscarão sua reputação para salvar corruptos e condenados.

A luta ainda não acabou. As manobras… conseguiram evitar o voto aberto para a eleição da presidência do Senado, o que [dificultaria corruptos]… de serem eleitos.

 

 

Ainda falta!

 

GLÁUCIO SOARES

A qualidade dos dados sobre homicídios no Brasil

Em boa hora, recebi de José Maria Nóbrega – Professor e Pesquisador da UFCG – quem me lembrou desse excelente estudo do Daniel Cerqueira
 
Trabalho publicado recentemente como texto para discussão do IPEA[1] intitulado “Mapa dos Homicídios Ocultos no Brasil”, de autoria do economista Daniel Cerqueira, demonstra como boa parte das mortes violentas consideradas como “causa indeterminada” na verdade foram mortes violentas letais e intencionais. O autor utilizou o banco de dados do SIM (Subsistema de Informação de Mortalidade) do SUS (Sistema Único de Saúde) para analisar os dados de “mortes por agressão”, numa série temporal de 1996 a 2010. Para isso, foram analisadas as características socioeconômicas e situacionais associadas a cada uma das quase 1,9 milhão de mortes violentas registradas naquele período. Descobriu-se que 18,3% das mortes por “causa indeterminada”, ou 8.600 mortes, seriam de homicídios que ficaram ocultos nas cifras oficiais dos dados do sistema de saúde. Os cálculos estatísticos e econométricos executados por Cerqueira mostraram ainda que o crescimento substancial da taxa de homicídios em muitos estados brasileiros, com particular destaque para a região Nordeste, na verdade não ocorreram, pois os índices oficiais foram conduzidos pela diminuição da subnotificação, resultado da melhoria do processo de catalogação dos dados no Nordeste. Contudo, verificou-se preocupante aumento das mortes violentas cuja intenção não foi determinada em alguns estados brasileiros, com destaque para Rio de Janeiro; Bahia; Rio Grande do Norte; Pernambuco; Roraima; Minas Gerais e São Paulo. O foco desta análise será o estado de Pernambuco, sobretudo no período entre 2007 e 2010, período este onde o governo daquele estado implementou um programa de segurança pública específico, o Pacto Pela Vida (PPV), que visava reduzir os homicídios no Estado em 12% ao ano.
Os homicídios ocultos são todas as mortes que, a priori, eram consideradas mortes violentas por “causa indeterminada”. Esta acontece quando o sistema de saúde pública local não consegue identificar a causa primeira que levou ao processo mórbido (Cerqueira, 2013: p. 7).
“Nos países desenvolvidos, a morte violenta indeterminada é um fenômeno atípico. No Brasil, contudo, em 2010, cerca de 10,3% do total destas mortes foram assim classificadas, revelando uma grave disfuncionalidade no sistema de produção de informações sobre os óbitos violentos” (idem, 7).
A presente análise busca destacar os dados analisados por Cerqueira (2013) para o caso de Pernambuco em específico. Para tal, inicialmente detalharemos a metodologia utilizada por este autor para trabalhar os dados de Homicídios Ocultos (HOs) e como se chegou a definir esta variável. Numa outra seção analisaremos os dados de Pernambuco dos HOs em relação aos dados de Homicídios oficiais registrados pelo mesmo banco de dados utilizado por Cerqueira (2013). Por fim, a conclusão com os principais resultados alcançados.
 
Metodologia do estudo de Cerqueira (2013)
 
