Como ler dados de pesquisas sobre o câncer

É preciso saber ler dados para poder saber o que as pesquisas revelam. Ninguém nasce sabendo. É possível aprender em qualquer idade. Entre para a Escola de Dados. É grátis e em Português.

A inscrição é em

http://escoladedados.org/

 

um abraço

 

GLÁUCIO SOARES        IESP/UERJ

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Palestras e conferências sobre o câncer da próstata

A organização UroToday disponibilizou uma série de palestras pela internet, acessíveis no site

http://www.urotoday.com/urology-tube

São muitas palestras, pensadas para um público como nós, pacientes e nossos amigos e familiares interessados. O grande problema – um dos mais sérios da educação brasileira, em comparação com níveis semelhantes na Europa, China, Coréia e Japão, é o nosso desconhecimento de idiomas, particularmente de Inglês. Não obstante, há programas grátis que traduzem para o Português. Ainda cometem muitos erros, mas servem para dar uma boa idéia do conteúdo dos artigos.

Um abraço

GLÁUCIO SOARES                          IESP/UERJ

PESQUISA ENCONTRA E DESCREVE AS CÉLULAS CANCEROSAS RESISTENTES

Uma pesquisa, levada a cabo na Monash University, Autrália, teve seus resultados publicados em Science Translational Medicine.

Qual a contribuição dessa pesquisa? Ela identificou as células que resistem à terapia hormonal. A massa cancerosa da próstata é caracterizada por uma diversidade de células, algumas mais estudadas do que outras. Um dos tratamentos mais comuns hoje em dia é o hormonal (que, de fato, é anti-hormonal, pois busca zerar a produção de testosterona). Os tratamentos variam, sendo Lupron o mais receitado hoje em dia.

A duração do Lupron varia muito, desde pacientes que não respondem ao tratamento até aqueles que respondem muito bem. São tratamentos com muitos e pesados efeitos colaterais.

Gail Risbridger e Renea Taylor da Monash University, obtiveram amostras de doze pacientes no estágio inicial do câncer. Trabalhando com camundongos observaram o comportamento das células dessas amostras. Mesmo depois de várias semanas de tratamento, algumas células cancerosas continuavam ativas. Essas células não são iguais às demais. Elas parecem ser as precursoras de outras células mais agressivas e resistentes ao tratamento, que caracterizam o câncer mais avançado, chamado de androgen-resistant.

A identificação dessas células, resistentes e precursoras dos canceres mais avançados e agressivos, abre o caminho para tratamentos focados nelas. Até então sabíamos  muito pouco sobre essas células resistentes e o que as diferencia das demais.

Claro que essa é uma pesquisa muito preliminar. Afinal, são apenas doze amostras e há muito que observar e testar até conhecer bem essas células, inclusive a que são vulneráveis. Se e quando isso acontecer, talvez seja possível parar o avanço desse câncer, tornando o tratamento hormonal muito mais eficiente.

 

GLÁUCIO SOARES     IESP/UERJ

 

 

 

PESQUISA ENCONTRA E DESCREVE AS CÉLULAS CANCEROSAS RESISTENTES

Uma pesquisa, levada a cabo na Monash University, Austrália, teve seus resultados publicados em Science Translational Medicine.

Qual a contribuição dessa pesquisa? Ela identificou as células que resistem à terapia hormonal. A massa cancerosa da próstata é caracterizada por uma diversidade de células, algumas mais estudadas do que outras. Um dos tratamentos mais comuns hoje em dia é o hormonal (que, de fato, é anti-hormonal, pois busca zerar a produção de testosterona). Os tratamentos variam, sendo Lupron o mais receitado hoje em dia.

A duração do Lupron varia muito, desde pacientes que não respondem ao tratamento até aqueles que respondem muito bem durante muitos anos. Porém, são tratamentos com muitos e pesados efeitos colaterais.

