Câncer da próstata e estatinas

O câncer da próstata atinge, majoritariamente, pessoas idosas, ainda que tenhamos casos entristecedores de crianças com a doença. Os idosos também são mais afetados por doenças cardiovasculares e enfrentam problemas com o colesterol. Muitos tomam estatinas para controlar o colesterol.

Claro que os pesquisadores se perguntaram: as estatinas afetam o câncer? Se afetam, é para melhor ou para pior?

Parece fácil pesquisar essa relação, mas há possíveis efeitos endógenos: dados os mesmos problemas cardiovasculares, quem toma estatinas, na média, tende a ter mais cuidado com a saúde do que quem não toma, a fazer check-ups mais frequentes, a ir ao médico regularmente e a ter mais recursos monetários, cognitivos e associativos. São pacientes diferentes.

As pesquisas feitas, em sua maioria, foram retrospectivas, e buscaram saber se os pacientes que tomavam estatinas (informação obtida dos próprios pacientes ou, em poucos casos de países com excelente sistema de estatísticas integradas, das receitas médicas) apresentavam um desenvolvimento diferente do câncer.

E os pacientes que passaram a tomar estatinas depois do diagnóstico do câncer? As estatinas ajudaram?

Uma pesquisa realizada na Dinamarca informa que o consumo regular de estatinas possivelmente reduz o risco de morte em 20%. Prudentemente, os pesquisadores dão um passo para trás e afirmam que a associação não demonstra causalidade.

Como foi feita a pesquisa?

Analisaram dados de quase 32 mil dinamarqueses de 35 a 85 anos que foram diagnosticados com um adenocarcinoma da próstata entre 1998 e 2011. Coletaram as informações começando um ano depois do diagnóstico, e organizaram os dados relativos aos 2,8 anos seguintes – na mediana.

O resultado: homens que passaram a usar estatinas depois do diagnóstico tinham um risco 17% menor de morrer daquele câncer e 19% menor de morrer de qualquer causa.

Entre parênteses: confirmando o que já sabíamos, dos 32 mil, 7.365 morreram do câncer e 11.811 de outras causas. Mais pessoas diagnosticadas com câncer da próstata acabam morrendo por outras causas do que devido ao câncer.

Claro que os pesquisadores “controlaram” outros fatores que alteram o risco de morte, começando com a idade do paciente, o ano do diagnóstico, o escore Gleason, um indicador da agressividade do câncer, o tipo de tratamento e fatores socioeconômicos. Controlados esses fatores, concluíram que o uso de estatinas reduziu o risco de morte pelo câncer em 17% e de todas as causas juntas em 19%.

Para fins da pesquisa, usuários de estatinas eram os pacientes que tiveram duas ou mais receitas depois do diagnóstico do câncer, sem contar as receitas do primeiro ano.

Pacientes com diagnóstico precoce e os que fizeram prostatectomia se beneficiaram mais da estatina.

Os pesquisadores e outros “experts” entrevistados concordam em que uma pesquisa maior, com grupos controle, é necessária antes que os médicos comecem a prescrever estatinas para ajudar no tratamento do câncer da próstata. As estatinas também têm efeitos colaterais.

Se você, um parente ou amigo enfrenta um câncer da próstata, consulte seu urologista ou oncologista sobre essa possibilidade. De jeito algum se automedique.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

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