QUIMIOTERAPIA INTERMITENTE?

Como diz e repete o personagem House, quimioterapia é veneno. O seu uso contra o câncer da próstata demorou porque não havia evidência de que era eficiente. Posteriormente, demonstrou-se que o Docetaxel agregava um tempo à esperança de vida, que era medido em meses – não poucos dias, nem muitos anos. Tudo isso na mediana, claro.

Um dos debates com os tratamentos com efeitos colaterais pesados é se deve ser continuou ou se pode ser intermitente. É um toma cá dá lá. Está sendo muito discutido na terapia hormonal. Até pouco tempo, havia ampla preferência pela intermitente, que produziria efeitos colaterais menores com ganhos semelhantes à terapia contínua. Duas pesquisas recentes colocaram essa certeza em dúvida. Os efeitos colaterais vão desaparecendo após o fim de um ciclo da terapia, mas talvez os pacientes tenham uma esperança de vida significativamente menor.  

O dilema é parecido no caso do Docetaxel. Um grupo de pesquisadores japoneses analisou pacientes que já não respondiam ao tratamento (anti)hormonal e começaram a químio, com Docetaxel. Eles receberam 75 mg/mL cada três semanas, acompanhadas de dexamethasona oral (1,0 mg/dia). Se o PSA no soro sanguíneo baixava em mais de 50% e baixava a menos de 4 ng/mL, o tratamento era interrompido. Quando voltava a crescer e atingia 2 ng/mL e crescia mais de 50%, a químio era reiniciada.

Cinquenta por cento dos pacientes preencheram as características exigidas para entrar no tratamento intermitente. Vinte por cento receberam uma segunda rodada e apenas 4% chegaram à terceira. Essa política economizou 251 dias no primeiro intervalo (entre o 1º e o 2º ciclos) e 140 entre o 2º e o 3º.

A suspensão significou o fim gradual de vários  efeitos colaterais: perda de apetite, fadiga, diarreias, alopecia etc. Porém, outros efeitos derivavam de danos irreversíveis, como neuropatia motora e sensorial – menos de metade dos pacientes progrediram nesses dois itens.

E o mais importante: a sobrevivência global aumentou, multiplicando por três o tempo vivido pelos pacientes do grupo intermitente.

Se esse estudo for confirmado por estudos maiores, Fase III com muitos pacientes, é possível que tenhamos mudança de protocolo, com menos químio, menos efeitos colaterais e mais sobrevivência. Questão de aguardar.
     

Leia Mais:

Intermittent docetaxel therapy for castration resistant prostate cancer por Haruki Kume, Masayoshi Nagata, Yasuhiko Igawa, Hiroaki Nishimatsu, Yutaka Enomoto, Tohru Nakagawa, Tetsuya Fujimura, Motofumi Suzuki, e Yukio Homma apresentado à American Urological Association (AUA) Annual Meeting – 4 a 8 de Maio, 2013 – San Diego Convention Center – San Diego, California USA.

 

GLÁUCIO SOARES      IESP/UERJ

BOTOX CONTRA O CÂNCER?

Entre as muitas substancias e medicamentos surge uma aliada inesperada na luta contra o câncer da próstata: o botox.

É uma toxina, que tem sido aplicada contra rugas na face e na testa. Bloqueia a ação dos nervos. É por esse caminho inverossímil que enveredaram Gustavo Ayala e colegas no Health Science Center, da Universidade do Texas, em Houston. O seu caráter inesperado e promissor levou a Prostate Cancer Foundation a financiar a pesquisa.

Ultimamente houve avanços no conhecimento do que é chamado do microambiente do tumor, inclusive do suprimento de sangue. Sem sangue, as células morrem. Os tumores criam uma rede de suprimentos para seguir crescendo. Há muitos medicamentos pensados para interferir no suprimento de sangue aos tumores, com resultados variados. Alguns miram a angiogênese, a criação de vascularização para alimentar o câncer.   

Mas, e os nervos? Qual o papel deles no câncer? As pesquisas do grupo de Ayala se concentram na criação de nervos e como afetar os tumores dificultando-a. Talvez o botox possa ajudar na tarefa.  

Os primeiros resultados mostram que o botox murchou essas células num experimentos com homens antes da cirurgia. É possível que injeções de botox diretamente no tumor maximizem os efeitos da cirurgia e da radioterapia. Ayala mostrou que quando as células cancerosas invadem a capa que protege os nervos elas são muito mais difíceis de matar. A equipe demonstrou que o câncer invade os nervos e provoca a formação de novos nervos necessários para a sua expansão.