Como frisei na introdução, Cerqueira (2013) utilizou o banco de dados do SIM para efetivar seu estudo sobre os Homicídios Ocultos (HOs).
“O SIM foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde (MS) em 1975 e informatizado em 1979. Em 1991, com a implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) e a subjacente premissa de descentralização, a coleta de dados foi repassada à atribuição dos estados e municípios, por meio das suas respectivas secretarias de saúde. Até 1995, o SIM adotou a 9ª Revisão da Classificação de Doenças (CID-9) quando, a partir daí, empregou-se a Classificação Internacional de Doenças (CID-10)” (p. 08).
O trabalho concentrou-se nas mortes não naturais por causas externas, com foco especial nas mortes violentas por acidente ou morte suspeita (indeterminada) que o autor utilizou como proxy para os HOs.
Estas mortes chegam a ser classificadas como “morte violenta indeterminada” quando o preenchimento da declaração de óbito (DO) por parte do médico legista não é esclarecedor. Daí, quando a DO chega às secretarias de saúde e os codificadores não tem informações suficientes para compor o cadastro, coloca a morte como indeterminada, dependendo, desde aquele momento, recorrer ao IML[2] para ter acesso ao laudo de exame cadavérico e mais informações junto à polícia civil.
Incidentes onde a causa básica do óbito não é clara, a informação junto à polícia é crucial. Contudo, há várias dificuldades em ter este acesso junto àquela instituição coercitiva (CERQUEIRA, 2013: p. 09).
Cerqueira analisou os óbitos violentos analisando as características socioeconômicas das vítimas. Essas características ligadas a raça/cor da pele e ao nível de escolaridade. As mortes violentas por causas externas foram classificadas em quatro categorias:
1.     Determinada não resultante de agressões, que corresponde à união dos incidentes ocasionados por acidentes e suicídios;
2.     Homicídios ou agressões;
3.     Indeterminada;
4.     Outros óbitos.
Na categoria “indeterminada” – foco de nossa análise – Cerqueira classificou segundo os instrumentos do possível incidente:
1.     Perfurante – mortes ocasionadas por objetos perfurantes ou cortantes;
2.     Contundente – mortes ocasionadas por objetos como paus, pedras e outros, o que pode provocar a morte sob várias ações, como golpe, pancada, pontapé e mordedura;
3.     Enforcamento – agregando também os estrangulamentos;
4.     Fogo – óbitos ocasionados por inalação de fumaça por consequência do fogo e incêndio;
5.     Envenenamento – ingestão de uma grande variedade de substâncias, como álcool, drogas psicoativas, medicamentos, solventes et cetera;
6.     Perfuração por arma de fogo – PAF.
No texto original, Cerqueira despreza as mortes que não foram catalogadas oficialmente pelo banco de dados do SIM. No que se referem à qualidade da informação produzida em cada unidade federativa, duas métricas foram consideradas na metodologia de análise: 1. O índice de mortes violentas indeterminadas e 2. A proporção de informações socioeconômicas e situacionais não preenchidas[3] (p. 14).
Os dados de mortes indeterminadas foram avaliados em termos de taxas por cada grupo de 100 mil habitantes. As duas variáveis analisadas para averiguar os HOs foram a causa definida da morte e os dados socioeconômicos (sexo, idade, raça, estado civil e grau de escolaridade da vítima).
Dos 1.898 milhões de assassinatos ocorridos entre 1996 e 2010, o Estado não conseguiu definir a causa básica da mortalidade em 174.233 homicídios. O que corresponde a 9,18% dos casos. Nas estatísticas trabalhadas, os estados foram divididos em três categorias classificados pela qualidade dos dados. O primeiro grupo de estados com menor prevalência de mortes indeterminadas foram: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Piauí, Paraná, Santa Catarina e Tocantins. O segundo grupo de estados numa zona intermediária de dados de mortes indeterminadas foram: Ceará, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Rondônia e Sergipe. E o terceiro grupo dos estados com maiores índices de mortes indeterminadas foram: Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Roraima e São Paulo. Em Pernambuco, a piora dos dados se apresentou nos últimos anos da série histórica.
Em Pernambuco há altas taxas de mortes indeterminadas com baixas taxas de desconhecimento sobre o instrumento utilizado na morte, com os dados se deteriorando a partir de 2007[4]. Os dados de Pernambuco são elencados abaixo e serão, em seção específica, comparados com os dados determinados pelo SIM. (Cf. Quadro 1).
 
Quadro 1. Taxa de mortes indeterminadas por 100 mil habitantes em Pernambuco (2000-2010)[5]
 
Fonte: MS/SVS/Dasis/SIM. Taxas calculadas por Cerqueira (2013).
 
