OS ASPECTOS COGNITIVOS E DE SAÚDE MENTAL DOS SOBREVIVENTES DE DERRAMES E AVC’S SÃO POUCO ESTUDADOS

Na opinião dos que estudam derrames, é muito importante estudar as sequelas dos pacientes que sobrevivem a um derrame, um AVC, sobretudo as cognitivas e as que se relacionam com a saúde mental. São preocupações que vão além do funcionamento adequado do sistema cardiovascular e se relacionam com a qualidade de vida dos sobreviventes. Essas preocupações também estão presentes nos testes clínicos dos medicamentos. Afinal, o objetivo do tratamento não é apenas manter o paciente vivo, mas mantê-lo funcional e feliz. Os problemas cognitivos e mentais afligem muitos pacientes que sobreviveram aos derrames.
Como pesquisar essas características. O que fazem os pesquisadores?
Dois deles codificaram os artigos de revistas científicas prestigiosas com um alto fator de impacto (impact fator), cujos artigos são muito citados. Buscaram quatro dedicados à medicina em geral, três à gerontologia e à reabilitação, quatro à neurologia, outros quatro à psiquiatria, mais quatro à psicologia e três aos derrames. A escolha das revistas é importante porque cada especialidade tem suas próprias preferências. O período coberto vai de janeiro de 2000 a outubro de 2011.Foram examinados somente os artigos que tratavam desses dois tipos de sequelas. 
Apenas 6% dos 8.826 artigos tratavam de aspectos cognitivos ou relacionados à saúde mental dos pacientes. Desses, 83% tratavam dos aspectos cognitivos e 51% da saúde mental. 
A necessidade de padronizar as pesquisas para torná-las comparáveis fez com que muitos usassem as mesmas medidas. Uma escala da capacidade cognitiva, chamada de Folstein’s Mini-Mental State Examination foi usada em 37% desse subconjunto de artigos e os problemas mentais se concentraram na depressão, muito comum entre pessoas que sofreram derrames e outros problemas cardiovasculares. Há pouca padronização também nessa área – apenas 9% usaram o mesmo instrumento, chamado de Hamilton Rating Scale of Depression.
A conclusão, triste, é que a grande maioria dos artigos sobre depressão não tratam dos problemas cognitivos e mentais que, com frequência, afetam os pacientes que sobreviveram um derrame.
Fonte: Comments and Opinions and Research Letters to Brief Reports
Cognitive and Mood Assessment in Stroke Research Focused Review of Contemporary Studies
Rosalind Lees, Patricia Fearon; Jennifer K. Harrison; Niall M. Broomfield e Terence J. Quinn.
GLÁUCIO SOARES             IESP/UERJ

Os derrames matam muitos brasileiros

Há, na Austrália, um prêmio chamado de Eureka. Um dos candidatos, esse ano, veio da área dos derrames, dos AVCs, dos TIAs. Se chama Chris Levi.
O que ele fez?
Ele é um pesquisador e um médico clínico. Dirige, no Hospital John Hunter o Serviço de Derrames Agudos. Faz pesquisas sobre o cérebro. Há 12 anos, não havia pesquisas nessa área no hospital. De lá para cá, ele desenvolveu uma seção dos hospital que é vista como modelo. Ele uniu a pesquisa com a clínica. O tratamento que os pacientes recebem, hoje, é de ponta.
Mais do que isso, ele vem aperfeiçoando o que chamam de tratamento “antes” do hospital, preocupado com o passar das horas, até de minutos, até que o paciente seja plenamente atendido.  A implementação desses programas melhorou os resultados do hospital (quantos morrem de cada cem atendidos; quantos se recuperam; em quanto tempo; qual o custo? etc). Hoje, os resultados estão entre os melhores do mundo.
Comenta um parente: trouxe o que há de melhor até nossa comunidade, salvando muitas vidas e evitando muita dor e muitas sequelas. A do não é só dos pacientes, é das famílias também.

Professor Chris Levi

Os derrames são a terceira causa de morte na Austrália e a primeira das que causam deficiências e incapacidades permanentes. Anualmente, 60 mil australianos têm um derrame – um de dez em dez minutos…

O que acontece com eles? Divida em três partes quase iguais? Um terço se recupera bem; outro terá sérias deficiências durante muito tempo ou durante o resto da vida, e um terço morre. No Brasil, a população é muito maior e o atendimento muito pior e demorado, o que se traduz em mais casos de derrame, mais deficientes permanentes e mais mortes. Daí a necessidade de reproduzir aqui, de forma ampliada, o que o Professor Chris Levi fez na Austrália.

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John Hunter Hospital, New Lambton, NSW, Australia

Nos casos de derrames, AVCs e TIAs, a velocidade do atendimento conta muito.

Quanto custa a hegemonia militar?

Quanto custa a hegemonia militar?

Posted by soares7 em agosto 13, 2011

A hegemonia militar tem preço. Não sai barato. Os Estados Unidos gastaram, em 2010, 698 bilhões de dólares com os militares, a preços constantes de 2009.