Como foi a pesquisa? Foi concentrada em pacientes com câncer bilateral e Gleason 6 ou 7. Injetaram botox em um lado e solução salina na outra. Quatro semanas mais tarde os pacientes foram operados (prostatectomia) e a próstata foi examinada. É uma pesquisa Fase I. No lado em que o botox foi injetado, as células cancerosas murcharam em comparação com o lado controle, no qual injetaram a solução salina. Mais: não houve efeito sobre a vascularização sanguínea, o que sugere que o efeito do botox foi sobre os nervos.   

Agora o grupo de Ayala quer saber qual o melhor momento para usar o botox. Claro, se tudo der certo, ainda assim faltará muito tempo até poder ser usado clinicamente.

Sem dúvida, muita criatividade.

GLÁUCIO SOARES  IESP/UERJ 

BOTOX CONTRA O CÂNCER?

Entre as muitas substancias e medicamentos surge uma aliada inesperada na luta contra o câncer da próstata: o botox.

É uma toxina, que tem sido aplicada contra rugas na face e na testa. Bloqueia a ação dos nervos. É por esse caminho inverossímil que enveredaram Gustavo Ayala e colegas no Health Science Center, da Universidade do Texas, em Houston. O seu caráter inesperado e promissor levou a Prostate Cancer Foundation a financiar a pesquisa.

Ultimamente houve avanços no conhecimento do que é chamado do microambiente do tumor, inclusive do suprimento de sangue. Sem sangue, as células morrem. Os tumores criam uma rede de suprimentos para seguir crescendo. Há muitos medicamentos pensados para interferir no suprimento de sangue aos tumores, com resultados variados. Alguns miram a angiogênese, a criação de vascularização para alimentar o câncer.   

Mas, e os nervos? Qual o papel deles no câncer? As pesquisas do grupo de Ayala se concentram na criação de nervos e como afetar os tumores dificultando-a. Talvez o botox possa ajudar na tarefa.  

Os primeiros resultados mostram que o botox murchou essas células num experimentos com homens antes da cirurgia. É possível que injeções de botox diretamente no tumor maximizem os efeitos da cirurgia e da radioterapia. Ayala mostrou que quando as células cancerosas invadem a capa que protege os nervos elas são muito mais difíceis de matar. A equipe demonstrou que o câncer invade os nervos e provoca a formação de novos nervos necessários para a sua expansão.

Como foi a pesquisa? Foi concentrada em pacientes com câncer bilateral e Gleason 6 ou 7. Injetaram botox em um lado e solução salina na outra. Quatro semanas mais tarde os pacientes foram operados (prostatectomia) e a próstata foi examinada. É uma pesquisa Fase I. No lado em que o botox foi injetado, as células cancerosas murcharam em comparação com o lado controle, no qual injetaram a solução salina. Mais: não houve efeito sobre a vascularização sanguínea, o que sugere que o efeito do botox foi sobre os nervos.   

Agora o grupo de Ayala quer saber qual o melhor momento para usar o botox. Claro, se tudo der certo, ainda assim faltará muito tempo até poder ser usado clinicamente.

Sem dúvida, muita criatividade.

GLÁUCIO SOARES  IESP/UERJ 

Ser gordo aumenta o risco de câncer da próstata mesmo depois de biópsia negativa

Vamos examinar apenas os homens que fizeram uma biópsia da próstata e que, naquele momento, os resultados foram negativos – negativos: não há câncer. São quinhentos pacientes. Vamos acompanhar esses homens por 14 anos, mas antes vamos separa-los de acordo com o grau de obesidade.

Nesse período, quantos desenvolveram câncer? Onze por cento.

Quantos em cada grupo? O grau de obesidade influencia a probabilidade de vir a desenvolver um câncer (ou de revelar um câncer que já estava lá)?

Essa é a pergunta feita por Andrew Rundle, professor de epidemiologia na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Rundle sabia que outros fatores influenciavam o risco de ter câncer da próstata, como cor da pele, história de câncer na família, idade, se fuma ou fumou etc. Esses fatores devem ser controlados em qualquer pesquisa. E o foram.

E aí? Qual o impacto da obesidade? A obesidade aumentou em 57% o risco de que esse câncer aparecesse e fosse diagnosticado durante os quatorze anos de acompanhamento.

