A terapia hormonal melhora os resultados depois da radioterapia

Em um em cada três pacientes tratados com cirurgia para o câncer da próstata o câncer volta de maneira detectável. A detecção usualmente é feita com o exame de PSA. Alguns médicos aguardam antes de recomendar um segundo tratamento, a radiação. Tomam essa decisão ou não, dependendo da velocidade com que o PSA cresce (a velocidade do PSA e o tempo que leva para dobrar são os indicadores tradicionais) e outros fatores, como o escore Gleason. Outros médicos jogam no mais seguro e recomendam a radioterapia, ponto.

A despeito dessa segunda linha de combate (a radioterapia), o câncer reaparece em vários pacientes (é o meu caso) e progride a uma velocidade que varia muito de paciente para paciente. Dependendo da agressividade, o câncer pode progredir até a metástase (nesse câncer, três em quatro são nos ossos, o que, usualmente, é muito doloroso) e, finalmente, alguns pacientes morrem devido ao câncer.

A pergunta que muitos se faziam é se era possível melhorar os resultados da segunda linha de combate. Uma pesquisa publicada recentemente no New England Journal of Medicine mostra que sim.

Examinaram 760 pacientes que haviam feito a cirurgia e o câncer reapareceu. Todos receberam a radiação. Metade deles recebeu, também, um tratamento hormonal, com a bicalutamida (Casodex), nos dois anos seguintes. A outra metade representa o tradicional grupo controle.

Não é um medicamento recente: foi patenteado em 1982 e aprovado para uso médico em 1995. Tem menos efeitos colaterais do que outros medicamentos hormonais e, atualmente, é um dos mais baratos. O preço das doses nos Estados Unidos é cerca de dez dólares por mês. Há outros que custam mais de mil dólares ou mais por injeção depósito de seis meses.

Quais foram os resultados?

Houve diferenças entre os dois grupos?

Houve. Doze anos depois da radiação, três em cada vinte dos pacientes que receberam o tratamento hormonal tiveram metástases, em comparação com cinco em cada vinte dos que estavam no grupo controle.

E a sobrevivência?

Também houve diferenças no que concerne a sobrevivência: 76,3% dos pacientes do grupo que tomou bicalutamida continuavam vivos, cinco por cento a mais do que os que não tomaram (71,3% estavam vivos).

Não são diferenças gigantescas, mas, para muitos, toda melhoria, ainda que pequena, conta…

Comunique os resultados dessa pesquisa a pacientes de câncer da próstata e/ou seus familiares e amigos para que a discuta com seu médico. Pode ajudá-los.

GLÁUCIO SOARES IESP-UERJ

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