Gail Risbridger e Renea Taylor da Monash University, obtiveram amostras de doze pacientes no estágio inicial do câncer. Trabalhando com camundongos observaram o comportamento das células dessas amostras. Mesmo depois de várias semanas de tratamento, algumas células cancerosas continuavam vivas e ativas. Essas células não são iguais às demais. Elas parecem ser as precursoras de outras células mais agressivas e resistentes ao tratamento, que caracterizam o câncer mais avançado, chamado de androgen-resistant.

A identificação dessas células, resistentes e precursoras dos canceres mais avançados e agressivos, abre o caminho para tratamentos focados nelas. Até então sabíamos  muito pouco sobre essas células resistentes e o que as diferencia das demais.

Claro que essa é uma pesquisa muito preliminar. Afinal, são apenas doze amostras e há muito que observar e testar até conhecer bem essas células, inclusive a que são vulneráveis. Se e quando isso acontecer, talvez seja possível parar o avanço desse câncer, tornando o tratamento hormonal muito mais eficiente.

 

GLÁUCIO SOARES     IESP/UERJ

 

 

 

XOFIGO: mais três meses de vida e menos dor

A FDA americana, que exerce várias funções que são exercidas (ou deveriam ser) exercidas pela ANVISA no Brasil, liberou a produção e venda de novo medicamento na luta contra o câncer da próstata avançado, que se chama Xofigo. Liberou antes do esperado porque a demonstração de que o medicamento ajuda foi convincente.

Xofigo se aplica a pessoas que estão em um estagio avançado do câncer da próstata, depois de uma das terapias iniciais, que objetivam curar o câncer (cirurgia, radiação, braquiterapia etc.) e falham. Depois disso quase todos os pacientes fazem uma terapia que não tem poder curativo, a (anti)hormonal. Quando o paciente deixa de responder a essa terapia, não há muitas alternativas (embora haja algumas) e a maioria dos canceres avança sobre os ossos, o que, usualmente, é muito doloroso. A metástase óssea, além de dolorosa, reduz a sobrevivência e os problemas que ela provoca são responsáveis por parte significativa das mortes causadas por esse câncer. Noventa por cento dos pacientes com metástases apresentam metástases ósseas. Pois Xofigo tem um efeito antitumoral sobre as metástases ósseas. Como muitos dos medicamentos recentes para pacientes avançados, os benefícios são limitados.

O que o Xofigo faz? Ele é baseado no radium-223. O isótopo forma complexos nas áreas de rápida mudança óssea – como é o caso das metástases ósseas. Ele emite radiação que atinge as células próximas, limitando o crescimento do câncer.     

Xofigo não é panaceia. Os pacientes que tomaram Xofigo viveram mais 14 meses; o grupo controle viveu 11,2 meses, um ganho de quase três meses. Como muitos medicamentos recentes, o ganho mediano é medido em poucos meses, não obstante, há pouco tempo não havia nada que fazer.

Dois por cento dos pacientes tiveram problemas na medula óssea e dois morreram.

Os efeitos colaterais não são poucos: náusea, diarreia, vômitos, edemas etc., sem falar na anemia, linfocitopenia, leucopenia, trombocitopenia e mais. Sabemos que são alguns meses a mais e que há muitos efeitos colaterais, mas a alternativa é pior – menos tempo de vida, e de vida dolorosa.

O medicamento é fabricado pela Bayer.

Nos últimos anos vários medicamentos foram desenvolvidos e aprovados, com algumas características semelhantes: se aplicam a canceres muito avançados, tem um efeito modesto e, claro, são muito caros. Infelizmente seus ganhos de vida não são somatórios nem multiplicativos, embora haja benefícios em tratar os pacientes com alguns deles depois de outros.

Ainda falta muito. Não obstante, há poucos anos não havia nada, só a espera dolorosa pela morte.

 

 

GLÁUCIO SOARES       IESP-UERJ

XOFIGO: mais três meses de vida e menos dor

 

A FDA americana, que exerce várias funções que são exercidas (ou deveriam ser) exercidas pela ANVISA no Brasil, liberou a produção e venda de novo medicamento na luta contra o câncer da próstata avançado, que se chama Xofigo. Liberou antes do esperado porque a demonstração de que o medicamento ajuda foi convincente.