É interessante notar que essa associação só vale para os canceres que surgiram nos primeiros anos e não no final do período. Ninguém sabe o porquê.

Mais uma pesquisa que demonstra que é alto o custo da obesidade!

 

Leia mais: Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention de 23 de abril.

 

GLÁUCIO SOARES       IESP-UERJ

Ser gordo aumenta o risco de câncer da próstata mesmo depois de biópsia negativa

 

Vamos examinar apenas os homens que fizeram uma biópsia da próstata e que, naquele momento, os resultados foram negativos – negativos: não há câncer. São quinhentos pacientes. Vamos acompanhar esses homens por 14 anos, mas antes vamos separa-los de acordo com o grau de obesidade.

Nesse período, quantos desenvolveram câncer? Onze por cento.

Quantos em cada grupo? O grau de obesidade influencia a probabilidade de vir a desenvolver um câncer (ou de revelar um câncer que já estava lá)?

Essa é a pergunta feita por Andrew Rundle, professor de epidemiologia na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Rundle sabia que outros fatores influenciavam o risco de ter câncer da próstata, como cor da pele, história de câncer na família, idade, se fuma ou fumou etc. Esses fatores devem ser controlados em qualquer pesquisa. E o foram.

E aí? Qual o impacto da obesidade? A obesidade aumentou em 57% o risco de que esse câncer aparecesse e fosse diagnosticado durante os quatorze anos de acompanhamento.

É interessante notar que essa associação só vale para os canceres que surgiram nos primeiros anos e não no final do período. Ninguém sabe o porquê.

Mais uma pesquisa que demonstra que é alto o custo da obesidade! Outras pesquisas já demonstraram que a obesidade aumenta o risco de cinco cânceres: cólon, rins, esôfago, endométrio (do útero) e da mama depois da menopausa.

 Leia mais: Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention de 23 de abril.

 

GLÁUCIO SOARES       IESP-UERJ

 

Efeitos da terapia (anti)hormonal sobre os riscos de enfarte do miocárdio e derrame

Uma pesquisa feita na Dinamarca estimou os efeitos da terapia (anti)hormonal sobre os riscos de enfarte do miocárdio e derrame.

Todos os pacientes registrados no Danish Cancer Registry de 1º de Janeiro de 2002 até 2010 foram incluídos. São mais de trinta mil casos. Usaram regressões estatísticas Cox para estimar as razões de risco entre os que receberam essa terapia, os que receberam orquiectomia e os que não receberam nenhum desses tratamentos. A análise, como não poderia deixar de ser, foi feita separadamente de acordo com a pré-existência de infarto do miocárdio e derrame.

Os resultados mostram que a razão de risco dos tratados com terapia (anti)hormonal tinham um risco maior de enfartar (HR = 1,31) e de derrame (HR = 1,19). Os que foram orquiectomizados não tinham risco mais alto.

 

O estilo de vida não foi controlado e ele pode se relacionar com o tratamento e com o risco.

Autores: Jespersen CG, Nørgaard M, Borre M.

 

Saiba mais: Eur Urol. 2013 Feb 12.

 

 

GLÁUCIO SOARES          IESP-UERJ

Efeitos da terapia (anti)hormonal sobre os riscos de enfarte do miocárdio e derrame

Uma pesquisa feita na Dinamarca estimou os efeitos da terapia (anti)hormonal sobre os riscos de enfarte do miocárdio e derrame.

Todos os pacientes registrados no Danish Cancer Registry de 1º de Janeiro de 2002 até 2010 foram incluídos. São mais de trinta mil casos. Usaram regressões estatísticas Cox para estimar as razões de risco entre os que receberam essa terapia, os que receberam orquiectomia e os que não receberam nenhum desses tratamentos. A análise, como não poderia deixar de ser, foi feita separadamente de acordo com a pré-existência de infarto do miocárdio e derrame.

Os resultados mostram que a razão de risco dos tratados com terapia (anti)hormonal tinham um risco maior de enfartar (HR = 1,31) e de derrame (HR = 1,19). Os que foram orquiectomizados não tinham risco mais alto.

 

O estilo de vida não foi controlado e ele pode se relacionar com o tratamento e com o risco.

Autores: Jespersen CG, Nørgaard M, Borre M.

 

Saiba mais: Eur Urol. 2013 Feb 12.

 

 

GLÁUCIO SOARES          IESP-UERJ