MAIS MUNIÇÃO NA GUERRA CONTRA O CÂNCER

Uma ampla pesquisa (Fase III) patrocinada pela Medivation foi interrompida porque os resultados preliminares mostravam que os pacientes tratados com Xtandi tinham uma sobrevivência maior do que a do grupo controle.

Há muitos, muitos pacientes com canceres avançados que não fizeram químio. Essa população, chamada de pré-químio, é um mercado para o qual se dirigiu esse medicamento. A pesquisa, chamada “Prevail”, foi interrompida e a empresa buscou ampliar a licença para o medicamento, Xtandi.

Xtandi reduziu o risco de morte de pacientes em 30%, em comparação com o grupo controle, que recebeu um placebo. É uma diferença humana e estatisticamente significativa.

O noticiário informa que esses bons resultados chegaram ao coração do capitalismo: as ações da Medivation foram valorizadas em 9%…

 

GLÁUCIO SOARES        IESP/UERJ

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O PSA voltou. É grave?

O PSA voltou. E agora? É um momento de angústia e desorientação para os pacientes. Alguns recebem a notícia como uma segunda sentença de morte. Outros, talvez a  maioria, não sabe o que significa nem como e onde buscar saber. Pesquisadores da Johns Hopkins Medical School resolveram pesquisar e buscar subsídios para responder tão importante questão. É uma Escola que vem construíndo tabelas de risco usando resultados de testes há bastante tempo. Concluíram que há três fatores de risco, cuja combinação separa os casos preocupantes dos demais.

Quais são esses fatores?

Primeiro, volta o PSADT à cena: o tempo que o PSA leva para dobrar depois de voltar a ser detectável. Quanto maior o tempo, melhor. Tomando os primeiros dois anos após a volta do PSA, os pesquisadores dividiram os pacientes em quatro grupos: aqueles cujo PSA levou menos de tres meses para dobrar; os que levaram de 3 a 9 meses; os que levaram de 9 a 15 e os que levaram mais do que 15. A categoria de baixo (até três meses) indica canceres agressivos.

O segundo fator de risco está associado com o primeiro: quanto tempo da cirurgia até que o PSA voltasse a ser detectável. É um critério móvil, com problemas, sujeito a revisões, porque o que o limite do que era não detectável há vinte anos é facilmente detectável com a tecnologia de hoje, definindo a necessidade de averiguar qual o melhor ponto de corte. Até agora, foi usado até três anos depois da cirurgia, inclusive, ou mais de três anos. Aqui, quanto mais, melhor.

O terceiro fator é o escore Gleason. Quanto mais alto, pior. Mais uma vez, os pacientes foram agrupados: menos que oito ou oito ou mais?

A combinação dos valores nessas variáveis vai de um extremo a outro. Se forem todos favoráveis, os pacientes podem ficar tranquilos, podendo viver mais de quinze anos apenas acompanhando o câncer através do PSA,  quando 94% deles estavam vivos. No outro extremo, com todos os indicadores na direção indesejada, há necessidade de novos tratamentos, de segunda e terceira linhas, porque a sobrevivência espontânea é muito baixa.  

Saiba mais: explore o site da universidade em

http://urology.jhu.edu

 

GLÁUCIO SOARES             IESP/UERJ

 

Quando falha a primeira linha de tratamento hormonal

Segundo os autores de uma pesquisa, a combinação entre ketoconazole e dutasteride é um bom recurso para muitos pacientes que já não respondem a tratamentos hormonais de primeira linha, como o Lupron. Uma pesquisa  Fase II tinha produzido bons resultados: em 56% dos casos houve uma redução do PSA e o fracasso bioquímico foi postergado, situando-se em 14,5 meses.

Nesta pesquisa com 26 pacientes que foram tratados com ketoconazole 800mg/d, hidrocortisona 30mg/d e dutasteride 0.5mg/d (K/H/D) também foram notados resultados positivos. Os pacientes tinham, na mediana, 70 anos e o PSA andava em 84 ng/ml, também na mediana, antes da terapia. Sete dos pacientes tiveram uma redução significativa no PSA (≥50%). É um ponto de corte importante, porque os com redução menor do que 55 dias tiveram na mediana apenas 55 dias até que o PSA voltasse a subir, ao passo que os que tiveram uma redução ≥50%, o fracasso bioquímico demorou 274 dias, na mediana, e o experimento continuava, o que significa que a mediana do tempo até o fracasso bioquímico deveria aumentar.      

Os autores concluíram que a combinação de ketoconazole, hidrocortisona e dutasteride em subconjunto de pacientes que já não respondiam à primeira linha de tratamento hormonal trouxe benefícios. O primeiro desafio é identificar quais os pacientes que responderão a esse tratamento e quais os que não responderão; para os que respondem há claros benefícios – baixa do PSA e aumento no tempo até que o PSA volte a crescer.

 

Saiba mais: C. H. Ohlmann, M. Ehmann, J. Kamradt, M. Saar, S. Siemer, M. Stöckle; Saarland University, Homburg, Germany em J Clin Oncol 29: 2011 (suppl; abstr e15166).