Resultados da análise em relação ao Estado de Pernambuco
 
Os dados de homicídios ocultos e homicídios registrados em Pernambuco serão analisados separadamente nesta seção. Os indicadores mostram que as taxas de mortes indeterminadas são crescentes em Pernambuco entre 2000 e 2010 e que esse crescimento refletiu no quantitativo de homicídios ocultos em relação aos homicídios registrados oficialmente pelo Sistema de Informação de Mortalidade (SIM. Cf. gráfico 1).
 
Gráfico 1. Taxa de mortes indeterminadas como proporção do total de mortes por causas externas em Pernambuco (2000-2010)
 
 
 
Fonte: MS/SVS/Dasis/SIM. Taxas calculadas por Cerqueira (2013).
 
O gráfico 2 mostra as taxas de homicídios em Pernambuco e a queda dos dados, com destaque para o período 2007-2010. Justamente neste período de redução há um incremento nos números absolutos de homicídios ocultos. Conforme pode ser visto no Quadro 2.
 
Gráfico 2. Taxas de homicídios em Pernambuco (2000-2010)
 

 

 
Fonte: SIM. Cálculo das taxas do autor.
 
 
Quadro 2. Número de homicídios ocultos em Pernambuco x Número de homicídios registrados em Pernambuco; soma dos HOs com os HRs e a diferença percentual (2000-2010)
 
 
 
Fonte: MS/SVS/Dasis/SIM. Cerqueira (2013). Elaborado pelo autor.
 
O crescimento percentual dos HOs ocorre de forma mais expressiva nos anos de 2007 (8%), 2008 (9,3%), 2009 (12%) e 2010 (14,3%). Nesse período, a redução nas taxas de homicídios em Pernambuco foi de 4,3% na relação 2007 (taxa de 53,03/100 mil) 2008 (50,88/100 mil), menos 11,6% na relação 2008/2009 (taxa de 44,96/100 mil) e menos 12,3% na relação 2009/2010 (taxa de 39,44/100 mil). Percentual próximo dos dados de HOs, o que pode, praticamente, zerar o processo de redução dos crimes de homicídios.
 
Gráfico 3. Crescimento percentual dos homicídios ocultos em relação aos homicídios registrados em Pernambuco (2000-2010)
 
 
 
Fonte: SIM. Cálculos percentuais dos HOs do autor.
 
O percentual de homicídios ocultos cresceu em Pernambuco entre 2000 e 2010. O período de 2007 a 2010– que coincide com o início do PPV – foi o mais expressivo. Em 2010 a diferença percentual entre HOs e HRs foi de mais de 14%.
 
Conclusão
 
O estudo analisado demonstra que houve variações em torno dos ditos Homicídios Ocultos no Brasil, sobretudo nos últimos anos da série histórica (2007-2010). Alguns estados apresentaram diminuição dos HOs o que resultaria numa diferença impactante nos dados oficiais de homicídios (HRs).
“Segundo registros oficiais, o número de homicídios no Rio Grande do Norte, no Rio de Janeiro e na Bahia teria aumentado 3%, 5,6% e 7,8%, respectivamente, as estimativas deste trabalho indicaram que a variação foi de -19,4%, -20,6% e -6,3%. Ou seja, a diminuição do número de mortes violentas indeterminadas – e de HOs – que ocorreu em 2010 terminou por esconder uma queda notável no número de homicídios que houve nestes estados, nesse último ano” (CERQUEIRA, 2013: 38).
Já em outros estados, como em Pernambuco, ocorreu o inverso. O crescimento dos HOs ligado à qualidade dos dados de mortes “indeterminadas”, “mascarou” os dados na realidade. Como foi visto no decorrer do texto, o nível de Pernambuco esteve entre os mais altos da análise. Em 2010, por exemplo, a estimativa de HOs no referido Estado foi de 14% dos dados de mortes indeterminadas, enquanto neste mesmo ano a redução nas taxas de homicídios em relação a 2009 foi de 12,3%.
A presente análise nos faz refletir sobre a realidade da violência no Estado de Pernambuco. A qualidade da informação vem se deteriorando o que reflete no crescimento de mortes “indeterminadas” e, por sua vez, na transparência dos dados oficiais. O Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) para Pernambuco vem apresentando maior número de mortes sem informação detalhada. Oaccountability diminui quando os dados pioram e as estatísticas terminam por não trazer a realidade fazendo com que a gestão pública seja questionada, ou seja, que o PPV seja questionado na sua capacidade de reduzir homicídios.
 