Xofigo se aplica a pessoas que estão em um estagio avançado do câncer da próstata, depois de uma das terapias iniciais, que objetivam curar o câncer (cirurgia, radiação, braquiterapia etc.) e falham. Depois disso quase todos os pacientes fazem uma terapia que não tem poder curativo, a (anti)hormonal. Quando o paciente deixa de responder a essa terapia, não há muitas alternativas (embora haja algumas) e a maioria dos canceres avança sobre os ossos, o que, usualmente, é muito doloroso. A metástase óssea, além de dolorosa, reduz a sobrevivência e os problemas que ela provoca são responsáveis por parte significativa das mortes causadas por esse câncer. Noventa por cento dos pacientes com metástases apresentam metástases ósseas. Pois Xofigo tem um efeito antitumoral sobre as metástases ósseas. Como muitos dos medicamentos recentes para pacientes avançados, os benefícios são limitados.

O que o Xofigo faz? Ele é baseado no radium-223. O isótopo forma complexos nas áreas de rápida mudança óssea – como é o caso das metástases ósseas. Ele emite radiação que atinge as células próximas, limitando o crescimento do câncer.     

Xofigo não é panaceia. Os pacientes que tomaram Xofigo viveram mais 14 meses; o grupo controle viveu 11,2 meses, um ganho de quase três meses. Como muitos medicamentos recentes, o ganho mediano é medido em poucos meses, não obstante, há pouco tempo não havia nada que fazer. A qualidade da vida também foi superior. Tiveram, na média, mais seis meses até que aparecessem sintomas ósseos, como compressão da coluna e uma redução de 50% no risco de que a compressão acontecee. Ela causa dor e pode causar paralisia.

Dois por cento dos pacientes tiveram problemas na medula óssea e dois morreram.

Os efeitos colaterais não são poucos: náusea, diarreia, vômitos, edemas etc., sem falar na anemia, linfocitopenia, leucopenia, trombocitopenia e mais. Sabemos que são alguns meses a mais e que há muitos efeitos colaterais, mas a alternativa é pior – menos tempo de vida, e de vida dolorosa.

O medicamento é fabricado pela Bayer.

Nos últimos anos vários medicamentos foram desenvolvidos e aprovados, com algumas características semelhantes: se aplicam a canceres muito avançados, tem um efeito modesto e, claro, são muito caros. Infelizmente seus ganhos de vida não são somatórios nem multiplicativos, embora haja benefícios em tratar os pacientes com alguns deles depois de outros.

Ainda falta muito. Não obstante, há poucos anos não havia nada, só a espera dolorosa pela morte.

 

GLÁUCIO SOARES       IESP-UERJ

A Bélgica vai bancar novos tratamentos para seus cidadãos

A Bélgica resolveu bancar três novos medicamentos no tratamento do câncer da próstata avançado. Sautois e Gennigens nos lembram que docetaxel é o tratamento padrão para pacientes que já não respondem ao tratamento (anti)hormonal. Porém, além de seus efeitos colaterais, os benefícios do docetaxel não duram muito tempo e o câncer se torna resistente. O que fazer? O que tratamento mais comum era(e talvez continue sendo) mixandrone. Porém, nos últimos anos foram criados três novos medicamentos criados para tratar pacientes nesse estágio: cabazitaxel, abiraterona e enzalutamida. Todos foram usados em pesquisas Fase III em vários centro – e mostraram que aumentam a sobrevivência. Longe da desejada cura, mas ampliam a vida: em alguns, poucos meses; em muitos, muitos meses e em poucos, alguns anos. Como resultado, em 2012 o governo belga passou a reembolsar os pacientes que usaram dois medicamentos caros, Jevtana (cabazitaxel) e Zytiga (abiraterone).

A cura, tão desejada, ainda não está no horizonte.

Saiba mais: Rev Med Liege. 2013 Feb;68(2):94-6.

 

GLÁUCIO SOARES     IESP/UERJ