ESTATINAS E PERDA DE MEMÓRIA: RESULTADOS CONTRADITÓRIOS

Uma pesquisa sugeriu que em trinta dias após iniciar um tratamento com estatinas: o risco dos usuários desenvolverem uma perda aguda de memória seria multiplicado por quatro. Porém, um aumento similar foi descoberto recentemente por outra pesquisa, com pacientes que usavam outro tipo de medicamentos para baixar os lipídeos. Brian L. Strom comparou a perda de memória dos que usavam estatinas para baixar o LLD e a dos que usavam outros medicamentos. Não encontrou diferença entre eles. Não obstante, os dois grupos tiveram aumentos significativos nesse indesejável risco. As estatinas foram atorvastatina e sinvastatina.

Mas o risco da perda de memória está lá. Essa descoberta transfere a responsabilidade das estatinas para outro lado: aquelas classes de medicamentos, a própria baixa no LLD…

Strom aventou a hipótese de viés: pacientes que começaram a tomar um medicamento recentemente teriam maior tendência a relatar efeitos colaterais. Eu acrescentaria: talvez até a efetivamente senti-los. Um problema com esse tipo de desenho de pesquisa é que confia exclusivamente no paciente para conscientemente relatar perda de memória.

Outros estudos chegaram a conclusões divergentes: tomando os que usam estatinas há muito tempo, uns concluíram que há perda de memória; outros, que não há e terceiros que há até melhoria. Essas pesquisas comparavam usuários com não usuários.

Ou seja: voltamos à estaca zero.

 

GLÁUCIO SOARES                 IESP-UERJ

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