Referência bibliográfica:
 
CERQUEIRA, Daniel (2013). Mapa dos Homicídios Ocultos no Brasil. Texto para Discussão 1848. IPEA. Rio de Janeiro.


[1] Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.
[2] Instituto de Medicina Legal.
[3] As informações socioeconômicas são preenchidas na Tabela 6 do original em um modelo de regressão logística. Segundo este modelo, quando a informação é “ignorada” pelo sistema esta está associada a alguma característica que possui alto conteúdo informacional, já que está sempre associada a um forte e positivo efeito sobre a probabilidade de a vítima ter sofrido homicídio. Por exemplo, quando o sexo da vítima é ignorado, isto contribui para aumentar 19,5 pontos percentuais (p.p.) a probabilidade de a vítima ter sofrido homicídio, em relação de a vítima ser do sexo feminino. Quando o indivíduo é de cor preta ou parda nas mortes ditas indeterminadas, há uma probabilidade de 7,5 p.p. de ter sido vítima de homicídio em relação ao de cor branca (CERQUEIRA, 2013: 30).
[4] Justo no início do Pacto Pela Vida, plano de segurança pública do Governo de Pernambuco  que tem a meta de reduzir os homicídios em 12% ao ano.
[5] No trabalho original, Cerqueira (2013) traz os dados de 1996 a 2010, aqui vou me deter nos dados de 2000 a 2010.




Postado por José Maria Nóbrega no Democracia, Autoritarismo, Semidemocracia e Instituições em 10/28/2013 10:54:00 AM

Segurança Pública e Segurança Nacional: breve história e diferenças

 Na Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP), há uma área temática, Segurança pública e segurança nacional, cujos coordenadores são  Gláucio Soares, IESP-UERJ, e Jorge Zaverucha, UFPE. Na Associação Latino-Americana de Ciência Política (ALACIP), há um Grupo de Pesquisa dedicado à mesma área temática. Nas duas associações há propostas de separação das duas. A descrição da Área Temática na ABCP descreve as conexões entre essas subáreas:

Resumo: A Segurança Pública e a Segurança Nacional estiveram juntas durante a ditadura, sendo a segunda dominante. A Polícia Militar dos diversos estados foi colocada na posição de Força Auxiliar do Exército. Após 1985, foi trabalhoso convencer os militares, e parte da população, de que elas são coisas diferentes e que a formação militar não prepara os militares para exercer funções de polícia. O aumento da violência na sociedade civil tornou claro que crime e violência eram áreas de interesse público e o êxito de alguns governos (municipais, estaduais e federais) mostrou que havia políticas públicas que poderiam reduzir o crime e os homicídios. Com isso, um número crescente de governos contratou pessoas com treinamento na área de segurança publica e disciplinas conexas, como a Criminologia, a Sociologia e a Ciência Política. Cresceu o interesse e foi criado o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, já em seu sétimo Encontro, com organização e site (www.forumseguranca.org.br). A necessidade de demonstrar que políticas públicas adotadas eram exitosas gerou a necessidade de usar instrumentos rigorosos de avaliação. Essa área cresceu, se diversificou, e os programas de segurança pública passaram a integrar programas de governo e a contribuir para a eleição ou derrota de candidatos ao governo dos estados. O distanciamento em relação à Segurança Nacional, inicialmente política e intencional, passou a ser espontâneo. A Segurança Pública incorporou, como em outros países, outras áreas de atividade (como as mortes violentas, a segurança no trânsito etc.) e, com isso, já dispõe de um volume de temas e seus especialistas que justificam a sua transformação em uma área temática de direito próprio.