Isso é muito ou pouco? O leitor pode responder a essa pergunta, de posse de alguns dados. Quem levanta, confere e organiza esses dados? Várias agências, mas talvez a mais confiável seja a SIPRI, localizada em Estocolmo. De acordo com o SIPRI, o segundo colocado nos gastos é a China, com 114 bilhões. Ou seja, menos de seis vezes. Mesmo assim, a China também gasta muito, em cifras absolutas: aproximadamente o dobro da França, o terceiro país mais gastador, exatamente o dobro do Reino Unido e mais do dobro da Rússia, outrora parte central da poderosa, ameaçadora e, comparativamente, pobre União Soviética.

Depois dos Estados Unidos, os dez países que mais gastam, em termos absolutos (sempre em dólares constantes de 2009), são a China, a França, o Reino Unido, a Rússia, o Japão, a Alemanha, a Itália, a Arábia Saudita, a Índia e…o nosso Brasil. Gastamos mais do que a Coréia do Sul, o Canadá, a Espanha…

Pois bem, esses dez países (inclusive a China), somados, representam 523 bilhões de dólares, menos do que os Estados Unidos. Gastam 75% do que os Estados Unidos gastam.

Como se paga a hegemonia militar? Todos os anos ela custa quase 5% do PIB. Noutros países desenvolvidos ela pesa menos: de 1% no Japão a 2,7% no Reino Unido.

Ela se paga, parcialmente, aumentando a dívida pública e, também parcialmente, reduzindo outros gastos, alguns considerados mais importantes. Mas isso tem custos.

Dia 5, o crédito do governo dos Estados Unidos baixou, pela primeira vez na história, de AAA para AA+. É um sistema usado pela Standard & Poor’s e a baixa não quer dizer que os Estados Unidos não pagarão suas dívidas. Em parte o problema é político, porque a rolagem, que era quase automática, só foi aprovada na última hora, numa jogada claramente política. Mas o problema existe.

A dívida pública não nasceu com Obama; ela aumentou nas guerras mundiais e foi gradualmente reduzida depois. Como percentagem do PIB, a dívida cresceu aceleradamente nas décadas de 80 e 90: triplicou entre 1980 e 1990. A Guerra Fria foi um das causas. Diminuiu quando ela terminou e voltou a crescer. Em 2008, a dívida pública tinha chegado a US $ 10, 3trilhões, ou dez vezes o nível de 1980. O crescimento da dívida fez com que um teto fosse aprovado, mas passou a ser mudado de acordo com as conveniências – todos os anos e sem problemas. Esse ano foi negociado e renegociado, com intenções que, para mim, são claramente eleitoreiras.

Há outros custos, no meu entender, muito maiores, medidos em anos de vida perdidos e em sofrimento.

O NIH é, de longe, a maior financiadora de pesquisas na área da saúde. Podemos ler no site do NIH: “o NIH investe… US $32,2 bilhões anualmente na pesquisa médica para o povo americano.” Menos de sete por cento do que gastam anualmente com as Forças Armadas.

Tomemos o câncer, o segundo maior assassino da população americana, como exemplo: nos Estados Unidos, o National Cancer Institute (NCI), parte dos National Institutes of Health and the Department of Health and Human Services coordena muitas pesquisas sobre o câncer e uma das instituições que, no setor público, financiam pesquisas sobre o câncer.

O NCI gasta pouco menos de cinco bilhões por ano com pesquisas sobre o câncer, ou 0,7% dos gastos militares. Isso significa que os gastos militares de um ano equivalem aos gastos com pesquisas sobre câncer do NCI durante 170 anos. O orçamento anual do NCI é da mesma ordem de grandeza da construção de um porta-aviões, o Ronald Reagan. Nos Estados Unidos, aproximadamente mil e quinhentas pessoas morrem de câncer todos os dias; por ano são perto de 570 mil pessoas – mais de meio milhão. Em toda a guerra do Iraque até o dia 18 de julho recente, morreram em combate 3.529 soldados americanos. O equivalente a pouco mais de dois dias do número de mortes de cancerosos nos Estados Unidos, onde uma em cada quatro pessoas deverá morrer de câncer.

Pesquisa e tratamento ajudam! Em 1975/77, de cada cem pessoas diagnosticadas com câncer, cinqüenta estavam vivas cinco anos mais tarde; mas entre os diagnosticados entre 1998 e 2005, 68% estavam vivos cinco anos depois. Um ganho de 13% em um quarto de século. Milhões de vidas. Quantos sobreviveriam se houvesse um corte de dez por cento nos gastos militares, e esses recursos (quase 70 bilhões de dólares anuais) fossem transferidos para a pesquisa, prevenção e tratamento do câncer? Afinal, estaríamos gastando quatorze vezes mais, todos os anos. O meu chute: em dez anos, vários cânceres estariam na categoria de doenças crônicas e muitos outros teriam uma cura bem mais fácil do que agora. Milhões de vidas americanas seriam salvas em uma década. É, ser potência custa caro! Em vidas humanas também.