 

GLÁUCIO SOARES            IESP/UERJ

PEQUENAS DOSES DE ASPIRINA CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

Uma pesquisa confirma resultados anteriores: uma pequena dose de aspirina regularmente aumenta a sobrevivência de homens que fizeram cirurgia e/ou radiação para o câncer da próstata. Kevin Choe, em trabalho publicado no Journal of Clinical Oncology, revela que uma análise de seis mil pacientes que os subdividiu em dois grupos, os que tomavam regularmente um dos anticoagulantes comuns, encontrou diferenças significativas depois de dez anos: 3% no grupo que tomava anticoagulantes regularmente por prescrição médica, e 8% entre os que não tomavam. A diferença é estatisticamente significativa. O risco de “volta” do câncer e de metástase também era significativamente mais baixo. Esse benefício se deveu, principalmente, às pequenas doses de aspirina. Como a aspirina é anticoagulante e idosos frequentemente tomam outros anticoagulantes, como warfarina, a dose tem que ser calculada para não provocar hemorragia.

 

 

    GLÁUCIO SOARES          IESP/UERJ    

 

A SOBREVIVÊNCIA ESTÁ AUMENTANDO!!!

Dados recentes mostram que a sobrevivência a partir do diagnóstico de câncer aumentou desde que o teste do PSA foi adotado nos Estados Unidos.
Há teorias que competem para explicar essa bem-vinda mudança. Por um lado, o aumento da sobrevivência se nota em muitos outros cânceres. Na média, cada ano, aproximadamente 1% a mais dos diagnosticados chegam vivos a marcadores temporais: cinco anos, dez anos etc. É instintiva a hipótese de que essa melhoria se deve a melhorias no sistema, incluindo melhorias nos medicamentos e novos tratamentos, melhorias nos hospitais, inclusive nos diagnósticos, e ampliação dos serviços médicos a grupos previamente excluídos, o que aumenta muito a sobrevivência desses grupos e um pouco a sobrevivência média de todos os cancerosos.
Assim, a entrada do PSA no arsenal do diagnóstico do câncer da próstata se faz num mundo médico-hospitalar em mudança, e não num mundo estático.
É igualmente esperado, com base na experiência do tratamento de, praticamente, todos os cânceres, que diagnosticar cedo – qualquer que seja o câncer – aumenta as chances de cura. Sabemos que, desde a introdução do PSA, aumentaram os casos diagnosticados e aumentou a sobrevivência pós-diagnóstico. Esses dados se encaixam bem na hipótese de que muitos dos cânceres detectados cedo seriam detectados tarde, quando já estivessem avançados. Consequentemente, a sobrevivência seria menor. Os dados mais recentes foram publicados online há dias no Journal of Urology. Um dos dados socialmente mais significativos é que a sobrevivência pós-diagnóstico dos negros atualmente é semelhante à dos brancos.       
Uma notícia muito boa para nós é o aumento da sobrevivência mediana mesmo nos casos  avançados: em um estudo feito em 1985-86, a sobrevivência mediana de pacientes depois da terapia anti-hormonal era de 30 meses (dois anos e meio); melhorou para 33 meses em outra pesquisa com pacientes nessa condição alguns anos mais tarde (1989 a 1994), atingindo 48 meses (quatro anos) em outro trial feito com pacientes que atingiram esse estágio de 1995 a 2009. Um ano e meio a mais de vida com um câncer num estágio considerado avançado.
Importa saber de onde veio esse benefício? Importa. Se está ligado a efeitos mais distantes do diagnóstico precoce, é um fortíssimo argumento em defesa do teste regular do PSA.
Tudo isso remete à questão: testar ou não testar? A American Society of Clinical Oncology recomenda que pessoas com uma expectativa de vida de dez anos ou mais não descartem o teste de PSA e conversem com um urólogo sobre isso. A expectativa é uma estimativa, apenas, baseada na idade do paciente e na sua condição física e de saúde.
Uma controvérsia, uma boa notícia.
GLÁUCIO SOARES          IESP/UERJ

A SOBREVIVÊNCIA ESTÁ AUMENTANDO!!!