Justificativa: O título “Segurança Pública e Segurança Nacional” expressa a subsunção da primeira à segunda, como estabelecido pela Lei de Segurança Nacional, compreensível durante a ditadura. Desde então, parte importante do conteúdo da Segurança Nacional foi encampada pelas Relações Internacionais no que se refere a assuntos ligados à Defesa Nacional (pré-sal, guerra cibernética, fronteiras, outros). As manifestações de junho de 2013 reforçaram a convicção de que o tema central deveria ser “Segurança Pública e Democracia”, o verdadeiro sentido dos debates desta AT. Cada vez mais a cidadania contesta as imperfeições da democracia brasileira e suas ações são definidas e divulgadas sob o prisma da segurança pública. 

 

Gláucio Soares, IESP-UERJ, e Jorge Zaverucha, UFPE.

 

Visite os sites das duas organizações:

http://www.cienciapolitica.org.br/

http://alacip.org/

 

 

Estatinas contra o câncer da próstata: mais detalhes

As estatinas são uma classe de medicamentos usados para baixar o colesterol. Uma pesquisa analisou o uso de estatinas para ver se altera o curso do câncer da próstata. Tinha três metas: ver se haveria um diagnóstico de câncer; ver se haveria retorno do câncer (fracasso bioquímico, ou a volta do PSA) e ver se afetaria o risco de morte por câncer da próstata (e não de morte incluindo todas as causas).  

Analisaram cerca de mil pacientes que foram diagnosticados de 2002 a 2005 no King County, Washington. O uso das estatinas foi estimado quando os pacientes foram diagnosticados através de entrevistas pessoais. O desenvolvimento do câncer foi acompanhado através de um acompanhamento através de survey e dos registros do SEER, uma subdivisão estatística no Instituto Nacional do Câncer nos Estados Unidos.

Sem controlar outras variáveis, os que usaram estatinas tinham um risco de 1% de morrer deste câncer em dez anos, em contraste com 5% dos que não usaram estatinas. Numa análise multivariada, com vários controles, os que usaram estatinas não tinham um risco muito diferente de que o câncer voltasse (fracasso bioquímico), nem de morrer de outras causas, mas tinham um risco significativamente menor de morrer devido ao câncer da próstata. A razão de risco era de 0,19.

 

 

GLÁUCIO SOARES       IESP-UERJ

Estatinas contra o câncer da próstata: mais detalhes

As estatinas são uma classe de medicamentos usados para baixar o colesterol. Uma pesquisa analisou o uso de estatinas para ver se altera o curso do câncer da próstata. Tinha três metas: ver se haveria um diagnóstico de câncer; ver se haveria retorno do câncer (fracasso bioquímico, ou a volta do PSA) e ver se afetaria o risco de morte por câncer da próstata (e não de morte incluindo todas as causas).  

Analisaram cerca de mil pacientes que foram diagnosticados de 2002 a 2005 no King County, Washington. O uso das estatinas foi estimado quando os pacientes foram diagnosticados através de entrevistas pessoais. O desenvolvimento do câncer foi acompanhado através de um acompanhamento através de survey e dos registros do SEER, uma subdivisão estatística no Instituto Nacional do Câncer nos Estados Unidos.

Sem controlar outras variáveis, os que usaram estatinas tinham um risco de 1% de morrer deste câncer em dez anos, em contraste com 5% dos que não usaram estatinas. Numa análise multivariada, com vários controles, os que usaram estatinas não tinham um risco muito diferente de que o câncer voltasse (fracasso bioquímico), nem de morrer de outras causas, mas tinham um risco significativamente menor de morrer devido ao câncer da próstata. A razão de risco era de 0,19.

 

 

GLÁUCIO SOARES       IESP-UERJ

Os homicídios explodem em Campina Grande

Recebi de J. Nóbrega Jr.:

 

A onda de violência registrada em Campina Grande nos primeiros quatro meses de 2013 assusta, e tem deixado a população apreensiva e com um sentimento de insegurança. Dados fornecidos pela Delegacia de Homicídios da cidade, revelam que o numero de crimes de morte registrados em Campina Grande aumentou mais de 30% em relação ao ano passado. Enquanto em abril de 2013 foram registrados 56 homicídios, este ano a PC já registrou 75 assassinatos. Nos últimos cinco anos, mais de 700 pessoas foram assassinadas na cidade por inúmeros motivos.