GLÁUCIO SOARES IESP/UERJ

Controlando os efeitos do entupimento da aorta

Aortas entupidas são um perigo constante de morte. Uma das maneiras de enfrentar esse problema é colocar umas armações de metal chamadas de stents que impedem as paredes de se grudarem umas nas outras. Dá certo? Quanto tempo dura?Stents salvam vidas

O gráfico mostra uma elevada taxa de sucesso: 86% no médio prazo e 77% a longo prazo.

Por que fazer?

O entupimento reduz o fluxo de sangue e causa a Hipertensão. Ele é responsável por 5% a 10% dos casos de falhas cardíacas congênitas. Se não for tratado responderá por uma alta percentagem das doenças (morbidade) e da mortalidade.

O pesquisador, Ralf Holzer estudou mais de trezentos pacientes para chegar a essa conclusão durante nove anos.

Nao obstante, o estilo de vida continua sendo a melhor garantia (e a mais fácil) de evitar problemas de entupimento: dieta adequada e exercícios.

Escrito por GLÁUCIO SOARES com base em resumo do artigo original.


Os remédios para a pressão alta

Um demônio ronda as casas das pessoas com pressão alta: as próprias pessoas que sofrem dessa doença. Elas acham  que quando os sintomas desaparecem, podem parar de tomar os remédios. Algumas (poucas), mais informadas, tiram a pressão regularmente e, quando a pressão baixa ao normal, param de tomar o remédio. São candidatas ao derrame e à morrer de enfermidade circulatória.

A pressão ala tem muito a ver com o estilo de vida da pessoa, o que come (de errado) e o que faz (ou não faz, ficando sentada vendo televisão). É uma doença crônica. Os remédios podem controlar a pressão alta, mas não podem curá-la.

Muita gente com pressão alta não sente nada (por isso alguns a chamam de doença oculta). E acaba parando de tomar os medicamentos.

Acontece alguma coisa quando o doente para de tomar o medicamento?

Acontece! Aumenta o risco de infartar, de outros ataques cardiovasculares. de derrame, de dano e parálise dos rins e muitas doenças mais.

E se a gente esquece? Eu uso uma caixinha dividida em sete dias da semana e coloco todas as pílulas que tenho que tomar cada dia. Outros deixam avisos dentro da própria casa ou pedem a outras pessoas que moram na casa para avisar e até algumas que não moram. Ajuda, e muito.

Às vezes, quando você realmente muda seu estilo de vida, muda a dieta, corta o sal a quase zero, passa a andar ou a fazer outros exercícios com frequência, o médico pode reduzir a dose, mas quase nunca aconselhar a parar de tomar o remédio.

Cuidado com esse demônio. Êle está dentro de você tentando você a parar o tratamento…

Menos sal, menos derrames, menos AVC’s

Uma pesquisa publicada este ano demonstrou que a redução do sal é tão eficiente como aumentar o medicamento quando se trata de baixar a pressão e salvar vidas. Um cálculo afirma que reduzir o consumo de sal de 1.200 mg por dia reduziria o número de casos de doenças coronárias em 120 mil! 120 mil casos a menos!! Reduziria, também, o total de mortes: 92 mil a menos. Nos Estados Unidos, haveria uma economia de bilhões de dólares com essa redução: entre dez e 24 bilhões.
Há gente que toma três, quatro medicamentos contra a hipertensão arterial todos os dias. Reduzir o consumo do sal produziria melhores resultados a custo zero. Em verdade, haveria ganhos: menos sal para comprar.
Em uma semana com controle do sal, a pressão sistólica (quase sempre a mais alta) baixou, na média, 15% e a diastólica baixou 11%. Depois de, apenas, uma semana.
O melhor: depois de um período que varia de pessoa para pessoa, usualmente entre 2 e 4 meses, as pessoas passaram a reclamar de que a comida estava muito salgada, comida que tinha a mesma quantidade de sal que consumiam antes do experimento.
Vale a pena tentar.

 

Escrito por Gláucio Soares com base em relatórios de pesquisa


Pequenos hábitos e grandes benefícios

Pequenas mudanças no estilo de vida podem reduzir muito o risco de derrame.

Reduzir, sim, mas quanto? À metade! Pesquisadores britânicos descobriram que pessoas que não fumam, comem e bebem com moderação, e se exercitam cortam o risco de derrame pela metade.

Foram pesquisadas mais de vinte mil pessoas. Cada hábito “bom” valia um ponto: não fumar, ser ativo fisicamente, pouco consumo de bebidas alcoólicas e níveis de vitamina C no sangue que indicavam que as pessoas comiam frutas e vegetais diariamente – cinco porções, no total. Esse procedimento gerou cinco grupos. O com hábitos menos saudáveis tinham um risco de derrame que era 2,3 vezes maior do que o grupo com hábitos mais saudáveis.

Publicado na versão eletrônica do British Medical Journal.