Estatinas contra o câncer da próstata: mais detalhes

As estatinas são uma classe de medicamentos usados para baixar o colesterol. Uma pesquisa analisou o uso de estatinas para ver se altera o curso do câncer da próstata. Tinha três metas: ver se haveria um diagnóstico de câncer; ver se haveria retorno do câncer (fracasso bioquímico, ou a volta do PSA) e ver se afetaria o risco de morte por câncer da próstata (e não de morte incluindo todas as causas).  

Analisaram cerca de mil pacientes que foram diagnosticados de 2002 a 2005 no King County, Washington. O uso das estatinas foi estimado quando os pacientes foram diagnosticados através de entrevistas pessoais. O desenvolvimento do câncer foi acompanhado através de um acompanhamento através de survey e dos registros do SEER, uma subdivisão estatística no Instituto Nacional do Câncer nos Estados Unidos.

Sem controlar outras variáveis, os que usaram estatinas tinham um risco de 1% de morrer deste câncer em dez anos, em contraste com 5% dos que não usaram estatinas. Numa análise multivariada, com vários controles, os que usaram estatinas não tinham um risco muito diferente de que o câncer voltasse (fracasso bioquímico), nem de morrer de outras causas, mas tinham um risco significativamente menor de morrer devido ao câncer da próstata. A razão de risco era de 0,19.

 

 

GLÁUCIO SOARES       IESP-UERJ

Estatinas contra o câncer da próstata: mais detalhes

As estatinas são uma classe de medicamentos usados para baixar o colesterol. Uma pesquisa analisou o uso de estatinas para ver se altera o curso do câncer da próstata. Tinha três metas: ver se haveria um diagnóstico de câncer; ver se haveria retorno do câncer (fracasso bioquímico, ou a volta do PSA) e ver se afetaria o risco de morte por câncer da próstata (e não de morte incluindo todas as causas).  

Analisaram cerca de mil pacientes que foram diagnosticados de 2002 a 2005 no King County, Washington. O uso das estatinas foi estimado quando os pacientes foram diagnosticados através de entrevistas pessoais. O desenvolvimento do câncer foi acompanhado através de um acompanhamento através de survey e dos registros do SEER, uma subdivisão estatística no Instituto Nacional do Câncer nos Estados Unidos.

Sem controlar outras variáveis, os que usaram estatinas tinham um risco de 1% de morrer deste câncer em dez anos, em contraste com 5% dos que não usaram estatinas. Numa análise multivariada, com vários controles, os que usaram estatinas não tinham um risco muito diferente de que o câncer voltasse (fracasso bioquímico), nem de morrer de outras causas, mas tinham um risco significativamente menor de morrer devido ao câncer da próstata. A razão de risco era de 0,19.

 

 

GLÁUCIO SOARES       IESP-UERJ

Trombose profunda: tenho que viajar. E agora?

O que é a Deep Vein Thrombosis (DVT)? É para ficar preocupad@?

É um coágulo sanguíneo em uma veia profunda, usualmente na perna. O perigo deriva do risco do coágulo se soltar e viajar pelo sistema sanguíneo. Pode impedir o fluxo de sangue para os pulmões, o que configura a embolia pulmonar. É ameaça à vida e tem que ser tratada.

As viagens longas aumentam o risco de DVT.  

Por quê?

Sentar durante quatro horas ou mais reduz a circulação nas pernas o que, por sua vez, aumenta o risco de formar coágulos.

E você tem que fazer uma viagem…

O que fazer?

Repito as instruções que recebo:

Levante e caminhe um pouco cada hora ou, se possível, cada meia hora. Se estiver viajando de carro, pare num lugar seguro, ande um pouco e alongue um pouco;

Quando estiver sentado, levante e abaixe os dedos do pé, deixando o calcanhar no chão. Faça a mesma coisa com o calcanhar, deixando os dedos no chão. Fique alavancando os pés para cima e para baixo e para os lados. Faça isso várias vezes cada vinte minutos. Dá para fazer numa cadeira de avião. Também dá para esticar as pernas, trabalhando-as;

Beba muitos líquidos, mas não alcoólicos nem cafeinados.

Use roupas soltas e  não roupas apertadas na cintura ou nas pernas;

O seu estilo de vida altera o risco de trombose.

Se você se exercitar de maneira regular, o risco diminui. Nadar, andar, andar de bicicleta (inclusive ergométrica) são boas dicas. Se der, faça um pouco todos os dias. Meia hora já ajuda muito;

Meu Deus, pare de fumar. Só faz mal e faz muito mal;

Verifique a sua pressão com regularidade. Fale com seu cardiologista, seu clínico geral para ver como tirar a pressão de maneira regular, informando-o;

Se você já tem problema de pressão alta, histórico pessoal ou familiar de problemas nessas áreas, o médico talvez recomende um anti-coagulante ou meias de compressão. Eu que tive problemas sérios nessa área, tomo esses remédios regularmente (acompanhado pelo cardiologista) e uso meias de compressão quando viajo por algum tempo.