A policia acredita que a maioria dos crimes está relacionada ao tráfico de drogas e alguns, ocorrem por motivos banais, principalmente, nos finais de semana. As autoridades argumentam que nos finais de semana o consumo de drogas ilícitas na cidade aumenta bastante. A delegada Cassandra Duarte observou que alguns dos homicídios deste ano ocorreu devido à discussões familiares ou briga surgida em mesa de bar.

Ela explicou que a falta de uma cultura de paz nos lares de campina grande está ocasionando mortes violentas. Para a delegada de Homicídios de Campina Grande, Cassandra Guimarães, a maioria dos crimes que aconteceu no município foram motivados por relações interpessoais, quando há uma rixa, motivo de vingança e cobrança de dívida. “Mesmo tendo forte atuação na cidade, o tráfico de drogas aparece nessas estatísticas como pano de fundo na prática desses homicídios. O que leva uma pessoa a cometer um crime são mais as discussões, que em muitos casos, são por motivo fútil”, afirmou.

Outra preocupação dos órgãos de segurança e que também é um dos principais fatores para a prática de assassinatos na cidade é o alto índice de pessoas que andam armadas e encontram facilidade para comprar armas de fogo. “Precisaríamos um trabalho mais social para que esses jovens fossem desarmados, isso ajudaria em muito a diminuição nos casos de homicídio. Teríamos que combater o mal na fonte e coibir de vez a venda de armas”, enfatizou a delegada.

Entre os bairros mais violentos da Rainha da Borborema, onde aconteceram mais homicídios entre 2006 e 2013, a Polícia Civil apontou o José Pinheiro, Pedregal, Bodocongó, Centro e o distrito de São José da Mata. Um destaque nesses números é o aumento de crimes cometidos no Centro da cidade. Considerado por muitos, como lugar de muita movimentação e merecimento de maior atenção por parte das forças policiais, já que se caracteriza como área comercial, onde inclui bancos e lojas, o Centro de Campina Grande se apresentou nesses últimos cinco anos com um elevado número de homicídios.

Ainda segundo a polícia, grande parte dos homicídios tem relação com o tráfico de drogas e envolvimento das vítimas na marginalidade. A sensação de insegurança da população aumenta devido ao fato de que em apenas cinco mortes foram apontados os acusados.

Para o delegado adjunto de homicídios Francisco de Assis, a maioria das mortes tem relação com o tráfico de drogas. Hoje, a Delegacia especializada nos crimes contra a vida trabalha com 18 agentes de investigação e com três delegados, Cassandra Guimarães (titular) e Francisco Assis da Silva (adjunto), Mayra Cavalcanti e dois escrivães.

O cientista político e professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), José Maria Nóbrega aponta vários fatores para esse aumento de homicídios na cidade, que é considerada de médio porte. Mesmo tendo uma melhoria no âmbito socioeconômico, reduzindo, assim, a pobreza e a desigualdade, o aumento da renda familiar e a fragilidade das instituições de coerção terminaram contribuindo para esse alto índice de assassinatos nos últimos anos. “Se não melhorar a qualidade da polícia e implantar mais políticas públicas, essa tendência só tende a crescer”, afirmou. O levantamento “Mapa da Violência 2013 – Mortes Matadas por Armas de Fogo”, feito pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos, demonstra que os estados que apresentaram as maiores taxas de óbitos por armas de fogo a cada 100 mil habitantes foram Alagoas, Espírito Santo, Pará, Bahia, Paraíba e Pernambuco, nessa ordem. A Paraíba está entre os cinco estados que mais sofreram com o aumento da violência na década, sendo que Campina Grande e João Pessoa são apontadas como as cidades mais violentas do Estado.

PBAgora