Dados recentes mostram que a sobrevivência a partir do diagnóstico de câncer aumentou desde que o teste do PSA foi adotado nos Estados Unidos.
Há teorias que competem para explicar essa bem-vinda mudança. Por um lado, o aumento da sobrevivência se nota em muitos outros cânceres. Na média, cada ano, aproximadamente 1% a mais dos diagnosticados chegam vivos a marcadores temporais: cinco anos, dez anos etc. É instintiva a hipótese de que essa melhoria se deve a melhorias no sistema, incluindo melhorias nos medicamentos e novos tratamentos, melhorias nos hospitais, inclusive nos diagnósticos, e ampliação dos serviços médicos a grupos previamente excluídos, o que aumenta muito a sobrevivência desses grupos e um pouco a sobrevivência média de todos os cancerosos.
Assim, a entrada do PSA no arsenal do diagnóstico do câncer da próstata se faz num mundo médico-hospitalar em mudança, e não num mundo estático.
É igualmente esperado, com base na experiência do tratamento de, praticamente, todos os cânceres, que diagnosticar cedo – qualquer que seja o câncer – aumenta as chances de cura. Sabemos que, desde a introdução do PSA, aumentaram os casos diagnosticados e aumentou a sobrevivência pós-diagnóstico. Esses dados se encaixam bem na hipótese de que muitos dos cânceres detectados cedo seriam detectados tarde, quando já estivessem avançados. Consequentemente, a sobrevivência seria menor. Os dados mais recentes foram publicados online há dias no Journal of Urology. Um dos dados socialmente mais significativos é que a sobrevivência pós-diagnóstico dos negros atualmente é semelhante à dos brancos.       
Uma notícia muito boa para nós é o aumento da sobrevivência mediana mesmo nos casos  avançados: em um estudo feito em 1985-86, a sobrevivência mediana de pacientes depois da terapia anti-hormonal era de 30 meses (dois anos e meio); melhorou para 33 meses em outra pesquisa com pacientes nessa condição alguns anos mais tarde (1989 a 1994), atingindo 48 meses (quatro anos) em outro trial feito com pacientes que atingiram esse estágio de 1995 a 2009. Um ano e meio a mais de vida com um câncer num estágio considerado avançado.
Importa saber de onde veio esse benefício? Importa. Se está ligado a efeitos mais distantes do diagnóstico precoce, é um fortíssimo argumento em defesa do teste regular do PSA.
Tudo isso remete à questão: testar ou não testar? A American Society of Clinical Oncology recomenda que pessoas com uma expectativa de vida de dez anos ou mais não descartem o teste de PSA e conversem com um urólogo sobre isso. A expectativa é uma estimativa, apenas, baseada na idade do paciente e na sua condição física e de saúde.
Uma controvérsia, uma boa notícia.
GLÁUCIO SOARES          IESP/UERJ

A SOBREVIVÊNCIA ESTÁ AUMENTANDO!!!

Dados recentes mostram que a sobrevivência a partir do diagnóstico de câncer aumentou desde que o teste do PSA foi adotado nos Estados Unidos.

Há teorias que competem para explicar essa bem-vinda mudança. Por um lado, o aumento da sobrevivência se nota em muitos outros cânceres. Na média, cada ano, aproximadamente 1% a mais dos diagnosticados chegam vivos a marcadores temporais: cinco anos, dez anos etc. É instintiva a hipótese de que essa melhoria se deve a melhorias no sistema, incluindo melhorias nos medicamentos e novos tratamentos, melhorias nos hospitais, inclusive nos diagnósticos, e ampliação dos serviços médicos a grupos previamente excluídos, o que aumenta muito a sobrevivência desses grupos e um pouco a sobrevivência média de todos os cancerosos.

Assim, a entrada do PSA no arsenal do diagnóstico do câncer da próstata se faz num mundo médico-hospitalar em mudança, e não num mundo estático.

É igualmente esperado, com base na experiência do tratamento de, praticamente, todos os cânceres, que diagnosticar cedo – qualquer que seja o câncer – aumenta as chances de cura. Sabemos que, desde a introdução do PSA, aumentaram os casos diagnosticados e aumentou a sobrevivência pós-diagnóstico. Esses dados se encaixam bem na hipótese de que muitos dos cânceres detectados cedo seriam detectados tarde, quando já estivessem avançados. Consequentemente, a sobrevivência seria menor. Os dados mais recentes foram publicados online há dias no Journal of Urology. Um dos dados socialmente mais significativos é que a sobrevivência pós-diagnóstico dos negros atualmente é semelhante à dos brancos.       

Uma notícia muito boa para nós é o aumento da sobrevivência mediana mesmo nos casos  avançados: em um estudo feito em 1985-86, a sobrevivência mediana de pacientes depois da terapia anti-hormonal era de 30 meses (dois anos e meio); melhorou para 33 meses em outra pesquisa com pacientes nessa condição alguns anos mais tarde (1989 a 1994), atingindo 48 meses (quatro anos) em outro trial feito com pacientes que atingiram esse estágio de 1995 a 2009. Um ano e meio a mais de vida com um câncer num estágio considerado avançado.

Importa saber de onde veio esse benefício? Importa. Se está ligado a efeitos mais distantes do diagnóstico precoce, é um fortíssimo argumento em defesa do teste regular do PSA.

Tudo isso remete à questão: testar ou não testar? A American Society of Clinical Oncology recomenda que pessoas com uma expectativa de vida de dez anos ou mais não descartem o teste de PSA e conversem com um urólogo sobre isso. A expectativa é uma estimativa, apenas, baseada na idade do paciente e na sua condição física e de saúde.

Uma controvérsia, uma boa notícia.

 

GLÁUCIO SOARES          IESP/UERJ