 

É isso. Lembre-se que a pessoa mais importante para manter uma vida saudável é você.

 

 

GLÁUCIO SOARES                IESP-UERJ  

Trombose profunda: tenho que viajar. E agora?

O que é a Deep Vein Thrombosis (DVT)? É para ficar preocupad@?

É um coágulo sanguíneo em uma veia profunda, usualmente na perna. O perigo deriva do risco do coágulo se soltar e viajar pelo sistema sanguíneo. Pode impedir o fluxo de sangue para os pulmões, o que configura a embolia pulmonar. É ameaça à vida e tem que ser tratada.

As viagens longas aumentam o risco de DVT.  

Por quê?

Sentar durante quatro horas ou mais reduz a circulação nas pernas o que, por sua vez, aumenta o risco de formar coágulos.

E você tem que fazer uma viagem…

O que fazer?

Repito as instruções que recebo:

Levante e caminhe um pouco cada hora ou, se possível, cada meia hora. Se estiver viajando de carro, pare num lugar seguro, ande um pouco e alongue um pouco;

Quando estiver sentado, levante e abaixe os dedos do pé, deixando o calcanhar no chão. Faça a mesma coisa com o calcanhar, deixando os dedos no chão. Fique alavancando os pés para cima e para baixo e para os lados. Faça isso várias vezes cada vinte minutos. Dá para fazer numa cadeira de avião. Também dá para esticar as pernas, trabalhando-as;

Beba muitos líquidos, mas não alcoólicos nem cafeinados.

Use roupas soltas e  não roupas apertadas na cintura ou nas pernas;

O seu estilo de vida altera o risco de trombose.

Se você se exercitar de maneira regular, o risco diminui. Nadar, andar, andar de bicicleta (inclusive ergométrica) são boas dicas. Se der, faça um pouco todos os dias. Meia hora já ajuda muito;

Meu Deus, pare de fumar. Só faz mal e faz muito mal;

Verifique a sua pressão com regularidade. Fale com seu cardiologista, seu clínico geral para ver como tirar a pressão de maneira regular, informando-o;

Se você já tem problema de pressão alta, histórico pessoal ou familiar de problemas nessas áreas, o médico talvez recomende um anti-coagulante ou meias de compressão. Eu que tive problemas sérios nessa área, tomo esses remédios regularmente (acompanhado pelo cardiologista) e uso meias de compressão quando viajo por algum tempo.

 

É isso. Lembre-se que a pessoa mais importante para manter uma vida saudável é você.

 

 

GLÁUCIO SOARES                IESP-UERJ  

Ser gordo aumenta o risco de câncer da próstata mesmo depois de biópsia negativa

Vamos examinar apenas os homens que fizeram uma biópsia da próstata e que, naquele momento, os resultados foram negativos – negativos: não há câncer. São quinhentos pacientes. Vamos acompanhar esses homens por 14 anos, mas antes vamos separa-los de acordo com o grau de obesidade.

Nesse período, quantos desenvolveram câncer? Onze por cento.

Quantos em cada grupo? O grau de obesidade influencia a probabilidade de vir a desenvolver um câncer (ou de revelar um câncer que já estava lá)?

Essa é a pergunta feita por Andrew Rundle, professor de epidemiologia na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Rundle sabia que outros fatores influenciavam o risco de ter câncer da próstata, como cor da pele, história de câncer na família, idade, se fuma ou fumou etc. Esses fatores devem ser controlados em qualquer pesquisa. E o foram.

E aí? Qual o impacto da obesidade? A obesidade aumentou em 57% o risco de que esse câncer aparecesse e fosse diagnosticado durante os quatorze anos de acompanhamento.

É interessante notar que essa associação só vale para os canceres que surgiram nos primeiros anos e não no final do período. Ninguém sabe o porquê.

Mais uma pesquisa que demonstra que é alto o custo da obesidade!

 

Leia mais: Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention de 23 de abril.

 

GLÁUCIO SOARES       IESP-UERJ

Ser gordo aumenta o risco de câncer da próstata mesmo depois de biópsia negativa

 

Vamos examinar apenas os homens que fizeram uma biópsia da próstata e que, naquele momento, os resultados foram negativos – negativos: não há câncer. São quinhentos pacientes. Vamos acompanhar esses homens por 14 anos, mas antes vamos separa-los de acordo com o grau de obesidade.

Nesse período, quantos desenvolveram câncer? Onze por cento.

Quantos em cada grupo? O grau de obesidade influencia a probabilidade de vir a desenvolver um câncer (ou de revelar um câncer que já estava lá)?

Essa é a pergunta feita por Andrew Rundle, professor de epidemiologia na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Rundle sabia que outros fatores influenciavam o risco de ter câncer da próstata, como cor da pele, história de câncer na família, idade, se fuma ou fumou etc. Esses fatores devem ser controlados em qualquer pesquisa. E o foram.

E aí? Qual o impacto da obesidade? A obesidade aumentou em 57% o risco de que esse câncer aparecesse e fosse diagnosticado durante os quatorze anos de acompanhamento.

É interessante notar que essa associação só vale para os canceres que surgiram nos primeiros anos e não no final do período. Ninguém sabe o porquê.

Mais uma pesquisa que demonstra que é alto o custo da obesidade! Outras pesquisas já demonstraram que a obesidade aumenta o risco de cinco cânceres: cólon, rins, esôfago, endométrio (do útero) e da mama depois da menopausa.

 Leia mais: Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention de 23 de abril.

 

GLÁUCIO SOARES       IESP-UERJ

 

Você pode lutar contra o câncer da próstata

Na luta contra o câncer da próstata é comum termos uma sensação de impotência, de que não há nada que possamos fazer como indivíduos. Seríamos expectadores de um embate entre médicos, medicamentos, hospitais, testes e câncer.

Mas há. A Síndrome Metabólica depende de nós. São conhecidos fatores de risco que aumentam o risco de derrames, de doença coronária, de diabetes (tipo 2). Quando esses fatores ocorrem juntos, temos a Síndrome Metabólica, SM. 

Infelizmente, é cada vez mais comum em muitos, muitos países, inclusive no Brasil. Pode ter uma ou muitas causas, mas todas estão vinculadas à obesidade, algo que o paciente pode controlar. Nem sempre é fácil, particularmente quando os medicamentos que o paciente toma produzem fadiga. A escolha, infelizmente, é obrigatória: ou se exercita, “contra viento y marea”, e controla o peso ou o risco de vários fatores vinculados ao câncer aumenta.

E quais são os fatores de risco para a própria Síndrome Metabólica?

Ter excesso de peso, cuja distribuição conta: peso na barriga, de maneira que seu corpo tem forma de pera, é o pior indicador.

O segundo fator mais importante é a resistência à insulina, que controla quanto açúcar temos no corpo. Se ela não funciona bem, aumenta o açúcar no sangue e a gordura no corpo.

A idade se relaciona com a Síndrome Metabólica. Quanto mais velhos, menos exercício, as vezes maior desleixo na dieta e na atividade física.

A falta de exercício por si só é um fator de risco para a SM. Algumas mudanças hormonais, sejam decorrência da idade ou do tratamento hormonal, conspiram para aumentar a SM e há fatores genéticos jogando um importante papel.

Há dois problemas que podem caracterizar a Síndrome Metabólica ou torna-la mais grave: uma coagulação excessiva e níveis altos de substâncias que indicam inflamação no seu corpo.

Tenho ou não tenho SM?

Os médicos americanos, acostumados a trabalhar com indicadores e escalas, definem a SM a partir de sinalizadores. Três ou mais sinalizadores indicam SM:

1. Pressão sanguínea igual ou maior do que 130/85 mmHg;

2. Açúcar (glucose) no sangue. Quando em jejum, não deve chegar a 100 mg/dL;

3. A barriga, medida como se usássemos um cinto, não deve chegar a 40 polegadas, ou 101,6 centímetros, no caso de homens, ou 35 polegadas, o mesmo que 88,9 centímetros, no caso de mulheres. Se chegar, conta ponto para a SM;

4. Se os triglicerídeos chegarem a 150 mg/dL, também conta ponto;

5. O “bom” colesterol (HDL) não deve ser baixo: se for abaixo de 40 mg/dL para homens u 50 mg/dL para mulheres, também conta ponto.

 

Três ou mais desses indicadores definem você como tendo a Síndrome Metabólica. Esses indicadores se correlacionam, mas não tanto. Há pressão alta sem barriga e vice-versa; há glucose alta sem HDL baixo e assim por diante.

Por que escrevi este post?

Por duas razões: entre os pacientes de câncer da próstata, a SM faz muita diferença. Tomemos uma dos principais indicadores da virulência do câncer: o escore Gleason. A razão de risco entre os pacientes que tinham SM e os que não tinham era de 1,44 (os caracterizados como tendo SM tinham Gleason mais alto); essa  mesma razão no caso de canceres avançados era de 1,37 e no que concerne a “volta” do PSA, chamado também de fracasso bioquímico, a razão de risco era de 2,06 – mais do que dobrava o risco de ver que o câncer não fora curado. Outros parâmetros que medem a agressividade ou o avanço do câncer variam com a SM.

A segunda razão é que está dentro no nosso alcance controlar esses fatores, ficar abaixo da Síndrome Metabólica. Acreditem, eu sei como é difícil fazer isso, particularmente quando fazemos tratamento (anti)hormonal. Porém, é possível. Exige, sim, muito esforço e dedicação, mas é uma das poucas coisas sobre as quais podemos ter controle físico. As entravas são psicológicas e culturais.

É possível combater a besta. Só depende de nós.

Leia mais:

Xiang YZ, Xiong H, Cui ZL, Jiang SB, Xia QH, Zhao Y, Li GB, Jin XB., em J Exp Clin Cancer Res. 2013 Feb 13;32(1):9.

 

GLÁUCIO SOARES                    IESP-UERJ